quarta-feira, 20 de abril de 2011

CUBA – O DESFILE DO 50º ANIVERSÁRIO



Fidel Castro Ruz

Hoje tive o privilégio de apreciar o impressionante desfile com que nosso povo comemorou o 50º Aniversário da proclamação do caráter Socialista da Revolução e da vitória de Praia Girón.

Também se iniciou nesse dia o Sexto Congresso do Partido Comunista de Cuba.

Desfrutei muito da narração pormenorizada e da música, gestos, rostos, inteligência, marcialidade e combatividade de nosso povo; a Mabelita na cadeira de rodas com o rosto feliz e às crianças e adolescentes de “La Colmenita” multiplicados várias vezes.

Vale a pena ter vivido para o espetáculo de hoje, e vale a pena lembrar sempre os que morreram para torná-lo possível.

Ao iniciar-se nesta tarde o Sexto Congresso pude constatar, nas palavras de Raúl e no rosto dos delegados ao máximo evento de nosso Partido, o mesmo sentimento de orgulho.

Podia estar na praça, talvez uma hora debaixo do sol e do calor reinante, mas não três horas. Atraído pelo calor humano ali presente, ter-me-ia criado um dilema.

Acreditem que senti dor quando vi que alguns de vocês me procuravam na tribuna. Pensava que todos compreenderiam que não posso já fazer o que tantas vezes fiz.

Prometi-lhes ser um soldado das idéias, e esse dever ainda o posso cumprir.

Fidel Castro Ruz - 16 de abril de 2011

COMENTÁRIO DE MARTINHO JÚNIOR: AS VITÓRIAS DA REVOLUÇÃO

Foram muitas as vitórias da Revolução, mas aquelas que foram ganhas de armas na mão foram talvez das mais decisivas, para Cuba, para a América Latina, para Angola e para África.

Em Angola houve muitas batalhas ganhas, que em grande parte foram um vitorioso rescaldo da vitória de Girón:

Em 1975, as batalhas de Cabinda, de Kifangondo e do Ebo, decisivas para a independência e para a constituição da República Popular de Angola bem como, anos mais tarde, a vitória do Cuito Cuanavale, decisiva para o fim do “apartheid” na África do Sul e para garantia das independências da Namíbia e do Zimbabwe, banindo-se de toda a África Austral o espectro dos “bantustões”… e das bombas atómicas dos racistas sul africanos…

Há 50 anos era provavelmente impossível avaliar o alcance daquela vitória em Girón, mas hoje acho que todas as nações, países e povos das duas martgens do Atlântico, particularmente as nações formadas sobre as antigas rotas dos escravos, recordam-na também como uma vitória estratégica sua!

50 anos depois, faz-se com a memória de Girón a maior prova de vida: aquela que pouco a pouco garante o resgate do subdesenvolvimento de milhões e milhões de deserdados da Terra!

Martinho Júnior - Luanda.

In http://pt.cubadebate.cu/reflexoes-fidel/2011/04/17/o-desfile-do-50-aniversario/#comment-11

terça-feira, 19 de abril de 2011

A PROPAGANDA DAS RAPOSAS



RUDOLPHO MOTA LIMA – DIRETO DA REDAÇÃO

Uma das tendências de um certo segmento que finge não fazer política em nosso país é a de desqualificar o debate ideológico , privilegiando sempre as pessoas envolvidas e raramente os processos que as envolvem. Quando o assunto tem a ver com fraudes, falcatruas, corrupção, demonizam as pessoas corrompidas, mas raramente vinculam os fatos a uma ideologia dominante que, fundada no lucro e no egocentrismo, estimula a sede dos ganhos ilícitos. Seria leviano eu dizer aqui que o roubo é exclusividade do capitalismo, mas que o ambiente é propício, isso é...

Mas não creio que essas posturas, de privilégio do individual, existam apenas para esconder o processo que vincula as pessoas e seus atos. Penso que, no caso, há , paradoxalmente, admitam ou não os seus atores, um forte viés ideológico. A nova indumentária da direita (não tão nova assim, reconheçamos) passa por essa roupagem que tudo centraliza no “eu”, para o bem ou para o mal.

