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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vislumbram-se eleições em Angola? Então a UNITA que deponha...



... o que não tem: armas!

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Em três anos já foram recolhidas em Angola mais de 80 mil armas que, segundo o Governo, estavam em mãos indevidas. Isto quer dizer, em mãos de gente da UNITA.

Sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, um acto eleitoral, o regime angolano reedita a velha técnica de que a UNITA continua a ter – mesmo passados nove anos sobre a sua rendição - paióis espalhados por todo o país.

O MPLA sabe a lição toda, mesmo que continue a ler livros já fora de uso. Com especialistas portugueses e brasileiros, protecção cubana e petróleo roubado a Cabinda, tem tudo e mais alguma coisa para perpetuar a ditadura, mesmo que rotulada de democracia.

Apesar disso, sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, um acto eleitoral, o regime dá logo sinais preocupantes quanto ao medo de perder as eleições e de ver a UNITA a governar o país.

Para além do domínio quase total dos meios mediáticos, tanto nacionais como estrangeiros, o MPLA aposta forte numa estratégia que tem dado bons resultados. Isto é, no clima de terror e de intimidação.
No início de 2008, notícias de Angola diziam que, no Moxico, “indivíduos alegadamente nativos criaram um corpo militar que diz lutar pela independência”.

Disparate? Não, de modo algum. Aliás, um dia destes vamos ver por aí Kundi Paihama afirmar que todos aqueles que têm, tiveram, ou pensam ter qualquer tipo de arma são terroristas da UNITA.

E, na ausência de melhor motivo para aniquilar os adversários que, segundo o regime, são isso sim inimigos, o MPLA poderá sempre jogar a cartada, tão do agrado das potências internacionais que incendeiam muitos países africanos, de que há o perigo de terrorismo, de guerra civil.

Se no passado, pelo sim e pelo não, falaram de gente armada no Moxico, agora deverão juntar o Bié ou o Huambo.

Kundi Paihama, um dos maiores especialistas de Eduardo dos Santos nesta matéria, não tardará a redescobrir mais uns tantos exércitos espalhados pelas terras onde a UNITA tem mais influência política, para além de já ter dito que quem falar contra o MPLA vai para a cadeia, certamente comer farelo.

Tal como mandam os manuais, o MPLA começa a subir o dramatismo para, paralelamente às enxurradas de propaganda, prevenir os angolanos de que ou ganha ou será o fim do mundo.

Além disso, nos areópagos internacionais vai deixando a mensagem de que ainda existem por todo o país bandos armados que precisam de ser neutralizados.

Aliás, como também dizem os manuais marxistas, se for preciso o MPLA até sabe como armar uns tantos dos seus “paihamas” para criar a confusão mais útil. E, como também todos sabemos, em caso de dúvida a UNITA será culpada até prova em contrário.

Numa entrevista à LAC - Luanda Antena Comercial, no dia 12 de Fevereiro de 2008, o então ministro da Defesa, Kundi Paihama, levantou a suspeita de que a UNITA mantinha armas escondidas e que alguns dos seus dirigentes tinha o objectivo de voltar à guerra.

Kundi Paihama, ao seu melhor estilo, esclareceu, contudo, que os antigos militares do MPLA, "se têm armas", não é para "fazer mal a ninguém" mas sim "para ir à caça". Ora aí está. Tudo bons rapazes.
Quanto aos antigos militares da UNITA, Kundi Paihama disse que a conversa era outra e lembrou que mais cedo ou mais tarde vai ser preciso falar sobre este assunto.

Na entrevista à LAC, Kundi Paihama disse textualmente: "Ainda hoje se está a descobrir esconderijos de armas". Disse e é verdade.

Todos sabemos que, entre outros, Alcides Sakala, Lukamba Gato, Isaías Samakuva e Abílio Camalata Numa têm em casa um arsenal de Kalashnikov, mísseis Stinguer e Avenger, órgãos Staline, katyushas, tanques Merkava e muito mais.

Se calhar este armamento já está um bocado enferrujado. Mas, mesmo assim, o regime está preocupado...

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
 
 

Seis mil pessoas morreram com malária, mais de três milhões foram infetadas




MCL - LUSA

Luanda, 13 abr (Lusa) - Mais de 3,1 milhões de pessoas foram infetadas com malária em 2010, das quais seis mil morreram, segundo dados do Centro de Controlo de Malária de Angola divulgados pela imprensa angolana.

Apesar de o número de mortos ser duas mil vezes menor do que em 2009, "a tarefa do Governo angolano de controlar e eliminar a malária ainda é pesada", lê-se no site Angonotícias. De acordo com o Centro de Controlo de Malária de Angola, o Executivo angolano pretende reduzir em 60 por cento o número de pessoas contaminadas pela doença até 2015. Além disso, mais de 80 por cento das mulheres grávidas e crianças com menos de cinco anos serão incluídas no Plano Nacional contra a Malária.

Angola pretende eliminar a ameaça da doença até 2030, indica o Angonotícias. A malária, ou paludismo, é uma doença infecciosa que envolve risco de vida, provocada por parasitas específicos, transmitidos por picadas de mosquitos.

Tal como o VIH/SIDA e a tuberculose, a malária é um dos principais desafios que se colocam à saúde pública, restringindo dramaticamente o desenvolvimento económico nos países mais pobres do mundo. Há muito tempo, considerava-se que esta doença era provocada pelo ar fétido dos pântanos, daí o nome "malária", que significa "mau ar".

Angola: cerca de 12 mil pessoas infectadas com o HIV em 2010

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Agostinho Gayeta, Luanda - VOA News - 11 abril 2011

O relatório da ONU sobre o VIH SIDA em 2010 dá conta que durante os 30 anos de luta contra a doença somam-se cerca de 36 milhões mortes e mais de 60 milhões de pessoas infectadas em todo mundo.

O relatório da ONU sobre o VIH SIDA em 2010 dá conta que durante os 30 anos de luta contra a doença somam-se cerca de 36 milhões mortes e mais de 60 milhões de pessoas infectadas em todo mundo.

Neste documento que analisa o nível de cumprimento da Declaração de Dakar sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e o compromisso em relação a declaração sobre o VIH/SIDA, a África Subsariana continua sendo a mais afectada com 68 porcento de todas as pessoas vivendo com a pandemia e 69 de todas as novas infecções e 72 porcento das mortes causadas pela SIDA: Dados de 2010 apresentam um crescimento no capítulo da assistência medicamentosa, mas a grande preocupação prende-se com o facto de no período em referência o índice de novas infecções ter triplicado e em finais de 2009, 10 milhões de pessoas não tiveram acesso aos tratamentos com antiretrovirais.

Em Angola, de acordo com o relatório do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida das mais de 450 mil pessoas testadas em 2010, 2,8 porcento foram diagnosticados VIH positivo, o que demonstra uma estabilidade a nível de seroprevalência, segundo a Directora do Instituto Nacional de Luta Contra SIDA Dulcelina Serrano.

O relatório do Instituto Nacional de Luta Contra Sida demonstra que em relação ao tratamento com antiretrovirais houve um aumento significativo de oferta. O documento sobre a situação do VIH SIDA em Angola sublinha a transmissão vertical como uma das maiores preocupações, porquanto ainda existem casos de mulheres grávidas conscientes de sua situação serológica, mas que simplesmente ignoram; A vice-ministra da Saúde, Evelize Frestas, reafirma o engajamento do executivo angolano na luta contra a pandemia.

Mas o trabalho do executivo em relação a doença não é restrito ao Ministério da Saúde, por esta razão a ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, disse que o seu pelouro está em colaboração com as outras instituições a desenvolver um trabalho profundo junto das famílias e funcionários.

A Rede Angolana das Organizações de Luta Contra SIDA não está satisfeita com os dados sobre a pandemia em Angola. António Coelho, Secretário Executivo da ANASO, critica o facto de se estar a "medicalizar" a luta contra a doença. Isto que configura, no seu entender, um olhar mais atento do Estado angolano apenas ao tratamento, em vez da prevenção, o que resulta em situações cada vez mais graves.

O relatório da Organização das Nações Unidas anuncia aumento de casos da doença, quando o governo angolano revela uma estabilidade de seroprevalência no país, dados contrariados pela rede angolana das organizações de luta contra sida.


Perda de direitos dos militares pode conduzir a uma nova revolução - Otelo

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DESTAK - LUSA - 13 abril 2011

Para o "capitão de abril" Otelo Saraiva de Carvalho bastam 800 militares para derrubar um governo, mas "um novo 25 de Abril" só deverá acontecer com a perda de direitos dos militares.

Em entrevista à Agência Lusa, a propósito do livro "O dia inicial", que conta o 25 de Abril "hora a hora", Otelo reconhece que, ao contrário da sociedade em geral, os militares não têm demonstrado grande indignação pelo estado do país.

E justifica: "Os militares pertencem à classe burguesa, estão bem, estão bem instalados, têm o seu vencimento, vão para fora e ganham ajudas de custo, são voluntários e os que estão reformados ainda não viram a sua reforma diminuída".

Mas a situação pode mudar, na perspetiva deste obreiro da "revolução dos cravos", para quem "a coisa começará a apertar, no dia em que os militares perderem os seus direitos".

"Se isso acontecer", sublinhou, "é possível que se criem as tais condições necessárias para que haja um novo 25 de abril".

Otelo Saraiva de Carvalho lembrou que o movimento dos capitães iniciou-se precisamente por "razões corporativistas", nomeadamente quando "os militares de carreira viram-se de repente ultrapassados nas suas promoções por antigos milicianos que, através de um decreto-lei de um governo desesperado por não ter mais capitães para mandar para a guerra colonial, permite a entrada desses antigos milicianos".

"Esses capitães são rapidamente promovidos a majores e ultrapassam os capitães que estavam a dar no duro e tinham quatro anos de curso", adiantou.

Otelo lembra que, "quando tocam nos interesses da oficialidade, ela começa a reagir. Há 37 anos, essa reação foi o movimento de capitães", que culminou no derrube de um regime com 48 anos.

Este "capitão de abril" chama a atenção para a mudança de circunstâncias que se registou nos últimos 37 anos, nomeadamente o facto das forças armadas ao nível das praças – soldados, cabos e sargentos – serem hoje voluntários.

