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sexta-feira, 22 de abril de 2011

A JUVENTUDE NÃO É RASCA, NÃO A ENRASQUEM!



ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

- Artigo censurado por um jornal de Angola

O texto que se segue foi-me solicitado por um jornal de Angola. Foi remetido a tempo e horas. Algumas alterações (que não constam deste artigo) foram acordadas. O trabalho não foi publicado. Explicações? Nenhuma.

Nem todos os jovens concordam que o dia 14 de Abril, que consagra o dia da juventude do MPLA, em memória de Hoji Ya Henda, o patrono da JMPLA, seja igualmente considerado o Dia da Juventude angolana.

Será, com certeza, difícil ou até mesmo inexequível encontar uma data que gere unanimidade. Em democracia o melhor que se consegue, quando se consegue, é um consenso. Encontrar, ou até mesmo criar de raiz, um dia que esteja equidistante das datas assinaladas pelos diferentes partidos seria, creio, a melhor solução para homenagear os jovens angolanos que, de facto, merecem ter um dia que assinale o seu contributo em prol do país.

Desde a independênncia que Angola tem comemorado - com um certo abuso de poder e unicidade só aceitável nos países de partido único - o 14 de Abril como o Dia da Juventude Angolana. Com a abertura ao multipartidarismo, urge que se pense e actue com a abertura de espírito necessária para solidificar um sistema político que alberga, ou deve albergar, a diversidade de opiniões como uma mais-valia de incalculável valor patriótico.

Não é sério, muito menos legítimo e democrático, que se continue a subjugar toda a juventude angolana a uma data que, embora partidariamente relevante, só representa uma parte dos jovens com ligações partidárias e, inclusive, esquece todos aqueles – e não são tão poucos quanto isso – que não se revêem nas estruturas juvenis dessas organizações políticas.

De facto, a comemoração com toda a pompa e mordomias inerentes do 14 de Abril era (e poderá continuar a ser) aceitável como marco interno do MPLA e não como algo que possa representar toda a juventude de um país que, também nesta matéria, pretende respeitar e enquadrar-se nas regras de um Estado de Direito internacional, passada que é (embora muitos ainda não tenham reprado nisso) a fase em que Angola era o MPLA e o MPLA era Angola.

Naquela altura, o MPLA era dono e senhor do país e, por isso, o país sujeitava-se às datas que lhe eram impostas, não tendo sequer hipótese de as discutir. E se a JMPLA era, oficialmente, a única estrutura juvenil do país, fazia sentido que os jovens comemorassem essa data.

Mas, embora nem todos tenham consciência disso, o país é hoje outro, amanhã será ainda um outro, pelo que não pode haver receitas unilaterais feitas à medida, e por medida, de um regime monopoartidário que já não existe.

Enterrado que foi o tempo do partido único, importa que o regime compreenda que em democracia, e em teoria, quem mais ordena é o Povo. E esse Povo não pode estar sujeito a regras, a leis, a datas que mais não foram (algumas ainda são) do que uma forma de perpetuar o culto a valores hoje ultrapassados na esmagadora maioria dos países.

Os angolanos estão, pelo menos uma grande parte deles, pretensamente representados no Parlamento, lugar onde é suposto, em democracia, discutir, analisar, debater tudo e mais alguma coisa que diga respeito à vida dos cidadãos.

Por isso, sobretudo os jovens apartidário mas não apolíticos, perguntam (nem sempre de forma clara e incisiva porque temem ofender os membros do partido que sustenta o Governo): “Acaso a instituição do 14 de Abril como Dia da Juventude Angolana foi, depois dos Acordos de Bicesse, alguma vez discutida no Parlamento?”

Assim sendo, esses jovens apartidário mas não apolíticos, sugerem que se faça um referendo (instrumento que só privilegia e solidifica os valores democráticos) para saber se os jovens das organizações partidárias, das organizações da sociedade civil, ou até mesmo dos não enquadráveis nestas variantes, espalhadas pelo País se revêem no 14 de Abril.

De facto, o governo angolano, no poder deste 1975, não tem tido vontade, embora tenha os meios, para resolver problemas como os de água, luz, lixo, saúde e educação da população em geral. No que tange à juventude, esta não tem casa, não tem educação, emprego e não tem futuro.

Por tudo isto, e não só, a juventude quer mais do que nunca ser ouvida e ter, para além de uma voz gritante e activa, possibilidade de dizer de sua justiça, de participar na vida do seu país. O regime ao obrigá-la a aceitar como seu um dia que lhe diz pouco, ou nada, está a atirar a juventude para as margens da sociedade. E, muitas vezes, demasiadas vezes, quando se está na margem escorrega-se para a marginalidade.

Recordo-me de que o membro (entre outras coisas) do Comité Central do MPLA, Kundi Paihama realçar, em Luanda, o contributo da juventude angolana na vida política nacional por ter permitido que hoje o país se possa orgulhar dos seus filhos, pelas grandes vitórias alcançadas ao longo da sua história.

Não fora a modéstia de Kundi Paihama, um angolano de primeira, e ele bem poderia dizer que esteve, e esteve mesmo, nas principais vitórias que fizerem com que o MPLA esteja no poder deste 1975.

Em declarações à Angop, à margem do VI Congresso do JMPLA que decorreu em Outubro de 2009, sob o lema “JMPLA – a certeza de um futuro melhor”, Kundi Paihama frisou que é de louvar a vontade dos jovens virada para o progresso e desenvolvimento do país.

Kundi Paihama destacou o desempenho dos jovens pela causa da nação, abrindo caminho para uma renovação maciça nos vários domínios da vida humana, principalmente no desenvolvimento intelectual, académico e científico, que são mais valias para o progresso de uma pátria.

“Estamos cientes do bom e grande trabalho da direcção do secretariado nacional da JMPLA, que futuramente vai cessar funções, e acreditamos que os futuros dirigentes farão o seu melhor, não só porque as condições serão outras, mas pelo compromisso assumido com o povo”, sublinhou Kundi Paihama.

Kundi Paihama asseverou igualmente que graças ao contributo dos jovens do partido, e não só, Angola conseguiu alcançar vários patamares nos círculos internacionais, nomeadamente político, económico, desportivo e cultural.

Embora seja tudo verdade, a juventude de hoje já consegue (em muitos casos de forma brilhante) pensar pela sua própria cabeça. Não admira, por isso, que muitos jovens ao ouvir estas plavras se recordem igualmente que foi o próprio Kundi Paihama que disse que em Angola existem dois tipos de pessoas, os angolanos e os kwachas, tal como aconselhou estes a comer farelo porque “os porcos também comem e não morrem”.

E tal como Kundi Paihama, também Eduardo dos Santos continua a dizer a todos, mas sobretudo à juventude, que é preciso “honrar e declarar o nosso amor por Angola”.

É verdade. Mas isso não basta. E se os mais velhos fazem do silêncio a sua melhor arma, os jovens falam cada vez mais e, um pouco por todo o pais, vão dizendo que as crianças que mendigam e morrem à fome nas ruas de Luanda também amam Angola. Amam-na e declararam esse amor.

Rui Mingas dizia que, “nos antigamente”, os angolanos apenas tinham “peixe podre, fuba podre, 30 angolares e porrada se refilares”. E hoje, depois da independência e com nove anos de paz absoluta, o que dizem os jovens?

Esses, que serão os líderes naturais de Angola, independentemente do 14 de Abril, continuam a dizer que levam porrada, mesmo sem refilar, e nem peixe ou fuba podre têm.

É, por isso, urgente que o regime olhe a sério para a juventude no seu todo, não apenas para a JMPLA, mesmo para aquela que está fora do país, procurando potenciar os seus conhecimentos e corresponder aos seus anseios.

Importa igualmente que o regime leve em conta que nas mais recentes convulsões sociais, como foram os casos a Tunísia, Egipto e Líbia, a juventude foi quem liderou um processo de mudança. Processo esse que, em qualquer parte do mundo, é irreversível.

Veja-se igualmente o que se passou recentemente em Portugal quando milhares e milhares de jovens, a tal geração à rasca, saíu à rua para – por enquanto pacificamente – dizer que não é fácil respeitar a democracia quando se está de barriga vazia.

Aliás, também em Portugal, como se já não bastasse uma geração à rasca, o governo dteima em que por uma questão de equidade todas as gerações têm de ficar também à rasca. A única excepção é a da geração socialista dos gestores, administradores, directores, assessores e amigos que aceitam ser tapetes do poder.

Todos sabemos que o Presidente Eduardo dos Santos disse no dia 6 de Outubro de 2008, que o Governo ia aplicar mais de cinco mil milhões de dólares num programa de habitação que inclui a construção de um milhão de casas, muitas delas para os jovens.

A construção de um milhão de casas para as classes menos favorecidas de Angola e jovens foi, aliás, uma das promessas da então campanha eleitoral mais enfatizadas pelo Presidente da República de Angola e do MPLA.

José Eduardo dos Santos admitia que "não seria um exercício fácil", tendo em conta que o preço médio destas casas, então calculado em cerca de 50 mil dólares.

O Presidente considerou que o executivo de Luanda estava em "sintonia" com as preocupações e a "visão" da organização das Nações Unidas, quando coloca como questão central, como necessidade básica do ser humano, fundamental para a construção de cidades e sociedades justas e democráticas, a questão da habitação.