Para os ideólogos do capital e do mercado, é óbvio que não pode nem deve haver um organismo estatal forte, que faça dos programas sociais o seu móvel maior, que rejeite as privatizações oportunistas (pois há as que se justificam), que enxergue o plural na frente do singular e não queira deixar simplesmente ao sabor de uns poucos especuladores multimilionários o destino dos componentes da sociedade como um todo.

Essas considerações vêm a propósito dos debates que estão sendo sugeridos a respeito do que seria, de fato, em uma sociedade democrática, a defesa dos direitos do cidadão e, dentro disso, do maior deles: a liberdade. É um debate importantíssimo, e dele não devemos fugir.

Em primeiro lugar, penso que não se deve confundir liberdade com egocentrismo. É muito antiga e sábia a afirmação de que a liberdade de um indivíduo esbarra nos prejuízos que pode causar ao semelhante, no plano pessoal ou social. Ultimamente, a grande mídia tem repercutido seminários e alugado colunas para bater na tecla de liberdades que estariam sendo arranhadas, ameaçadas ou suprimidas em nosso país, por força da ação do Estado. Será?

Para os arautos desse “perigo” , parece, qualquer intervenção do Estado no ambiente social deve ser combatida como espúria. Questionam-se, por exemplo, as intervenções das agências reguladoras em defesa do interesse público como se fosse uma restrição às liberdades democráticas. Assim, se se pretende limitar os anúncios de bebidas alcoólicas em veículos de massa, ou se se quer proibir o fumo em ambiente fechados, ou se se deseja disciplinar o uso desse ou daquele medicamento, essas ações são apresentadas como atentatórias à liberdade pessoal e o Estado é visto e ridicularizado como “Estado Babá”.

Não por acaso, um encarte de três ou quatro semanas atrás que, no Globo, apresentou diversos artigos nesse sentido – sob o título “Liberdade em Debate” e que se propunha colocar em discussão “como o excesso de regulação pode afetar a livre expressão, a vida dos cidadãos e até a economia” – só continha um anúncio, e de página inteira: o da Souza Cruz, que defendia “a liberdade de seus consumidores adultos para fazer suas escolhas livremente”, nivelando os conceitos de livre-concorrência, livre-arbítrio, livre-iniciativa e livre-expressão. No caso aqui, me desculpem os fumantes inveterados, temos a raposa patrocinando o galinheiro...

Penso que o Estado deve ter a sua existência fundamentada na promoção do bem-estar dos seus cidadãos. Certas “proibições” nada mais são do que medidas educativas e de formação,de questionamento a atos que não se podem deixar ao juízo de uns tantos formadores de opinião “interessados” em lucrar a custa de qualquer coisa, mesmo que nociva à sociedade. E nem sempre a ação estatal pode se limitar a campanhas de conscientização, informação ou fiscalização. A cidade de Nova York baniu as gorduras trans. Para mim, parece ótimo que o tenha feito , mas há quem veja nisso um arranhão à liberdade e, pior, o prenúncio de uma escalada de castrações por governos discricionários. Em um dos artigos que li, declara-se com bastante objetividade que a proibição de certos anúncios (bebidas, por exemplo) pode prejudicar a liberdade de uma imprensa que deixaria de auferir o retorno financeiro desse tipo de propaganda...

Somos, ainda, um povo com deficiências de formação. Por mais que o pensamento desses teóricos rejeite essa tese, nem todos os brasileiros, em função de uma sociedade injustamente estruturada. têm discernimento para livrar-se do canto de sereia das falsas e perversas propagandas e fazer escolhas que sejam mais saudáveis. Precisam, sim, de informação e atos do Estado capazes de protegê-los dos espertalhões do mercado ávido de lucro, que usam figuras notoriamente populares, as “celebridades”, para anunciar o que é bom...e o que é ruim.

Penso que essas pessoas que não admitem o que chamam de “tutela governamental” adorariam o privilégio de “falar sozinhas”, utilizando-se da grande mídia que sustenta e é sustentada por essa falsa ideologia de liberdade. E temo que isso possa ter algo a ver com o Tea Party, a direita americana que preconiza “ menos estado e livre mercado”.