"Se a esta gente voluntária cortarem direitos adquiridos, então o caldo está entornado", avisou.

Questionado sobre a existência de condições para os militares protagonizarem uma revolução, Otelo é perentório: "Para derrubar um governo basta, como se viu, 800 militares. Chegam, desde que estejam empenhados nisso".

Portugal - Otelo: «Se soubesse como o País ia ficar, não fazia a revolução»

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DESTAK - LUSA - 13 abril 2011

Otelo Saraiva de Carvalho ouve todos os dias populares dizerem-lhe que o que faz falta é uma nova revolução, mas, 37 anos depois, garante que, se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de abril.

Aos 75 anos, Otelo mantém a boa disposição e fala da revolução dos cravos como se esta tivesse acontecido há dois dias.

Recorda os propósitos, enumera nomes, sabe de cor as funções de cada um dos intervenientes, é rigoroso nas memórias, embora reconheça que ainda hoje vai sabendo de contributos de anónimos que revelam, tantas décadas depois, o papel que desempenharam no golpe que deitou por terra uma ditadura de 48 anos.

Essa permanente atualização tem justificado, entre outros propósitos, a sua obra literária, como o mais recente "O dia inicial", que conta a história do 25 de abril "hora a hora".

Apesar de estar associado ao movimento dos "capitães de abril" e aceitar o papel que a história lhe atribuiu nesta revolução, Otelo não esconde algum desânimo. Ele, que se assume como um "otimista por natureza".

"Sou um otimista por natureza, mas é muito difícil encarar o futuro com otimismo. O nosso país não tem recursos naturais e a única riqueza que tem é o seu povo", disse, em entrevista à Agência Lusa.

Otelo lamenta as "enormes diferenças de carácter salarial" que existem na sociedade portuguesa e vai desfiando nomes de personalidades públicas, cujo vencimento o indigna.

"Não posso aceitar essas diferenças. A mim, chocam-me. Então e os outros? Os que se levantam às 05:00 para ir trabalhar na fábrica e na lavoura e chegam ao fim do mês com uma miséria de ordenado?", questiona, sem esconder o desânimo.

Para este eterno capitão de abril, o que mais o desilude é "questões que considerava muito importantes no programa político do Movimento das Forças Armadas (MFA) não terem sido cumpridas".

Uma delas, que considera "crucial", era a criação de um sistema que elevasse rapidamente o nível social, económico e cultural de todo um povo que viveu 48 anos debaixo de uma ditadura".

"Este povo, que viveu 48 anos sob uma ditadura militar e fascista merecia mais do que dois milhões de portugueses a viverem em estado de pobreza", adiantou.

Esses milhões, sublinhou, significa que "não foram alcançados os objetivos" do 25 de abril.

Por esta, e outras razões, Otelo Saraiva de Carvalho garante que hoje em dia não faria a revolução, se soubesse que o país iria estar no estado em que está.

"Pedia a demissão de oficial do exército, nunca mais punha os pés no quartel, pois não queria assumir esta responsabilidade", frisou.

Otelo justifica: "O 25 de abril é feito em termos de pensamento político, com a vontade firme de mudar a situação e desenvolver rapidamente o nível económico, social e cultural do povo. Isso não foi feito, ou feito muito lentamente".

"Fizeram-se coisas importantes no campo da educação e da saúde, mas muito delas têm vindo a ser cortadas agora outra vez", lamentou.

"Não teria feito o 25 de abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos atualmente. Teria pedido a demissão de oficial do Exército e, se calhar, como muitos jovens têm feito atualmente, tinha ido para o estrangeiro", concluiu.

terça-feira, 12 de abril de 2011

NOBRE FOGE DO FACEBOOK POR FALTA DE COERÊNCIA E HONESTIDADE

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

FUGA DEMONSTRA COBARDIA POLÍTICA

Este Nobre é desnobre e foge logo às primeiras. Tal qual os PIDES que em 25 de Abril de 1974 pareciam ratos a fugirem do passado de sevícias que infligiram a milhões de portugueses no continente e nas então colónias. Negando sempre que podiam não ter pertencido à malfadada polícia fascista. Ou alegando que eram polícias de fronteira, escriturários… Cobardes, isso sim.

Este desnobre fugiu do Facebook como quem não quer a coisa, depois de ter demonstrado que afinal é mais um oportunista político que perante o aliciamento do sistema, agora representado por Passos Coelho, do PSD, adere a ele para tirar vantagens pessoais e manda às urtigas centenas de milhares de apoiantes que teve efetivamente nas últimas eleições presidenciais, em que se dizia contra o vergonhoso sistema político existente em Portugal, em que se dizia apartidário, em que se dizia prosseguir do mesmo modo e não perspetivar enveredar pelo caminho que enveredou, dececionando essas mesmas centenas de milhares e mais os que viriam e representavam um capital político assente no acreditar, em quem afinal não merecia.

Sobre esta reviravolta de Fernando Nobre, comentava Boaventura Sousa Santos, na TSF, que ele havia trocado um capital de confiança enorme assente na independência, na cidadania, por um prato de lentilhas que lhe foi oferecido pelo PSD. Nobre traiu ideais anunciados e jurados a pés-juntos mas teve uma forte razão para isso e veremos mais tarde como assim será.

O PSD e Passos Coelho, os barões banqueiros e grandes empresários, o sindicato de gradas figuras políticas conservadoras e até de saudosismos salazarentos adaptados à atualidade, não nomearam Fernando Nobre por acaso. E Fernando Nobre também não aceitou por acaso. Ao PSD convém ter Nobre e o seu capital eleitoral para agora e para daqui por cinco anos elegê-lo presidente da república, uma vez que Cavaco cumpre dois mandatos e já não pode concorrer. A Nobre isso interessa. Agora catapulta-se para presidente da Assembleia da República, acumulando benesses e mordomias. Depois ainda maior será o voo ao vislumbrar sentar-se por cinco ou dez anos na cadeira de Belém. Coisa nunca por ele sonhada de modo tão elaborado e provavelmente fácil. É aquilo que pode acontecer em pura e dura boa verdade. E quem age assim politicamente, traindo centenas de milhares, não pode ser boa rês. Provavelmente não há na história recente de Portugal maior golpe de rins que este. Aquilo que para Eça seria denominado o “esterco da política nacional”.

Contudo este aparente golpe de teatro pode não ter sido golpe de rins nenhum. Sabemos que Nobre sempre esteve próximo do PSD e da direita refinada. Quem nos garante que ao candidatar-se nas eleições presidenciais não obedecia a objetivos inconfessáveis e que estava tudo já alinhavado? A candidatura de Fernando Nobre nas presidenciais veio retirar a Manuel Alegre imensos votos e esse era um objetivo do agrado do PSD e do CDS, que apoiavam Cavaco Silva. Fernando Nobre, com a sua candidatura e campanha de ilusionista, serviu para contribuir para eleição de Cavaco por uns míseros cidadãos eleitores que legalmente o recolocaram na cadeira da presidência em Belém, independentemente da imoralidade que significa em padrões de ética democrática.

A ingenuidade dos eleitores e apoiantes de Nobre nas últimas eleições presidenciais deu lugar à revolta, às náuseas e vómitos. Isso mesmo tem sido expresso na página do Facebook por milhares dos então apoiantes. Foi disso que Nobre fugiu demonstrando a sua cobardia política e sem ao menos ter apresentado desculpas aos que manipulou. Uma prova, se atentarmos, de que ele sabia muito bem aquilo que podia acontecer caso as eleições antecipadas ocorressem ou noutro cenário que se desenrolasse. Plausivel.

Como se diz há muito em Portugal: A política é uma porca. Acrescente-se que só assim é devido aos porcos que lhe mamam nas tetas, porque existem e estão sempre a aparecer mais.

Sobre a indignação, já acima demonstrada, e a ausência de vergonha fica também em baixo à vossa consideração a prosa do Público:

Indignação continua no Facebook e no Twitter

Página oficial de Fernando Nobre desaparece do Facebook após críticas de seguidores

Hugo Torres - Público – 11 abril 2011

A candidatura de Fernando Nobre às legislativas de 5 de Junho, pelas listas do PSD, motivaram muitas críticas ao presidente da AMI no Facebook. A página criada para a corrida a Belém estava a ser inundada, desde ontem, com mensagens de seguidores desiludidos. Até hoje à tarde, quando desapareceu.

A comunidade que Fernando Nobre conseguiu reunir no Facebook, com mais de 39 mil seguidores, estava mesmo a aumentar esta manhã. Mas não para aplaudir a decisão: os utilizadores daquela rede social estavam a juntar-se à comunidade para poderem comentar no mural da página e veicular o seu desagrado.

Entre os comentários, encontravam-se vários que davam conta deste procedimento, antes de comunicar a “desilusão” que é para eles verem Nobre como cabeça-de-lista dos social-democratas por Lisboa. A página desapareceu entretanto do ar, tornando inacessível o historial de testemunhos desgostosos, mas também de alguns de apoio.

Certo é que mesmo sem essa página, os internautas arranjaram alternativas para publicitar o seu desagrado – desde a página pessoal de Fernando Nobre no Facebook às comunidades que vão nascendo nesta rede social (o exemplo mais popular é este, com mais de quatro mil seguidores).

O Twitter também está a servir de plataforma para fazer chegar críticas a Fernando Nobre, que nas últimas presidenciais conseguiu 14 por cento dos votos e está actualmente no Sri Lanka. Os internautas estão a direccionar os seus comentários para a conta @RecomecarPT, que remete para o lema de Nobre nas presidenciais.

Angola: CORRER FORA DA PISTA

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ANGOLA 24 HORAS

“O apoio quase incondicional de Angola a Laurent Gbagbo começa a levantar muitas preocupações” no país e no mundo, segundo o comentarista da Rádio Ecclesia.

Uma posição que dá azo a interpretações de que as autoridades angolanas “ agiriam da mesma maneira, caso em Angola aconteça algo semelhante”.

Mensagem ainda mais preocupante, segundo o académico e comentarista da Ecclesia, Celso Malavoneke.

“Externamente, Angola começa a ficar com a fama de correr fora da pista e de fazê-lo por confiar no seu poderio militar e nos grandes recursos que possui” - revelou.