Eduardo dos Santos frisou ainda que as "linhas de força" traçadas pelo Governo estão orientadas para uma "cooperação activa" entre a administração central e local do Estado, entre o sector público e o privado, com vista à execução de uma nova política que contribua para "a geração de empregos, para o desenvolvimento harmonioso dos centros urbanos, para a eliminação da pobreza e da insegurança, e para a eliminação também das zonas degradadas e suburbanas".

O Presidente anunciou igualmente na altura (2008) que será "cada vez mais acentuada" a preocupação com a urbanização das cidades angolanas e que serão "incentivadas políticas que diminuam a circulação automóvel nos centros dos grandes aglomerados urbanos.

Ao contrário do que eventualmente podem pensar os dirigentes angolanos, a juventude está atenta a tudo isto e é sobretudo isto que a preocupa. A questão do Dia Nacional da Juventude é apenas simbólico embora, na verdade, possa significar (o que não aconteceu até agora) uma forma de congregar e respeitar a diversidade dos jovens angolanos.

E essa forma não pode passar por dizer que toda a juventude se revê no dia 14 de Abril. Longe disso.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

domingo, 17 de abril de 2011

OTELO E MARINHO ESQUECERAM O GENE "CARNEIRO" DOS PORTUGUESES



ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

"O país está à rasca"... Mas nem chegou a meio milhão de portugueses que se manifestaram por todo o país quando uns poucos jovens deram boleia à carneirada. E depois, o que é que se tem visto? Foi uma demonstração de desagrado muito pobre se considerarmos a gravidade da situação em que Portugal e os portugueses se encontram. Foi uma minoria que se manifestou. Entretanto continua tudo na mesma e ainda estamos mais à rasca. A acção foi inconsequente, o gene acarneirado dos portugueses prevalece.

Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril, aponta alguns "males" do país e fala da falta de consciência dos políticos sobre quanto mal sobrevivem os portugueses referindo que pode ocorrer uma eclosão social. Poder pode, mas Otelo deve lembrar-se que este povo é carneiro. Não foi por acaso que suportou o regime de Oliveira Salazar por longas décadas. Os portugueses esperam sempre um "salvador". E esperam, e esperam... Isso mesmo viram em Cavaco Silva, um salvador, parecendo que agora se transferiram para Sócrates - a tomar em conta as últimas eleições legislativas.

Nas próximas eleições vamos assistir ao tira-teimas. Vamos ver se os cabeçudos voltam a acreditar em Sócrates e na sua arte avançada de manipular. Pode acontecer. Mas, se não, lá vamos nós ter de acarretar com uma escolha similar: Passos Coelho e o PSD tão mafioso quanto o PS.

O PSD é um partido desgarrado que representa ainda mais que o PS os interesses dos que eram ricos e agora são muito mais. Ricos e egoístas, como mandam as suas normas. Não servem o país, servem-se a eles próprios, à família e aos amigos. Têm por pátria o capital. Quanto mais têm, mais querem. Mas o PSD, a par do PS, também serve as suas clientelas e os seus, os novos-ricos que criou nos tempos áureos de Cavaco Silva em primeiro-ministro e de Barroso. Esses, políticos e empresários ou banqueiros, enriqueceram exponencialmente à custa de tanto roubarem. O mesmo tem acontecido neste sultanato de José Sócrates. Mas os portugueses vêem isso? Reagem de forma inequívoca em reprovação explicita nas urnas de voto? A resposta é sim e não. Sim, vêem e comentam que "isto é tudo uma roubalheira". Não, não reagem a expulsar aquela corja de ladrões descaradíssimos que estão instalados nos topos maiores da política nacional. Não reagem como deviam a cambalhachos desses mesmos políticos e até votam neles quase sempre. Sempre à espera que surja o "salvador".

Teoricamente Otelo pode ter razões naquilo que opina. Na prática é verdade que os atuais políticos são uns verdadeiros cães sarnosos em conluios que arrasam o país e lhes rendem fortunas. E isso vai desde Cavaco Silva até ao deputado mais insignificante que exista naquela casa a que chamam Assembleia da República mas que não passa de uma assembleia de representantes de lobbies de todo o jaez, da maçonaria e da opus dei.

Otelo deve lembrar-se que faz parte de um povo que quer é "safar-se" e que se contenta com pouco, que quer que não o chateiem "porque isso da política é para os políticos". Mesmo as novas gerações estão contaminadas por esse gene bem português a que se pode chamar cobardia disfarçada de alheamento. Por isso, uma eclosão social a valer e a procurar expulsar os ladrões de políticos que temos... Jamais. Só quando aparecerem novos Otelos e novos Capitães de Abril... E então o povinho, cobardolas, lá vai atrás.

Depois acontecerá o que acontece sempre, ou quase sempre. Esses Otelos e Capitães também vão fazer muita merda, como os anteriores na década de 70, outros políticos ladrões - ou até alguns dos de agora - surgirão com novas dialécticas. Haverá excessos como no tempo do COPCON e oportunistas como Ramalho Eanes... Tudo como antes, quartel em Abrantes.

O positivo desta perspetiva é que pode acontecer que o povinho folgue um pouco, como após 25 de Abril de 1974... E sonhe. Mas não passará de um sonho. Tudo porque os portugueses acarneiraram-se com o gene Salazarista e da igreja retrógrada de Portugal que pela sapa continua por aí. O gene está lá e a nossa má vida e a democracia quase inexistente está à vista.

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, também falou e disse. Quase tudo está certo daquilo que opinou, só que parece que se esquecem do povinho que temos: acarneirado e cobardolas. Um povinho que ao longo de décadas tem elegido as máfias partidárias de alternância, o PSD e o PS. Vai voltar a fazer o mesmo nas próximas eleições, com o agravante de que muitos se abstêm, nem votam, para sentirem que não participam no descalabro de elegerem o PS, o PSD ou o CDS, como se não existissem outros partidos a que nunca deram oportunidade de serem governo.

Afinal não é o povo quem mais ordena mas sim a manipulação e os milhões de acarneirados que continuam a aceitar sempre mais do mesmo para depois se lastimarem e irem fazer promessas à Fátima. Otelo e Marinho deviam lembrar-se disto e dizê-lo. Talvez conseguissem acordar algumas almas perdidas no mundo da bipolarização partidária, dita de alternância. Uma falsa democracia, uma ditadura de interesses e conveniências que tem a cara do PS, do PSD, e também (de que maneira!) de Cavaco Silva e seus "muchachos". Derrubar estes políticos só acontecerá quando se derrubar o gene acarneirado que subsiste nos portugueses. Esperemos que as novas gerações o consigam e que também derrubem o Sebastianismo. Que derrubem a falsa necessidade de se esperar sempre o "Salvador" da Pátria - coisa que Otelo e outros Capitães de Abril deixaram por alguns tempos que assim os encarnassem - com o mau resultado à vista, de merda.

Depois de Marinho Pinto ter invocado uma "greve à democracia"

Otelo acredita que pode estar na hora da democracia directa com que “sonhou” no PREC

LUSA - PÚBLICO

O estratega da revolução de 25 de Abril de 1974 acredita que a crise que o país atravessa poderá levar a que a democracia representativa venha a ser substituída por uma democracia directa, regime com que “sonhou” durante o PREC.

Otelo Saraiva de Carvalho, que participou sábado à noite, em Santarém, num colóquio sobre a canção que serviu de senha para o arranque da Revolução dos Cravos, disse à agência Lusa que é importante acompanhar o que está a acontecer na Islândia, que enfrentou a banca rota em 2008 e que está a viver formas de democracia directa, num processo que poderá ter “um desenlace profundo nas democracias europeias”.

No seu entender, os 37 anos decorridos desde a revolução não consolidaram totalmente o regime de democracia representativa que foi “imposto” a Portugal pela Europa Ocidental e pelos Estados Unidos da América.

“O meu sonho durante o PREC (processo revolucionário pós 25 de abril) começou a ser a possibilidade de instauração no país de um modelo novo de regime político que passava pela democracia directa”, pela criação de um “Estado de poder popular em que os partidos ficassem subalternizados”, à semelhança do que está a acontecer agora na Islândia, disse Otelo Saraiva de Carvalho à Lusa.

Para Otelo, o país está a assistir a “fenómenos importantes” a que é preciso estar atento, como as cada vez mais elevadas taxas de abstenção.

“O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, veio advogar greve da democracia e se ninguém votar como é que os políticos se acham com legitimidade para continuar a governar o país?”, questionou, frisando que estas “são ideias que vão aparecendo”.

Otelo disse acreditar que a “acção negativa da classe política que tem vindo a governar o país pode levar a circunstâncias que permitam uma alteração profunda disto”.

O “capitão de Abril” advertiu que se nada for feito para acabar com a “imoralidade da diferença salarial” existente no país, com gestores a receberem prémios de milhões e gente a ganhar menos de 300 euros, “o caldo está entornado”.

“Ou a classe política toma consciência da gravidade da situação ou pode haver uma eclosão social enorme”, declarou.

Otelo esclareceu o sentido do “sound bite” retirado da entrevista que deu a semana passada à Lusa -- de que não faria a revolução se soubesse como o país iria ficar -- assegurando que não está “absolutamente nada arrependido” e de que tem “um orgulho enorme em ter sido um dos protagonistas dessa gloriosa giesta”.

