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sexta-feira, 11 de março de 2011

FAÇAM O FAVOR DE DAR UMA AJUDA AO GOVERNO - COMO?

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VIVAM SEM COMER E, É CLARO, MORRAM!
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

A Alemanha, mascarada de Bruxelas, manda e os donos do pequeno reino lusitano, de cócoras, obedecem. De país que deu luz ao mundo, Portugal transformou-se no tapete do poder dos grandes, mendigando e castigando sempre os mesmos, ou não fossem estes uma casta menor na sociedade socialista.

O Governo do sumo pontífice socialista anuncia que as pensões acima dos 1500 euros vão ser alvo de uma "contribuição especial" partir de 2012, dizendo que o corte será semelhante àquele que já está a ser aplicado nos salários públicos.

É uma desculpa que, por não corresponder totalmente à verdade, é parcialmente mentira no que aos salários públicos concerne. É o socialismo de José Sócrates no seu melhor, ou seja naquele em que uns poucos têm milhões e milhões têm cada vez menos.

Estas medidas fazem parte da estratégia socialista que visa ir novamente ao pacote dos portugueses e que, segundo a terminologia daqueles que têm pelo menos três refeições por dia, visa reduzir a despesa em 2,4% do Produto Interno Bruto e aumentar a receita em 1,3% já nos próximos anos (2011, 2012 e 2013).

Não está mal. Como se já não bastasse uma geração à rasca, o governo socialista teima em que por uma questão de equidade todas as gerações têm de ficar também à rasca.

Mas, tirando a casta socialista superior (a que gravita junto ao poder), todos vão apanhar pela medida grossa, pelo que a actualização das pensões também fica congelada. Tudo,é claro, a bem da nação... socialista.

O governo, com a benção da Alemanha e o beneplácito criminoso do PSD, CDS e – apesar das palavras – do presidente da República, acrescenta que mais esta tentativa para ensinar os portugueses a viverem sem comer vai manter-se “enquanto for necessário para assegurar o cumprimento" das metas orçamentais.

Ficam, entretanto, a saber os portugueses de terceira que o receituário para que consigam mesmo viver sem comer passa, também, por mais reduções nos custos com medicamentos e subsistemas públicos de saúde, bem como no aprofundamento da racionalização da rede escolar.

Sócrates e companhia (Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva) têm razão para estar desgostosos com os portugueses. É que não há meio de essa casta menor de cidadãos concluir com êxito a terapia de viver sem comer. Ou seja... morrerem.

Para já, como convém, o PSD – parceiro dos socialistas no tango que está a pôr os portugueses de tanga – aguarda para mais tarde dizer o que pensa, se é que pensa. Enquanto isso, apesar dos 700 mil desempregados e dos 20 por cento de pobres, os sociais-democratas vão deleitar-se numa faustosa refeição (de trabalho, obviamente) e ver onde ainda há mamas de leite disponíveis.

Segundo Miguel Relvas, dirigente do PSD, nos últimos seis anos têm sido pedidos "muitos sacrifícios aos portugueses e "o Estado não tem dado o exemplo": "Está na hora de pedir também sacrifícios ao Estado e de o Estado assumir as suas responsabilidades", defendeu.

Fica a dúvida se esta tese foi defendida antes ou depois de saborear trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e, é claro, um Château-Grillet 2005.

E enquanto esperam que alguém decida pôr o país em ordem e na ordem, os jovens, os desempregados e os velhos vão continuar a olhar para os seus pratos vazios.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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Regime angolano diz que quer dialogar sobre a situação na colónia de Cabinda

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O Governo angolano reiterou(?), na sua qualidade de potência colonial ocupante, a disponibilidade para continuar a negociar com a FLEC-FAC soluções para a paz e reconciliação na colónia de Cabinda.

Primeiro foi a um outro país, o Congo, prender, raptar, torturar e matar o chefe do Estado Maior da organização, Gabriel Nhemba “Pirilampo”, depois vestiu a pele de cordeiro e veio dizer que quer negociar.

Em comunicado, o regime angolano diz que, após alguns "ataques terroristas" ocorridos em Cabinda, em 2009, uma delegação do Governo e a FLEC-FAC prosseguiram e concluíram negociações iniciadas no mesmo ano, "com vista à criação de condições para complementar e consolidar a paz e reconciliação” na colónia, a que Angola chama província, de Cabinda.

O documento cita a Acta do Encontro entre a delegação do Governo e a delegação da FLEC, de 26 de Novembro de 2009, a Acta de Compromisso assinada entre as duas delegações no dia 7 de Janeiro de 2010 e o Memorando de Entendimento para a Cessação das Hostilidades, com vista ao Fim do Conflito, em 9 de Janeiro de 2010.

"Quando se esperava pela assinatura formal e a implementação dos entendimentos, em particular do memorando acima referido, em Julho de 2010, a delegação da FLEC-FAC desistiu das conversações", refere o documento.

O Governo colonial realça que, após a desistência, a FLEC-FAC retomou "ataques terroristas", citando os realizados contra uma empresa de petróleos a BGP, ao serviço da petrolífera angolana SONANGOL, no dia 8 de Novembro do ano passado, na área do Buco Zau.

Os ataques, segundo o comunicado do regime colonial angolano, estenderam-se até ao presente ano, tendo o primeiro ocorrido no dia 28 de Fevereiro, contra uma coluna de logística de meios civis, que era realizada pelas Forças Armadas Angolanas (FAA).

"Face à situação criada, e por imperativos de segurança, o Governo reagiu, orientando as FAA e a Polícia Nacional para, no quadro da sua missão constitucional, darem resposta operacional às ameaças da FLEC-FAC", refere o documento.

As autoridades angolanas informaram que, na semana passada, as FAA e a Polícia Nacional realizaram operações conjuntas, que culminaram com a desarticulação das bases e unidades da FLEC-FAC ao longo da fronteira, nas áreas de Inhuca e Massabi, na sequência das quais foram registadas baixas em ambas as partes.

Recorde-se, entretanto, que o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do executivo socialista português de José Sócrates, João Gomes Cravinho, afirmou em Janeiro de 2010 que o Governo acompanhava com a “atenção normal” a situação de Cabinda, defendendo que o importante é a detenção de responsáveis de ataques criminosos.

Não está nada mal. Até parece que, para os donos do reino lusitano, falar de Cabinda ou de Zoundwéogo é exactamente a mesma coisa. Lisboa esquece-se que os cabindas, tal como os angolanos, não têm culpa que as autoridades portugueses tenham, em 1975, varrido a merda colonial para debaixo do tapete.

Quando interrogado sobre se o Governo português considerava preocupantes, na altura, as notícias de detenções de figuras alegadamente ligadas ao movimento independentista na colónia angolana de Cabinda, João Gomes Cravinho afirmou que “preocupante é quando há instabilidade e violência, como aconteceu com o ataque ao autocarro da equipa do Togo” a 8 de Janeiro de 2010.

Sim, é isso aí. Portanto, o MPLA pode prender, raptar, torturar e matar quem muito bem quiser (e quer todos aqueles que pensam de maneira diferente) que terá, como é óbvio, o apoio e a solidariedade das autoridades portuguesas.

Creio, aliás, que tal como fez em relação a Jonas Savimbi depois de este ter morrido, Gomes Cravinho não tardará (provavelmente só está à espera que eles morram) a chamar Hitler, entre outros, a Raul Tati, Francisco Luemba, Belchior Lanso Tati, Jorge Casimiro Congo, Agostinho Chicaia, Martinho Nombo e Raul Danda.

João Gomes Cravinho explicou que, “em relação ao mais” Lisboa acompanha o que se passa “pelas vias normais”, isto é, pela comunicação social e pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa.

Ou seja, Portugal está-se nas tintas. E quando Cravinho diz que Lisboa acompanha o que se passa pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa está a esquecer-se que a embaixada lusa se limita, hoje como ontem, a ampliar a versão oficial do regime angolano.

Como se já não bastasse a bajulação de Lisboa ao regime angolano, ainda temos de assistir à constante passagem de atestados de menoridade e estupidez aos portugueses por parte do secretário de Estado João Gomes Cravinho.

Parafraseando José Sócrates, não basta ser primeiro-ministro ou secretário de Estado para saber contar até doze sem ter de se descalçar...

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Autoridades coloniais de Angola torturaram e assassinaram...

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... o Chefe militar da FLEC/FAC
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

De acordo com o Jornal Digital (JD), Gabriel Nhemba «Pirilampo» foi torturado e assassinado depois de ter sido «raptado» em Ponta Negra, República do Congo, na noite de 2 de Março.

Segundo fontes em Ponta Negra, citadas pelo JD, o corpo de «Pirilampo», Chefe de Estado Maior da FLEC/FAC, está na Casa Mortuária de Ponta Negra e apresenta sinais de tortura.

O corpo baleado de «Pirilampo» terá sido encontrado por populares congoleses na aldeia de Tanda na região fronteiriça de Massabi, entre o Congo Brazzaville e Cabinda.