Angola negou entretanto, por repetidas vezes, ter fornecido apoio militar ao Presidente cessante da Cote D’Ivoire. Uma questão que os próximos tempos esclarecerão, já que Laurent Gbagbo não conseguiu evitar a derrota militar.

Foi detido esta segunda-feira, na sua residência, em Abidjan. A detenção de Laurent Gbagbo ocorreu após uma ofensiva das forças do presidente eleito, Alassane Ouattara, apoiadas por meios aéreos e blindados das forças francesas e da Onuci, a missão das Nações Unidas no país.

O acontecimento interessa a opinião pública angolana, já que o país vinha sendo acusado de estar na linha que defendia Laurent Gbagbo.

Ainda nenhuma fonte segura confirmou a presença de militares angolanos na guarnição de Gbagbo. Apenas rumores que citam um coronel de nome Víctor Manena como suposto comandante do efectivo.

O comentarista da Ecclesia citou estas informações segundo as quais metade das tropas que defendiam Gbagbo seriam elementos da unidade da Guarda Presidencial de Angola.

Apostolado

FRANCISCO LUEMBA: REVOLTAS CHEGARÃO A ANGOLA

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Luemba diz em entrevista à Renancença que este último período de prisão que o MPLA-JES lhe impôs “foi muito dificil”. (VER VÍDEO)


Passou quase um ano na cadeia em condições humanas degradantes, mas não desarma nas criticas ao regime e vai mais longe, a revolta popular que aconteceu no norte de africa poderá chegar a Angola, vaticina.

“Acho que sim, podemos não fixar prazos, mas nos próximos meses ou nos próximos anos esta situação chegará. A situação em Angola é de uma grande instabilidade, o povo está cansado do regime, as injustiças sociais são gritantes, as violações dos direitos humanos também são graves. As pessoas estão cansadas e não estão mais dispostas a suportar aquela situação”, defende Francisco Luemba.

O activista, conhecido por alguns como advogado dos pobres, enumera ainda os motivos do descontentamento dos angolanos.

“As condições de vida são difíceis, o acesso à água, à electricidade, à saúde e mesmo à educação é muito limitada e os serviços são de má qualidade. Também há muito desemprego. O salário mínimo ronda os 60 dólares, um pai de família com esse salário, se tiver 3, 4 ou 5 filhos, sobretudo se tiver que pagar uma renda, está abaixo da linha da pobreza. Nós não ganhamos nada com o petróleo, pelo contrário, somos penalizados por causa do petróleo, a todos os níveis”, assegura.

Já em relação a uma solução política para o enclave de Cabinda, este advogado defende a via das negociações e critica a postura a comunidade internacional: “A postura da comunidade internacional infelizmente é de solidariedade para com quem viola os nossos direitos. A Comunidade internacional não assume o seu papel em relação a Cabinda, antes pelo contrário, apoia a repressão e exploração do povo de Cabinda.”

Quanto ao papel de Portugal, lamenta o facto de Lisboa não ter coragem para abordar um assunto tabu, e critica aquilo a que chama subserviência do Governo português a Angola.

“Portugal segue exactamente a mesma lógica, sobretudo mais interessado na defesa dos laços económicos, quer aproveitar as facilidades que estão a ser dadas as muitas empresas portuguesas, Há uma certa subserviência do Governo de Portugal a Luanda. Cabinda é um assunto tabu”, conclui este activista dos direitos humanos em Cabinda.

Forte contingente policial impede manifestantes de chegar a Manzini

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LUÍS ANDRADE DE SÁ - LUSA

Manzini, 12 abr (Lusa) -- Um forte contingente policial em Manzini, segunda maior cidade da Suazilândia, e nos seus arredores frustrou durante a manhã de hoje as intenções de associações sindicais de promoverem uma marcha a favor da democracia no país.

À primeira vista, parece haver mais polícias do que civis na cidade, sobretudo na rua Nkoseluhlaza, a via que atravessa a cidade, patrulhada por grupos de polícias, por soldados e constantemente cruzada por camiões com efetivos da polícia de choque, equipados com viseira, bastão e escudo.

A sede da Associação dos Professores da Suazilândia, um dos organizadores dos três dias de protestos, que hoje deviam começar, está cercada por grandes camiões da força anti-motim da polícia.

Os telefones da associação não funcionam, assim como os de outras estruturas sindicais que promoveram a marcha, como as associações de enfermeiros e de estudantes.

Diversas pessoas estão detidas num camião celular, não longe do local, constatou a Lusa quando, durante cerca de meia hora, o seu jornalista foi interrogado por agentes sobre a sua presença no país.

As vias de acesso a Manzini são fortemente vigiadas e os meios de transporte coletivos sujeitos a revista demorada e muitas pessoas não conseguiram ainda chegar à capital económica da Suazilândia, estando alguns estabelecimentos fechados ou a funcionar a meio gás.

Os protestos foram convocados por estruturas sindicais, no dia em que o país assinala o 38º aniversário da imposição do estado de emergência e a consequente proibição de partidos políticos, que exigem a demissão do governo e reformas democráticas.

"O povo precisa de um espaço para falar e para isso é necessário uma mudança de governo", disse à Lusa Joel Dlamini, pastor da igreja anglicana St George and St. James.

Hoje, o conselho das igrejas da Suazilândia emitiu um comunicado em que apela à reposição dos valores democráticos.

"Os que proíbem a liberdade aos outros não a merecem para eles", defende o conselho, que reitera o direito "do povo a expressar-se livremente e sem violência".

A alegada "mão" da África do Sul, cujos sindicatos promoveram hoje uma ação de solidariedade na fronteira, tem sido indiretamente criticada por fontes governamentais e também por aqueles que não acreditam "em coincidências".

"Como é que pode esta marcha ter sido convocada no Facebook se quase não há computadores na Suazilândia?", interrogou-se um português residente no país, sobre o papel de cibernautas sul-africanos na convocação dos protestos, ao lado dos sindicatos.

Falando diante do delapidado parque da rua Nkoseluhlaza, onde têm ocorrido os protestos populares, a empregada de um moderno café admitiu à Lusa não saber o que é a Internet.

O gabinete do primeiro-ministro da Suazilândia, Barnabas Dlamini, não respondeu a perguntas da Lusa, enviadas, na última semana, por e-mail e, hoje, repetidas por telefone.

OBAMA E A DEFESA DA REBELIÃO

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James Petras* - Resistir.info

Nas últimas duas semanas a Líbia sofreu o mais brutal ataque imperialista, por ar, por mar e por terra, da sua história moderna. Milhares de bombas e de mísseis, lançados de submarinos, vasos de guerra e aviões de guerra, americanos e europeus, estão a destruir as bases militares líbias, os seus aeroportos, estradas, portos, depósitos petrolíferos, posições de artilharia, tanques, porta-aviões blindados, aviões e concentrações de tropas. Dezenas de forças especiais da CIA e do SAS têm andado a treinar, a aconselhar e a apontar alvos para os chamados 'rebeldes' líbios empenhados numa guerra civil contra o governo de Kadafi, as suas forças armadas, as milícias populares e os apoiantes civis ( NY Times 30/03/11).

Apesar deste enorme apoio militar e do total controlo dos céus e da linha costeira da Líbia pelos seus 'aliados' imperialistas, os 'rebeldes' ainda não foram capazes de mobilizar o apoio de aldeias e cidades e encontram-se em retirada depois de enfrentarem as tropas governamentais da Líbia e as milícias urbanas, fortemente motivadas ( Al Jazeera 30/03/11).

Uma das desculpas mais idiotas para esta inglória retirada dos rebeldes, apresentada pela 'coligação' Cameron-Obama-Sarkozy, e repetida pelos meios de comunicação, é que os seus 'clientes' líbios estão 'menos bem armados' (Financial Times, 29/3/11). Obviamente, Obama e companhia não contabilizam o grande número de jactos, as dezenas de vasos de guerra e de submarinos, as centenas de ataques diários e os milhares de bombas lançadas sobre o governo líbio desde o início da intervenção imperialista ocidental. A intervenção militar directa de 20 potências militares estrangeiras, grandes e pequenas, flagelando o estado soberano da Líbia, assim como o grande número de cúmplices nas Nações Unidas não contribui com nenhuma vantagem militar para os clientes imperialistas – segundo a propaganda diária a favor dos rebeldes.

Mas o Los Angeles Times (31/Março/2011) descreveu como “… muitos rebeldes em camiões com metralhadoras deram meia-volta e fugiram… apesar de as suas metralhadoras pesadas e espingardas antiaéreas serem parecidas com qualquer veículo governamental semelhante”. De facto, nenhuma força 'rebelde' na história moderna recebeu um apoio militar tão forte de tantas potências imperialistas na sua confrontação com um regime instituído. Apesar disso, as forças 'rebeldes' nas linhas da frente estão em plena retirada, fugindo desordenadamente e profundamente descontentes com os seus generais e ministros 'rebeldes' lá atrás em Bengazi. Entretanto, os líderes 'rebeldes', de fatos elegantes e de uniformes feitos por medida, respondem à 'chamada para a batalha' assistindo a 'cimeiras' em Londres onde a 'estratégia de libertação' consiste no apelo, perante os meios de comunicação, de tropas terrestres imperialistas ( The Independent, Londres) (31/03/11).

É baixa a moral dos 'rebeldes' na linha da frente: Segundo relatos críveis da frente da batalha em Ajdabiya, “Os rebeldes… queixaram-se de que os seus comandantes iniciais desapareceram. Acusam camaradas de fugirem para a relativa segurança de Bengazi… (queixam-se de que) as forças em Bengazi monopolizaram 400 rádios de campo oferecidos e mais 400… telemóveis destinados ao campo de batalha… (sobretudo) os rebeldes dizem que os comandantes raramente visitam o campo de batalha e exercem pouca autoridade porque muitos combatentes não confiam neles” ( Los Angeles Times , 31/03/2011). Segundo parece, os 'twitters' não funcionam no campo de batalha.

