
FILOMENO MANAÇAS * – JORNAL DE ANGOLA – 19 setembro 2010
1. O país inteiro mobilizou-se para assinalar, mais uma vez, o Dia do Herói Nacional e o aniversário da data de nascimento daquele que foi o primeiro Presidente de Angola. Relembrar Agostinho Neto é recuar aos tempos em que as ideias nacionalistas fervilharam com particular intensidade, em África e no Mundo, e ganharam outra dimensão e projecção com a organização de formações políticas que se bateram com estoicismo contra o regime colonial-fascista. A luta política na clandestinidade, as prisões, o salto para a luta de guerrilha e as várias vicissitudes que esta conheceu até se alcançar a independência nacional, em 11 de Novembro de 1975, tudo isso representa uma epopeia, em que Neto foi estrela maior, que os angolanos procuram imortalizar da melhor maneira para que as gerações vindouras possam sempre ter presente o sentido profundo do combate levado a cabo.
Foram anos consagrados ao resgate do respeito pela dignidade humana, à conquista da independência que nos permitiu hoje sermos senhores do nosso destino comum.
Poemas como “Adeus à hora da largada”, “Voz do Sangue”, “Mussunda amigo”, “Contratados”, “Aspiração”, “Consciencialização” e “Havemos de voltar”, entre outros que Agostinho Neto nos legou, representam não apenas uma forte denúncia política daquilo que eram as amarras do sistema, como constituem, também, repositório de valores reconhecidamente universais e válidos a todo o tempo. Angola continua a trilhar os rumos traçados pelo poeta maior e, apesar de todas as tentativas feitas para esvaziar o sentido da independência política, a verdade é que os angolanos conseguiram manter-se firmes e procuram agora reforçar as outras vertentes do conceito de soberania. Quem nos anos difíceis e face às dificuldades que de propósito nos foram criadas questionou a razão de ser da independência nacional, rende-se hoje às evidências dos factos, ao constatar que o país progride na agricultura, em número de estradas, de escolas, de novas infra-estruturas, de assistência médica e por aí adiante. A dignidade não tem preço e foi por isso que Agostinho Neto e companheiros preferiram as matas e as agruras da vida no combate contra o sistema colonial do que as benesses. A conquista da independência política foi tarefa árdua que levou 14 anos de luta de libertação nacional e a afirmação e consolidação económica e cultural de Angola é outra empreitada que vai requerer outros tantos anos de labuta e maturação, numa missão que deve ser sempre permanente.
Vários foram os quadros que deram o seu melhor para que Angola se tornasse independente e, numa altura em que o país está mergulhado numa campanha de resgate dos valores cívicos e morais, olhar para os ideais defendidos por Agostinho Neto é (voltar a) sorver aquilo que de mais fundo se depreende do seu ser: pessoa aberta ao mundo, com forte sentido de justiça e de independência convicta. Valores nobres que mostram que o homem que proclamou a independência de Angola não tinha as suas atenções consagradas exclusivamente aos objectivos políticos; era uma pessoa que defendia os princípios da solidariedade humana e de conduta cívica, fruto, também, da sua formação religiosa.
2. Luanda acolheu a XVIII assembleia-geral anual da Associação das Rádios e Televisões da África Austral (SABA) e os desafios da migração do sistema analógico para o formato digital foi dos temas que mais em foco esteve, tendo em conta as implicações de ordem económico-financeira e o facto de, a partir de Junho de 2015, a UIT deixar de proteger o primeiro. Um assunto que, pela sua complexidade, não cabe neste espaço. Outro dos temas foi “o impacto social das rádios comunitárias”, que incidiu sobre a qualidade dos conteúdos a produzir e a participação da comunidade. Nota positiva, aqui, para a intervenção de Franklin Huizes, que falou da experiência sul-africana e tratou de esclarecer que as rádios comunitárias não são destinadas a prosseguir fins político-partidários, sob pena de a licença concedida ser retirada, além de esta não ter carácter vitalício.