Por diversas vezes aqui foi dito que o Governo de Angola tinha obtido a anuência dos países da região, nomeadamente da República do Congo, para esquecer as fronteiras e levar a operação de limpeza até onde fosse necessário, sobretudo em relação aos cidadãos que vivem na colónia angolana de Cabinda.Foi exactamente com esse enquadramento que militares de Angola não só prenderam, raptaram, torturaram e assassinaram Gabriel Nhemba «Pirilampo», pouco importando se o fizeram num outro país.

Que os militares coloniais de Angola andavam, entre outros, à caça de «Pirilampo» já se sabia. Também já se sabia que o iriam fazer onde fosse preciso. Foi no Congo como poderia ser em qualquer outro país, não faltando nesta altura quem esteja disposto a ajudar o regime angolano a consumar, pela força, a tese de que Angola vai de Cabinda ao Cunene.

A morte, com tortutura, de «Pirilampo» surge, curiosamente, depois de ele ter reivindicado uma operação militar na estrada que liga Buco Zau a Dinje, onde foram mortos um coronel e um tenente coronel das Forças Armadas ocupantes, bem como dois outros militares.

Recorde-se que, segundo a versão oficial da potência colonial, esses militares morreram num mero acidente de viação. Se calhar, digo eu, o mesmo que terá morto – com tortura - Gabriel Nhemba «Pirilampo».

Do ponto de vista do regime colonial angolano, tudo o que a FLEC faça, tal como tudo o que os cabindas pensam, enquadra-se (com a cobarde cobertura internacional) na designação de terrorismo.

É, aliás, a mesma técnica que a anterior potência colonial de Angola usava para qualificar as acções armadas do MPLA contra Portugal durante o período colonial.

Embora sem a expressão de outros tempos, a guerrilha em Cabinda vai fazendo o que pode, procurando que as forças ocupantes (Angola), bem como a comunidade internacional, percebam que é preciso arranjar uma solução política. Mas como o diálogo só é válido entre quem está no poder, independentemente das razões, a solução terá de passar pelos ataques, pelos feridos, pelos mortos.

«Pirilampo» é apenas mais uma vítima do regime angolano. Por alguma razão José Eduardo dos Santos, presidente do MPLA (partido que governa Angola desde 1975) e da República não eleito e há 32 anos no poder, continua a exigir dos seus militares as acções necessárias para que nem as moscas ousem voar.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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AFIRMAR O ÓBVIO PARA TUDO FICAR NA MESMA (*)

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, alerta para o “drama” dos ‘novos pobres’, considerando que esta nova realidade “já não se alimenta de ilusões”. Não foi, creio, para dizer o óbvio que os portugueses votarem em Cavaco Silva. E muito menos para o ver deixar ficar tudo na mesma.

"Hoje somos confrontados diariamente com dramas pessoais e familiares que dificilmente poderíamos imaginar. São dramas que as estatísticas nem sempre revelam, mas que nos vão alertando para a dimensão social que a actual crise económica e financeira tem vindo a assumir”, declarou o chefe de Estado.

Que Cavaco Silva tenha dificuldade em imaginar os múltiplos dramas dos portugueses, ainda vá que não vá. Não pode, contudo, é escudar-se na ignorância de quem vive longe do país real para sacudir a água do capote.

Ou seja, acrescentou Cavaco, “homens e mulheres que sofrem em silêncio, ainda mal refeitos do choque que representa perderem um emprego ou o esboroar de um estilo de vida que se julgava conquistado”.

Pelos vistos levou tempo, demasiado tempo, a ver o diagnóstico que há muito foi feito por quem, mesmo desempregado, não penhorou a liberdade de opinião.

Cavaco continua a ter medo de dizer o que sabe ser a verdade. Ou seja, que grande parte das empresas vão à falência embora os seus donos e ou administradores fiquem mais ricos. Que para o desemprego vão as vítimas e não os responsáveis.

“É importante assegurar os meios materiais indispensáveis à acção social, definir bem as prioridades, aumentar a eficiência na criação de bem-estar e contribuir para atenuar os efeitos do desemprego, da quebra dos rendimentos e do endividamento asfixiante”, defendeu, considerando que o país tem de estar preparado para fazer fase a “situações de emergência social que possam vir a revelar-se”.

Não sei bem a razão, mas Cavaco Silva teima em tapar o sol com a peneira. E ainda por cima ninguém lhe diz que é de noite.De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que tomasse medidas para castigar tanto o ladrão que entra em casa como o que fica à porta. Mas não. Cavaco Silva parece querer castigar as vítimas dos ladrões.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que visse a quem beneficia a infracção. Mas não. Cavaco Silva passa ao lado do cerne da questão.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia que procurasse – por exemplo – saber como é possível a uma empresa despedir dezenas de trabalhadores quando, poucos meses antes, os donos e ou administradores gastaram mais de 500 mil euros em carros novos para seu uso pessoal.

De um presidente de um Estado de Direito (eu sei que não é o caso de Portugal) esperar-se-ia muita coisa. E não apenas o óbvio para tudo continuar na mesma.

(*) Para memória passada, presente e futura: Artigo aqui publicado no dia 1 de Fevereiro de 2009.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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PORTUGAL - O SENHOR CAVACO TOMOU POSSE

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TIMOR AGORA

PRESIDENTE ELEITO POR UM QUINTO

O senhor Cavaco tomou posse. Arrogante, disse o que se imaginava e pouco mais. Mostrou como doentiamente guarda os rancores e despreza a democracia. O senhor Cavaco, presidente eleito por um quinto dos portugueses, diria ser presidente de todos mesmo que só um votasse nele e os outros se abstivessem. Não foi assim mas um dia poderá ser. Prosápia, para quem não recebeu a confiança da maioria dos portugueses eleitores. É o resultado da democracia de pacotilha que temos. O senhor Cavaco é presidente dos que votaram nele (se for) e não mais que isso. É presidente dos grandes empresários, dos grandes grupos económicos, dos que para se desculparem e não prestarem explicações exigem que “os deixem trabalhar” e mantêm “tabus”. É presidente dos que nos seus governos tiveram na política do esbanja-esbanja desempenhos fortes nos tapetes do alcatrão que tão dispendioso nos vai saindo. E mais, muito mais. O senhor Cavaco não fez o que devia, enquanto primeiro-ministro, na justiça social, nem para o desenvolvimento do país; mas sabe agora criticar os que fazem o mesmo e que não são da sua direita ressacada mas de outra que se diz de esquerda sem que o seja, se diz socialista sem que o seja, se diz democrática sem que o seja. Tal qual o senhor Cavaco. Estamos na República da Falácia, dos políticos desonestos que se servem dos cargos para proveito próprio, de seus amigos e das famílias chegadas. Fiéis servidores de corporações patronais e económico-financeiras… De imensos que, mesmo sendo minorias, são quem põem, dispõem e nos escravizam através de modernos figurinos que enganam os adormecidos, os incautos.

O senhor Cavaco Silva, presidente eleito por um quinto, só tem legitimidade porque os seus pares desde há muito criaram esta legitimidade imoral a que chamam democracia, não sendo. Legitimidade desenhada por uma elite que se precaveu para suas vantagens e nossos prejuízos. Só assim e por isso continua nos poderes e nos vai espezinhando. O senhor Cavaco mostrou ontem no seu discurso quanto no seu PSD estão ressacados devido à sede de poder. Vencerá. Conseguirá seus intentos. Até mesmo com menos de um quinto. É as democracias que temos. De fachada e que eles não querem reformar nem revolucionar porque é esta que lhes oferece todas as vantagens, depois disto só a ditadura declarada. Há países onde os ditadores recolhem maiores apoios populares que Cavaco. Pena que não tenham eleições e não saibam das manhas desta dita democracia.

Vêm aí muitos dias piores e muito mais exploração. Mais miséria. O senhor Cavaco não está isento de responsabilidades pela situação atual. Muitas das causas são reflexos das suas governações. Futuro sombrio, em que vai acontecer muito pior com um presidente, uma maioria, um governo. Preparem-se para a desgraça maior.
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quarta-feira, 9 de março de 2011

Por favor Sr. Cavaco Silva, não se esqueça de visitar também o reino...

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... de Eduardo dos Santos
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

A primeira deslocação oficial do Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva, no segundo mandato será um périplo pela Ásia, com deslocações a Timor-Leste, Indonésia e Tailândia.

No contexto da Lusofonia, folgo em saber que Cavaco Silva visita um país em que os seus dirigentes foram eleitos. Quererá isso dizer alguma coisa? Não. Com certeza que não. Portugal tem outras preocupações bem mais petrolíferas.

Espero, contudo, que Cavaco Silva não se esqueça de voltar Angola, sobretudo para felicitar o único Estado da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, à qual Luanda preside, que têm há 32 anos o mesmo presidente e que nunca foi eleito. Isto para além de ser (des)governado pelo mesmo partido, o MPLA, desde 1975.

Que importa que Angola seja de facto, que não formalmente, uma ditadura? Sim, o que é que isso importa tanto para o regime socialista português como para uma Presidência supostamente social-democrata?