Questiona-se o fato de que o Estado pretende proibir a propaganda de microcrédito, para evitar que as pessoas incautas entrem em processo de superendividamento. Nada mais correto, penso eu. Nada mais nefasto, argumentam eles. Será que essa turma – que defende a liberdade do álcool e do fumo - também pensa que o Estado deve se retirar do cenário na luta contra a dengue- deixando de “invadir” a casa das pessoas, que seriam livres para criar o mosquito que bem lhes conviesse? Será que imaginam um combate sério ao câncer de pulmão sem interferências na nociva exposição subliminar do cigarro à aquisição pública ou com a admissão do fumo em lugares fechados, sob a alegação de que qualquer um se mata como quiser?

É livre o pensamento, é claro, e aqui exponho o meu. Para mim, atrás dessa “intransigente defesa dos valores da liberdade”, estão interesses corporativos, empresariais, mercadológicos, que pretendem, sim, a liberdade, mas de uns poucos, ainda que prejudicando a muitos.

**Rudolpho Motta Lima - Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

POLÍTICOS DE VIDA PREGRESSA



ELIAKIM ARAUJO – DIRETO DA REDAÇÃO

Chegou às minhas mãos esta semana o comentário de um leitor nos seguintes termos: “Desgraçado!!!! Algum dia ele vai ter o que merece...desgraçado dos infernos...verme maldito!!!!”

Curioso, fui ver a que artigo foi dirigido o raivoso comentário e quem era o personagem merecedor de observação tão curta e grossa. E descobri, para surpresa minha, que o comentário fora postado em uma coluna assinada por mim, e publicada em 02/12/2004, cujo título é “Você acredita na punição de Jader Barbalho?”.

Naquele ano, Barbalho já era acusado de peculato (apropriar-se do dinheiro público no exercício de função pública) , quando governador do Estado do Pará (1984), e de vários outros ilícitos, que o levaram a renunciar ao mandado de deputado federal (2001), para evitar uma possível cassação.

No Supremo Tribunal Federal, o então ministro, Carlos Velloso, relator do pedido de reabertura de processo contra Barbalho, votou a favor, aceitando a denúncia do Ministério Público que destaca : “o vínculo causal entre os valores criminosamente desviados do Banpará e seus destinatários – sendo um deles Jader Barbalho – foi exaustivamente demonstrado pela auditoria do Banco Central”. Clique aqui para ler a denúncia do MP - da qual ninguém mais fala hoje em dia - que é de deixar qualquer um arrepiado com o tamanho do rombo.

Ora, seria um ministro do Supremo tão irresponsável a ponto de aceitar uma denúncia desse quilate se não tivesse examinado o conjunto de provas? Se a atividade criminosa de Barbalho estava devidamente comprovada por um auditoria do Bacen e o voto de um ministro do STF, ele deveria liminarmente estar impedido de voltar à vida pública, sem necessidade do Ficha Limpa. Por uma questão moral, apenas.

Mas nem sempre moral e direito caminham juntos. A legislação eleitoral, formulada pelos próprios politicos, por razões óbvias, apresentou sempre monstruosidades jurídicas como essas e outras, que permitem a Barbalho argumentar hoje que sua vida pregressa tornou-se limpa a partir do momento em que foi empossado pela justiça eleitoral no cargo de deputado federal em 2006.

Outra monstruosidade da legislação é a que permite ao parlamentar comprovadamente corrupto renunciar ao mandato antes de ser julgado por seus pares e voltar lépido e fagueiro a disputar um novo mandato no pleito seguinte, como se nada tivesse acontecido.

Por sua atualidade, e lamentando que a decisão do Supremo sobre o Ficha Limpa tenha permitido que politicos como Jader Barbalho, voltem a ocupar uma cadeira no nosso Congresso Nacional, reproduzo aqui meu artigo, repito, de dezembro de 2004, cujo título em forma de pergunta, por si só, já era uma profecia que o tempo se encarregou de confirmar.

Você acredita na punição de Jader Barbalho?

Caramba! Confesso que já tinha esquecido da história do Jader Barbalho. São tantas as irregularidades, tantas as sacanagens praticadas pelos nossos políticos que, a cada novo escândalo, aquele mais antigo passa para segundo plano e vai para a geladeira.

