PORTUGAL DIRETO
PURA E DURA VOX POPULI
A voz do povo é soberana, não? Se não é devia de ser. É da voz do povo que aqui se fala, por essa razão saem as palavras consideradas contundentes e reportadas de falta de educação. Que querem, o povo fala assim. Diz assim e ainda mais quando está danado, saturado, desiludido, fodido - desculpem a palavra, não se destina a ofender quem quer que seja, mas é como vulgarmente se diz. Em vox populi quando a moleirinha começa a ferver por se tornar evidente que nos andam a tramar.
Claro que não são palavras que sejam aplicadas na Assembleia da República, também, não há lá ninguém do povo. Os que eventualmente existiam já se mudaram e agora são deputados. O povo também lhes chama deputedos. Conheci uma velhota, a Ti Engrácia, que sempre que via algo relacionado com o hemiciclo sãobentiano dizia: “É tudo um putedo, senhor Alfredo.” Não faço ideia a que Alfredo se referia. Ao Marceneiro não era, de certeza absoluta. Esse cantava o fado como nunca mais ninguém conseguiu fazê-lo. Era como o sentia. Aliás, os melhores intérpretes do fado são inimitáveis. Como em tudo… Talvez. Quando se faz algo com gosto, empenho e honestamente somos sempre inimitáveis porque emprestamos um cunho próprio ao que estamos a realizar…
Agora por isso, mas os deputados são praticamente todos iguais. São facilmente imitáveis. Até parecem robôs. Daí podemos concluir que não estão lá por gosto, nem por empenho, nem são honestos. Olhem que esta coisa tão simples até bate certa. Não?
Houve quem escrevesse a perguntar porque é que neste blogue se “bate tanto nos deputados”. Apetece responder: “Olhe que não, olhe que não…” Evidentemente que quando é referido “bater” significa somente porque é que aqui se é tão contundente com os senhores de S. Bento… Evidentemente que a razão se prende com o facto de haver quem ache que merecem. Que andam por ali a esfregar o cu nas cadeiras e a gastar solas pelos corredores para garantirem os seus tachos, tratarem das suas vidinhas e das vidinhas dos de sua laia, amizades e famílias. Das suas corporações partidárias e etc. É assim que os plebeus, nós, pensamos sobre o que é produzido na chamada AR. Daí muitos de nós considerarmos aqueles estafermos isso mesmo. Evidentemente que isto são avaliações políticas. Contundentes, aborrecidas, para alguns até obscenas. Mas que querem, o povo entre ele fala assim. Entre ele até não é parvalhote. Pena é que depois vá nos papões, nas manipulações e papões produzidas pelos actos e palavras dos políticos e seus aliados. Abunda a hipocrisia e falta de honestidade.
Reparemos que apesar da crise tudo o que são produtos a preços elevadíssimos tem aumentado as vendas. Automóveis de topo de gama, casas de topo de gama, tudo que é de topo de gama, quase tudo, e que é consumido por uma certa classe minoritária que bem sabemos, tem sido vendido e comprado. Evidentemente que há muitos que ganham ainda mais com a crise… Muitos, dentro da minoria. Infere-se daí que a crise é só para os que trabalham, os que estão desempregados, os que estão doentes e têm trato de polé no sistema de saúde de Portugal. São os que menos têm que mais pagam com a crise.
Mas nem por isso, e por isso, abrandam com os cortes que afectam essencialmente a classe média baixa e os abaixo de cão, os desempregados, as crianças, os velhos, os estigmatizados pelas decisões dos tais “deputedos” – assim popularmente chamados – mas que são deputados. Encontramos em toda aquela amálgama de “iluminados” os que aparentam falar e querer tomar decisões justas e que aliviem o martírio dos depauperados, dos desesperados, dos da pobreza envergonhada e dos da assumida, dos espoliados dos seus direitos… Mas quem acredita nesses? Além do mais, eles são tão poucos. São muitos os que dizem sempre defenderem Portugal e os portugueses. Dizem, mas não o fazem. Mentem. Iludem. Manipulam. Jogam com as palavras e, no fim, transformam o que parece serem boas intenções em prejuízo sempre dos mesmos. Os que cada vez menos têm ou que já nada têm. Políticos, charlatães. Políticos, deputados, presidentes, ministros e toda aquela má raça, uma cambada. Evidentemente que a páginas tantas temos de os ver como uma generalidade de seres que ali perdem a humanidade para obedecerem a corporações que sistematicamente visam o nosso engano e exploração.