A única coisa que conta nas ocidentais praias lusitanas é o petróleo, que é um bem muito – mas muito - superior aos direitos humanos, à democracia, à liberdade, à cidadania.

Reconheça-se, contudo, que a hipocrisia não é uma característica específica de Portugal, se bem que no reino socialista de José Sócrates tenha alguns dos seus mais latos expotentes.

A hipocrisia internacional é também (in)digna de registo que, por exemplo, a própria UNESCO projectou atribuir um prémio patrocinado pelo Presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, mais um dos grandes ditadores da actualidade.

Vê-se, por aqui, que a própria agência das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura chegou a equacionar dar cobertura a um dos mais infames ditadores mundiais, apesar de só estar no poder há... 31 anos. Mas tem petróleo, acrescente-se.

E como Angola tem petróleo (grande parte roubado na sua colónia de Cabinda), ninguém se atreve a perguntar a José Sócrates e a Cavaco Silva se acham que Angola respeita os direitos humanos, ou se é possível que a presidência da CPLP seja ocupada por um país cujo presidente está no poder há 32 anos, sem ter sido eleito.

Reconheça-se, contudo, que tomando como exemplo Angola, a Guiné-Equatorial (que agora até preside à União Africana) preenche todas as regras para ser um país amigo íntimo de Portugal, tal como foi a Tunísia, o Egipto ou a Líbia.

Cavaco Silva, como não poderia deixar de ser, não vê o que se passa mas amplia o que gostava que se passasse. Vai daí não se cansa (embora sem a mesma efusividade de José Sócrates) de enaltecer os méritos do regime angolano.

É claro que em Angola, tal como nos restantes países da Lusofonia, existem muitos seres humanos que continuam a ser gerados com fome, nascem com fome e morrem, pouco depois, com fome. Mas, é claro, morrem em... português... o que significa um êxito também para Portugal.

Cavaco Silva, tal como José Sócrates, tem razão. O importante é mesmo os famintos e miseráveis da Lusofonia saberem dizer, em bom português, “não conseguimos viver sem comer”. Continuarão, como até aqui, sem comida, sem medicamentos, sem aulas, sem casas, mas as organizações internacionais vão perceber o que eles dizem.

Tal como perceberam que Portugal transferiu a presidência da CPLP, com todo o brilhantismo e à volta de uma mesa farta, para um país que, por exemplo, mantém forte presença militar e policial na sua colónia de Cabinda, que não respeita os direitos humanos e que é dos mais corruptos do mundo.

Mas o que é que isso importa? O importante é que Angola fala português, com ou sem acordo ortográfico, tem petróleo que nunca mais acaba (embora a partir de uma colónia) e, mais importante do que tudo, está em vias de resolver os problemas económicos de Portugal.

Problemas que acabarão quando a Oferta Pública de Aquisição, parcial ou total, lançada pelo regime do MPLA sobre Portugal se concretizar.

Mas, se a Tunísia, tal como a Argélia, o Egipto, a Líbia, a Venezuela ou a China, podem ser os grandes parceiros do socialismo lusitano, porque carga de chuva não se poderá dar o mesmo estatuto a Angola?

Recordam-se que, no dia 6 de Maio de 2008, o músico e activista Bob Geldof afirmou, em Lisboa, que Angola é um país "gerido por criminosos"? Ele disse, mas nem Cavaco nem Sócrates ouviram.

E não ouviram porque as verdades são duras e o capataz do reino angolano, Eduardo dos Santos, não iria gostar que eles dissessem que ouviram.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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terça-feira, 8 de março de 2011

Para se perpetuar no poder, o regime angolano volta a jogar a velha tese...

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... de uma nova guerra
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O secretário para a informação do MPLA, Rui Falcão Pinto de Andrade, afirma que as armas e munições encontradas no navio americano Maersk Constellation, retido no Lobito, pertencem à UNITA, apesar de se destinarem ao Quénia.

De quando em vez, ou seja sempre que dá jeito, o regime angolano faz destas descobertas.

Em Fevereiro de 2008 (não foi assim há tanto tempo), numa entrevista à LAC - Luanda Antena Comercial, o então ministro da Defesa angolano, Kundi Paihama, levantou a suspeita de que a UNITA mantinha armas escondidas e que alguns dos seus dirigentes tinham o objectivo de voltar à guerra.

Kundi Paihama afirmou na altura, ao seu melhor e habitual estilo, que os antigos militares do MPLA, "se têm armas", não é para "fazer mal a ninguém" mas sim "para ir à caça".

Alguém sabe se esses antigos militares caçadores já devolveram as armas? Não. Ninguém sabe até porque essas armas ao estarem na posse de gente do regime estão, obviamente, em boas mãos.

Quanto aos antigos militares da UNITA, o governante disse que a conversa era outra, e lembrou que mais cedo ou mais tarde vai ser preciso falar sobre este assunto.

Importa por isso perguntar: Então malta da UNITA? O que é que é isso? Têm para aí um arsenal de metralhadoras debaixo da cama para quê? Não é para caçar, com certeza. E julgavam vocês que os Kundi Paihamas do regime não descobriam? Francamente...

Na entrevista à LAC, citada pelo site Angonotícias, Kundi Paihama disse textualmente: "Ainda hoje se está a descobrir esconderijos de armas".

Disse e é verdade. Todos sabemos que o meu amigo Alcides Sakala, por exemplo, tem na sua secretária 925 Kalashnikov, para além de 423 mísseis Stinguer.

E o meu amigo Lukamba Gato? Da última vez que estive com ele trazia na mala aí uns 14 órgãos Staline (a mim pareceu-me serem mais uns katyushas), para além de me ter mostrado no porta bagagens do carro, oito tanques Merkava de fabrico israelita.

"Eu tenho muitos dados na qualidade de Ministro da Defesa (...) mas não posso revelar publicamente", indiciou o ministro da Defesa, que disse ainda acreditar que há dirigentes da UNITA interessados num regresso à guerra. Recordam-se?

O ministro da Defesa não pode, disse, revelar o que sabe. No entanto, o Alto Hama está em condições de revelar o que Kundi Paihama sabe. Para além dos casos referidos (Sakala e Gato), Isaías Samakuva nunca sai à rua sem levar no bolso três tanques ucranianos, modelo T-84.

Adalberto da Costa Júnior esconde no seu fato, de puro corte inglês, pelo menos sete mísseis norte-americanos Avenger.

O melhor é ficar por aqui. É que Kundi Paihama também sabe que eu tenho um tanque alemão Leopard 2 na minha cozinha, disfarçado de máquina de lavar louça...
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NOTA: No passado dia 2, a propósito da situação em Angola, dei uma entrevista à Deutsche Welle - Voz da Alemanha e que foi transmitida no dia seguinte. Podem agora lê-la na íntegra clicando no endereço referido. - clique aqui

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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A RTP também lambe (pois claro!) as botas ao regime totalitário...

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… de Eduardo dos Santos

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O MPLA continua a escolher bem, muito bem, quem quer em Angola. Está no poder desde 1975 e, por isso, confunde país com partido, partido com Estado, Estado com a família Eduardo dos Santos. Tudo somado, actua como dono do país. A comunidade internacional ri e, é claro, o povo morre à fome.

Quem hoje, a propósito da (não) manifestação contra o regime de José Eduardo dos Santos (o tal presidente da República que, apesar de nunca ter sido eleito, está no poder há 32 anos) viu o noticiário da RTP e da SIC ficou a saber o que é propaganda e o que se aproxima do Jornalismo.

A televisão do regime socialista português fez, e muito bem, um exercício de pura propaganda e de bajulação ao regime angolano. Já a SIC andou muito perto do que é o Jornalismo sério e objectivo.

A RTP, que é sumptuosamente sustentada pelo dinheiro dos contribuintes portugueses (mesmo dos 700 mil desempregados e dos 20 por cento de pobres), deverá ter igualado o trabalho da sua congénere angolana, sendo de prever que o seu “jornalista” residente, Paulo Catarro, venha a ser condecorado pelo regime de Eduardo dos Santos.

O regime angolano, com a cobertura de muitos países da comunidade internacional, incluindo Portugal, dá-se ao luxo de impedir a entrada de jornalistas que não lhe garantam fidelidade, bem como de escolher os que – dentro da fidelidade – mais fiéis são.

A RTP está, aliás, a seguir a sua tradição. Recordo-me que Luís Castro, outro jornalista da televisão pública portuguesa, esteve em Setembro de 2008 como enviado especial em Luanda, e de lá falou como se Angola fosse apenas o que o regime quer que se julgue que é.

Nessa altura, tal como agora Paulo Catarro, descobriu - o que só revela um aturado trabalho jornalístico - que, entre outras pérolas, “Há muito para contar”, que “Angola está em obras”, que os “Maiores bancos portugueses estão em Angola e têm lucros significativos”, que “Milhares de portugueses procuram oportunidades em Angola” e que “Estas são as primeiras eleições em 16 anos”.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que mais de 68% da população angolana vive em pobreza extrema e que a taxa estimada de analfabetismo é de 58%.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% da população.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que o silêncio de muitos, ou omissão, se deve à coação e às ameaças do partido que está no poder desde 1975.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo que a corrupção política e económica é, hoje como ontem, utilizada contra todos os que querem ser livres.