Pois não é que abro o jornais desta quarta e reencontro a figura rechonchuda e não muito simpática do senador e agora deputado federal, o paraense Jader Barbalho? Que, diga-se de passagem, não é um borra-botas qualquer. O homem já foi governador do Pará e presidente do Senado da República, a nossa mais alta Câmara Legislativa.

A folha corrida de Jader é de fazer inveja a muita gente que está hospedada em Bangu I e adjacências. O homem deu um rombo no Banpará quando era governador do Estado. Falam em vinte milhões de reais que foram pará (sem trocadilho) nas contas de parentes e amigos. Isso foi em 1984. O negócio era tão vergonhoso que o governador se apoderava de cheques do Banco e aplicava em CDs numa agência do Banco Itaú, no Rio de Janeiro em seu próprio nome.

Criatividade é o que não falta aos nossos homens públicos. Jader, governador, autorizava empréstimos fraudulentos a empresas que não tinham a mínima qualificação cadastral para o endividamento. Uma delas pertencia ao irmão e sócio do governador, Guilherme Barbalho. Só aí foram 300 milhões de reais que saíram dos cofres públicos e nunca mais voltaram.

As acusações não são minhas nem da mídia tradicional. São do próprio Ministro Carlos Veloso, do Supremo Tribunal Federal, que afirma com todas as letras: “o vínculo causal entre os valores "criminosamente" desviados do Banpará e seus destinatários - sendo um deles Jader Barbalho - foi “exaustivamente” demonstrado pela auditoria do Banco Central”.

Ora, o que deixa qualquer pessoa de bom senso ruborizada é tentar descobrir como tudo isso chegou até aqui sem que nenhuma providência fosse tomada. Ao contrário, depois disso tudo Jáder teria se envolvido num esquema fraudulento na SUDAM com a distribuição de verbas a empresas suspeitas, uma delas a Lunus, de propriedade do marido da ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, que acabou abatida em pleno em vôo quando tentava a indicação à sucessão de FHC quatro anos antes da eleição de Lula.

O grande problema continua sendo o da memória curta do eleitor brasileiro. Depois que tudo fez e que foi amplamente divulgado pela mídia, Jader se elegeu senador e presidente do Senado. Renunciou ao mandato para evitar uma possível cassação que o tornaria inelegível no futuro. Eis que volta nos braços do povo paraense e hoje ocupa discretamente uma cadeira na Câmara dos Deputados.

É assim mesmo. O pessoal esquece rápido do passado recente. Agora mesmo, estoura o escândalo contra Gilberto Cassab, que acaba de ser eleito vice-governador da cidade de São Paulo na chapa do tucano José Serra. Cassab foi simplesmente secretário de planejamento no governo Celso Pitta em São Paulo e, segundo as denúncias, nesse período seu patrimônio cresceu 316 por cento. Será que os eleitores não se lembraram do passado de Cassab na hora de votar? E como Pedro negou a Jesus três vezes antes que o galo cantasse, hoje Cassab tem a cara de pau de dizer que se arrepende de ter servido ao governo Pitta.

Bem, agora vamos ver com quantos paus se faz uma canoa. Jader é peemedebista e, apesar de tudo, mantém cacife eleitoral em sua terra. Ligado ao Senador José Sarney, o maior cacique do partido e presidente do Senado Federal. O governo Lula precisa urgentemente do apoio do PMBD para garantir sua base parlamentar. Pergunto: você acha, prezado leitor, que vai acontecer alguma coisa a Jáder Barbalho? Cartas para a redação.

**Eliakim Araújo - Ancorou o primeiro canal de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e do SBT e na Rádio JB foi Coordenador e titular de "O Jornal do Brasil Informa". Mora em Pembroke Pines, perto de Miami. Em parceria com Leila Cordeiro, possui uma produtora de vídeos jornalísticos e institucionais.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Capalanga - Um micro caso sobre a mesa para discutir a paz social

 
 
MARTINHO JÚNIOR

Há a tendência de alguns a partir do calar das armas, para fazer a apologia do estado angolano na sua azáfama de construção, sob o lema de “Angola é um canteiro de obras”.

