quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FOI ERRO CPLP REJEITAR GUINÉ-EQUATORIAL


São Tomé e Príncipe: Recusar entrada Guiné Equatorial na CPLP foi "infeliz" e um "erro" - Patrice Trovoada

EDUARDO LOBÃO – LUSA

São Tomé, 05 ago (Lusa) - Patrice Trovoada, apontado como futuro primeiro ministro de São Tomé e Príncipe, disse à Lusa que a recusa da entrada da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa foi "infeliz" e um "erro".

"Foi muito infeliz aquilo que aconteceu, quer do ponto de vista protocolar, quer do ponto de vista de estratégia política", sustentou Patrice Trovoada, que em breve deverá formar Governo, na sequência dos resultados das legislativas de domingo passado, em que o partido que lidera, a Acção Democrática Independente, elegeu 26 dos 55 deputados do parlamento.

"As críticas que são feitas ao regime do Presidente (da Guiné Equatorial, Teodoro) Obiang, eu quero dizer que podiam ser feitas a outros regimes, que são membros da CPLP. Sabemos que países membros da CPLP conheceram fases bastante dramáticas, fases que até agora não foram esclarecidas", frisou.

A este respeito, Patrice Trovoada recordou o que classificou como "assassinato bárbaro" do Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, que, salientou, "até hoje não está esclarecido".

"Eu quero relembrar também, enfim, algumas situações que Angola atravessou, e as pessoa, enfim, levantam algumas dúvidas", acrescentou, referindo-se ao anúncio da condenação de quatro ativistas cabindas.

"O que se passa é que na nossa Comunidade sempre haverá problemas. O que é preciso é sermos solidários e dentro da comunidade ajudar os outros a ultrapassar esses problemas e a evoluir", defendeu.

Recusar a entrada da Guiné Equatorial na CPLP significa ainda deitar a perder uma componente económica, que Patrice Trovoada sustenta poder ajudar alguns países, como Portugal, a consolidarem as suas economias.

"Quero só dizer que no domínio do gás, Portugal teria muito a ganhar se houvesse relações muito mais estreitas com a Guiné Equatorial", disse.

"Considero que nessas coisas é muito mau quando as pessoas perdem a face. Não havia necessidade de se convidar o Presidente da Guiné Equatorial para a cimeira (de Luanda) se não havia vontade de aceitar" aquele país, sustentou.

De forma assertiva, Patrice Trovoada repetiu que se tratou de "um erro", porquanto "se deixou passar uma oportunidade de enriquecer" a CPLP.

"E de, provavelmente, trazermos um pouco mais de substância económica a essa Comunidade, que não pode ser só uma Comunidade na vertente cultural, mas tem que ser uma comunidade económica, muito concreta, e a Guiné Equatorial, do ponto de vista económico certamente iria trazer um peso importante que faz falta hoje a essa Comunidade", concluiu.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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