Certamente por deficiência minha, nunca o vi dizer ao mundo nada de substancialmente diferente do que o apresentado pelo Jornal de Angola, pela TPA ou pela RNA.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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segunda-feira, 7 de março de 2011

Que Portugal não se esqueça de felicitar o MPLA pelo êxito na luta...

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… contra os angolanos!

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Portugal vai liderar o comité de sanções da ONU para a Líbia, mau grado, segundo as palavras do primeiro-ministro português, Muammar Kadafi ter sido (ou será que ainda é?) um “líder carismático”. Quem será que, um dias destes, irá liderar um análogo comité em relação a Angola?

Cá para mim, com ou sem José Sócrates no comando do Governo, com ou sem Cavaco Silva na Presidência, ainda vamos ver Portugal dizer de José Eduardo dos Santos o mesmo que agora diz de Muammar Kadhafi.

Mas enquanto isso não acontece, o mundo lá vai continuar a assistir ao atávico lambe-botas dos actuais governantes portugueses perante o dono e senhor de Angola e, é claro, quase dono – mas já senhor – de Portugal.

Creio que, já hoje, os governantes portugueses das ocidentais praias lusitanas devem ter felicitado o chefe do Governo angolano (José Eduardo dos Santos), o presidente do MPLA (José Eduardo dos Santos) e o presidente da República de Angola (José Eduardo dos Santos) pelo êxito que conseguiram ao neutralizar os que se atrevem a pensar de forma diferente.

Recordo-me de num dos aniversários da independência de Angola, Cavaco Silva explicar na mensagem enviada ao seu homólogo angolano (não eleito e há 32 anos no poder) que Portugal e Angola «souberam construir uma relação de sólida amizade e cooperação que, com a conquista da paz, se tem vindo a fortalecer e a expandir a novos domínios de interesse comum, com resultados expressivos e mutuamente vantajosos, tanto no quadro bilateral, como no da coordenação de esforços e posições na cena internacional».

Se calhar, nestas coisas da política “made in Portugal”, também Muammar Kadafi deve ter recebido (obviamente antes de passar de bestial a besta) uma mensagem similar, ou não fosse ele, tal como Eduardo dos Santos, um “líder carismático”.

«A solidez dos laços que nos unem e a convergência de posições em relação a muitos dos desafios centrais do nosso tempo, permitem-nos encarar o futuro com redobrada confiança e ambição», escreveu em 2009, Aníbal Cavaco Silva, numa mensagem enviada ao democrata dono de Angola e que certamente é repetida pelo menos uma vez por ano.

Quanto aos angolanos... nada. Pois. Quem tem de se preocupar com eles não é Cavaco. Para preocupações (se é que elas existem) já bastam a Portugal os perto de 40% em risco de pobreza, os 700 mil desempregados, a queda no ranking da liberdade de imprensa, os casos de corrupção, a oculta face da promiscuidade entre política e economia etc. etc. etc.

Também não é a Portugal que cabe preocupar-se com os 68% (68 em cada 100) dos angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome, ou com os 45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica, ou com o facto de uma em cada quatro crianças (25%) morrer antes de atingir os cinco anos.

Também não é a Portugal que cabe preocupar-se com o facto de, em Angola, a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, ser o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, ou o facto de o silêncio de muitos, ou omissão, ser dever à coação e às ameaças do partido que está no poder desde 1975.

A Lisboa apenas interessa, reconheça-se que com toda a legitimidade, que Angola olhe para a mão estendida de Portugal e lá vá colocando os dólares que José Sócrates & Campanhia precisam, mesmo que sejam conseguidos à custa da morte, da fome e da miséria de um povo de que é dono José Eduardo dos Santos.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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Regime tremeu mas (ainda) não caiu (matar “frakus” é a sua grande obra)

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

"Quem tentar manifestar-se será neutralizado, porque Angola tem leis e instituições e o bom cidadão cumpre as leis, respeita o país e é patriota."

Quem o disse foi Bento Bento, primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA (partido que governa o país desde 1975 e que tem como presidente da República há 32 anos, nunca eleito, José Eduardo dos Santos).

Quem hoje, tal como ontem e infelizmente como amanhã, tratou da neutralização de todos aqueles que queriam, pacificamente, manisfestar-se foram os militares e polícias do regime que, inclusive, levaram para a choldra os jornalistas (não afectos ao regime) que no cumprimento do seu dever faziam a cobertura da manifestação.

Mas que o regime tremeu, isso tremeu. Apesar da passividade criminosa dos mais representativos partidos da oposição, o MPLA temeu e teme que a onça desça ao quintal.

Basta ver que, perante o anúncio da manifestação, o Governo angolano apressou-se a pagar salários em atraso nas Forças Armadas e na Polícia, a fazer promoções em série e a, inclusive, a mandar carradas de alimentos para a casa de milhares de militares.

Basta também ver que, perante uma manifestação pacífica, o regime pôs nas rua e por todo o lado – mesmo em locais onde os angolanos nem sabiam que iria haver manifestação – os militares e a polícia a avisar que qualquel apoio popular aos insurrectos significava o regresso da guerra.

No entanto, por muita força que tenha a máquina repressora do regime angolano (e tem-na), nunca conseguirá fazer esquecer que 70% dos engolanos vivem na miséria, que apenas 38% da população tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico.

Nunca fará esquecer que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Nunca fará esquecer que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação é agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino, que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Nunca fará esquecer que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros, que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população, que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.

Nunca fará esquecer que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Por tudo isto, a luta continua e a vitória é certa!

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Ler também no Alto Hama: O MPLA não tem dúvidas e garante: Em Angola quem manda somos nós
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Regime colonial angolano em Cabinda intimida e enxovalha Agostinho Chicaia

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O Engenheiro Agostinho Chicaia é o Coordenador Geral, (Ponta-Negra) do Projecto Transfronteiriço do Maiombe do PNUA (Programa das Nações Unidas para o Ambiente) e UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza). Este abrange todos os países que comungam da mesma extensão desta grande floresta: Cabinda (Angola), RDCongo, Congo-Brazzaville e Gabão.

É nesta sua qualidade que na passada semana foi até a Luanda, passando por Cabinda.

Encontrou-se com altas personalidades do regime, inclusive com Fátima Jardim, Ministra do Ambiente. Regressou a Cabinda sexta-feira (5 de Março). Hoje, depois de um encontro com o Governador de Cabinda, Mawete João Baptista, que terminou tarde por causa do carnaval, pediu ao Padre Congo que o levasse até à fronteira com o Congo (Massabi).

Devia regressar, porque, amanhã, deve estar em Kinshasa para uma reunião. Chegaram ao local às 17h30, ainda com a possibilidade de atravessar a fronteira, já que é residente na República do Congo.

Os funcionários da DEFA, como tem sido hábito, passeavam com o seu passaporte de um lado para outro, com os telemóveis colados, permanentemente, às badanas, para no fim comunicarem que não podia sair de Cabinda. Regressou-se e ao chegar às portas de Lândana, onde está uma barreira que divide Cabinda em dois; lugar de humilhação dos cabindas, aproximaram-se dois polícias que pediram ao Padre Congo para estacionar o carro, queixando-se que era uma ordem que tinham recebido naquele momento.

Este encostou a viatura nas bermas e viram-se cercados pela fina flor do aparelho repressivo do MPLA e do governo angolano em Lândana (Cacongo): o comandante da polícia, Evaristo Bota, que mais se parece com um agente do SINFO; Benjamim da polícia de Investigação Criminal e o adjunto da DEFA.

Procederam a um controlo, peça por peça; papel a papel, da pasta-de-viagem de Chicaia, diante dos olhos estarrecidos dos ocupantes da viatura. Estiveram no local, mais ou menos, meia hora, libertando, depois, a viatura e. Chicaia.

Compreendeu-se que foi estratégia não o terem deixado passar para o Congo, para o controlarem ao regressar à sua casa na cidade de Cabinda. Teme-se, neste momento, pela sua segurança, amanhã, quando voltar à fronteira.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Ler também no Alto Hama: O MPLA não tem dúvidas e garante: Em Angola quem manda somos nós
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domingo, 6 de março de 2011

O MPLA “ganhou” a guerra e as eleições e por isso tem direito...

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Mostra da “democracia” do regime do ditador Eduardo dos Santos**

... a ser dono do país!
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

A máquina (política e militar) do regime angolano bem se esforça para calar o povo, mas a verdade é que os angolanos estão arrependidos. O MPLA tornou-se abertamente adversário do povo, ou melhor, opressor do povo.

Basta ir para a Angola real. Os sobas, nas aldeias estão (tal como noutros tempos) acorrentados ao medo de perder o subsídio, de serem chicoteados ou presos.