Não levam em conta que o capitalismo, em que o lucro é um factor essencial da sua natureza, a que se pode acrescentar a “abertura” neo liberal e a especulação, é causa de desequilíbrios e desigualdades de toda a ordem, com influência evidente na geografia humana das cidades e de todo o país, no fosso das desigualdades e até, como lhe é implícito, na orientação que é dada às acções que são planificadas e levadas a cabo, mesmo que elas sejam de interesse público, ou envolvidas nesse rótulo.

Não levam em conta que foi com capitalismo e em capitalismo que houve a possibilidade de constituição de espaço para o fascismo, o colonialismo, o “apartheid”, ou de suas sequelas (entre elas a do regime de Mobutu, no então Zaire)…

Por outro lado, o capitalismo torna-se um facilitador para a irracionalidade em relação ao clima e ao ambiente, um facilitador de tal grandeza que muitas obras feitas pelo homem em Angola não têm em conta que as alterações climáticas através do aquecimento global, estão a eclodir em espaços de tempo extremamente curtos.

Assim as previsões não são feitas, nem amadurecidas, por que o homem não estuda, não está atento, apesar do “know how” que faz parte do investimento.

O homem em função do capitalismo é egoísta, não faz previsões solidárias, nem procura alternativas socialistas, nem estratégias coerentes a longo prazo e é por isso que há falências gritantes em muitas das realizações em curso em Angola, falências que identificam quem as produzem, como é óbvio...

A capital de Angola está a ser alvo de vícios que surgem conjugados às alterações climáticas: devido aos fenómenos típicos do aquecimento global, as chuvas equatoriais atingiram a sua latitude e, desde Janeiro, a pluviosidade aumentou duma forma sem precedentes, apontando fim a Maio, na melhor das hipóteses.

Ao longo dos nove últimos anos, entre as obras de vulto que o estado se aplicou em parte em benefício do interesse público, estão a reconstrução do Caminho de Ferro de Malange e a auto estrada que saindo de Viana se alcança praticamente o Dondo.

Essas vias, facilmente identificáveis no “Google Earth”, têm direcção oeste – este e são eixos que, interligados a outros (entre eles a auto estrada de circunvalação de Luanda e o novo aeroporto em construção), facilitam a implantação de zonas industrias, comerciais e habitacionais, muitas das quais em construção.

Houve investimento, houve crescimento, há florescimento social nos modos estritos do capitalismo, está-se a dar resposta em parte aos interesses públicos (mas também aos privados que estão a investir nas indústrias, no comércio e assumem a propriedade dos terrenos): os traços dos procedimentos típicos de quem age e pensa em termos capitalistas são evidentes.

Socorro-me neste momento das inundações de que está a sofrer os efeitos uma parte do Capalanga em Viana (também visíveis pelos mais atentos no “Google Earth”).

As obras do Caminho de Ferro de Malange e da auto estrada, conjugadas com a implantação de indústrias em cotas de nível mais elevado, levaram a que muitas águas resultantes das intensas quedas pluviométricas fossem deliberadamente canalizadas para uma bacia onde proliferam construções de pessoas de mais baixa renda (trabalhadores das fábricas, reformados, funcionários públicos e das empresas…).

Nessa bacia, sem que fossem previstos os escoamentos, as águas foram inundando uma a uma as casas dos pobres obrigando ao seu abandono e aumentando a “onda de infortúnios” a que eles têm sido votados.

Houve muitos engenheiros na reconstrução do Caminho de Ferro de Malange, da auto estrada, houve muita gente com saber como é óbvio também na implantação das indústrias, mas faltou neste caso ilustrativo espírito de solidariedade e atenção para com alguns dos representantes das classes sociais mais vulneráveis deste país…

Em alguns sectores, pude apurar: aqueles privados que do alto espreitam salvos como Moisés o caminho das águas, querem a baixo preço aumentar a dimensão dos seus terrenos e começaram já a movimentar-se nessa direcção, contactando meio timidamente, mas contactando, algumas das vítimas apanhadas pelo flagelo…

Não houve da parte do estado, nem das administrações locais ligação suficiente às comunidades, nem capacidade de prevenção, nem solidariedade (pelo menos até agora), pelo que as pessoas estão votadas ao “salve-se quem puder”, sem recursos e em condições ainda mais precárias do que aquelas que usufruíam.