As questões decisivas numa guerra civil não são as armas, o treino ou a chefia, embora evidentemente esses factores sejam importantes: A principal diferença entre a capacidade militar das forças líbias pró-governo e os 'rebeldes' líbios apoiados por imperialistas ocidentais e por 'progressistas', reside na sua motivação, nos seus valores e nas suas compensações materiais. A intervenção imperialista ocidental exaltou a consciência nacional do povo líbio, que encara agora a sua confrontação com os 'rebeldes' anti-Kadafi como uma luta para defender a sua pátria do poderio estrangeiro aéreo e marítimo e das tropas terrestres fantoches – um poderoso incentivo para qualquer povo ou exército. O oposto também é verdadeiro para os 'rebeldes', cujos líderes abdicaram da sua identidade nacional e dependem inteiramente da intervenção militar imperialista para os levar ao poder. Que soldados rasos 'rebeldes' vão arriscar a vida, a lutar contra os seus compatriotas, só para colocar o seu país sob o domínio imperialista ou neo-colonialista?

Finalmente, as notícias dos jornalistas ocidentais começam a falar das milícias pro-governo das aldeias e cidades que repelem esses 'rebeldes' e até relatam como “um autocarro cheio de mulheres (líbias) surgiu repentinamente (de uma aldeia) … e elas começaram a fingir que aplaudiam e apoiavam os rebeldes…” atraindo os rebeldes apoiados pelo ocidente para uma emboscada mortal montada pelos seus maridos e vizinhos pró-governo ( Globe and Mail,28/03/11 e McClatchy News Service, 29/03/11).

Os 'rebeldes', que entram nas aldeias, são considerados invasores, que arrombam portas, fazem explodir casas e prendem e acusam os líderes locais de serem 'comunistas da quinta coluna' a favor de Kadafi. A ameaça da ocupação militar 'rebelde', a detenção e a violência sobre as autoridades locais e a destruição das relações de família, de clã e da comunidade local, profundamente valorizadas, levaram as milícias líbias e os combatentes locais a atacar os 'rebeldes' apoiados pelo ocidente. Os 'rebeldes' são considerados 'estranhos' em termos de integração regional e de clã; menosprezando os costumes locais, os 'rebeldes' encontram-se pois em território 'hostil'. Que combatente 'rebelde' estará disposto a morrer em defesa de um território hostil? Esses 'rebeldes' só podem pedir à força aérea estrangeira que lhes 'liberte' a aldeia pró-governo.

Os meios de comunicação ocidentais, incapazes de entender essas compensações materiais por parte das forças pró-governo, atribuem o apoio popular a Kadafi à 'coerção' ou 'cooptação', agarrando-se à afirmação dos 'rebeldes' que 'toda a gente se opõe secretamente ao regime'. Há uma outra realidade material, que muito convenientemente é ignorada: A verdade é que o regime de Kadafi tem utilizado a riqueza petrolífera do país para construir uma ampla rede de escolas, hospitais e clínicas públicas . Os líbios têm o rendimento per capita mais alto de África com 14 900 dólares por ano ( Financial Times,02/04/11).

Dezenas de milhares de estudantes líbios de baixos rendimentos receberam bolsas para estudar no seu país e no estrangeiro. As infra-estruturas urbanas foram modernizadas, a agricultura é subsidiada e os pequenos produtores e fabricantes recebem crédito do governo. Kadafi promoveu esses programas eficazes, para além de enriquecer a sua própria família/clã. Por outro lado, os rebeldes líbios e os seus mentores imperialistas prejudicaram toda a economia civil, bombardearam cidades líbias, destruíram redes comerciais, bloquearam a entrega de alimentos subsidiados e assistência aos pobres, provocaram o encerramento das escolas e forçaram centenas de milhares de profissionais, professores, médicos e trabalhadores especializados estrangeiros a fugir.

Os líbios, mesmo que não gostem da prolongada estadia autocrática de Kadafi no cargo, encontram-se agora perante a escolha entre apoiar um estado de bem-estar, evoluído e que funciona ou uma conquista militar manobrada por estrangeiros. Muito compreensivelmente, muitos deles escolheram ficar do lado do regime.

O fracasso das forças 'rebeldes' apoiadas pelos imperialistas, apesar da sua enorme vantagem técnico-militar, deve-se a uma liderança traidora, ao seu papel de 'colonialistas internos' que invadem as comunidades locais e, acima de tudo, à destruição insensata de um sistema de bem-estar social que tem beneficiado milhões de líbios vulgares desde há duas gerações. A incapacidade de os 'rebeldes' avançarem, apesar do apoio maciço do poder imperialista aéreo e marítimo, significa que a 'coligação' EUA-França-Inglaterra terá que reforçar a sua intervenção, para além de enviar forças especiais, conselheiros e equipas assassinas da CIA. Perante o objectivo declarado de Obama-Clinton quanto à 'mudança de regime', não haverá outra hipótese senão introduzir tropas imperialistas, enviar carregamentos em grande escala de camiões e tanques blindados e aumentar a utilização de munições de urânio empobrecido, profundamente destrutivas.

Sem dúvida que Obama, o rosto mais visível da 'intervenção armada humanitária' em África, vai recitar mentiras cada vez maiores e mais grotescas, enquanto os aldeões e os citadinos líbios caem vítimas da sua força destruidora imperialista. O 'primeiro presidente negro' de Washington ganhará a infâmia da história como o presidente americano responsável pelo massacre de centenas de líbios negros e da expulsão em massa de milhões de trabalhadores africanos subsaarianos que trabalham para o actual regime ( Globe and Mail, 28/03/11).

Sem dúvida, os progressistas e esquerdistas anglo-americanos vão continuar a discutir (em tom 'civilizado') os prós e os contras desta 'intervenção', seguindo as pisadas dos seus antecessores, os socialistas franceses e os 'new dealers' americanos dos anos 30, que debateram nessa época os prós e os contras do apoio à Espanha republicana… Enquanto Hitler e Mussolini bombardeavam a república por conta das forças fascistas 'rebeldes' do general Franco que empunhava o estandarte falangista da 'Família, Igreja e Civilização' – um protótipo para a 'intervenção humanitária' de Obama por conta dos seus 'rebeldes'.

04/Abril/2011

*Professor Emérito de Sociologia na Universidade de Binghamton, Nova Iorque. É autor de 64 livros publicados em 29 línguas, e mais de 560 artigos em jornais da especialidade, incluindo o American Sociological Review, British Journal of Sociology, Social Research, Journal of Contemporary Asia, e o Journal of Peasant Studies. Já publicou mais de 2000 artigos. O seu último livro é War Crimes in Gaza and the Zionist Fifth Column in America.

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=24142 .

segunda-feira, 11 de abril de 2011

SÃO MESMO (E DE QUE MANEIRA) TODOS IGUAIS!

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A página do Facebook de Fernando Nobre foi bombardeada com milhares de comentários negativos de utilizadores que não gostaram de o ver associado ao PSD. A página foi, entretanto, fechada pelo administrador. (*) - clique foto para ampliar e ler

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Fernando Nobre estava, e bem, convicto de que iria fazer "história" ao candidatar-se à Presidência da República portuguesa, fosse qual fosse o resultado.

E se essa foi uma forma positiva de fazer “história” (14 po cento dos eleitores que voram pensaram, tal como eu, dessa forma), ao aceitar ser cabeça-de-lista do PSD por Lisboa e candidato a presidente da Assembleia da República, Fernando Nobre e Passos Coelho escreveram uma, mais uma, página putrefacta dessa mesma história.

Se Fernando Nobre ao candidatar-se à Presidência da República mostrou ser capaz de dignificar o que restava da Pátria de Fernando Pessoa, ao alinhar agora com o PSD provou que, afinal, vendeu gato por lebre e que, sob a máscara da cidadania, não passa de mais um.

"Seja qual for o resultado, nós já fizemos história em Portugal. Já demonstrámos que a cidadania e a sociedade civil portuguesas decidem a partir de agora querer ser ouvidas, escutadas e participar num reforço da nossa democracia", disse Fernando Nobre.

Pois é. Que Passos Coelho queira entregar de bandeja o Governo do seu país novamente a José Sócrates, é um problema dele e dos que nele e no seu partido acreditam.

No entanto, Fernando Nobre, que aparentava ser um cidadão de corpo inteiro, que parecia ter uma honorabilidade à prova de bala (ao contrário da maioria dos políticos portugueses) acaba por também se “vender” por um prato de lentilhas (ser deputado e eventualmente presidente do Parlamento).

Durante a capanha elitoral, Fernando Nobre não teve medo (ou foi só um investimento?) de criticar as medidas de austeridade do Governo socialista e de José Sócrates, apoiadas pelo PSD e por Cavaco Silva, considerando – tal como a esmagadora maioria dos cidadãos - que penalizavam os portugueses mais pobres (20% da população) e os que estão ligeiramente acima do limiar da pobreza (mais 20%).

Fernando Nobre demonstrou, entre outras coisas, que ou os políticos portugueses deixam de cantar no convés enquanto o navio se afunda, ou sujeitam-se a que o Povo saia à rua e os afunde.

Agora veio a confirmar-se que ele apenas quer também um lugar no convés do navio.

Fernando Nobre foi ao Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, lançar a sua candidatura e mostrar (julgaram os ingénuos, como eu) que ainda era possível Portugal dar, voltar a dar, luz ao mundo.

Feitas as contas, tudo não passou de uma encenação.

“Quando são os próprios políticos a eximir-se das suas obrigações, à plebe só resta numa primeira fase mandar as eleições às malvas e, depois, sair à rua. Felizmente que, antes da sair à rua, os portugueses vão dar uma oportunidade a um português, cidadão do mundo, filho da Lusofonia: Fernando Nobre”, escrevi eu aqui quando publicamente assumi o meu apoio ao presidente da AMI.

Razão tinha Cavaco Silva quando disse que “a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas depende, em boa parte, da forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções”.

Pois é. Se o país mudar de políticos, o Povo não quererá mudar de país. Muitos já tinham as malas feitas mas, com a luz que acreditaram que Fernando Nobre iria colocar no fundo do túnel... voltam a acreditar em Portugal.

Hoje só lhes resta zarpar.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

(*) Compilado de Alto Hama no título: E o PS ri-se a bandeiras despregadas - adaptação FB


O DIA EM QUE O RIO CHOROU

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ESPAÇO LIVRE – DIRETO DA REDAÇÃO

A Cidade Maravilhosa, eleita a mais feliz do mundo por uma pesquisa internacional, queda-se em silêncio neste fim de semana. Estamos chocados e arrasados. O matador da escola de Realengo nos abalou. Vamos nos reerguer logo, mas estamos tristes. Enquanto isso, precisamos parar, ver onde estamos errando e rever nossos valores.