Todas as condições objectivas, no sentido do controlo de recursos, estão a favor do governo – exército, imprensa, maioria no parlamento, polícia, serviço de informações, implantação dos Sinfo nas aldeias, apoio da comunidade internacional, recursos financeiros.

Para se ser alguém, para se viver com dignidade, o angolano tem de pertencer ao MPLA (tal como os portugueses ao PS). O regime é dono dos angolanos. A escravatura moderna é imposta pelos que se julgam, e até agora têm sido, os senhores feudais.

É claro que o Povo não tem força, ou não a tem tido, para derrubar o sistema. A força da sua razão é neutralizada pela razão da força de um regime que tem tudo ao seu dispor.

O regime diz agora que é nas eleições que o Povo tem de decidir. Seria um bom princípio se a democracia fosse, em Angola, democracia. Mas não é. O MPLA, avesso a surpresas, está a preparar minuciosamente o processo para esmagar qualquer adversário.

Quando a máquina estiver pronta, testada e com o certificado de qualidade exarado pela conivente comunidade internacional, então os angolanos serão chamados a votar. E, como no passado, tanto faz que votem no MPLA ou não. E tanto faz porque será sempre o MPLA a ganhar.

Embora com a certeza de que a sua máquina, construída com peças luso-brasileiras e tendo assistência técnica do Partido Socialista português, será suficiente para reduzir a pó qualquer adversário, o MPLA joga sempre pelo seguro, mesmo que tenha de ter mais votos do que votantes recenseados.

Para o MPLA o importante é vencer, é esmagar, pouco importando se é ele que ganha ou se são os adversários que perdem.

Acresce que, mais uma vez, por falta de alternativas serão os angolanos a perder. E faltam alternativas porque os mais capazes não estão para se envolver num jogo em que as regras são ditadas pelo MPLA, em que o árbitro é o MPLA, em que a CNE é o MPLA, em que tudo é o MPLA.

É certo que, formalmente, não vão faltar candidatos. Para além de algumas pessoas ingénuas e bem intencionadas há sempre alguns que, a troco de alguma coisa, se prestam a ser figurantes numa farsa que pretende mostrar como uma ditadura é uma democracia.

Tal como nas legislativas anteriores, já se sabe quem vai ganhar, quem vai legitimar a vitória, e quem vai perder. Falta apenas saber quem serão, a nível internacional, os figurantes que no terreno vão dizer que tudo se processou com democraticidade, civismo e transparência.

Recordam-se que, no anterior simulacro eleitoral, além da falta de transparência, a informação prestada pela CNE revelou-se também incompleta e insuficiente, não explicando de onde vieram as 50.195 actas escrutinadas, quando só havia aprovado o escrutínio de 37.995? Como também não explicou a proveniência dos 10.375.000 votos, quando apenas tinham encomendado à “Valleysoft” 10.350.000 boletins de voto?

E se nessa farsa foram os Serviços de Informação (Sinfo) e a Casa Militar da Presidência angolana a controlar o processo eleitoral, aos invés da Comissão Nacional Eleitoral, no futuro será igual.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

**Legenda Fábrica dos Blogues

Outros títulos Alto Hama:
- Nada com o Jornal de Angola...
- Viva a democracia do regime angolano!
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sábado, 5 de março de 2011

FANTASMA DA GUERRA AMAMENTA COBARDIA

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O regime angolano, com a total cobertura da comunidade internacional, a começar pela CPLP (a que Luanda preside) e terminando na União Africana (presidida pelo regime “democrático” da Guiné-Equatorial), não quer ouvir o que o povo pensa. E, para isso, acena sistematicamente com o espectro de uma coisa que ninguém quer: a guerra.

Não adianta perguntar a Luanda durante quantas mais décadas vai utilizar a fantasma da guerra para, de uma forma cruel, calar a revolta popular.

O povo tem fome? Atenção à guerra. O Povo não tem assistência médica? Atenção à guerra. O Povo nem tem empregos? Atenção à guerra. O Povo não tem casas? Atenção à guerra. O Povo... Atenção à guerra.

É evidente que a comunidade internacional só está mal informada porque quer, ou porque têm interesses, eventualmente legítimos, mas pouco ortodoxos e muito menos humanitários.

Em Portugal, por exemplo, custa a crer mas é verdade que os políticos, os empresários e os (supostos) jornalistas (há, é claro, excepções) fazem um esforço tremendo (se calhar bem remunerado) para procurar legitimar o que se passa de mais errado com as autoridades angolanas, as tais que estão no poder desde 1975 e que têm um presidente da República há 32 anos no poder sem nunca ter sido eleito.

Alguém quer saber que 68% da população angolana é afectada pela pobreza, que a taxa de mortalidade infantil é a terceira mais alta do mundo, com 250 mortes por cada 1.000 crianças? Não, ninguém quer saber.

Alguém quer saber que apenas 38% da população tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico?

Alguém quer saber que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade?

Alguém quer saber que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, de falta de pessoal e de carência de medicamentos?

Alguém quer saber que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação é agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino?

Alguém quer saber que 45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos?

Alguém quer saber que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos?

Alguém quer saber que 80% do Produto Interno Bruto angolano é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população; que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda?

Alguém quer saber que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder?

Não. O silêncio (ou cobardia) são de ouro para todos aqueles que existem para se servir e não para servir. E quando não têm justificação para tamanha cobardia, lá aparecem a dizer: atenção à guerra.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

**Ler também (mais em baixo) outros títulos relacionados com Angola.
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Nunca se viu coisa assim. Milhões, muitos milhões no apoio...

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... ao regime de um ditador
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O vice-presidente do MPLA, Roberto Victor de Almeida, denunciou hoje, em Luanda, a existência de forças que procuram emperrar o desenvolvimento do país e o bem-estar os cidadãos. Só podia. Quando será que essas forças entenderão, de uma vez por todas, que José Eduardo dos Santos é – na Terra – o mesmo que Deus?

Roberto de Almeida fez este pronunciamento quando discursava no acto político realizado no final da Marcha Patriótica pela Paz, no Marco Histórico "4 de Fevereiro", no município do Cazenga e que se calcula tenha contado com a presença de milhões e milhões de angolanos. Bento Bento fala de três milhões mas, cá para mim, terão sido no mínimo uns seis milhões...

Para o político, “muitas pessoas ainda não querem que os angolanos se afirmem como um povo vitorioso, capaz de realizar muitas coisas, de melhorar a vida dos cidadãos, a saúde, a habitação, dar água e energia ao povo e que pode reconstruir o país”.

Com é hábito no regime, continua a misturar-se os angolanos com os donos do país, esquecendo-se que os angolanos, o Povo, estão acima de tudo e que é por eles que se luta, e não pelos que se julgam de uma casta superior e, por isso, donos do país e da saua população.

“Muita gente quer interromper a nossa caminhada. Querem que paremos o nosso trabalho, o que é inaceitável”, declarou, entre aplausos de "milhares" de pessoas, concentradas no Marco Histórico do 4 de Fevereiro.

É, desde logo, estranho que a Angop (a agência de notícias do regime) fale apenas de milhares de pessoas, sobretudo quando as ordens superiores eram para que se falasse de, pelo menos, dois milhões.

Roberto de Almeida afirmou ainda que "onde havia uma ponte partida, há uma moderna, onde havia estrada com buracos temos uma estrada asfaltada, permitindo aos angolanos moverem-se livremente dentro do país".

É verdade. Como também é verdade que onde havia angolanos a morrer à fome, há agora mais angolanos a morrer à fome. Onde havia angolanos a morrer sem assistência médica, há agora mais angolanos a morrer pelas mesmas razões.

O vice-presidente do MPLA fez ainda alusão às eleições de 2008, ganhas pela MPLA e observadas por organizações nacionais e internacionais, que as considerou - disse ele - como sendo transparentes, livres e justas.

E por falar nesse simulacro de eleições de 2008, recorde-se que foi pela voz do então presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Caetano de Sousa, que o mundo ficou a saber que as verdades têm prazo de validade. Ou seja, as observações feitas pela União Europeia em relação a essas supostas eleições foram extemporâneas por não terem sido divulgadas logo após o pleito de 5 de Setembro.

Em declarações à Voz da América, Caetano de Sousa considerou que as posições expressas no relatório final da Missão de Observação da União Europeia não deviam sequer ser feitas nessa altura.

Eu digo mais. Nem nessa altura nem nunca. Aliás, a União Europeia nem sequer deveria ter mandado uma missão de observadores ao mais democrático e transparente Estado de Direito do mundo, Angola.

É que para fazerem figuras de urso ou de palhaço, os observadores europeus bem poderiam continuar a actuar em exclusivo no circo europeu.

O relatório então apresentado, em Luanda, pela chefe da Missão de Observação da União Europeia, Luísa Morgantini, denunciou falhas, irregularidades, fraudes e quejandos no desempenho da CNE no que toca à imparcialidade na tomada de decisões, assim como na garantia de transparência durante o acto eleitoral.