A frase surgiu “na sequência de se falar da situação atual, da juventude que está a emigrar por não haver aqui condições”, disse, em comentário às reações que a sua entrevista provocou.

Quanto à declaração de que só a perda de direitos dos militares poderia levar a um “novo 25 de abril”, Otelo reafirmou que as alterações ocorridas nos últimos anos nas forças armadas, com a profissionalização, e a tendência para a dissolução dos idealismos na sociedade levam a que só haja reação “se os direitos forem confiscados”.

“E vamos ver o que pode acontecer com a polícia e a GNR também, se começarem a tirar salários e a não pagarem salários. Aí cuidado”, advertiu.

EM ANGOLA NÃO EXISTE CORRUPÇÃO E POBREZA!



ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Finalmente o dono de Angola, no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito, explicou a razão pela qual o país, independente desde 1975 e já com nove anos de paz efectiva, tem 70% de pobres.

Segundo José Eduardo dos Santos, quando ele nasceu já havia muita pobreza na periferia das cidades, nos musseques, e no campo, nas áreas rurais. Citou, aliás, os poetas Agostinho Neto e António Jacinto que, nos seus versos, denunciavam a miséria extrema, e a exploração do contratado, cujo pagamento era fuba e peixe seco e porrada quando se refilava.

O Presidente do MPLA, da República e chefe do Governo (entre outras coisas) falava ontem em Luanda, na cerimónia de abertura da primeira sessão extraordinária do Comité Central do MPLA, que decorre no complexo turístico “Futungo II”, com a participação de 225 dos seus 311 membros.

Eduardo dos Santos denunciou também, pudera!, os oportunistas que pretendem promover a confusão no país para provocar a subversão da ordem democrática estabelecida na Constituição da República, e derrubar governos eleitos, a favor de interesses estrangeiros.

“Hoje há uma certa confusão em África e alguns querem trazer essa confusão para Angola”, declarou o dono do país, adiantando que “devemos estar atentos e desmascarar os oportunistas, os intriguistas e os demagogos que querem enganar aqueles que não têm o conhecimento da verdade".

Como diria o seu amigo primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, ainda está para nascer um presidente do MPLA, de Angola e chefe do Governo, que tenha feito melhor do que José Eduardo dos Santos.

José Eduardo dos Santos adiantou que nas chamadas redes sociais, que são organizadas via Internet e nalguns outros meios de comunicação social, fala-se de revolução, mas não se fala de alternância democrática.

Como dono da verdade, José Eduardo dos Santos esquece-se que para haver alternância democrática é preciso que antes existe democracia.

Diz ele, do alto da sua sábia cátedra, que pôr os vivos (e até os mortos) a votar – mesmo que de barriga vazia – é democracia.

“Para essa gente, revolução quer dizer juntar pessoas e fazer manifestações, mesmo as não autorizadas, para insultar, denegrir, provocar distúrbios e confusão, com o propósito de obrigar a polícia a agir e poderem dizer que não há liberdade de expressão e não há respeito pelos direitos” referiu o único presidente dos países lusófonos que nunca foi eleito.

José Eduardo dos Santos considera que os seus opositores têm medo das próximas eleições de 2012, pois sabem que a maioria dos eleitores não vai votar a favor deles.

Nisso tem razão. Um povo com fome vota certamente em quem lhe der um saco de fuba. Além disso, como nas anteriores eleições, nada de anormal irá acontecer se em alguns círculos votarem no MPLA mais de 100% dos eleitores inscritos...

José Eduardo dos Santos diz que os opositores querem apenas colocar fantoches no poder, que obedeçam à vontade de potências estrangeiras que querem voltar a pilhar as riquezas e fazer o povo voltar à miséria de que se está a libertar com sacrifício.

Tem razão. Embora o MPLA pilhe as riquezas e o povo desde 1975, sempre tem a seu favor o facto de impor que os estrangeiros só pilhem se for em parceria com o clã Eduardo dos Santos.

O dono de Angola lamentou o facto de ninguém se lembrar de dizer que a pobreza não é recente e que é uma pesada herança do colonialismo e uma das causas que levou o MPLA a conduzir a luta pela liberdade, para criar o ambiente político necessário para resolver esse grave problema.

Pois é. Embora tenha comprado o país em 1975, o MPLA continua a responsabilizar o colonialismo e até, talvez, não fosse despiciendo falar também da responsabilidade de D. Afonso Henriques.

Utilizando uma calculadora certamente “made in Coreia do Norte”, Eduardo dos Santos diz que os índices de pobreza, que estavam em cerca de 70 por cento, baixaram em 2010 para cerca de 37 por cento.

Mais uma vez o dono do país, modesto como é, peca por defeito. É que se fizer o cálculo ao seu clã e aos vassalos que o rodeiam, o índice de pobre é 0 (zero).

Segundo Eduardo dos Santos, no quadro do Programa de Luta contra a Pobreza, se continuar com esse ritmo de redução, a pobreza deixará de existir dentro de alguns anos.

Tem, mais uma vez, razão. Aliás, se o regime angolano excluir dos cálculos da pobreza todos os que são... pobres, pode já anunciar o fim da pobreza.

José Eduardo dos Santos afirmou também que apesar de não existir país nenhum no mundo sem corrupção, o Governo está a fazer esforços para combater este mal.

Aí está a prova de que o MPLA deve mudar o regime legal. É que se a lei não considerar a corrupção como um crime, o país deixa de ser o local do mundo com mais corruptos por metro quadrado.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

CAVACO, METIDO EM FALCATRUAS COM OLIVEIRA E COSTA? NEM PENSAR!


ANTÓNIO VERÍSSIMO - PÁGINA LUSÓFONA

Quem diria! Quem? Cavaco, a filha e Oliveira e Costa? E quem mais?

Quem diria! Quem? Cavaco, a filha e Oliveira e Costa? E quem mais? Cavaco Silva, a honestidade em pessoa, como por aqui tem sido dito... E agora, para além da SISA da casa da Coelha, no Alarve, sai mais esta "novidade". Que alarve.

Não nos precepitemos a julgar. Não! Malandro é aquele tipo do povinho que arrombou a caixa da pública cabine telefónica e lesou a PT em 223 euros. Prisão! O homem até estava roubar porque anda sem emprego, excluído, sem abrigo, carente de tudo, sem eira-nem-beira. Malandro. Prisão, já!

Aqui com o senhor Cavaco deve haver uma confusão qualquer. Nada de crime. Tudo legal... O costume. Um homem da direita, às direitas, regula-se pelo direito... de agir como acha que pode. Sempre legal, sempre a Bem da Nação!

Ainda agora a notícia vai no adro... Não tenhamos ilusões nem precipitações. Ler em baixo enquanto deixam, querem e podem publicar. Pois... Até breve.

Oliveira Costa vendeu a Cavaco e filha 250 mil ações da SLN perdendo 1,10 euros em cada

Margarida Cotrim - Lusa - 14 abril 2011

Lisboa, 13 mar (Lusa) - Uma testemunha revelou hoje em tribunal que o ex-presidente do BPN vendeu, em 2001, a Cavaco Silva e à sua filha 250 mil ações da Sociedade Lusa de Negócios, a um euro cada, quando antes as adquiriu a 2,10 euros cada à offshore Merfield.

Respondendo a perguntas dos juízes do julgamento do caso BPN, o inspetor tributário Paulo Jorge Silva disse "não ter explicação" para o facto de o principal arguido, José Oliveira Costa, ter perdido 1,10 euros em cada ação que vendeu a Aníbal Cavaco Silva e à filha do atual Presidente da República, Patrícia Cavaco Silva Montez.

O inspetor das Finanças, que participou na investigação, precisou que de um lote de 250 mil - de 1.750.000 de ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) que Oliveira Costa adquiriu à Merfield, em 27 de março de 2001, a 2,10 euros por ação - 100.360 ações foram adquiridas por Cavaco Silva e 149.640 ações por Patrícia Montez, em ambos os casos a um euro por ação, em 18 de abril de 2001.

© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
 
 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vislumbram-se eleições em Angola? Então a UNITA que deponha...



... o que não tem: armas!

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Em três anos já foram recolhidas em Angola mais de 80 mil armas que, segundo o Governo, estavam em mãos indevidas. Isto quer dizer, em mãos de gente da UNITA.

Sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, um acto eleitoral, o regime angolano reedita a velha técnica de que a UNITA continua a ter – mesmo passados nove anos sobre a sua rendição - paióis espalhados por todo o país.

O MPLA sabe a lição toda, mesmo que continue a ler livros já fora de uso. Com especialistas portugueses e brasileiros, protecção cubana e petróleo roubado a Cabinda, tem tudo e mais alguma coisa para perpetuar a ditadura, mesmo que rotulada de democracia.

Apesar disso, sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, um acto eleitoral, o regime dá logo sinais preocupantes quanto ao medo de perder as eleições e de ver a UNITA a governar o país.

Para além do domínio quase total dos meios mediáticos, tanto nacionais como estrangeiros, o MPLA aposta forte numa estratégia que tem dado bons resultados. Isto é, no clima de terror e de intimidação.
No início de 2008, notícias de Angola diziam que, no Moxico, “indivíduos alegadamente nativos criaram um corpo militar que diz lutar pela independência”.

Disparate? Não, de modo algum. Aliás, um dia destes vamos ver por aí Kundi Paihama afirmar que todos aqueles que têm, tiveram, ou pensam ter qualquer tipo de arma são terroristas da UNITA.