Numa cidade onde quase tudo é permitido, desde que não se invada o espaço alheio, pais passaram a enxovalhar professores que disciplinavam os alunos. Esses, inspirados nos exemplos de casa, levantam a mão e a voz para os mestres. Sem respeito mútuo, a Secretaria de Educação municipal, na época de César Maia, implantou a aprovação automática, soltando de vez o freio de alunos mal comportados. Escola virou creche e refeitório. Professor era decorativo. Nos jogos de futebol, torcedores rivais viraram hordas selvagens repletas de perigosos marginais.

Sobre o matador de Realengo, o revólver 38 dele fora roubado do pai adotivo há 18 anos. Portanto, o matador na época tinha apenas 6 anos. Pode indicar que alguém de bom senso da família escondeu essa arma, mas um dia ela chega às mãos do hoje assassino descontrolado. Que coisa! O jovem deixa uma carta incongruente remetendo a... Jesus. Sempre barbaridades cometidas em nome Dele!

Embora freqüentador da Assembléia de Deus, uma igreja séria e respeitável, o fato é que inúmeros evangélicos de religiões pentecostais freqüentam as páginas policiais. Pastores vigaristas, pedófilos, estupradores, evangélicos invadindo centros espíritas e depredando o que não lhes pertence, tudo sem repreensão pública por parte de seus superiores. Exatamente como os pais e os filhos nas escolas. Está tudo no noticiário. Os fundamentalistas evangélicos se colocaram como moeda de voto na eleição. Os protestantes de raízes européias se dão ao respeito e nem passam perto dos fariseus alucinados que pululam nos EUA e no Brasil.

O futebol apodreceu e as torcidas se matam. Pais incentivam filhos a odiar torcedores rivais. Conheci um que me afirmou botar o filho fora de casa se ele, ao crescer, não aceitasse o mesmo time que o dele! Radicais de toda ordem tornaram-se pessoas de difícil convivência. Crentes criticam os não-crentes, mas agora têm até funk, com a letra falando de Jesus, claro. Leio hoje na internet que uma moça, linda e gostosa, de shortinho, se apresenta num pole dance numa igreja no Texas e encanta as devotas. Ela afirma que a dança sensual é para Jesus! Sei...

O Rio hoje chora, mas deve aproveitar para repensar seus valores e retomar espaços cedidos pela tolerância que nos caracteriza. Professor na escola tem que ser como comandante no navio: é quem manda e ponto final. Pais e filhos que não aceitam autoridade não precisam de escola. Quem não respeita os diferentes não precisa de sociedade. Óbvio que a religião não é responsável pela loucura de gente como o matador de Realengo, mas o fanatismo sem freio também precisa ser repensado.

Talvez sirva de alerta a que todos baixem a bola, que voltemos a respeitar os mais velhos, os mais novos, os que nos orientam, os diferentes em geral, a respeitar a cidade, muito suja, a respeitar o direito dos vizinhos, dos outros torcedores, polícia se dê ao respeito como polícia e cada um que se dê o respeito. O Rio precisa e vai voltar a ser alegre, mas a hora é de repensar.

Óbvio que não se trata de censuras e perseguições, nada disso, apenas a volta do respeito aos professores, a restrição a entrada em escolas, antes só permitida pelos inspetores, cargos extintos no Rio, e o respeito ao silêncio e ao ouvido dos demais por parte dos evangélicos que pensam que podem levar a palavra de Deus a todo mundo, custe o que custar.

**Contribuição do leitor Paulo França. Email : jornalocorreio2010@gmail.com

China abre o seu mercado à carne brasileira e investe em tecnologia…

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… e educação no Brasil

CYG - LUSA

Brasília, 11 abr (Lusa) – O Governo chinês anunciará na terça-feira a abertura do seu mercado à carne suína brasileira, uma negociação que ocorre há um ano e será concluída durante a visita da Presidente Dilma Rousseff à China, segundo a imprensa brasileira.

De acordo com o jornal Correio Braziliense, a viagem da Presidente brasileira à China marca também uma parceria no campo da educação, tendo a empresa de telecomunicações Huawei informado durante um encontro de empresários que doará equipamentos, avaliados em 50 milhões de dólares (34,6 milhões de euros), a universidades brasileiras.

Entre os acordos estabelecidos, está ainda o projeto de investimento num centro de pesquisa e tecnologia, com valor aproximado de 350 milhões de dólares (242,3 milhões de euros), a ser construído na cidade de Campinas, em São Paulo.

A Presidente brasileira chegou hoje à China para uma visita oficial e para participar na cimeira dos países emergentes - BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A DOENÇA DE TODOS NÓS

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RUDOLPHO MOTTA LIMA – DIRETO DA REDAÇÃO

Não queria escrever sobre isso. Pelo menos não o queria fazer agora, quando minhas palavras correm o risco de se confundir com o macabro e oportunista show midiático que, à exaustão, inundou os olhos e ouvidos dos brasileiros e massacrou os nossos corações,em uma quinta-feira que marcará para sempre um dos episódios mais tristes da história recente do país.

Mas sou professor, vivo nas salas de aula desde os anos 60, sou pai e avô, julgo-me um cidadão consciente, e penso que, em qualquer dessas condições, o massacre de Realengo me diz respeito diretamente.

Muitos adjetivos foram aplicados ao jovem que, premeditadamente, a sangue frio, protagonizou o massacre, baleando com requintes de perversidade crianças inocentes e indefesas e, no final, dando fim à própria vida. Autoridades referiram-se a ele como “animal” – o Presidente do Senado caracterizou o ato como “terrorista” - e, a julgar pelas reações populares, é esse o sentimento geral a respeito da figura do assassino.

Pessoalmente, a despeito da repugnância que me move, não quero adjetivá-lo, nem poderia fazê-lo , sob pena de estar levianamente falando sobre o que desconheço. Muito difícil entender logicamente e aplicar um vocabulário lógico a um comportamento que escapa à razão e cujos fundamentos estão lá no abismo ainda pouco conhecido da mente mal formada, ou, quem sabe, deformada por outras mentes. Sinto-me, sim , profundamente desconcertado, entristecido e enlutado, ao perceber como a morte estúpida de tantas crianças, abortando-lhes o futuro, deixa exposta a nossa impotência.

Em todas as manifestações oficiais, menciona-se o repúdio à violência e eu fico aqui pensando na obviedade vazia dessas palavras de indignação. Eu fico aqui pensando que tipo de violência devemos repudiar como causadora de uma tragédia como essa. Será a que se manifestou em um tiroteio cruel promovido por uma pessoa vulnerável, ou aquela muito mais ampla que tem a ver com uma sociedade planetariamente adoentada?

Professor, pai ou cidadão, identifico, desde os âmbitos restritos das escolas ou dos lares até o espaço universal da sociedade, um movimento insidioso e nefasto que, levando as pessoas ao isolamento egocêntrico, vai-nos retirando, em doses crescentes, os humanitários valores da comunhão, da solidariedade, da irmandade saudável, para mergulhar os homens no oceano da solidão perversa, amiga íntima dos comportamentos mórbidos, das doenças do espírito, da desumanização.

Depoimentos esparsos sobre a personalidade do criminoso e os termos da carta por ele deixada permitem que localizemos marcas do desequilíbrio que acabaram por provocar a catástrofe. Mas, aqui e ali, vamos percebendo, nas declarações colhidas, um tristíssimo ser perdido entre os seres, acumpliciado aos próprios pensamentos da alienação, incapaz de reconhecer o mundo em que vive, talvez porque o mundo ao seu redor tenha sido incapaz de reconhecê-lo.

Segundo se diz, o atirador era um homem sem amigos, com aversão ao social, cuja única interação se dava com a máquina fria, o computador, cujo mundo era, literalmente, virtual.

Acho que o episódio nos convida , sim, a muitas reflexões. Uma delas: para onde caminhamos neste culto ao próprio umbigo, nesta afirmação desequilibrada do indivíduo diante do coletivo, neste abandono do outro, neste desrespeito à alteridade? Essa sociedade tecnológica que nos envolve e atrai será a nossa liberdade ou nosso túmulo ? Outra: que papel vem desempenhando a família contemporánea, que se transformou em um conjunto de indivíduos que cada vez menos interagem, cada um deles mergulhado nas suas próprias elucubrações e aspirações?

Os termos da carta do jovem assassino de 23 anos são desconexos, mas trágicos, assustadores. São marcas de uma patologia grave, delirante, provavelmente esquisofrênica. Repletos de passagens de natureza mística, religiosa, traduzem posturas maniqueístas, que caracterizam comportamento fundamentalista. O fundamentalismo, aliás – seja do ocidente belicista ou do oriente messiânico – é outra marca pérfida do mundo em que vivemos, e sobre a qual também deveríamos refletir neste momento.

Eu não queria escrever sobre isso. Gostaria muito de estar promovendo o pensamento sobre um mundo de progresso, sobre a felicidade espalhada por aí a fora, sobre a evolução civilizatória como tônica da saga do ser humano. Infelizmente, porém, o assunto é esse.

Fala-se em voltar a discutir o desarmamento ou no fortalecimento de medidas de segurança ou de vigilância. Quanto a mim, absolutamente incapaz de oferecer soluções fáceis e demagógicas tendentes a evitar fatos dessa espécie , restam-me, apenas, palavras de indefinível tristeza e de desabafo. Que não trazem as crianças de volta.

*Rodolpho Motta Lima - Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

O DUPLO PERFIL DO FACEBOOK

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Rodrigo Savazoni, em Retrato do BrasilOutras Palavras

A rede social colabora para a explosão do uso da web – com enormes impactos políticos, como na Tunísia e no Egito; mas também é parte a tentativa de cercear as liberdades na internet

A internet mudou o mundo. Segue transformando-o. E a mais recente transformação é consequência da invenção do Facebook por Mark Zuckerberg. Seis anos atrás, aos 19 anos, ele lançou o mais bem sucedido e abrangente site de rede social. Porque, como a grande maioria dos garotos de sua geração, acreditou que uma idéia na cabeça e alguns códigos à mão o fariam bilionário. Acertou. Isso o torna a expressão perfeita do fluido capitalismo contemporâneo, que vive de nos vender – o que somos e fazemos – produzindo uma inestimável sensação de liberdade.