O relatório apresentado à imprensa referia-se a um leque de anomalias registadas durante a votação, desde a notória falta de acesso dos representantes dos partidos políticos ao centro de apuramento central, à não acreditação de um número significativo de observadores domésticos do maior grupo de observadores na capital.

Interessante foi ver que, mesmo obrigados a comer e a calar, os observadores europeus não deixarem de verificar que, por exemplo, uma província «apresentou uma participação eleitoral de 108%» e que «não foram utilizados os cadernos eleitorais para a verificação dos eleitores no dia das eleições e como tal, não houve mais salvaguarda contra os votos múltiplos além da tinta indelével, e nenhum meio para confirmar as inesperadamente elevadas taxas de participação eleitoral».

A Missão de Observação da União Europeia disse ainda que «houve falta de transparência no apuramento dos resultados eleitorais», «que não foi autorizada a presença de representantes dos partidos políticos nem de observadores para testemunhar a introdução dos resultados no sistema informático nacional e não foi realizado um apuramento manual em separado”, para além de “não terem sido publicados os resultados desagregados por mesa de voto e como tal não foi possível a verificação dos resultados».

Interessanta também é recordar aos donos da verdade em Angola, que no Kwanza Norte, durante o censo eleitoral foram registados 156.666 eleitores e que, por incrível que pareça, todos os eleitores inscritos (156.666) votaram. Nem mais 1, nem menos 1. Os inscritos ao longo de aproximadamente 2 anos, estavam todos vivos, permaneceram na mesma província ou para lá se deslocaram para votar...

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Ler também: E se é o dono da Mota-Engil que o diz...
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sexta-feira, 4 de março de 2011

Quando não se quer acreditar na mensagem, será que o melhor é...

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... matar o mensageiro?
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

A manifestação anti-governamental que está a ser convocada para o próximo dia 7, em Luanda, "não tem credibilidade" e constitui "mais um artifício para proteger o regime" de José Eduardo dos Santos.

Esta opinião, respeitável como qualquer outra, é de Isaías Samakuva. O líder da UNITA entende, e terá com certeza as suas razões, que a manifestação do dia 7 é uma jogada do regime, não se sabendo, contudo, o que pensa da anti-manifestação marcada para amanhã.

Isaías Samakuva considera que a iniciativa, que está a ser anunciada nas redes sociais, SMS e em vários sítios da Internet, "não tem bases em que se apoie, porque os seus organizadores não se identificam, o que leva a crer que é apenas um artifício arranjado pelo Governo angolano".

Em síntese, a credibilidade da manifestação do dia 7 mede-se apenas em função dos organizadores. Como são anónimos, trata-se de algo sem consistência e de mais uma jogada do regime. Se a mesma tivesse rosto declarado, então sim, já não seria uma jogada do MPLA e passaria a ser algo de válido.

Por outras palavras, para a UNITA o importante não é a mensagem mas, isso sim, o nome do mensageiro.

O Presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) acusou ainda o regime de José Eduardo dos Santos de estar a preparar para os próximos dias um "cenário de confusão" que conduza ao "assassinato selectivo" de adversários políticos.

Curiosamente, Alcides Sakala, numa nota de Imprensa da UNITA, diz que o partido “apoia e encoraja todas as formas de luta democrática, constitucionalmente consagradas, desde a greve de fome à manifestações pacíficas para reivindicar direitos políticos e sociais consagrados por lei”.

Contradição? Não. Apenas a UNITA no seu real figurino de partido satisfeito por ter 10% dos votos dos angolanos e que, pelo sim e pelo não, prefere ser fuba do mesmo saco do regime.

Vejamos, sem esquecer as teses de Samakuva, o que disse Alcides Sakala: “As greves, as marchas e as manifestações são formas legítimas de luta que os angolanos têm utilizado contra as diversas ditaduras que ocuparam a Cidade Alta no século passado, antes e depois da declaração da independência”.

“Trinta e cinco anos depois da independência, os angolanos continuam vítimas de exclusão social e de intolerância política, que se manifestam através da negação selectiva do direito à liberdade, à educação de qualidade, ao acesso igual à cargos públicos, ao salário justo, à habitação e à plena cidadania; manifestam-se ainda através de prisões arbitrárias, sequestros e assassinatos políticos selectivos, praticados ou promovidos pelas autoridades públicas”.

“A UNITA vem denunciando e protestando sistematicamente contra estes atentados à vida, à liberdade e à dignidade humana. Utilizamos todos os meios pacíficos para repudiar e combater a tirania do Partido-Estado. O mais recente, foi a greve de fome encetada pelo Deputado Abílio Kamalata Numa, no Bailundo, no princípio do mes de Fevereiro de 2011 para protestar contra prisões arbitrárias e contra nove assassinatos políticos que a ditadura engendrou contra cidadãos que se manifestaram contra ela.”

“Em Angola, o processo democrático é irreversível e a atitude dos defensores da ditadura também é irreversível, pelo que devemos todos aprender com os ensinamentos da história recente da África do Magreb.”

Afinal a UNITA situa-se a onde? Costuma dizer-se que quem não tem cão caça com gato. Mas, neste caso, tudo indica que o Galo Negro não tem cão, não tem gato, não tem azagaia nem sequer tem uma fisga.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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Os manifestantes que não se esqueçam, se querem sair vivos...

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… de dar prioridade às balas

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O padre Jorge Casimiro Congo, uma das mais emblemáticas figuras na autodeterminação do enclave angolano diz que a marcha deste sábado na colónia angolana de Cabinda será a morte do próprio MPLA. Demonstra que o regime está no fim e a defender-se a si próprio.

Em Cabinda os funcionários públicos, entre muitos outros, estão a ser igualmente coagidos a participarem na marcha que visa reconhecer José Eduardo dos Santos como o maior democrata da história da humanidade.

Luanda, melhor dizendo, o MPLA, está a aproveitar todos os motivos, reais ou não, para - perante a passividade internacional – aniquilar todos aqueles que em Cabinda (como em Angola) ousam falar (ou até pensar) em autodeterminação ou independência.

O regime angolano usa todos os meios e estratégias em que é mestre para aniquilar, física e psicologicamente, todos os que entende serem seus inimigos.

A linha de pensamento ditatorial do regime até é previsível. Quem não é a favor é contra. E se assim é, ao contrário das mais elementares regras de um Estado de Direito (coisa que Angola está longe de ser), até prova em contrário todos são culpados.

Socorrendo-se de alguns conselheiros norte-coreanos, mas não só já que cubanos e até mesmo portugueses estão a trabalhar no caso, Luanda diz ter provas de que os organizadores da manifestação do dia 7 estão a preparar acções violentas.

A estratégia até está a funcionar. Já conseguiu que a UNITA metesse o rabo entre as pernas.

A purga, limpeza, manifestação a favor, ou seja lá o que for que o regime angolano lhe chama, está em avançado estado de realização, não se sabendo inclusive se as principais figuras da contestação em Angola e Cabinda sairão vivas.

Um dia destes Angola irá anunciar que alguns dos organizadores, sejam-no ou não – isso pouco importa, morreram de causas naturais ou porque, num qualquer cruzamento de Luanda, não deram prioridade às balas dos militares e da polícia.

E, é claro, nesse contexto a culpa também será dos cabindas que, mais uma vez, só se põem de joelhos perante o verdadeiro Deus e não, como é desejo do regime, perante o deus terreno que dá pelo nome de José Eduardo dos Santso.

O Governo do MPLA terá, aliás, obtido a anuência dos países da região, nomeadamente da República Democrática do Congo, para esquecer as fronteiras e levar a operação de limpeza até onde for necssário, situação que fez desaparecer do mapa tanto cidadãos cabindas como congoleses.

Acresce que Luanda tem igualmente a garantia de Lisboa de que Portugal não vai imiscuir-se na questão de Cabinda, “até porque o próprio presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirma que Angola vai de Cabinda ao Cunene”.

Assim sendo, e enquanto tenta “dar a volta” (sinónimo de comprar) a organizações internacionais dos direitos humanos, casos da Amnistia Internacional e da Human Rigths Watch, vai garantindo que nenhum país se manifestará oficialmente contra as violações dos direitos humanos e contra a forma execrável como trata os delitos de opinião que, esses sim, são os únicos “crimes” cometidos.

Entrevista à Rádio Deutsche Welle

Já está no ar a entrevista que dei à Deutsche Welle - Voz da Alemanha. A temática é obviamente a manifestação agendada para o próximo dia 7 e que visa alterar o poder absoluto do presidente de Angola (há 32 anos no poder sem ter sido eleito), José Eduardo dos Santos, do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, do chefe do Governo, José Eduardo dos Santos, do dono de Angola (e não só), José Eduardo dos Santos...