E, na ausência de melhor motivo para aniquilar os adversários que, segundo o regime, são isso sim inimigos, o MPLA poderá sempre jogar a cartada, tão do agrado das potências internacionais que incendeiam muitos países africanos, de que há o perigo de terrorismo, de guerra civil.

Se no passado, pelo sim e pelo não, falaram de gente armada no Moxico, agora deverão juntar o Bié ou o Huambo.

Kundi Paihama, um dos maiores especialistas de Eduardo dos Santos nesta matéria, não tardará a redescobrir mais uns tantos exércitos espalhados pelas terras onde a UNITA tem mais influência política, para além de já ter dito que quem falar contra o MPLA vai para a cadeia, certamente comer farelo.

Tal como mandam os manuais, o MPLA começa a subir o dramatismo para, paralelamente às enxurradas de propaganda, prevenir os angolanos de que ou ganha ou será o fim do mundo.

Além disso, nos areópagos internacionais vai deixando a mensagem de que ainda existem por todo o país bandos armados que precisam de ser neutralizados.

Aliás, como também dizem os manuais marxistas, se for preciso o MPLA até sabe como armar uns tantos dos seus “paihamas” para criar a confusão mais útil. E, como também todos sabemos, em caso de dúvida a UNITA será culpada até prova em contrário.

Numa entrevista à LAC - Luanda Antena Comercial, no dia 12 de Fevereiro de 2008, o então ministro da Defesa, Kundi Paihama, levantou a suspeita de que a UNITA mantinha armas escondidas e que alguns dos seus dirigentes tinha o objectivo de voltar à guerra.

Kundi Paihama, ao seu melhor estilo, esclareceu, contudo, que os antigos militares do MPLA, "se têm armas", não é para "fazer mal a ninguém" mas sim "para ir à caça". Ora aí está. Tudo bons rapazes.
Quanto aos antigos militares da UNITA, Kundi Paihama disse que a conversa era outra e lembrou que mais cedo ou mais tarde vai ser preciso falar sobre este assunto.

Na entrevista à LAC, Kundi Paihama disse textualmente: "Ainda hoje se está a descobrir esconderijos de armas". Disse e é verdade.

Todos sabemos que, entre outros, Alcides Sakala, Lukamba Gato, Isaías Samakuva e Abílio Camalata Numa têm em casa um arsenal de Kalashnikov, mísseis Stinguer e Avenger, órgãos Staline, katyushas, tanques Merkava e muito mais.

Se calhar este armamento já está um bocado enferrujado. Mas, mesmo assim, o regime está preocupado...

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
 
 

terça-feira, 12 de abril de 2011

NOBRE FOGE DO FACEBOOK POR FALTA DE COERÊNCIA E HONESTIDADE

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

FUGA DEMONSTRA COBARDIA POLÍTICA

Este Nobre é desnobre e foge logo às primeiras. Tal qual os PIDES que em 25 de Abril de 1974 pareciam ratos a fugirem do passado de sevícias que infligiram a milhões de portugueses no continente e nas então colónias. Negando sempre que podiam não ter pertencido à malfadada polícia fascista. Ou alegando que eram polícias de fronteira, escriturários… Cobardes, isso sim.

Este desnobre fugiu do Facebook como quem não quer a coisa, depois de ter demonstrado que afinal é mais um oportunista político que perante o aliciamento do sistema, agora representado por Passos Coelho, do PSD, adere a ele para tirar vantagens pessoais e manda às urtigas centenas de milhares de apoiantes que teve efetivamente nas últimas eleições presidenciais, em que se dizia contra o vergonhoso sistema político existente em Portugal, em que se dizia apartidário, em que se dizia prosseguir do mesmo modo e não perspetivar enveredar pelo caminho que enveredou, dececionando essas mesmas centenas de milhares e mais os que viriam e representavam um capital político assente no acreditar, em quem afinal não merecia.

Sobre esta reviravolta de Fernando Nobre, comentava Boaventura Sousa Santos, na TSF, que ele havia trocado um capital de confiança enorme assente na independência, na cidadania, por um prato de lentilhas que lhe foi oferecido pelo PSD. Nobre traiu ideais anunciados e jurados a pés-juntos mas teve uma forte razão para isso e veremos mais tarde como assim será.

O PSD e Passos Coelho, os barões banqueiros e grandes empresários, o sindicato de gradas figuras políticas conservadoras e até de saudosismos salazarentos adaptados à atualidade, não nomearam Fernando Nobre por acaso. E Fernando Nobre também não aceitou por acaso. Ao PSD convém ter Nobre e o seu capital eleitoral para agora e para daqui por cinco anos elegê-lo presidente da república, uma vez que Cavaco cumpre dois mandatos e já não pode concorrer. A Nobre isso interessa. Agora catapulta-se para presidente da Assembleia da República, acumulando benesses e mordomias. Depois ainda maior será o voo ao vislumbrar sentar-se por cinco ou dez anos na cadeira de Belém. Coisa nunca por ele sonhada de modo tão elaborado e provavelmente fácil. É aquilo que pode acontecer em pura e dura boa verdade. E quem age assim politicamente, traindo centenas de milhares, não pode ser boa rês. Provavelmente não há na história recente de Portugal maior golpe de rins que este. Aquilo que para Eça seria denominado o “esterco da política nacional”.

Contudo este aparente golpe de teatro pode não ter sido golpe de rins nenhum. Sabemos que Nobre sempre esteve próximo do PSD e da direita refinada. Quem nos garante que ao candidatar-se nas eleições presidenciais não obedecia a objetivos inconfessáveis e que estava tudo já alinhavado? A candidatura de Fernando Nobre nas presidenciais veio retirar a Manuel Alegre imensos votos e esse era um objetivo do agrado do PSD e do CDS, que apoiavam Cavaco Silva. Fernando Nobre, com a sua candidatura e campanha de ilusionista, serviu para contribuir para eleição de Cavaco por uns míseros cidadãos eleitores que legalmente o recolocaram na cadeira da presidência em Belém, independentemente da imoralidade que significa em padrões de ética democrática.

A ingenuidade dos eleitores e apoiantes de Nobre nas últimas eleições presidenciais deu lugar à revolta, às náuseas e vómitos. Isso mesmo tem sido expresso na página do Facebook por milhares dos então apoiantes. Foi disso que Nobre fugiu demonstrando a sua cobardia política e sem ao menos ter apresentado desculpas aos que manipulou. Uma prova, se atentarmos, de que ele sabia muito bem aquilo que podia acontecer caso as eleições antecipadas ocorressem ou noutro cenário que se desenrolasse. Plausivel.

Como se diz há muito em Portugal: A política é uma porca. Acrescente-se que só assim é devido aos porcos que lhe mamam nas tetas, porque existem e estão sempre a aparecer mais.

Sobre a indignação, já acima demonstrada, e a ausência de vergonha fica também em baixo à vossa consideração a prosa do Público:

Indignação continua no Facebook e no Twitter

Página oficial de Fernando Nobre desaparece do Facebook após críticas de seguidores

Hugo Torres - Público – 11 abril 2011

A candidatura de Fernando Nobre às legislativas de 5 de Junho, pelas listas do PSD, motivaram muitas críticas ao presidente da AMI no Facebook. A página criada para a corrida a Belém estava a ser inundada, desde ontem, com mensagens de seguidores desiludidos. Até hoje à tarde, quando desapareceu.

A comunidade que Fernando Nobre conseguiu reunir no Facebook, com mais de 39 mil seguidores, estava mesmo a aumentar esta manhã. Mas não para aplaudir a decisão: os utilizadores daquela rede social estavam a juntar-se à comunidade para poderem comentar no mural da página e veicular o seu desagrado.

Entre os comentários, encontravam-se vários que davam conta deste procedimento, antes de comunicar a “desilusão” que é para eles verem Nobre como cabeça-de-lista dos social-democratas por Lisboa. A página desapareceu entretanto do ar, tornando inacessível o historial de testemunhos desgostosos, mas também de alguns de apoio.

Certo é que mesmo sem essa página, os internautas arranjaram alternativas para publicitar o seu desagrado – desde a página pessoal de Fernando Nobre no Facebook às comunidades que vão nascendo nesta rede social (o exemplo mais popular é este, com mais de quatro mil seguidores).

O Twitter também está a servir de plataforma para fazer chegar críticas a Fernando Nobre, que nas últimas presidenciais conseguiu 14 por cento dos votos e está actualmente no Sri Lanka. Os internautas estão a direccionar os seus comentários para a conta @RecomecarPT, que remete para o lema de Nobre nas presidenciais.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

SÃO MESMO (E DE QUE MANEIRA) TODOS IGUAIS!

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A página do Facebook de Fernando Nobre foi bombardeada com milhares de comentários negativos de utilizadores que não gostaram de o ver associado ao PSD. A página foi, entretanto, fechada pelo administrador. (*) - clique foto para ampliar e ler

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Fernando Nobre estava, e bem, convicto de que iria fazer "história" ao candidatar-se à Presidência da República portuguesa, fosse qual fosse o resultado.

E se essa foi uma forma positiva de fazer “história” (14 po cento dos eleitores que voram pensaram, tal como eu, dessa forma), ao aceitar ser cabeça-de-lista do PSD por Lisboa e candidato a presidente da Assembleia da República, Fernando Nobre e Passos Coelho escreveram uma, mais uma, página putrefacta dessa mesma história.