No ano que se encerrou, conforme registra o livro The Connector, lançado recentemente nos Estados Unidos, a invenção de Zuckerberg atingiu a marca de 550 milhões de usuários. “Uma em cada dúzia de seres humanos existentes no planeta usa a ferramenta. Elas falam 75 línguas e coletivamente gastam mais de 700 bilhões de minutos no Facebook todos os meses. No último mês de 2010 o site angariou uma de cada quatro páginas de internet visitadas nos Estados Unidos. Essa comunidade tem crescido ao ritmo de cerca de 700 mil pessoas por dia”.

Por essa e outras razões – algumas delas vamos tentar descrever neste texto –, o Facebook passou a concentrar a atenção dos homens e mulheres que dedicam suas vidas a pesquisar e avaliar os fenômenos políticos, econômicos, sociais e culturais que são reflexo da emergência da rede mundial de computadores.

É bom alertar, estamos diante de um paradoxo que não compreenderemos por meio de leituras dicotômicas. Para aquilo que é líquido, busque-se o recipiente correto, senão a análise escorre pelas frestas. Esse paradoxo consiste em: por um lado, a rede social de Zuckerberg é, sem sombra de dúvida, um elemento fundamental para a explosão do uso da web – inclusive proporcionando impactos políticos inestimáveis, como na Tunísia e no Egito; por outro, integra e aprofunda o movimento de cercamento às reais liberdades que marcaram a internet desde a sua criação.

Esse cerco à internet livre é produzido por uma aliança entre governos conservadores, indústria da propriedade cultural, empresas de telefonia e algumas das emergentes corporações do mundo das redes, com diferentes níveis de envolvimento de cada um desses atores.

O papel do Facebook nessa epopéia é o do monopólio, que busca transformar uma parte (um site) em todo (a rede). A ambição de Zuckerberg é que todo cidadão conectado à internet – atualmente cerca de 2 bilhões de seres humanos -, tenha um perfil no Facebook e possa se relacionar lateralmente por meio da ferramenta. Diz fazer isso porque quer ver o mundo mais “aberto e conectado”. Não é verdade.

Para entendermos porque essa declaração é falsa, primeiramente precisamos compreender a qual campo fazemos referência quando falamos do Facebook.

Segundo danah boyd, estudiosa do tema e consultora de grandes empresas do mundo, um site de rede social tem três características: 1) permitir ao usuário construir um perfil; 2) articular uma lista de amigos e conhecidos; e 3) visualizar e cruzar sua lista de amigos com os seus associados e com outras pessoas dentro do sistema.

O primeiro site com essas características foi lançado em 1997, portanto apenas um ano depois de a internet se tornar comercial no Brasil. A explosão desse modelo, no entanto, ocorreria a partir de 2002, com a criação do Friendster e, logo depois, do MySpace.

No Brasil, diferentemente de outros países, a experiência foi singular. O que o mundo vem experimentando nos últimos dois anos com o crescimento do Facebook (todos os seus “amigos” trocando mensagens, fotos, vídeos, entre outras informações, em um mesmo ambiente controlado), os brasileiros experimentaram a partir de 2004 com a invasão do Orkut, o site de relacionamento criado pelo Google que segue líder de audiência por aqui.

Até pouco tempo – e não seria impreciso demarcar que o Facebook também é responsável por isso – as redes sociais foram observadas apenas como fenômeno adolescente, sem grande importância ou impacto no ecossistema midiático. Nos últimos anos, no entanto, isso mudou, principalmente porque essas redes passaram a redefinir a forma como as pessoas consomem e circulam informações. Conforme escreve Grossman, um dos principais objetivos de Zuckerberg é mudar a “forma como a mídia é organizada, para reconstruí-la a partir da oligarquia benevolente de sua lista de amigos como princípio dessa reorganização”. Quando isso ficou evidente, o tema redes sociais ganhou outro tratamento por parte dos detentores de poder.

Redes são pessoas

“As pessoas fazem as redes sociais para além delas mesmas”, explica André Lemos, professor da Universidade Federal da Bahia e autor, com Pierre Lévy, de O Futuro da Internet, lançado no ano passado. “A rede não é o canal por onde passam coisas, como pensamos comumente, mas algo fluido, movente: ela é a relação que se estabelece, a cada momento, entre os diversos atores. Ela é o que agrega. Ela faz o social”.

Como outras – mas melhor que qualquer uma – a ferramenta de Zuckerberg se propõe justamente facilitar a aproximação entre pessoas, o que só é possível porque as massas, de fato, aderiram à plataforma.

“O sucesso do Facebook demonstra que as pessoas querem se relacionar”, opina Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e eleito em janeiro para uma das representações da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-Br). “Ao contrário do que foi sentenciado pelos tecnofóbicos, a rede permite aproximar as pessoas e intensifica os relacionamentos. O Facebook e outras redes sociais são articuladores coletivos, por isso, canalizam os processos de convocação, mobilização e solidariedade”.

Para Giselle Beiguelman, artista multimídia e professora da Universidade de São Paulo, “é importante perceber, no entanto, que ao mesmo tempo em que redes sociais como o Facebook abrem possibilidades inéditas de fomento do consumo e controle, tornam-se também dispositivos de uso crítico e criativo das mídias existentes. Por isso, apontam para diferentes concepções e tendências políticas da ecologia midiática atual.”

Essa ambivalência estrutura o paradoxo ao qual nos referimos anteriormente. Ao obcecadamente buscar fazer melhor aquilo que a web se propõe a fazer, mimetizando-a em um ambiente controlado, Zuckerberg constrói talvez a mais definitiva ameaça às liberdades que constituíram a estrutura inovadora da rede mundial de computadores.

Não à toa, Tim Berners Lee, o inventor da web, deixou de lado sua postura pouco beligerante, para se posicionar claramente contra esse movimento do Facebook em um artigo publicado no ano passado na Scientific American.

Em “Vida Longa a Web: um chamado pela continuidade dos padrões abertos e da neutralidade de rede”, Berners Lee faz duas críticas ao invento de Zuckerberg: a) ao não permitir que informações produzidas e publicadas em sites de rede social circulem livremente (você só as acessa se estiver vinculado ao banco de dados da empresa) esses projetos trabalham pela destruição da universalidade da web, que é uma de suas características mais fundamentais; b) seu crescimento exagerado conforma um monopólio que acabará por limitar a inovação.

Para entender a crítica descrita no ponto “a”, é preciso desfazer uma confusão comum entre dois termos que são comumente utilizados como sinônimos, mas não são: internet e web. Internet é uma rede de redes, evolução das pesquisas militares da segunda metade do século 20 que desembocaram no desenvolvimento de protocolos de interoperabilidade que permitiram a conexão entre diferentes redes físicas (como o Internet Protocol IP, criado por Vint Cerf).

A world wide web (WWW) foi criada no início dos anos 90 e pode ser explicada como uma camada visual da rede que para ser acessada necessita de um software de navegação (um navegador, como o Firefox, o Chrome ou o Internet Explorer). Todos os protocolos criados são de livre uso e constituiu-se então um Consórcio, chamado W3C, que se dedica a manter a abertura e a flexibilidade dessas aplicações, melhorando-as.

Para sustentar sua crítica de que o Facebook promove a fragmentação da web, Berners-Lee escreve: “o isolamento ocorre porque cada pedaço de informação não tem um endereço. (…) Conexões entre os dados só existem dentro de um site. Assim, quanto mais você entra, mais você se tranca em seu site de redes sociais tornando-o uma plataforma central, um silo fechado de conteúdo, e que não lhe dá total controle sobre suas informações. Quanto mais esse tipo de arquitetura ganha uso generalizado, mais a web torna-se fragmentada, e menos temos um único espaço de informação universal.”

Um monopólio e seu produto: nós

“O Facebook atua estranhamente como um concentrador de atenções e uma “draga” de conteúdos. Nele tudo pode entrar, mas nada pode sair”, reforça Sérgio Amadeu. “O Facebook apaga postagens e elimina perfis sem nenhuma obrigação de avisar os usuários. Atuou contra o Wikileaks atendendo os interesses do governo norte-americano. A democracia inexiste no convívio com os gestores do Facebook. Se o Facebook fosse um país seria uma ditadura e Mark Zuckerberg um déspota de novo tipo”.

Em entrevista publicada no livro The Connector, Zuckerberg admite o objetivo de constituir um gigantesco banco de dados sob seu controle. “Estamos tentando mapear o que existe no mundo”, diz ele. De acordo com Grossman, “ser membro do Facebook é o equivalente a ter um passaporte. Ou seja, ele é uma ferramenta para verificação de sua identidade, não apenas no Facebook, mas onde quer que se esteja online”.

“Ferramentas como o Facebook estão no centro do chamado capitalismo cognitivo que precisam para existir mobilizar todas as forças afetivas, criativas, comunicacionais. Mobilizar a ‘vida’ como um todo”, escreve Ivana Bentes, coordenadora do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Esses dispositivos servem simultâneamente a criação e ao controle, que é a forma de operar do pós-capitalismo, é a lógica do Google e do Facebook. Modular a ‘autonomia’ e a ‘liberdade’ indispensáveis na produção atual imaterial (design, moda, estilos de vida, conhecimento, tudo que é inovação).”

Tim Wu, ativista pela liberdade da rede, professor de direito da Universidade de Columbia, autor do livro The Master Switch – The Rise and Fall of Information Empires, ajuda-nos a explicar o que vem ocorrendo com a web com base naquilo que ele chama de o ciclo padrão de desenvolvimento midiático. Ele apresentou essa sua interpretação no Seminário sobre Cidadania Digital organizado por Amadeu da Silveira em 2009. Para ele, ao surgir, uma mídia se caracteriza por: abertura, amadorismo e competição. Depois, tende à formação de monopólios proprietários fechados. Isso estaria agora ocorrendo com a internet, a qual estaria deixando para trás o tempo da inovação em direção ao domínio de grandes monopólios (entre os quais o Facebook).