Ver Rádio Deutsche Welle

Ler também: Isto é só para angolanos... negros

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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quinta-feira, 3 de março de 2011

ANTEVISÃO DO 7 DE MARÇO…

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Um dos cartazes, que circula na Internet, a convocar a Manifestação de 7 De Março

EUGÉNIO COSTA ALMEIDA* – PULULU

Segundo a Constituição da República de Angola, de 5 de Fevereiro de 2010, no seu artigo 47.º ((Liberdade de reunião e de manifestação):

É garantida a todos os cidadãos a liberdade de reunião e de manifestação pacífica e sem armas, sem necessidade de qualquer autorização e nos termos da lei.2. As reuniões e manifestações em lugares públicos carecem de prévia comunicação à autoridade competente, nos termos e para os efeitos estabelecidos por lei.

Assim, é incompreensível a atitude de alguns sectores próximos do Poder, em Luanda, nomeadamente, junto do secretariado do MPLA (vulgo “M”) quanto à hipotética manifestação convocada para o próximo dia 7 de Março, seja em Luanda, na Praça da Independência, seja no resto do País, seja, e principalmente, na Diáspora, dado que esta estará totalmente fora do domínio das autoridades angolanas, mas, somente, na do das autoridades locais onde as mesmas poderão ser efectuadas.

Num texto que eu publiquei no meu blogue “Pululu” e, posteriormente, citado no portal Zwela Angola – e que já constatei circula livremente nos diferentes endereços electrónicos – sob o título “Manif em Angola?” eu questionava, e continuo a questionar, da credibilidade de tal convocatória sob anonimato ou, mais concretamente, sob um pseudónimo onde são incluídos nomes de 4 personalidades relevantes da moderna história nacional – interessante como uma frase lá inserta e que alerta para essa “coincidência” ter sido repescada por órgãos de informação (mera coincidência, claro) sem se referirem à fonte original.

Tal como na altura, parece-me que seria mais credível que o autor, ou autores, da convocatória se assumissem sem subterfúgios, como faz, por exemplo, o Bloco Democrático, novel (reformulado) partido político angolano.

Os exemplos da Tunísia e do Egipto são por demais paradigmáticos. Não foram anónimos que iniciaram os protestos que levaram à queda dos antigos e vitalícios líderes desses países. A população sabia quem os tinha “convocado”. Num caso um engenheiro que se auto-imolou, no outro um executivo da Google.

Também em Angola, o direito à manifestação e à verberação das condições sociais e da demasiada permanência de Eduardo dos Santos à frente dos destinos do País – continuo a defender que o seu papel já está terminado e que deveria se afastar como reserva moral da Nação, na linha de Mandela e Nujoma – é um desejo inalienável do Povo.

É certo que este pode – deve – fazê-lo sempre através do voto. Mas quando se especula que o mesmo, previsto para 2012, pode ser adiado, torna essa situação pouco atractiva.

Não receio da benignidade da propalada manifestação nem acredito que as autoridades venham a ter atitudes belicistas que ponham em causa não só a mesma como, principalmente, que dela possam resultar vítimas desnecessárias além da credibilidade da Cidade Alta.

Mas já temo o que a “arraia-miúda” do M e, principalmente, os obscuros “fitinhas”, tão pérfidos nas crises de 1977 e 1992, possam levar a efeito sob a pressão de um obscurantismo primário partidário.

As “manifs”, quando convocadas com razão e credibilidade, não devem ser temidas nem abafadas sob pena de as tornar veras e certeiras nos seus objectivos.

E não esqueçamos que as manifestações são um dos direitos mais sagrados do direito à indignação e contra a inacção. Tal não esqueçamos, também, que a Constituição da República de Angola, feita à imagem e sob a batuta do M e do seu presidente – e presidente de Angola – prevê a liberdade de manifestação e reunião pacíficas, conforme o já citado artigo 47!

Se a manifestação programada para a véspera do Carnaval vier a ocorrer que a mesma seja um hino à vontade explícita e pura de um Povo que contesta que muito esteja em mãos de poucos e que muitos tenham tão pouco para (sobre)viver. E nada mais que isto, para que na terça-feira tudo volte à folia…

©Publicado no portal da Lusofonia “Perspectiva Lusófona” em 02 de Março de 2011 (http://perspectiva-lusofona.weebly.com/1/post/2011/03/anteviso-do-7-de-maro.html)

* Página de um lusofónico angolano-português, licenciado e mestre em Relações Internacionais, a preparar um Doutoramento em Ciências Sociais - ramo Relações Internacionais -; nele poderá aceder a ensaios académicos e artigos de opinião, relacionados com a sua actividade académica, social e associativa.
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Enquanto o regime põe o dedo no gatilho a UNITA volta a esquecer...

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Enquanto Isabel dos Santos, filha de Eduardo dos Santos, exibe jóias no valor de centenas de milhares de dólares os angolanos passam fome. Como adquiriu a fortuna Isabel dos Santos? E Eduardo dos Santos? E os generais e amigos do regime do ditador angolano?*

... os angolanos...
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Os angolanos estão entre a espada e a parede. Se a manifestação do próximo dia 7 tiver o êxito que se espera (e que já está, aliás, ser uma espinha na garganta do regime), vão apanhar forte e feio. Se não tiver, poderão ficar ainda pior.

Por alguma razão o líder da UNITA, Isaías Samakuva, acusou hoje, em conferência de imprensa, o "regime do Presidente José Eduardo dos Santos" de estar a planear um "atentado à vida dos dirigentes" do principal partido da oposição angolana.

E estão a preparar esses atentados porque, no caso de êxito da manifestação, precisam de bodes expiatórios para – até mesmo dentro da linha moderada do MPLA – fazer uma purga ao estilo do 27 de Maio de 1977, desta vez alargada a outros partidos, o que aliás nem sequer é novo na história do partido que lidera o país desde 11 de Novembro de 1975.

Isaías Samakuva referiu que este "plano" implica as acusações do MPLA de que a UNITA estará envolvida na organização de uma manifestação marcada para 7 de Março contra um Presidente, José Eduardo dos Santos, que está no poder há 32 anos sem nuca ter sido eleito.

O líder da UNITA (naquilo que é uma forma de tentar agradar a Deus e ao Diabo) negou o envolvimento do partido na organização desta manifestação e, respondendo às acusações do MPLA, repudiou as declarações de todos quantos pretendem "transformar a UNITA em bode expiatório da má governação do executivo".

Ao distanciar-se, com o rabo entre as pernas e de cócoras, da manifestação, a UNITA mostra como para si é suficiente ter 10% de representação parlamentar, ter lagosta às refeições, enquanto 70% do povo continua a ter, na melhor das hipóteses, fuba podre, peixe podre e porrada se refilar.

Desta forma, tal como há nove anos, a UNITA continua a render-se aos ditâmes ditatoriais do regime, temendo estar ao lado daqueles que precisam: o Povo. É, para já, uma primeira vitória do regime. Outras vão, com certeza, seguir-se.

Se o maior partido da Oposição não tem coragem para estar ao lado dos que precisam de ajuda, o melhor era nomearem uma comissão liquidatária da UNITA e integrarem-se, com todas as mordomias do regime, no MPLA.

Também em Angola se percebe que o Povo sabe o que faz. Quando deu à UNITA cerca de 10% dos votos, sabia que este partido não iria servir para nada. Tinha razão. Quando – como agora – precisa do seu apoio, o Galo Negro nega-o a troco de um prato de lentilhas.

Por alguma razão o MPLA sabia que matando Jonas Savimbi a UNITA acabaria, mais dia menos dia. É isso que está a acontecer, mau grado um ou outro episódio de alguma valentia “savimbiana”, como é o caso do seu secretário-geral, Kamalata Numa.

Savimbi dizia que preferia morrer a ser escravo. Smakuva prefere o contrário, tendo aliás a vantagem de vir a ser um escravo bem alimentado, bem nutrido, bem acarinhado pelos seus donos.

Pois é, aquela roça grande continua a não ter chuva, é o suor de outros rostos que rega as plantações; aquela roça grande ainda tem café maduro e aquele vermelho-cereja são gotas de outro sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado, pisado, torturado, continua a ser negro, negro da cor do contratado.

Perguntem às aves que já não cantam, aos regatos de alegre serpentear e ao vento forte do sertão: Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga? Quem traz pela estrada longa a tipóia ou o cacho de dendém?

Quem capina e em paga recebe desdém, fuba podre, peixe podre, panos ruins, cinquenta kwanzas, "porrada se refilares"?

Quem? Quem faz o milho crescer e os laranjais florescer? Quem dá dinheiro para o patrão comprar máquinas, carros, senhoras e cabeças de outros pretos?

Quem faz o MPLA prosperar, ter barriga grande, ter dinheiro? -Quem?

E as aves que cantam, os regatos de alegre serpentear e o vento forte do sertão responderão: "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras, deixem-me beber maruvo e esquecer diluído nas minhas bebedeiras.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

MONANGAMBÉ (ouvir)
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*Legenda da responsabilidade de FB
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Generais sentados e à babuja de políticos com a mania das grandezas

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

Que lhes irá na cabeça?