Este exemplo, recolhido em plena capital de Angola, ilustra bem a minha posição ética, cívica e moral em relação ao que eu afirmo ser necessário: a continuidade do movimento de libertação com sentido de vida e com sentido patriótico!

Abriu-se caminho ao ter e esqueceu-se a construção prioritária e solidária do ser.

Convenceu-se que o modelo de socialismo se limitava apenas à “configuração de uma ditadura democrático-revolucionária com um sistema de governo socialista baseado no plano económico único e na direcção centralizada da economia”, quando a criatividade socialista, baseando-se na prioridade para o homem, é uma oportunidade imensa enquanto exercício saudável da construção da paz social.

Convenceu-se que esse modelo afinal só servia para fazer a guerra, “porque não foram capazes de proporcionar o exercício das liberdades e garantias fundamentais e o advento da prosperidade económica e social”… pudera com os encargos da luta contra o colonialismo, o “apartheid” e suas sequelas mobutu-savimbiescas até 2002…

Convenceu-se que “os processos democráticos que estão hoje em curso em quase todos os países em que o Presidente, o Governo e os Deputados são regularmente eleitos pelo povo”, resultantes da revolução pela “democracia representativa e a economia de mercado em quase todo o continente africano, seja através das chamadas Conferências Nacionais Soberanas, seja por outras vias e formas” esgotam o que se deve fazer em prol da Reconstrução e Reconciliação Nacional e Reinserção Social em curso e sobretudo a construção saudável da paz.

Convenceu-se que com a varinha mágica da “alternância democrática”, tudo se resolve: “quando os que estão no poder ganham, há continuidade. Quando os que estão na oposição ganham, há alternância democrática do poder, porque os que lá estavam saem”...

As coisas são como são e se há muitos que se esquecem que só há uma vida para se viver, individualmente a vida é cada vez mais precária e efémera à medida das alterações climáticas e ambientais em curso e por isso é para se viver com respeito pela Mãe Terra, em solidariedade social construída com amor, cidadania e participação, uma vida para se viver com dignidade e coerência, honrando-a ética, moral e civicamente.

Aqueles que abraçaram a luta contra o colonialismo e o “apartheid”, aqueles que experimentaram o sentido de vida do movimento de libertação, identificam-se por inteiro com todo o povo angolano e sabem que é nele e com ele que suas vidas fluem e se esgotam: isso impele-os na sua afirmação e impede-os de correr o risco de seguir atrás de miragens.

O povo angolano e todos os povos do mundo não esgotam suas opções com sentido de vida em mercados de natureza manipulada, nem em alternâncias democráticas representativas previsíveis por e para elites, por muito iluminadas que elas sejam; há todo um compromisso amplo e irrevogável para com ele que urge cumprir.

Aqueles que lutaram contra colonialismo, contra o “apartheid” e suas sequelas, não se deixam equivocar com o “apartheid” social que está a ser instigado como corolário do lado dos ricos e de suas castas na “construção” dum fosso das desigualdades de muito mau augúrio.

Para se lembrarem do caminho que há que evitar em termos de geografia humana, não se coíbem de visitar sempre Talatona e o Cazenga…

… Capalanga é um micro-caso que eu coloco sobre a mesa, procurando desde logo alertar: não é assim que se vai na direcção da construção da paz social, por muito ricos que fiquem alguns e por muito defendidos que outros estejam em suas castas “intocáveis” de que a comunidade humana da SONANGOL se está a tornar claro exemplo!

Martinho Júnior - Luanda

Nota:

As fotografias (de que aqui só se apresenta a de topo por impossibilidades técnicas) foram feitas a 26 e 27 de Fevereiro do 2011 no Capalanga; agora a situação abrangeu cada vez mais famílias porque o lago cresceu imparável, porque não tem escoamento.