Se Fernando Nobre ao candidatar-se à Presidência da República mostrou ser capaz de dignificar o que restava da Pátria de Fernando Pessoa, ao alinhar agora com o PSD provou que, afinal, vendeu gato por lebre e que, sob a máscara da cidadania, não passa de mais um.

"Seja qual for o resultado, nós já fizemos história em Portugal. Já demonstrámos que a cidadania e a sociedade civil portuguesas decidem a partir de agora querer ser ouvidas, escutadas e participar num reforço da nossa democracia", disse Fernando Nobre.

Pois é. Que Passos Coelho queira entregar de bandeja o Governo do seu país novamente a José Sócrates, é um problema dele e dos que nele e no seu partido acreditam.

No entanto, Fernando Nobre, que aparentava ser um cidadão de corpo inteiro, que parecia ter uma honorabilidade à prova de bala (ao contrário da maioria dos políticos portugueses) acaba por também se “vender” por um prato de lentilhas (ser deputado e eventualmente presidente do Parlamento).

Durante a capanha elitoral, Fernando Nobre não teve medo (ou foi só um investimento?) de criticar as medidas de austeridade do Governo socialista e de José Sócrates, apoiadas pelo PSD e por Cavaco Silva, considerando – tal como a esmagadora maioria dos cidadãos - que penalizavam os portugueses mais pobres (20% da população) e os que estão ligeiramente acima do limiar da pobreza (mais 20%).

Fernando Nobre demonstrou, entre outras coisas, que ou os políticos portugueses deixam de cantar no convés enquanto o navio se afunda, ou sujeitam-se a que o Povo saia à rua e os afunde.

Agora veio a confirmar-se que ele apenas quer também um lugar no convés do navio.

Fernando Nobre foi ao Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, lançar a sua candidatura e mostrar (julgaram os ingénuos, como eu) que ainda era possível Portugal dar, voltar a dar, luz ao mundo.

Feitas as contas, tudo não passou de uma encenação.

“Quando são os próprios políticos a eximir-se das suas obrigações, à plebe só resta numa primeira fase mandar as eleições às malvas e, depois, sair à rua. Felizmente que, antes da sair à rua, os portugueses vão dar uma oportunidade a um português, cidadão do mundo, filho da Lusofonia: Fernando Nobre”, escrevi eu aqui quando publicamente assumi o meu apoio ao presidente da AMI.

Razão tinha Cavaco Silva quando disse que “a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas depende, em boa parte, da forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções”.

Pois é. Se o país mudar de políticos, o Povo não quererá mudar de país. Muitos já tinham as malas feitas mas, com a luz que acreditaram que Fernando Nobre iria colocar no fundo do túnel... voltam a acreditar em Portugal.

Hoje só lhes resta zarpar.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

(*) Compilado de Alto Hama no título: E o PS ri-se a bandeiras despregadas - adaptação FB


domingo, 10 de abril de 2011

FERNANDO NOBRE É SÓ MAIS UMA AVE NO POLEIRO DOS ABUTRES

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

MAIS DEPRESSA SE APANHA UM MENTIROSO QUE UM COXO

"Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa, confirmou Pedro Passos Coelho na sua pagina no Facebook”, em Público e noutros órgãos de comunicação social.

E pronto. Aqui temos mais um artista contorcionista. Dos que se dizem prontos a lutar contra o sistema mas que são absorvidos pelo sistema. Dos que dizem que Portugal não pode continuar assim, neste descalabro, e que se contorce, vira-casaca, dá o dito por não dito, faz uma plástica e das verdades de ontem mentiras hoje. Lá vai, cantando e rindo, alinhado, alinhado sim, com o sistema que tanto criticou em campanha eleitoral para a presidência da república quando foi candidato. Fernando Nobre, digo, Desnobre, anunciou que aceita o convite do maioral do PSD do sistema se… Claro que quer ser cabeça de lista por Lisboa e até disputar a presidência da AR. Imaginem. Não fica em número 1 da República mas contenta-se em ser número dois.

E pronto. Lá perdeu a máscara mais um que ambiciona ser profissional da política e põe os cabelos em pé a muitos portugueses desiludidos que até acreditaram nele. Que se convenceram que ele estava de alma e coração a pretender combater o deboche que vai na política portuguesa. Conclui-se que afinal não. Que estava no faz-de-conta. Que estava a fazer o “frete” de esvaziar a candidatura de Manuel Alegre em prol de Cavaco Silva. Uma leitura lógica e verosímil. Pobre Cavaco que foi eleito por uma migalha de portugueses e que se tivesse dignidade não se alapava à legalidade para ser PR com tão poucos votos expressos a seu favor. Afinal quem é que o PR Cavaco representa? A maioria dos eleitores? Não. Desconfortável, mas “daqui não saio, daqui ninguém me tira, antes de “dar” a Portugal “um presidente, um governo, uma maioria”, como o PS. Para quê? Para se apoderarem ainda mais dos poderes e fazerem deste país bosta maior? Que raio de democratas são eles que só funcionam com maiorias, exercendo absolutismos que nos prejudicam? Democratas incapazes de escutar e disporem-se a fazer acordos de entendimento e de execução com opositores não são democratas mas sim absolutistas com graves e enormes tendências para ditadores. Eis o que Portugal tem nos políticos de hoje, de há anos a este tempo… Pelos vistos para se manterem e continuarem a apodrecer de mordomias e fazerem riqueza à custa dos que põem miseráveis e aos quase isso. Escroques, não me lembram outra classificação.

Desnobre vai na onda. Prometem-lhe a Lua. Sente que está com bastantes probabilidades de alcançá-la. Como penso higiénico político absorve as hemorragias da sociedade portuguesa e junta-se aos causadores das mesmas. Desnobre, para já e no futuro. Provou mais uma vez que na política, em Portugal e em muitos outros países, abundam os fulanos sem palavra, sem convicções, sem ideais… que não seja a de “tocarem e dançarem” ao som dos maestros e das músicas predominantes, impostas, nesta democracia deficitária, mais parecida com uma corporação mafiosa. Escroques políticos, no mínimo.

Ofereceram espaço ao contorcionista Nobre e ele vai no circo. A desilusão e indignação é de quem acreditou em mais um que num ápice passa de contestatário a concorrente a destacada ave no poleiro dos abutres. Mais um, a juntar aos imensos que ao longo destas décadas vimos fazer exatamente o mesmo. Talvez sem tanto descaramento e falsidade.

A servir: Notícia ainda quentinha. Cuidado com os vómitos.

Fernando Nobre é candidato do PSD à presidência da Assembleia República

Tolentino de Nóbrega – Público – 10 abril 2011

Fernando Nobre, presidente da AMI, será o cabeça-de-lista por Lisboa do PSD e será indigitado presidente da Assembleia da República se o partido ganhar as eleições.

O presidente da AMI aceitou um convite feito pelo líder nacional dos social-democratas, Pedro Passos Coelho, assumindo também o compromisso de ser também o candidato por este partido à presidência da Assembleia da Republica.

O ex-candidato à Presidente da República, que teve cerca de 14 por cento nas últimas eleições, em Janeiro passado, deverá divulgar nas próximas horas um comunicado a justificar a candidatura. Com a indicação deste independente, o PSD de Passos Coelho pretende dar um sinal de abertura à sociedade civil e à cidadania.

"Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa, confirmou Pedro Passos Coelho na sua pagina no FacebookO líder do PSD justifica a escolha do ex-candidato à Presidência da República argumentando que os resultados que Nobre conseguiu nas últimas eleições mostram que "existe um segmento expressivo de portugueses que acreditam na capacidade de regeneração da política".

Nascido em Luanda em 1951, Fernando Nobre veio em 1985 para Portugal, país das suas origens paternas. É doutorado em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente das cadeiras de Anatomia e Embriologia e especialista em Cirurgia Geral e Urologia. É fundador da associação humanitária AMI.

*Notícia actualizada às 15h58, em Público



Ana Gomes confirma que, no reino de José Sócrates, nem as moscas mudam!

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Nem o salão vazio do congresso do PS (os donos do partido tinham mais o que fazer) impediu a eurodeputada Ana Gomes de dizer o que pensa.

Ana Gomes disse, afinal, o que todos os socialistas que ainda conseguem pensar com a própria cabeça sabem. A diferença está que para o dono do partido, José Sócrates, só os que pensam como ele é que merecem alguma coisa.

Por alguma razão os socialistas que discursaram em Matosinhos apenas disseram com outras palavras o que o chefe já tinha dito. Foi, no que os acólitos de Sócrates chamam de unanimidade e coesão, apenas um exercício de ventriloquia.

Ana Gomes disse que na governação socialista "nem tudo foram rosas", defenedendo que para continuar a merecer a confiança dos portugueses o PS não precisa de "unanimismos", mas de "empenhamento crítico".

Dizer tal coisa é, no âmbito do PS (Partido de Sócrates), um crime muito grave, desde logo porque põe em causa a capacidade divina do chefe e o estatuto de submissão acéfala e invertebrada que enquadra todos os seus vassalos.

Ana Gomes deveria saber isso. Tal como deveria saber que este PS prefere ser assassinado pelo elogio patético do que salvo pela crítica.