A arquitetura de padrões abertos e distribuídos da internet permitiu que a inovação brotasse no quintal de casa. No Vale do Silício garagens viraram museus, onde estão registrados os primórdios dos objetos e interfaces que hoje todos utilizamos. A principal contradição no caso do Facebook é a de ter se beneficiado desse ambiente inovador para agora traí-los, em um movimento que ninguém é capaz de definir onde desembocará, uma vez que sobram dúvidas sobre qual será o destino que Zuckerberg dará para todo esse arsenal informação que ele passou a comandar.

Giselle, para quem todas essas críticas são essenciais, soma mais alguns elementos a esse paradoxo que estamos descrevendo: “a vulnerabilidade das informações pessoais no Facebook é constantemente apontada como um dos seus problemas. Contudo, é bom lembrar, que num mundo mediado por bancos de dados de toda sorte – de programas de busca a redes sociais, passando pelas ‘Amazons’ da vida e as catracas da empresa e da escola –, somos uma espécie de plataforma que disponibiliza informações e hábitos conforme construímos nossas identidades públicas nos diversos serviços relacionados ao nosso consumo, lazer e trabalho”.

O caso do Egito

Em meio a críticas e desconfianças, o Facebook segue avançando. Uma das razões para isso, segundo Grossman, é que o “Facebook faz mais o ciberespaço como o mundo real: maçante, mas civilizado. Considerando que as pessoas levavam uma vida dupla, o real eo virtual, agora eles levam como uma só novamente.”

Outra razão que ajuda a explicar o sucesso da ferramenta é a crescente utilização da plataforma para fins políticos, como no caso dos protestos contra o ditador egípicio Hosni Mubarak. No período em que as manifestações tiveram início (e antes de o governo “desligar” a internet como forma de reprimir as movimentações) o Facebook chegou a concentrar 40% de todo o tráfego de dados daquele país.

Isso demonstra que os bancos de dados que nos espreitam também são instrumentos que servem à desobediência. “Facebook e Google oferecem ferramentas de expressão, de ativismo, de criação (os dispositivos como potência são incríveis!) e ao mesmo tempo ‘capturam’ essa potência, monetizam”, descreve Ivana. “A batalha do pós-capitalismo, a matéria do Facebook são os fluxos da própria vida. Nós somos o produto, mas nós somos os sujeitos da colaboração, das trocas, da cooperação social. O desespero do capital hoje é ser tão nômade e fluido quanto a vida, daí as ferramentas de colaboração serem hoje as mesmas do comando e do controle.”

O caso do Egito é emblemático não só do uso da internet para movimentações políticas, mas em especial do uso feito do Facebook. Foi por meio do site de rede social o Movimento Jovem 6 de Abril organizou suas primeiras manifestações. Conforme descrito em matéria publicada pelo The New York Times, os organizadores reuniram mais de 90 mil assinaturas online e com isso conseguiram encorajar as pessoas a irem para a rua.

À internet, sem dúvida, coube um papel fundamental, mas é preciso também relativizá-lo. “No caso do conflito no Egito, a rede de atores é composta por instâncias diversas: pessoas, discursos, redes sociais (Facebook e Twitter, os mais usados), SMS e telefones celulares, cartazes em praça pública, repercussão na mídia internacional, debates televisivos, luta corporal etc”, explica Lemos. “Nesse sentido, acho excelente que o Facebook seja usado para articular pessoas para a causa egípcia. Isso para além do Facebook. As redes sociais são um elemento importante de publicização do descontentamento egípcio, mas elas não fazem, sozinhas, a revolução.”

Para Ivana Bentes, “o decisivo é que o desejo, a criação, a colaboração vem antes e não se reduzem ao comando, transbordam os dispositivos, mesmo quando são capturadas, rastreadas, monetizadas. Para ser mais brutal eu diria que por enquanto precisamos também dos Facebooks e Googles para fazer a insurreição digital que será decisiva para inventarmos uma nova política para o século XXI. Pós-Google e Pós-Face”.

–* Este texto foi construído a partir do diálogo com os professores André Lemos (Universidade Federal da Bahia – UFBA), Gisele Beiguelman (Universidade de São Paulo – USP), Ivana Bentes (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ) e Sérgio Amadeu da Silveira (Universidade Federal do ABC – UFABC).

Costa do Marfim: Laurent Gbagbo detido pelas forças de Ouattara

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SIC – 11 abril 2011

O Presidente cessante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, foi detido pelas forças de Alassane Ouattara e conduzido ao hotel Golf, quartel-general de Ouattara em Abidjan, anunciou o embaixador de França naquele país.

"Laurent Gbagbo foi detido pelas Forças Republicanas da Costa do Marfim (FRCI, pró-Ouattara) e conduzido ao hotel Golf pela FRCI", disse Jean-Marc Simon, citado pela agência France Presse.

Anne Ouloto, porta-voz de Ouattara, confirmou a informação avançada pelo embaixador de França na Costa do Marfim, acrescentando que Gbagbo está acompanhado da mulher, Simone, e do filho.

O casal chegou às 13h00 locais (14h00 em Lisboa) ao hotel Golf: "Está aqui com a mulher e o filho Michel. Estou a vê-los", disse a porta-voz, citada pela France Presse.

Uma fonte no hotel Golf citada pela Associated Press disse que Gbagbo está sob proteção de soldados da ONU.

O Presidente está "de boa saúde" e vai ser presente à justiça para ser julgado, disse entretanto o embaixador costa-marfinense junto da ONU, Youssoufou Bamba.

A televisão afecta a Alassane Ouattara difundiu entretanto imagens de Laurent Gbagbo detido.

Fonte diplomática francesa citada por agências internacionais negou uma primeira informação que dava conta da detenção de Laurent Gbagbo na sua residência por forças especiais francesas, afirmando que a operação foi efectuada pelas forças leais a Ouattara.

"Gbagbo foi detido pelas tropas de Ouattara, é verdade, mas não pelas forças especiais francesas, que não entraram no perímetro da residência", afirmou a fonte, citada pela agência France Presse sob condição de anonimato.

A detenção do presidente cessante ocorreu depois de mais um ataque das forças da ONU e de França na costa do Marfim contra a residência onde Gbagbo estava refugiado.

A Costa do Marfim atravessa há quatro meses uma crise política, depois de Gbagbo se ter recusado a reconhecer o resultado das eleições de 28 de novembro, que deram a vitória a Ouattara.

As forças de Ouattara entraram em Abidjan a 01 de abril para combater os bastiões fiéis ao presidente cessante. A missão da ONU no país, ONUCI, e a força especial francesa Licorne, atacaram em seguida as posições militares e o armamento pesado em torno da residência e do palácio presidencial em Abidjan.


A presidência francesa informou entretanto que Nicolas Sarkozy manteve uma longa conversa telefónica com Alassane Ouattara pouco depois da detenção de Laurent Gbagbo.

Islândia: POPULAÇÃO DIZ NÃO PARA PAGAMENTO DE DÍVIDA

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Esquerda net – Carta Maior

Os islandeses votaram, novamente, em referendo que o Estado não deve pagar a dívida de cerca de 4 bilhões de euros à Holanda e ao Reino Unido. De acordo com os resultados já anunciados, o "não" ganhou com quase 60 por cento dos votos. Em causa estão 4 bilhões de euros depositados em 700 mil contas bancárias na Holanda e Inglaterra, no agora falido banco online Icesave. O Icesave foi uma das instituições financeiras que faliram na sequência da crise financeira mundial que atingiu com especial dureza a Islândia, com cerca de 320 mil habitantes, provocando a queda da moeda e da economia do país.

Na Islândia, a palavra de ordem “não pagamos a crise deles” é mesmo o mote que indica o caminho. Segundo os dados já disponibilizados neste domingo pela televisão islandesa, 58 por cento dos eleitores votaram "não" e 42 por cento votaram "sim" ao pagamento de quase quatro bilhões de euros a credores externos, nomeadamente à Inglaterra e à Holanda.

O referendo foi convocado pelo presidente da Islândia, Ólafujr Ragnar Grímsson, que em 20 de fevereiro deste ano vetou, pela segunda vez, a lei IceSave (que tinha sido aprovada pelo Parlamento islandês).

Em causa estão, especialmente, 4 bilhões de euros depositados em 700 mil contas bancárias na Holanda e Inglaterra, no agora falido banco online Icesave. Tratava-se de uma conta de poupança online, a Icesave, comercializada agressivamente no Reino Unido e na Holanda pelo banco Landsbanki - que foi o segundo maior da Islândia -, prometendo juros acima de seis por cento.

Os depósitos de estrangeiros foram reembolsados pelos respectivos governos - 3,9 mil bilhões de euros -, que agora querem cobrá-los da Islândia.

O acordo rejeitado permitiria escalonar o pagamento da dívida até 2045, com uma taxa de juro de 3,3 por cento ao Reino Unido e de três por cento no caso da Holanda. Uma parte seria paga com a venda dos ativos do Landsbanki, mas não se sabe ainda quanto seria - embora os partidários do "não" defendam que deveria chegar para o reembolso.

Esta foi a segunda vez que os islandeses decidiram se queriam ou não que dos seus bolsos saísse uma parte significativa do valor total das indenizações que o governo da Islândia se comprometeu a pagar a Londres e a Haia.

Há um ano, um outro acordo, ainda menos favorável, tinha sido rejeitado com uma esmagadora maioria (93 por cento): previa uma taxa de juro de 5,5 por cento e o pagamento em 15 anos. Em 2010, tal como em 2011, o acordo foi enviado para referendo pelo Presidente da República, Ólafujr Ragnar Grímsson.

O Icesave foi uma das instituições financeiras que faliram na sequência da crise financeira mundial que atingiu com especial dureza a Islândia, com cerca de 320 mil habitantes, provocando a queda da moeda e da economia do país.

Fotos: Esta foi a segunda vez que os islandeses decidiram se queriam ou não que dos seus bolsos saísse uma parte significativa do valor total das indemnizações que o governo da Islândia se comprometeu a pagar a Londres e a Haia. Foto LUSA/EPA/S Olafs

domingo, 10 de abril de 2011

Cabinda – TERCEIRA TENTATIVA DE MARCHA PROIBIDA PELO GOVERNO

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José Manuel, em Cabinda – VOA news - 10 Abril 2011

Três pessoas foram detidas e levadas para polícia de investigação criminal

O governo de Cabinda usou as forças de defesa e segurança para reprimir uma manifestação convocada por jovens sobre a paz naquele enclave.