A Wikileaks divulgou e o Expresso trouxe até nós parte ínfima do que se relaciona com Portugal. Mesmo que continue com algumas divulgações serão sempre só algumas porque de novidade nada se vislumbra neste diz que disse ontem publicado e que até mereceu da parte do ministro Santos Silva, dito da pasta da Defesa e dito do PS, reprovação pela intenção de divulgar “coisas secretas”. Mas onde está o secretismo daquilo que o Expresso divulgou nesta última semana?

Repetindo: Mas onde está o secretismo daquilo que o Expresso divulgou nesta última semana?

Não é novidade que as nossas forças armadas estão repletas de generais sentados e mais ainda. Também à babuja dos políticos citados ou não citados, de todos os quadrantes políticos, desde que sejam poder, para se manterem no dolce fare niente. Não precisamos de ir muito longe. Basta visitar o Estado-Maior do Exército, em Lisboa, e percebemos perfeitamente a boa vida que generais "quase miúdos" levam. E são imensos. Generais mais generais ou menos generais, dependendo das estrelas. Para não falar dos que estão imediatamente antes na escala hierárquica. Fazendo as contas saberemos que são uma esgotante e inútil fonte de gastos de recursos provindos dos contribuintes. Assiste-se, inclusive, a motoristas civis às ordens dos referidos estrelados. E não devem de ganhar pouco. Mas adiante, que nos militares não se mexe nem se provocam… Não vá o diabo tecê-las ao contrário do espírito dos abnegados militares da geração de Abril. É que estes agora o que querem é poleiro e uma guerrazita distante até faz jeito. Os de Abril queriam paz e progresso para o país, queriam justiça, quiseram e ofereceram-nos a liberdade ao encarnar a luta que as gerações de antifascistas vinham enveredando havia décadas. Em vez disso, agora, temos nas forças armadas Barbies e Ken’s estrelados… Entre muitos deles e dos políticos da atualidade podemos dizer que são farinha do mesmo saco. Uns sacam daqui, outros dali, outros dacolá. Importa é encherem o bandulho, orientarem-se à custa da miséria que cresce no país.

O telegrama do embaixador norte-americano, em que diz verdades sobre Portugal e alguns portugueses de topo, merece ser considerado correto. Isto apesar de o dito embaixador ser má rês e já o ter provado inúmeras vezes. Claro que ele comporta-se como um observador ativo que presencia o descalabro que vai neste país do terceiro mundo e que enganadoramente se quer mostrar dos tais em vias de desenvolvimento… O tanas!

Por outras palavras diz o mais que absoluto conservador embaixador gringo que os políticos em Portugal, as elites na generalidade, têm a mania das grandezas. Ah pois têm! Por isso mesmo é que nós estamos na miséria!

Isso não é só notório no gasto de milhões em submarinos ou em blindados. Blindados que servem para nos dar no focinho se não estivermos quietinhos. Vimos o mesmo nos empresários. Mal têm uns cobres aqui del-rei que se sentem os maiores, e compram, e trocam, e adquirem casas luxuosas, mais que uma, que dificilmente conseguem manter se acaso não enveredarem pela exploração desenfreada dos que para eles trabalham, pela vigarice dos que com eles negoceiam, pela fuga aos impostos devidos, etc, etc. Maior será o seu sucesso se tiverem relações com o ou os partidos políticos dos governos ou quem de suas relações apertadas.

Concluímos daqui, ou dali, do telegrama caçado pelo Wikileaks e divulgado pelo Expresso, que Portugal está a abarrotar de sacanagem militar, política, empresarial… Recordemos e rediga-se: Quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão. O mar é a super inflacionada cambada de chulos, de parasitas, de vigaristas, de ladrões que este país, que o povo trabalhador deste país, está a sustentar. Imagine-se que até Cavaco Silva, antes considerado impoluto, nos presenteou com um cambalacho sobre sisas e falta de siso numa casa que adquiriu na Coelha, em Albufeira, por troca com a sua anterior e famosíssima Vivenda Mariani… No melhor pano cai a nódoa. Assim, podemos confiar nestes oportunistas, nestes abusadores, nesta corja de desonestos que nem nos permitem vislumbrar os que são na realidade honestos? Se ainda os houver…

Perante todo este descalabro os portugueses parecem optar por continuar a apascentarem-se com pasto de fel. Que lhes irá na cabeça?

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

VIVA O PETRÓLEO DE SANGUE!

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Em entrevista à TSF e ao DN, Luís Amado, o ministro dos Negócios Estrangeiros do reino socialista a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos, indicou que se houvesse avaliação com base nas “condições democráticas” de cada país, Portugal “não tería relações com muitos países”.

Tem toda a razão, como aliás é natural em todos aqueles (socialistas, obviamente) que são, entre outras coisas, donos da verdade. Por alguma razão é mais fácil negociar com ditaduras, como é o caso de Angola, do que com regimes democráticos.

Na verdade, com as ditaduras é mais barato corromper sempre os mesmos. Daí a vantagem de a Europa, por exemplo, querer implantar em todo o lado apenas simulacros de democracia.

Luís Amado entende que não se pode desenvolver relações diplomáticas com base nas “condições democráticas de cada país” e lembra que Portugal tomou a mesma posição que outros países no que toca à Líbia.

Ou seja, os ditadores são bestiais enquanto estiverem no poder. Quando forrem derrubados passam a bestas. Há quem chame a isto imoralidade, falta de ética e hipocrisia. Mas esses são uma espécie em vias de extinção.

Relativamente ao desenvolvimento da relação bilateral com o regime de Muammar Kadhafi, Portugal adoptou a mesma posição que “muitos países europeus que hoje têm muitos interesses na Líbia”.

Ou seja, mais do que a democracia, os direitos humanos, o importante é o petróleo, nem que em vez de ouro negro seja mais ouro vermelho... de sangue. Não está mal, não senhor!

“A Líbia é um país rico em petróleo. A Galp compra muito petróleo à Líbia, precisamente porque o petróleo líbio tem uma qualidade que o favorece muito no aproveitamento das nossas siderurgias”, acrescentou o ministro, convicto de que nas relações comerciais vale tudo, até mesmo tirar olhos aos que são explorados para as ditaduras continuarem no poder.

Quando o governo português reconheceu formalmente a independência do Kosovo, Luís Amado, disse que "é do interesse do Estado português proceder ao reconhecimento do Kosovo".

O ministro apontou quatro razões que levaram à tomada de decisão sobre o Kosovo: a primeira das quais é "a situação de facto", uma vez que, depois da independência ter sido reconhecida por um total de 47 países, 21 deles membros da União Europeia e 21 membros da NATO, "é convicção do governo português que a independência do Kosovo se tornou um facto irreversível e não se vislumbra qualquer outro tipo de solução realista".

Deve ter sido o mesmo princípio que, em 1975, levou o Governo de Lisboa a reconhecer o MPLA como legítimo e único governo de Angola, embora tenha assinado acordos com a FNLA e a UNITA. O resultado ficou à vista nos milhares e milhares de mortos da guerra civil.

Como segunda razão, Luís Amado referiu que "o problema é político e não jurídico", afirmando que "o direito não pode por si só resolver uma questão com a densidade histórica e política desta". Amado sublinhou, no entanto, que "não sendo um problema jurídico tem uma dimensão jurídica de enorme complexidade", pelo que "o governo português sempre apoiou a intenção sérvia de apresentar a questão ao Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas".

Vejamos um exemplo da Lusofonia. Cabinda (se é que os governantes portugueses sabem alguma coisa sobre o assunto) também é um problema político e não jurídico, “embora tenha uma dimensão jurídica de enorme complexidade”.

"O reforço da responsabilidade da União Europeia", foi a terceira razão apontada pelo chefe da diplomacia portuguesa. Luís Amado considerou que a situação nos Balcãs "é um problema europeu e a UE tem de assumir um papel muito destacado", referindo igualmente que a assinatura de acordos de associação com a Bósnia, o Montenegro e a Sérvia "acentuou muito nos últimos meses a perspectiva europeia de toda a região".

No caso de Cabinda, a União Europeia nada tem a ver. Tem, no entanto, a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) onde – desculpem se me engano – Portugal desempenha um papel importante.

O ministro português frisou ainda que Portugal, ao contrário dos restantes países da UE que não reconheceram o Kosovo, não tem problemas internos que justificassem as reticências. Pois. Os que tinha (Cabinda é, pelo menos de jure, um problema português) varreu-os para debaixo do tapete.

Como última razão, indicou a "mudança de contexto geopolítico que entretanto se verificou" com o conflito entre a Rússia e a Geórgia e a declaração de independência das regiões georgianas separistas da Abkházia e da Ossétia do Sul que Moscovo reconheceu entretanto.

Isto quer dizer que, segundo Lisboa, no actual contexto geopolítico, Cabinda é Angola. Amanhã, mudando o contexto geopolítico, Portugal pensará de forma diferente. Ou seja, a coerência é feita ao sabor do acaso, dos interesses unilatreiais.

Luís Amado, tal como o Governo e restante companhia parlamentar, entende que são os políticos (seres onde a existência de coluna vertebral é opcional) os donos da verdade.

E quando assim é, a diferença entre ditadura e democracia é muito, mas muito, ténue.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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