"Para continuar a merecer a confiança dos portugueses é preciso que o PS assuma que nem tudo foram rosas na governação e que nem sempre a rosa cheirou muito bem. O PS também cometeu erros e assumi-los será meio caminho andado para os corrigirmos", defendeu Ana Gomes.

Ainda bem, para ela, que o sumo pontífice e os seus apaniguados não estavam no congresso. Então a rosa nem sempre cheirou bem? Então o PS também comete erros? Onde é que Ana Gomes cheirou ou viu tais coisas?

De facto, segundo o perito dos peritos socialistas e líder carismático, as rosas passaram obrigatoriamente a cheirar todas bem desde que ele chegou à liderança, e que se saiba também desde essa altura nunca mais o PS cometeu qualquer erro.

Para a eurodeputada, a nacionalização dos "ossos" do BPN "sem nacionalizar as empresas lucrativas do grupo SLN" e o "desvio e desperdício de dinheiros do Estado em consultadorias, 'outsorcing' e corrupção em várias empresas públicas", são alguns dos erros da governação socialista.

Ora, ora! Ana Gomes está a ver o filme ao contrário. Tudo o que aponta como erros da governação socialista são, afinal, a imagem de marca dos governos de José Sócrates.

Ana Gomes, que provavelmente julgou que estava a falar para congressistas de um partido livre e democrático, falou dos caminhos a seguir, referindo "transparência e justiça na distribuição dos sacrifícios", a começar por bancos e transacções financeiras que "não podem continuar a ser escandalosamente privilegiadas na fiscalidade", bem como a renegociação das parcerias público-privadas".

Que grande puxão de orelhas Ana Gomes vai levar do dono do PS. Ela deveria lembrar-se do que em tempos António Barreto disse a propósito de José Sócrates: “não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação”.

Ou ainda de que “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Polícia colonial de Angola ameaça de morte jovem...

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… promotor da manifestação em Cabinda

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Um grupo de jovens, liderada por Júlio do Nascimento Paulo, avisou o governador da colónia angolana de Cabinda, Mawete João Baptista, que os jovens vão sair à rua no domingo.

Os jovens pretendem uma maior transparência nas negociações que o próprio governo angolano revelou em comunicado.

De facto, ao invés de corporizar acções de aproximação, a acção de Angola foi em sentido contrário. Desde essa altura, Cabinda tem vivido os seus dias mais dolorosos com o assassinato bárbaro dos comandantes Pirilampo e Sabata.

Como se isto não fosse suficiente, Luanda tem em velocidade acelerada uma campanha de desinformação ao nível interno para provocar a divisão entre os cabindas.

Apesar de os jovens cabindas cumpriram todos os trâmites legais, a posição do governo colonial continua a ser de uma manifesta prepotência.

Ontem chamaram os jovens e puseram-nos diante de um facto consumado: não podiam realizar a manifestação. Para consubstanciar essa arrogância e prepotência, quiseram que os jovens assinassem um documento que, para além de vexatório, estava cheio e erros.

Os jovens negaram peremptoriamente assinar o documento e abandonaram a sala.

Durante a noite, e não foi a primeira vez, elementos do regima, SINFO, foram a casa de Júlio do Nascimento Paulo, rebentaram a porta, ameaçaram-no de morte e bloquearam-lhe o telemóvel, que é da Movicel, empresa do general “Kopelipa” e de outros oficiais.

A vida de Júlio do Nascimento Paulo e companheiros corre perigo, bem como a de todos os outros membros da Sociedade Civil.

No domingo, dia da manifestação, porque os jovens decidiram, mesmo assim, saír à rua, é previsível o cenário habitual: polícia e militares com cães; helicópteros e a casa do Padre Congo, em Lândana, cercada de militares que o impedirão de sair.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

O que diz aquele perito que nunca se engana e que raramente tem dúvidas

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Cavaco Silva nunca se engana e raramente tem dúvidas. Por isso diz que o mal da economia portuguesa está nas finanças públicas, e explica que o "medo" dos políticos dificulta a sua correcção, malgrado defender um quase poder de veto para o ministro das Finanças.

O actual presidente da República e ex-primeiro-ministro considera que Portugal tem no máximo um ano e meio para inverter a tendência de degradação da situação económica.

"Parece-me que as medidas que têm de ser tomadas para inverter a situação de marasmo e evitar grandes preocupações quanto ao que acontecerá (...) e da redução dos apoios estruturais da Comunidade requerem um apoio parlamentar maioritário", afirma Cavaco Silva.

"Se não for assim, estou pessimista", acrescentou no final de uma conferência, intitulada "Política Orçamental: Passado, Presente e Futuro".

Para o também economista, professor universitário, ex-primeiro-ministro e presidente da República será, contudo, "muito complicado" para o Governo resolver "o problema mais grave" que afecta a economia portuguesa: a crise nas finanças públicas.

"Os políticos, como pessoas normais que são, têm medo, e será precisa muita coragem política para adoptar políticas necessárias, mas cuja viabilidade política é duvidosa", afirmou, sublinhando: "Não será nada fácil".

Lembrando que o Ecofin "está a olhar de forma muito particular para Portugal", Cavaco Silva defendeu que a solução passa, necessariamente, por "reforçar os poderes do ministro das Finanças", que deve contar com o apoio incondicional do primeiro-ministro e dispor "de um poder quase de veto sobre os restantes ministérios".

O objectivo é assegurar a concretização de medidas que se antevêem impopulares, como as reformas da saúde - apostando na gestão privada dos hospitais públicos - e educação, a extinção de alguns serviços públicos, a contenção nas transferências para as autarquias, o equilíbrio das contas externas e o assegurar de "disciplina" nas empresas públicas.

Neste particular, o ex-primeiro-ministro considerou ser necessário acompanhar "quase à semana o endividamento de determinadas empresas públicas, nomeadamente no sector dos transportes e do audiovisual.

Quanto à evasão e fraude fiscais, apontou como única solução viável "um claro levantamento do sigilo bancário" sustentando que, mesmo face ao risco de fuga de capitais, "em situação de crise" esta medida se impõe.

Imperativo é, também, "restituir a credibilidade à política orçamental" portuguesa, cuja "imagem de facilitismo e laxismo influenciou negativamente a actuação das empresas e agentes económicos e acabou também por estimular o adiamento de certas reformas estruturais".

"A nossa política orçamental continua a ser a grande fonte de ineficiência económica" em Portugal e é a "primeira razão do mau comportamento da produtividade", considerou, defendendo a realização de orçamentos plurianuais.

Nota complementar: Tudo isto foi dito por Cavaco Silva em Março. Março de... 2002. Na Faculdade de Economia do Porto.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

O que diz aquele outro perito que também nunca se engana...

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… e que raramente tem dúvidas

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O primeiro-ministro português, demissionário ou não, sempre que fala garante com uma impoluta convicção que o Governo usará todos os recursos ao seu alcance para auxiliar empresas, trabalhadores, famílias e todos quantos precisarem de ajuda.

É com certeza por isso que todos os portugueses dormem mais descansados sempre que ouvem José Sócrates. De barriga vazia (enquanto não aprenderam a viver sem comer) mas descansados.

Se José Sócrates o diz é porque assim vai ser. Não sei se tal se conseguirá através de menos despedimentos, se por meio de mais um cobertor para os sem-abrigo ou, quiçá, pela oferta de uns tantos títulos da dívida pública, mesmo que considerados lixo.

Recordam-se da mensagem de Natal de 2008? Sim, essa mesmo em que José Sócrates teve uma conversa em família, ao estilo de Marcelo (Caetano)?

O primeiro-ministro sublinhou que o ano de 2009 (ao tempo que isso foi!) ia ser "difícil e exigente para todos" (isto é como quem diz... sempre para os mesmos), razão pela qual o dever do seu Governo era "não ficar à espera que os problemas se resolvam por si próprios".

"Pela minha parte, e pela parte do Governo, quero garantir-vos que não temos outra orientação que não seja defender o interesse nacional neste momento particularmente difícil. E defender o interesse nacional é usar todos os recursos ao nosso alcance, com rigor, sentido de responsabilidade e iniciativa, para ajudar as famílias, os trabalhadores e as empresas a superarem as dificuldades, e para incentivar o investimento económico que gera riqueza e emprego", disse então (Natal de 2008) José Sócrates.

Digam lá que o homem não fala bem? É claro que não sabe o que diz e nem diz o que sabe. Se assim não fosse diria, desde logo, que o Governo iria responsabilizar os empresários que, devido à suposta generalização da crise, contratam directores para descobrirem a melhor forma de porem as suas empresas também em crise.

Além da garantia de acção perante a crise, usando para tal todos os meios possíveis ao alcance do Estado, José Sócrates pretendeu também deixar uma mensagem de "esperança" em relação ao futuro e de "confiança" face aos próximos desafios resultantes da "grave crise económica e financeira" mundial.

Foi no Natal de 2008. Uma mão cheia de nada. Muitos portugueses estavam nessa altura como estão hoje e estarão nos próximos anos. Isto é, estão como o tolo no meio da ponte. Não sabem para que lado devem ir. E é nessa altura que descobrem que afinal nem ponte existe.

Sócrates frisou (Natal de 2008) que "os portugueses podem contar com a determinação do Governo" no presente "momento difícil da Europa e do mundo".

Podem contar para quê? Para andarem no TGV? Para voarem para o novo aeroporto da capital? Ou para terem forma de pagar a casa e ao merceeiro?