As ruas da cidade de Cabinda foram ocupadas pela polícia de ordem pública e de intervenção rápida para impedir a mobilização e concentração de manifestantes.

Três pessoas foram detidas e levadas para polícia de investigação criminal.

Esta foi, aliás a terceira tentativa de marcha impedida pelo governo sobre a situação no enclave.


Angola: SOLIDARIEDADE COM JOVENS PERSEGUIDOS PELO REGIME

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Temos que formar já

um cordão de solidariedade em torno dos jovens vitimas de perseguições


Optando pela lei de não violência, os nossos jovens mostraram estarem preparados para os dias difíceis que se avizinham, porque afinal, foi apenas o começo de uma longa caminhada, até nos livrarmos da ditadura vigente.

Mesmo com a postura exemplarmente pacifica, assumida por todos aqueles que têm participado de corpo e alma, nessa onda de manifestações de protesto contra a ditadura em Angola.

O regime como se sente ainda mais nervoso, coxo, manco e ferido do que antes, parece não querer perder a oportunidade para se vingar dos jovens organizadores e participantes das tão justas, e esperadas manifestações contra a ditadura vigente. Para manifestar o seu desagrado e oposição ás tais manifestações, os nossos governantes deveriam se distinguir dos animais que usam a força bruta, para fazer valer os seus desejos.

Os animais, quando atacam , usam instintivamente a lei da força, enquanto os fracos, intolerantes e ignorantes, recorrem ás ameaças, perseguições e raramente não á morte. Os fortes moralmente e inteligentes como os nossos jovens, optarão sempre pela não violência nos seus protestos contra o regime, embora esse seja musculado.

A não violência que continuo a aconselhar aos nossos jovens, não significa fuga á realidade, indiferença, medo, resignação ou submissão passiva ao erro, á maldade e ás injustiças impostas pelo regime ao povo angolano.

É antes pelo contrário, uma reacção corajosa que permitirá resolver este conflito entre nós os oprimidos, e os nossos opressores de forma humana e pacífica. Esse tipo de situações exige mais força interior do que a simples e enganadora vingança, como tudo indica ser a intenção do regime, se somarmos os tantos casos já relatados, de jovens perseguidos, desde que o primeiro sinal foi dado no dia 7 de Marco.

Com tantas vaias, os fora (Zedu) abaixo a (Ditadura) e outras palavras justas que soaram, e vão aumentar de tom, é fácil o regime ficar zangado. Mas ficar zangado com as pessoas certas, na proporção certa, no momento certo, pelo motivo certo e de modo certo, isto jamais será fácil para esse regime, que não consegue ou finge não conseguir encontrar os motivos dentro de si próprio.

Sejam sensatos “camaradas”, não acham que a juventude em particular, e o povo em geral, têm mais do que razões suficientes para protestar? Estão mesmo conscientes de que têm governado para bem da maioria, e que vocês não são corruptos e o sustentáculo da corrupção no país?

Então, deixem os miúdos não só cantar, como desabafar porque nada mais é tão saudável, do que expressarmos a irritação que nos consome á todos.

Os miúdos deram também um grande exemplo, ao mostrarem que a delicadeza é mais forte do que a força bruta. E que os métodos violentos não podem ser mais justos e correctos, mesmo quando defendemos os nossos interesses, reivindicamos os nossos direitos e pontos de vistas.

Se preferirmos os delicados, como têm sido os nossos jovens, e não os brutos e grosseiros que não se cansam em perseguir os nossos jovens, para intimidá-los ou comprá-los, e quando resistem muitas vezes têm que pagar com a sua vida?

Então, temos que estar atentos, e formarmos um cordão de solidariedade em torno desses jovens, que já começaram a ser perseguidos pela secreta, desde que eles por iniciativa própria, resolveram lançar a primeira pedra, no coração da ditadura.

(O fora Zedu), entoado daquele jeito, e de forma bem cadenciada como se fosse o hino nacional, foi apenas um sério aviso ao cidadão Eduardo dos Santos, feito pelos jovens. Os jovens particularmente e o povo no geral acabaram por identificar que o mal de Angola, chama-se Eduardo dos Santos.

E acreditam que sem ele, Angola poderá mudar, com mais conquistas sociais e as esperanças do povo poderão renascer. Nós somos apenas pessoas e não nenhum modelo acabados e como tal, temos as nossas falhas e limitações.

Como tal, o regime deve reconhecer e aceitar que muita coisa não funciona como deveria, desde vários anos, e procurar mudar o rumo, em vez de querer transformar a violência numa doença contagiosa ao desencadear, essa onda de perseguições aos jovens. Muitos deles deixaram de dormir em suas casas, vivendo momentos de grande desespero e pânico, o que é mau para eles, suas famílias e para todos nós.

Compatriotas e “camaradas”, não acham uma grande ingenuidade o regime continuar a acreditar, que poderão conseguir resolver tudo, através da violência e intolerância política?

Fernando Vumby - Fórum Livre Opinião & Justiça

FERNANDO NOBRE É SÓ MAIS UMA AVE NO POLEIRO DOS ABUTRES

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

MAIS DEPRESSA SE APANHA UM MENTIROSO QUE UM COXO

"Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa, confirmou Pedro Passos Coelho na sua pagina no Facebook”, em Público e noutros órgãos de comunicação social.

E pronto. Aqui temos mais um artista contorcionista. Dos que se dizem prontos a lutar contra o sistema mas que são absorvidos pelo sistema. Dos que dizem que Portugal não pode continuar assim, neste descalabro, e que se contorce, vira-casaca, dá o dito por não dito, faz uma plástica e das verdades de ontem mentiras hoje. Lá vai, cantando e rindo, alinhado, alinhado sim, com o sistema que tanto criticou em campanha eleitoral para a presidência da república quando foi candidato. Fernando Nobre, digo, Desnobre, anunciou que aceita o convite do maioral do PSD do sistema se… Claro que quer ser cabeça de lista por Lisboa e até disputar a presidência da AR. Imaginem. Não fica em número 1 da República mas contenta-se em ser número dois.

E pronto. Lá perdeu a máscara mais um que ambiciona ser profissional da política e põe os cabelos em pé a muitos portugueses desiludidos que até acreditaram nele. Que se convenceram que ele estava de alma e coração a pretender combater o deboche que vai na política portuguesa. Conclui-se que afinal não. Que estava no faz-de-conta. Que estava a fazer o “frete” de esvaziar a candidatura de Manuel Alegre em prol de Cavaco Silva. Uma leitura lógica e verosímil. Pobre Cavaco que foi eleito por uma migalha de portugueses e que se tivesse dignidade não se alapava à legalidade para ser PR com tão poucos votos expressos a seu favor. Afinal quem é que o PR Cavaco representa? A maioria dos eleitores? Não. Desconfortável, mas “daqui não saio, daqui ninguém me tira, antes de “dar” a Portugal “um presidente, um governo, uma maioria”, como o PS. Para quê? Para se apoderarem ainda mais dos poderes e fazerem deste país bosta maior? Que raio de democratas são eles que só funcionam com maiorias, exercendo absolutismos que nos prejudicam? Democratas incapazes de escutar e disporem-se a fazer acordos de entendimento e de execução com opositores não são democratas mas sim absolutistas com graves e enormes tendências para ditadores. Eis o que Portugal tem nos políticos de hoje, de há anos a este tempo… Pelos vistos para se manterem e continuarem a apodrecer de mordomias e fazerem riqueza à custa dos que põem miseráveis e aos quase isso. Escroques, não me lembram outra classificação.

Desnobre vai na onda. Prometem-lhe a Lua. Sente que está com bastantes probabilidades de alcançá-la. Como penso higiénico político absorve as hemorragias da sociedade portuguesa e junta-se aos causadores das mesmas. Desnobre, para já e no futuro. Provou mais uma vez que na política, em Portugal e em muitos outros países, abundam os fulanos sem palavra, sem convicções, sem ideais… que não seja a de “tocarem e dançarem” ao som dos maestros e das músicas predominantes, impostas, nesta democracia deficitária, mais parecida com uma corporação mafiosa. Escroques políticos, no mínimo.

Ofereceram espaço ao contorcionista Nobre e ele vai no circo. A desilusão e indignação é de quem acreditou em mais um que num ápice passa de contestatário a concorrente a destacada ave no poleiro dos abutres. Mais um, a juntar aos imensos que ao longo destas décadas vimos fazer exatamente o mesmo. Talvez sem tanto descaramento e falsidade.

A servir: Notícia ainda quentinha. Cuidado com os vómitos.

Fernando Nobre é candidato do PSD à presidência da Assembleia República

Tolentino de Nóbrega – Público – 10 abril 2011

Fernando Nobre, presidente da AMI, será o cabeça-de-lista por Lisboa do PSD e será indigitado presidente da Assembleia da República se o partido ganhar as eleições.

O presidente da AMI aceitou um convite feito pelo líder nacional dos social-democratas, Pedro Passos Coelho, assumindo também o compromisso de ser também o candidato por este partido à presidência da Assembleia da Republica.

O ex-candidato à Presidente da República, que teve cerca de 14 por cento nas últimas eleições, em Janeiro passado, deverá divulgar nas próximas horas um comunicado a justificar a candidatura. Com a indicação deste independente, o PSD de Passos Coelho pretende dar um sinal de abertura à sociedade civil e à cidadania.

"Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa, confirmou Pedro Passos Coelho na sua pagina no FacebookO líder do PSD justifica a escolha do ex-candidato à Presidência da República argumentando que os resultados que Nobre conseguiu nas últimas eleições mostram que "existe um segmento expressivo de portugueses que acreditam na capacidade de regeneração da política".

Nascido em Luanda em 1951, Fernando Nobre veio em 1985 para Portugal, país das suas origens paternas. É doutorado em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente das cadeiras de Anatomia e Embriologia e especialista em Cirurgia Geral e Urologia. É fundador da associação humanitária AMI.

*Notícia actualizada às 15h58, em Público