terça-feira, 22 de março de 2011

Algumas razões de revolta contra a ditadura em Angola - Coque Mukuta

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CLUB K – 22 março 2011

Luanda - Depois das simulações electrónicas apelando para os angolanos saírem à rua no dia 07 de Março, protagonizadas pelos internautas angolanos lúcidos quemuito provavelmente procuraram testar uns e outros, quer dizer, o comportamento dos angolanos face a miséria e repressão e concomitantemente a reacção dos governantes ante o clamor do povo frustrado, várias são as vozes que não se fazem esperar a rogar para que os ventos da África do Norte varram este território “ANGOLA”.

O seu porquê pode parecer injustificado, mas depois dos episódios ocorridos nos dias 5, 6 e 7 de Março com incidência para as excitações de alguns dirigentes e das forças de repressão, poucas dúvidas restam para que se consubstancie a legitimidade de uma manifestação em nome da Democracia e Justiça, contra a Ditadura e Irracionalidade.

Prender pacíficos manifestantes e ameaçar a morte um povo inteiro, ou melhor, todos os descontentes, quando em alarde entoamos “MPLA – é o Povo e o Povo é o MPLA”, é sarcasmo de mais. Tudo porque apesar de conscientemente massacrados, angolanos “o povo mais generoso do mundo”, simplesmente juramos dar a nossa vida para proteger o nosso presidente que em 32 anos directa ou indirectamente dilacerou milhares de concidadãos. “Ninguém se mexe, se não morre, ninguém tuge, se não morre”, neste mar em que apenas se afoga. É nesta lógica que o jovem Cocque Mukuta, junta o seu grito aos demais e num trabalho que nos foi gentilmente enviado, lança as suas “sete razões que dão razão de revolta contra a ditadura”:

1. O empobrecimento sistemático do povo angolano e em contrapartida o enriquecimento ilícito da família real e dos dirigentes máximos do MPLA. Todos sabemos como o MPLA e seu presidente subtilizam as pertenças dos angolanos de todo o território nacional, soterrando-os na miséria material e espiritual. 35% é o total de imposto que um indivíduo deve pagar para fazer um negócio, “o cidadão torna-se mero servidor do estado/MPLA, enquanto os mesmos, nem passam por estas burocracias contraproducentes. Para o “Grupo-JES”, além deles, mais ninguém pode deter o que apelidaram de “monopólio selvagem”;

2. Prepotência, arrogância à que se vestem os dirigentes do MPLA e o seu Presidente.Angola tem dono, disto finalmente estamos certos, desde 07 de Março, a confirmação, senão mesmo a consagração. Basta ver as constantes detenções ilegais que se levam a cabo de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste, inclusive de jornalistas. Um presidente ciente de seu dever cumprido, à margem de qualquer conotação extremista ou tirânica, não faz recurso a um aparato militar para se movimentar num meio que o devotou confiança à 82%. A UGP nas ruas de Luanda se expõe até com armas de Guerra convencionais. O congestionamento que cria ao transito a quando das deslocações do PR, é um grande vírus à economia doméstica. Outrossim, estão as palavras do seu representante, Dino Matross, Secretário- geral do MPLA, disse e eu cito: “quem tentar vai apanhar”;

3. Nepotismo e Oligarquia de José Eduardo dos Santos. Se o pai não demonstra lealdade aos seus filhos, nunca haverá lealdade nesta mesma casa. Na irresponsabilidade o povo hoje é visto como dejecto e ninguém diz nada. Não há responsabilização pelo pessoal do “Grupo-JES”. O país tornou-se nummero clube de amigos, nada é por competência, basta ser do “Grupo-JES”, lugar e mordomias garantidos. Ninguém diz coisa alguma sobre as estradas inacabadas, edifícios mal feitos: “Hospital Geral de Luanda, Divisão do Cazenga, Aeroporto de Luanda, projectos de construção insignificantes que são sobre-facturados em milhões de dólares e muitas outras”;

4. Desfalques e Roubos Sistematizados as Contas do Estado Angolano. – O Banco Nacional de Angola foi esfaqueado. Os Ministérios, de igual forma. Vejamos senhores, como é possível um salário mínimo 80 dólares, em que o diferencial ao salário máximo, não é superior a 100% do valor inferior à aquisição de automóveis de 100 mil dólares? Mesmo com poupança, não se faz. Comprar uma casa de 800.000 dólares, só mesmo roubando, com a permissão de quem o compete. Sabe-se também que, 45 bilhões de dólares é o que perfaz o Orçamento Geral do Estado Angolano anualmente, e o diferencial é em todas as circunstâncias maior que o previsto. “Em que se justifica o endividamento do país?”;

5. Péssimas Condições de vida das Populações Angolanas. – Alguém falou-me de uma paz que mata mais do que a guerra, parece estar muito próxima da nossa. Não vou descrever a vida no Quela, em Kamitutu, no Kunda-Dia-Base, na Tchavola, em Kamabatela, nos Dembos Kibaxi, no Chongoroi. Vou falar do Cazenga aqui próximo na Decorang, onde o povo vive na linha vermelha da pobreza. No Catintó o povo está morrendo. Na Vila Sanzala, uma autêntica desgraça. Nos “Ossos” o povo está acabrunhado. O Senhor Presidente sabe, e nada faz, se não sabe, devia se deslocar aos ex-congolenses, e ver como a Zungueira é distratada na sua própria terra. Na verdade, o que existe é “um grupo minoritário que está aí com alguma sustentabilidade, tudo o resto é paupérrimo”;

6. A Ditadura de JES, fruto dos 32 anos no poder. – Presidente angolano é ditador. Faz da TPA, RNA, JA e Angop o seu boletim de informação. Senhor Presidente convive com as falcatruas cometidas pelos seus melhores colaboradores e não diz nada. Diferente do que diz o artigo 127 nº 1, da Constituição angolana e cito: “O Presidente da República não é responsável pelos actos praticados no exercício das suas funções, salvo de suborno, traição à Pátria e a prática de crimes definidos pela presente Constituição como imprescritíveis e insusceptíveis de amnistia”, está o princípio do direito internacional geral, que faz alusão: “O princípio da proibição do enriquecimento sem causa”.

Há 32 anos em Angola, tornou-se cultura não prestar contas. De igual modo, JES, faz dos Serviços Secretos os malfeitores da boa verdade. Todos partilhamos as informações de mortes do Professor Mfulumpinga Lando Victor; do Cristiano Santos, Augusto João Pereira, Artur Nunes e outros cujas mortes até a data não foram esclarecidas, mesmo se autoridades usem o bom verbo para escamotear a veracidade ocultada.

7. Exclusão dos angolanos a favor dos estrangeiros. – Não é tribalismo nem racismo se questionarmos a descendência de cada um, dentro de um determinado território. Fruto disso, a distinção entre o povo e a população. Hoje, não há, na geração pura entre os existentes com uma acomodação, mesmo competente. Olha, o que fazem com Marcolino Moco, David Mendes, Rafael Marques, Makuta Nkondu, João Paulo Nganga, olha mesmo o que fizeram com Ricardo de Melo, Adão da Silva e Alberto Tchakussanga, mortos e sem quaisquer justificações. Além dos anónimos como filhos desta terra, que são mortos nos hospitais de Angola, existem jovens competentes que por não pertencerem ao “Grupo-JES” falecem frustrados e desempregados.

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