"Determinação no apoio à economia. Determinação, também, na defesa e na promoção do emprego. Mas, determinação, sobretudo, na protecção das famílias, especialmente às famílias de menores rendimentos, protegendo-as das dificuldades que sentem e ajudando-as nas suas despesas principais", acrescentou Sócrates.

Recordam-se? Foi no Natal de 2008.

E depois das palavras, Sócrates volta a olhar para o lado e a assobiar, dizendo que são as regras de uma economia de mercado.

"Foi por isso que criámos as condições para que baixassem os juros com a habitação, generalizámos o complemento solidário para idosos, protegemos as poupanças, aumentámos o salário mínimo e actualizámos os salários da função pública acima da inflação", disse, ainda (Natal de 2008) Sócrates em referência a medidas tomadas pelo Governo.

Disse e é verdade. Mas o cerne da questão não está na justeza de apoiar quem mais precisa. Está no facto de permitir que poucos tenham milhões à custa de milhões que pouco ou nada têm. De milhões que cada vez têm menos.

"O país precisa de atitude, de empenhamento e de determinação", salientou José Sócrates.

Foi com certeza por isso que o primeiro-ministro substituiu o primado da competência pelo da subserviência, o profissionalismo pela bajulação. Foi por isso que o Governo valorizou quem não erra, esquecendo-se de verificar que os que não erram são os que nada fazem. Foi por isso que entre um competente e um néscio com uma boa cunha, ou cartão do partido, escolheu o néscio.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Quando forem gente, pelo menos 70% dos angolanos vão querer ser...

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Kopelipa e o ditador Eduardo dos Santos (FB)

... “Kopelipas”!

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

A World Wide Capital (WWC), empresa do general angolano Hélder Vieira Dias “Kopelipa” reforçou, embora de forma ligeira, a sua posição como quarto maior accionista do Banco BIG, detendo agora 8,37 por cento da instituição.

Nada de novo, portanto. Seja em relação aos generais do MPLA, ou aos que se venderam ao MPLA, seja quanto aos angolanos, 70 por cento dos quais continuam na miséria.

“Kopelipa”, recorde-se, foi um dos primeiros generais do regime angolano a chegar, juntamente com o ex-general da UNITA e actual Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, Geraldo Sachipengo Nunda, ao local onde Jonas Savimbi foi morto em combate.

No dia 29 de Abril de 2010 era apresentado, em Luanda, com pompa e circunstância um plano de emergência para pagamento das dívidas do governo angolano às empresas nacionais e estrangeiras.

A apresentação foi feita por Carlos Feijó, ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência, ladeado por outros dois ministros de Estado, Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Chefe da Casa Militar, e Manuel Numes Júnior, Coordenador da Área Económica.

De acordo com a Global Witness, os registos da Sociedade de Hidrocarbonetos de Angola (SHA), publicados no Diário da República, nomeiam Manuel Domingos Vicente, nome do presidente da Sonangol, como um dos accionistas da SHA em Agosto de 2008, bem como Manuel Vieira Hélder Dias Júnior "Kopelipa", chefe da Casa Militar do Presidente José Eduardo dos Santos.

O general “Kopelipa”, como bom investidor e cidadão preocupado com o futuro dos angolanos, até pagou um milhão de euros por duas quintas no Douro português para produzir e exportar vinho.

O Independente foi, no início de 2008, um jornal estrategicamente renascido das cinzas em Angola, ligado a Fernando Manuel, outrora membro da DISA (a polícia do Estado), depois SINFO e ex-vice-ministro da Segurança do Estado, e que apareceu como um instrumento de desacreditação da imprensa privada que se atreva a não tocar pelo mesmo diapasão que o do regime.

A prová-lo ficou a notícia da sua primeira edição, depois de ressurgido, sobre o director do jornal angolano, este sim independente, Folha 8. A notícia tinha como título “William Tonet envolvido em burlas, corrupção e mais… Folha 8 lança-se ao cabritismo a troco de silenciar intrigas e difamação.”

A notícia com a qual se abria o referido jornal, mais do que informar era um ataque pernicioso e pessoal ao director e proprietário de um dos jornais de referência da imprensa independente angolana. Talvez o que mais se insurge contra o regime antidemocrático e absolutista do presidente José Eduardo dos Santos.

William Tonet era então acusado de, no desrespeito da deontologia profissional, se fazer passar por mero advogado no julgamento do General Miala, considerando-o “um bajulador de consciências a troco de alguns dólares que visavam tão-somente a absolvição dos réus e comprometer a justiça em Angola”.

Todavia, a absolvição de um réu cuja inocência é manifesta deveria orgulhar a magistratura de Angola e não a comprometer. Num Estado de Direito, mais vale uma justiça que tarda do que uma que não aparece.

De seguida, o mesmo jornal referia que o director do jornal Folha 8 terá burlado o então comandante-geral da Polícia Nacional, Alfredo Ekuikui, tendo recebido deste importantes somas de dinheiro para executar obras no centro de órfãos no Nzonge (localidade do Guenge/Kikuxe), sem que cumprisse “a troco de silenciar intrigas e difamação que envolviam o próprio comandante-geral na época.

O mesmo comandante teria oferecido, ainda, “uma viatura de Toyota Land-Cruiser VX GXR, que se destinava a um dos seus comandantes provinciais, cujo nome a nossa fonte não revelou”.

O mesmo jornal continuava dizendo que na mesma altura, William Tonet “conseguiu manipular o comandante, ludibriando tudo e todos, e foi-lhe entregue, de igual modo, um valor avaliado em 4.000.000.00 de dólares, que se destinava à construção da pousada da Polícia Nacional na localidade do Mussulo, município da Samba”.

No entanto, não apresentou nenhuma prova, nem documental nem de qualquer outra natureza, muito menos foi conhecida qualquer queixa apresentada por incumprimento contratual ou burla.

O jornal Independente foi mais longe ao afirmar que “com esse dinheiro, segundo pessoas próximas do visado, o mesmo efectuou uma viagem à República Federativa do Brasil, com vista a prosseguir com o tratamento do VIH/SIDA de que padece há mais de cinco anos e perspectiva a implantação naquele país da América do Sul, a criação de um jornal on-line que tem como principal objectivo denegrir a postura e os esforços do executivo angolano”.

Para cumprir com o macabro desiderato, William Tonet, “conta com uma equipa de jornalistas nacionais e estrangeiros que no presente momento têm redigido os principais artigos detractores à política governamental do País”.

Quanto a ser portador de tal doença, o panfletário texto do referido jornal juntava-se ao rol de outros tantos no mesmo sentido, porém tinha a particularidade de ser mais ameno em relação a outros boatos que apontavam ser Tonet seropositivo há 20 anos. Agente da CIA, agente do Savimbismo, rebelde da UNITA, filho de Holden Roberto e cérebro da FNLA, instigador do PRS, partido da Lunda–Norte (terra natal do seu pai), agente do imperialismo internacional, etc.

Perante a impossibilidade de desmentirem as informações que o F8 veiculava, logo a calúnia foi (e continua a ser) o último reduto dos algozes do Futungo.

A terminar, o semanário tido como Independente, afirmava também que, de acordo com uma das suas fontes, o jornalista “terá proposto ao general Kopelipa, Chefe da Casa Militar da Presidência da República e director do GRN, por intermédio de um emissário, para a lavagem da sua imagem, valores extremamente exorbitantes na ordem dos 100.000 dólares anuais, facto que esta figura militar rejeitou categoricamente, ponderando inclusive a denúncia pública do facto”.

Facto é que testemunhos quer do general, quer do suposto intermediário ou qualquer processo pelos factos afirmados, deles nunca se ouviu falar nem nunca por ninguém foram vistos.

Além de que, convenhamos, a imagem do general Kopelipa precisava de muito mais do que 8.300.00 dólares/mês para ser limpa. E se isso fosse verdade, por alma de quem o general, que vem sendo denunciado pelo F8, pela forma como desbarata o erário público e extrapola as sua competências, não aproveitaria a oportunidade de denunciar o homem que lhe quer extorquir dinheiro?

Mas esta menção levantava a seguinte questão: estaria o general “Kopelipa” e os seus cães de caça por detrás da carta anónima então enviada a William Tonet?

Se na política não há coincidência, como acreditar que numa semana aparecesse a carta e na outra ressurgisse das cinzas um jornal da Segurança de Estado, todo impresso a cores, para atacar William, Samakuva e Miala e apresentar "Kopelipa" e Kwata Kanawa como os bons da fita?

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

0 MPLA precisa de mais 30 anos para fazer com que Angola seja...

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… um Estado de Direito!

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O MPLA, com o seu brilhantismo habitual, diz que os angolanos são capazes de reconstruir o país, de criar condições para erradicar a pobreza e de promover o desenvolvimento e o bem-estar social.

Os angolanos são, sim senhor, capazes de tudo isso. Pena é que o regime não os ajude. Já lá vão nove anos de paz total e, feitas as contas, poucos continuam a ter cada vez mais milhões e, é claro, milhões continuam a ter cada vez menos.

A constatação propagandística do MPLA, partido no poder desde 11 de Novembro de 1975, insere-se naquilo a que se convencionou chamar o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional e que hoje se assinala.