* Diretor do Jornal de Angola
1. O país inteiro mobilizou-se para assinalar, mais uma vez, o Dia do Herói Nacional e o aniversário da data de nascimento daquele que foi o primeiro Presidente de Angola. Relembrar Agostinho Neto é recuar aos tempos em que as ideias nacionalistas fervilharam com particular intensidade, em África e no Mundo, e ganharam outra dimensão e projecção com a organização de formações políticas que se bateram com estoicismo contra o regime colonial-fascista. A luta política na clandestinidade, as prisões, o salto para a luta de guerrilha e as várias vicissitudes que esta conheceu até se alcançar a independência nacional, em 11 de Novembro de 1975, tudo isso representa uma epopeia, em que Neto foi estrela maior, que os angolanos procuram imortalizar da melhor maneira para que as gerações vindouras possam sempre ter presente o sentido profundo do combate levado a cabo.
Foram anos consagrados ao resgate do respeito pela dignidade humana, à conquista da independência que nos permitiu hoje sermos senhores do nosso destino comum.
Poemas como “Adeus à hora da largada”, “Voz do Sangue”, “Mussunda amigo”, “Contratados”, “Aspiração”, “Consciencialização” e “Havemos de voltar”, entre outros que Agostinho Neto nos legou, representam não apenas uma forte denúncia política daquilo que eram as amarras do sistema, como constituem, também, repositório de valores reconhecidamente universais e válidos a todo o tempo. Angola continua a trilhar os rumos traçados pelo poeta maior e, apesar de todas as tentativas feitas para esvaziar o sentido da independência política, a verdade é que os angolanos conseguiram manter-se firmes e procuram agora reforçar as outras vertentes do conceito de soberania. Quem nos anos difíceis e face às dificuldades que de propósito nos foram criadas questionou a razão de ser da independência nacional, rende-se hoje às evidências dos factos, ao constatar que o país progride na agricultura, em número de estradas, de escolas, de novas infra-estruturas, de assistência médica e por aí adiante. A dignidade não tem preço e foi por isso que Agostinho Neto e companheiros preferiram as matas e as agruras da vida no combate contra o sistema colonial do que as benesses. A conquista da independência política foi tarefa árdua que levou 14 anos de luta de libertação nacional e a afirmação e consolidação económica e cultural de Angola é outra empreitada que vai requerer outros tantos anos de labuta e maturação, numa missão que deve ser sempre permanente.
Vários foram os quadros que deram o seu melhor para que Angola se tornasse independente e, numa altura em que o país está mergulhado numa campanha de resgate dos valores cívicos e morais, olhar para os ideais defendidos por Agostinho Neto é (voltar a) sorver aquilo que de mais fundo se depreende do seu ser: pessoa aberta ao mundo, com forte sentido de justiça e de independência convicta. Valores nobres que mostram que o homem que proclamou a independência de Angola não tinha as suas atenções consagradas exclusivamente aos objectivos políticos; era uma pessoa que defendia os princípios da solidariedade humana e de conduta cívica, fruto, também, da sua formação religiosa.
2. Luanda acolheu a XVIII assembleia-geral anual da Associação das Rádios e Televisões da África Austral (SABA) e os desafios da migração do sistema analógico para o formato digital foi dos temas que mais em foco esteve, tendo em conta as implicações de ordem económico-financeira e o facto de, a partir de Junho de 2015, a UIT deixar de proteger o primeiro. Um assunto que, pela sua complexidade, não cabe neste espaço. Outro dos temas foi “o impacto social das rádios comunitárias”, que incidiu sobre a qualidade dos conteúdos a produzir e a participação da comunidade. Nota positiva, aqui, para a intervenção de Franklin Huizes, que falou da experiência sul-africana e tratou de esclarecer que as rádios comunitárias não são destinadas a prosseguir fins político-partidários, sob pena de a licença concedida ser retirada, além de esta não ter carácter vitalício.
* Diretor do Jornal de Angola
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