As eleições já foram assimiladas por imensos como um ritual. Muitas pessoas vão votar embaladas em loas porque “a esperança é sempre a última a perder”, outras porque ainda consideram o voto como seja “uma arma democrática”. Que arma? Que democracia? Experimentassem a votar em partido político honesto, justo, que repusesse somente certos direitos que já foram retirados da Constituição e logo veriam a democracia desses falsos democratas que se alojam principalmente no CDS, no PSD e no PS. De uns aos outros quase não há diferença.
E depois temos ainda no Parlamento de Portugal o Bloco de Esquerda, o PCP e os Verdes… Mas que tem adiantado? E quem nos garante que as forças chamadas de esquerda se fossem poder não se comportariam como o chamado Centro Direita dos outros três partidos que têm constituído governos de alternância, como dizem mas que não é – porque alternância seria vermos governos de direita e de esquerda (assim chamados) a serem governos. Mas não, nada disso se vê. Grave que foi estabelecido e assimilado o critério de que o PS é de esquerda quando afinal não passa de grupelho de ilusionistas, de aldrabões que até a eles próprios se enganam e se convencem ser de esquerda. Caso de Manuel Alegre, um exemplo. Um indivíduo de esquerda e democrata não pode nem deve pactuar com medidas de direita, que só beneficiam uma minoria, sob pena de se estar a violentar e de essa violentação ter limites. Um indivíduo de esquerda jamais suportaria fazer papel de embrulho como Alegre o tem feito no PS, ele e outros que se convenceram que ainda são de esquerda. O mesmo se pode dizer de muitos “democratas” do PCP. Porque não o são mas não têm tido oportunidade de o mostrar devido a estarem despojados do poder. Idem para o Bloco de Esquerda. Mais grave, neste caso.
Usando a fraseologia de uns quantos que agora são bloquistas e já se agarraram ao tacho, eles “aburguesaram-se”. Eles já não dizem “porra”, muito menos que “estamos fodidos”. Eles usam horas preciosas a fazer como os outros e a debitarem de poucos minutos a poucos minutos “senhor presidente, senhores deputados…”, e depois… outra vez, e outra vez… Irra, que cansa tanta caganeirisse, tanta hipocrisia, tanta educação e deferências para depois acabarem por produzir sacanice, prejuízo dos que já estão carenciados no emprego, na saúde, na educação, na habitação, na alimentação, etc, etc.
“Senhor Presidente, Senhores Deputados, Senhores Caganeirosos: Vão à merda, senhores!” É o que apetece dizer, politicamente falando. É o que se ajusta, no critério dos que estão sistematicamente a levar nas trombas com as medidas tomadas pelos políticos, uma raça facilmente imitável mas que só uns quantos conseguem pertencerem-lhe. E para isso têm de estar de algum modo afectos a partidos políticos. Não é qualquer cidadão que se pode propor a ser deputado. Tem de pertencer a uma corporação e que aquela o veja com “bons olhos” – que é como quem diz: tem de ser manso, hipócrita, saber safar-se. Vender-se. Olha que democracia!
Não se ofendam com as verdades. Corrijam-se. São só apreciações políticas, nada mais. De resto é tudo boa gente. Alguns até são muito agradáveis com os do povinho, a gentinha, fora das campanhas eleitorais. Outros não, são uns “inchados”, soberbos, convencidos, merdosos. E há os que sabem muito bem que estão a participar numa grande porcaria… mas têm de sobreviver para os vícios e comprometimentos da política porca. Até parece que já não sabem fazer mais nada. E lá andam a saltar de tacho em tacho, umas vezes ministros, outras em altos cargos em empresas a quem fizeram favores ou é perspectivado virem a fazer quando voltarem a ser ministros, secretários de estado… Enfim. Isto até parece resultado de um pesadelo ou de uma noite mal dormida… Não, infelizmente é a realidade. Pura, dura e vox populi.
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