Este desafio, segundo o MPLA e de acordo com um texto publicado por um dos órgãos oficiais do regime (o Jornal de Angola), deve constituir a base para continuar a construir o futuro do país.

O MPLA exortou os seus militantes, simpatizantes e amigos e todo os angolanos a transformarem as comemorações do 4 de Abril numa "verdadeira jornada de reflexão e de júbilo".

Que o regime esteja em júbilo (assinala desde logo a rendição da UNITA) ainda vá que não vá. No entanto, aos angolanos resta eventualmente reflectir... de barriga vazia.

Apesar de tudo, o regime espera que as reflexões dos angolanos não sejam muito profundas.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que apenas um quarto da população tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade; que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolano; que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população; que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.

Reflectir sobre o estado actual de Angola é lembrar que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

O MPLA pede aos angolanos que fortifiquem os laços de união em prol da busca de consensos para o futuro do país, a consolidação da unidade nacional e o aprofundamento do processo democrático em curso.

Essa do aprofundamento do processo democrático em curso é mesmo brilhante. Aliás, nem sequer haveria necessidade de o aprofundar. Basta ver que, por exemplo, o presidente da República, José Eduardo dos Santos, está no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito...

Por alguma razão, o MPLA (dirigido por José Eduardo dos Santos) aproveita a ocasião para reiterar ao presidente da República (José Eduardo dos Santos) e ao Executivo (liderado por José Eduardo dos Santos) todo o seu apoio na direcção e realização das ingentes tarefas da reconstrução nacional, visando a melhoria das condições de vida do povo.

"A paz tem permitido ao nosso povo o usufruto do direito à segurança, à tranquilidade, à estabilidade e à livre circulação em todo o território nacional e tem facilitado o processo de reconstrução e de criação de infra-estruturas para o desenvolvimento, o que tem sido constatado, de forma entusiasta, por todos os de boa-fé, cientes de que a paz veio para ficar e de que o futuro será infinitamente melhor do que o passado", lê-se na declaração do regime.

Pois é. Tudo isso é visto, sentido, apoiado e reconhecido pelo menos por 70 por cento da população que, recorde-se, continua na miséria.

"O processo de reconciliação nacional, que continua a decorrer de forma sólida, não obstante as inúmeras tentativas de o dificultar, permite que os angolanos acreditem no futuro e tem constituído um factor importante para a consolidação da economia e o seu notado crescimento, viabilizando o processo de reconstrução nacional e a paulatina melhoria das condições de vida do nosso povo", sublinha a declaração do Secretáriado do Bureau Político do MPLA, sobre o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional.

O MPLA, o regime, José Eduardo dos Santos (são tudo sinónimos) não diz mas, importa reconhecê-lo, as “inúmeras tentativas de dificultar” todo o processo fazem com que, no mínimo, o MPLA precise aí de mais uns 30 anos para tornar o país num Estado de Direito.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

domingo, 3 de abril de 2011

Eleições: OS ALDRABÕES DE SEMPRE ANDAM POR AÍ, ATÉ QUANDO?

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

A campanha eleitoral já começou. Começou no dia da tomada de posse do PR Cavaco Silva com o seu discurso calculado e foi confirmada por Passos Coelho e pela decisão de José Sócrates ao demitir-se no momento certo e em que ainda pode disputar os poderes tão almejados pelo PS, por Cavaco, pelo PSD, por Coelho e por Portas.

Não foi por acaso que somente um quinto dos portugueses eleitores votou Cavaco Silva e também se esteve borrifando para os restantes candidatos. É “tudo farinha do mesmo saco”, diz e sabe quem tem sido vítima daquela corja de falsários. Por isso, quase 55 por cento dos eleitores nem compareceu nas urnas de voto e cerca de 10 por cento votaram nulo ou em branco – o que dá no mesmo.

Conclui-se destes números que só cerca de 35 por cento dos portugueses eleitores deram aval à corja que se tem mantido à força nos poderes, deduz-se que esses sejam os portugueses que estão mais bem instalados na vida ou então alguns distraídos ou mentecaptos que vão nas loas de que votar é um dever cívico… Seria um dever cívico se os candidatos nos interessassem e os soubéssemos honestos, se os candidatos representassem interesse para o país. Como sabemos à partida que não é o caso, antes pelo contrário, o dever cívico é rejeitar os candidatos que se propõem. Queremos mudança. Estamos fartos de ser roubados por uma corja de políticos que só olham para os seus umbigos, das suas famílias e comparsas que lhes ofereçam vantagens. Esse é o sentimento dos portugueses que maioritariamente não votam, votam nulo ou em branco, deixam “mensagens” nos boletins de voto a chamar-lhes nomes muito feios que incluem as suas mães (coitadas), sendo que “ladrões” é um dos epítetos mais benevolentes. Porque fazem os portugueses tal “desfeita” aos políticos que concorrem às eleições?

Os motivos estão afetos aos comportamentos de uma classe que não merece o menor crédito e que teima em não ser renovada, querendo enganar-nos ao fazer avançar candidatos “novos” fabricados por eles próprios, os autores e condutores da situação penosa a que chegámos. Os que se iniciaram na política aproveitando a instauração da democracia em Abril de 1974 não largam o “osso” e mesmo já velhadas instalaram-se como eminências pardas nos gabinetes dos partidos políticos, nos gabinetes dos governos e da Assembleia da República, nas sombras dos poderes de decisão. Quase 40 anos volvidos, eles lá estão, apesar de terem caído de pára-quedas a saudar o 25 de Abril libertador, quando sabemos que eram abnegados ou consentâneos servidores do sistema ditatorial salazarista. Nestes anos, quase 40, o que têm feito é acumular riqueza e mordomias que são pagas por todos os portugueses, desde os mais desafogados financeiramente aos que nada têm e por via deles têm muito mais miséria – provavelmente nunca nada terão de seu. Encontramos nesse caso Almeida Santos, do PS. Só um exemplo, mas são muitos mais profissionais da política que têm toda a responsabilidade pelo estado de miséria a que chegámos, Cavaco Silva incluído – e de que maneira!

Principalmente o PS, o PSD e o CDS, que têm partilhado os poderes, guardam nas suas fileiras toda a responsabilidade do fracasso da Nação. Bem podemos esforçar-nos e trabalhar que nem mouros que o resultado é sempre o mesmo: a miséria senta-se à mesa e deita-se na enxerga connosco, passeando-se ao nosso lado por onde quer que andemos.

Cerca de 70 por cento dos portugueses estão à rasca. 20 por cento já a experimentar fome e a caminho do desabrigo. São várias gerações. Muitos nem sequer querem reconhecer a realidade das suas depauperantes situações e enveredam pelos caminhos do “salve-se quem puder”, que só beneficia, eventual e temporariamente, os que escolhem esses caminhos, mas principalmente estes políticos falsários, parasitas oportunistas que julgam que em terra de cego quem tem olho é rei. E lá vão roubando-nos a cidadania, a dignidade, a democracia, a justiça, sorvendo até ao tutano, insensivelmente, o que nos resta, a própria miséria. São piores que abutres, já que esses deixam ficar os ossos depois de os descarnarem metodicamente.

São esses mesmos, esses piores-que-abutres, ainda visíveis ou já nas “sombras” dos poderes, que se mantêm a concorrer a mais estas eleições legislativas que se vão realizar em 5 de Junho. Aparentemente apresentam mudanças, caras supostamente novas. É o caso de Passos Coelho, no PSD. Um filho-querido-da-vitória, de Cavaco e dos barões laranjas e quejandos, um fabricado na JSD, que até agora não disse concretamente o que propõe para “salvar” o país. Nem o fará com honestidade quando da apresentação do programa eleitoral que prometeu apresentar até princípios de Maio. E não o faz porque a sua proposta será igual à do PS, mais coisa menos coisa. Mesmo que diga que despojará o Estado dos inúmeros boys e girls despesistas, agora do PS – menos Estado, menor despesa – o certo é que vai ter de colocar lá os boys e girls do PSD que já se perfilam na sede da Lapa e noutras sedes do partido, tal qual hienas que já cheiram a carniça. E tudo volta ao mesmo. Se é o PS ou o PSD, ou o CDS, ou outro qualquer, pouco nos importa. Passos Coelho é um produto fabricado e contaminado por tudo aquilo que já conhecemos e de que já fomos e estamos a ser vítimas. Queremos mudar. Os portugueses têm de se lembrar que precisamos de mudar e salvar Portugal deste exército de malfadados políticos que se organizaram à laia de máfia e que não nos deixam de sugar, provavelmente até à aniquilação.

Sem escrúpulos eles voltam a calcorrear os caminhos das campanhas eleitorais, sem dizerem nada de novo mas pretendendo que o dizem. Nem serão novas as mentiras que têm constantes nas campanhas eleitorais e que não faltarão nestas. De Belém a São Bento, da Lapa PSD ao Rato do PS, os mesmos aldrabões de sempre andam por aí, até quando?

Uma percentagem tão enorme de portugueses que não votaram significa que pretendemos uma mudança radical dos políticos e das políticas nacionais. Só que eles, agarrados aos poderes como têm estado, fazem que não entendem. É imoral que um indivíduo como Cavaco Silva se escude na legalidade legislada por os da sua “espécie” para fazer vingar e exercer a presidência da república sabendo que foi eleito por somente um quinto dos eleitores. Para a maioria dos portugueses a sua representatividade de facto está em questão.