sábado, 25 de setembro de 2010

Moçambique - ARMANDO GUEBUZA SAÚDA AVANÇOS DO PAÍS

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ANGOLA PRESS – 25 setembro 2010

Maputo - O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, saudou hoje, em Maputo, a "construção" do país pelo povo, que o tornou "mais avançado do que antes", mas reconheceu a falta de pensões e salários "condignos".

Armando Guebuza falava aos jornalistas no final da cerimónia comemorativa do 25 de setembro, Dia das Forças Armadas, em homenagem ao início da luta armada pela FRELIMO, em 1964, contra o regime colonial português.

"Devemos aproveitar a ocasião para reflectirmos profundamente sobre o país que estamos a construir, sobre aquilo que nos queremos tornar, para que possa ser igual ou semelhante aquele Moçambique com que sonhámos", afirmou o Chefe de Estado moçambicano.

Apesar de acreditar que hoje o país "está mais avançado do que antes" e que a luta pelas pensões e apoios a projectos "está a ser ganha", Armando Guebuza reconheceu haver ainda "muitos aspectos por resolver".

Questionado sobre as exigências dos antigos combatentes moçambicanos, que pedem um aumento das pensões e a criação de condições para a sua reintegração social, o Chefe de Estado admitiu "não poder falar de pensões condignas nem de vencimentos condignos".

"Infelizmente, no nosso país, porque somos pobres, ainda não criámos a riqueza que queríamos ter", justificou. Porém, ressalvou tratar-se de um "processo de conquista constante", resultado, "sobretudo, do trabalho e do aumento da competitividade".

No início do mês, o Governo aprovou um fundo anual de quatro milhões de meticais (cerca de 85 mil euros) para projetos de reinserção social dos antigos militares e assumiu a elaboração de uma Lei do Estatuto do Combatente, face às ameaças de manifestação por parte do Fórum dos Combatentes de Moçambique.

Também esta semana, o Executivo anunciou o alargamento do Fundo de Desenvolvimento de Iniciativas Locais, vulgo "sete milhões" de meticais (145 mil euros até agora alocados apenas aos distritos rurais) aos distritos urbanos, como forma de combater a pobreza urbana.

"É óbvio que os 'sete milhões' nos distritos rurais estão consolidados, há profundas transformações que se operam lá, e sentimos que também nas cidades era necessário fazer alguma coisa nesse sentido", explicou o Presidente moçambicano.

Armando Guebuza considerou ser esse "um novo desafio" para o país: "temos que estar preparados para ver como usar (o fundo) da melhor forma, como empoderar cada vez mais a nossa população, apesar do recurso dos sete milhões ser muito pouco à escala nacional, claro".

"A nossa mensagem é que a luta ainda não chegou ao fim", sublinhou o Chefe de Estado, para quem a "verdadeira" independência só será possível quando se "conquistar a independência no plano económico".

Em 1964, dois anos depois da sua criação, a FRELIMO deu início à luta armada contra o regime colonial português, com o ataque ao posto administrativo de Chai, província de Cabo Delgado, norte.

Há dez anos, Moçambique e Portugal assinavam os Acordos de Lusaka, que conferiram a independência ao país.
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