De então para cá, apesar de não ter diminuído a intensidade das chuvas, nenhuma medida de fundo foi tomada e não há socorro suficientemente organizado e eficaz em benefício dos habitantes atingidos pelo lago que foi irremediavelmente crescendo.

A PARTILHA DO PODER



BAPTISTA BASTOS – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

Coesão" e "verdade" são termos muito utilizados nos últimos discursos do dr. Cavaco. Não querem dizer nada e não se escoram em coisa alguma. O País está dividido, desenganado, irritado e furioso com aquilo que os políticos lhe têm feito; e a palavra "verdade" faz com que fuja espavorido. Todos mentem, com maior ou menos ração, e até o dr. Cavaco não está propriamente limpo do feio pecado. Acresce que os seus textos expõem uma mediocridade de forma e de conteúdo, uma sensaboria gelada que a ninguém empolgam.

O homem pode dizer o que quiser, que veio do povo, que ao povo pertence, mas não provoca nenhum sentimento de emotiva mobilização. Ele não sente, nunca sentiu, o impulso da insubmissão e da revolta. É um ser "institucionalizado." Os indivíduos ou os grupos agem e procedem a rebeliões específicas de conduta quando as ameaças que os cercam quase elaboram a alternativa de um contra-governo. As imponentes manifestações da "geração à rasca" são sintomas e indicações.

A maneira como temos sido conduzidos e governados, prolonga a ideia de que todo o poder encontra resistência, mais tarde ou mais cedo. E a alternância, sem alternativa, entre PS e PSD, obrigando à servidão monótona do voto, atinge a sufocação. Bem pode o dr. Cavaco suspirar pela "verdade" e aspirar à "coesão." Olhe-se e veja-se. No PS de Sócrates a intriga não chegou para amolgar os 93 por cento obtidos pelo mal-amado. Os socialistas estão cegos e arfantes? Não têm é outro "camarada" que substitua Sócrates, e Sócrates representa a garantia de que talvez se mude alguma coisa para permanecer tudo na mesma. E se, nas próximas eleições, o PS voltar a ganhar e a apostar, de novo, no seu secretário-geral?

O PSD de Passos Coelho é o labirinto de onde nunca ninguém soube sair. Continuam lá todos aqueles que, através das fórmulas mais paradoxais, e dos entrelaçamentos mais duvidosos, se foram governando sem pudor nem inquietação. A ausência da tal "verdade" tem sido uma constante naquele partido, exactamente porque foi ele um dos construtores e sustentáculos do "sistema". É, pois, a título de parceiro e de adversário que o PSD e o PS têm partilhado o poder e dividido as benesses e privilégios que lhes são afins. A "mentira" começa nesse embuste da "verdade" e o dr. Cavaco é um dos arquitectos desta estática.

Torna-se cada vez mais evidente que Passos Coelho (com quem pessoalmente simpatizo) não está à altura da situação. O apelo às coligações, feito por dirigentes políticos e por jornalistas e preopinantes estipendiados, enuncia, claramente, o problema e a enorme baralhada em que nos envolveram. Em que nos envolveram aqueles mesmos ou os seus directos descendentes. No entanto, talvez as coisas, desta vez, não sejam tão felizes para eles.

ANTÓNIO ARNAUT VÊ COMO “HUMILHANTE” PEDIDO DE MEDICAMENTOS



DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 18 abril 2011 - Fotografia © Manuel Correia

António Arnaut, o criador da lei do Serviço Nacional de Saúde, classificou hoje de "humilhante para a dignidade do utente" e "ofensivo para o SNS" a alegada recusa e pedido de medicamentos e outro material a doentes hospitalizados.

Em declarações à Lusa, a propósito de notícias sobre alegadas recusas e pedidos de medicamentos e outro material hospitalar aos doentes - que está a ser alvo de uma acção da Inspecção-Geral das Actividades da Saúde (IGAS) - António Arnaut foi perentório: "Os cidadãos portugueses ainda não chegaram tão baixo que possam aceitar tentativas deste género".

"Não posso acreditar que um responsável por uma unidade de saúde do SNS possa cometer a desfaçatez de solicitar que os utentes tragam medicamentos ou outro tipo de produto qualquer", disse.

O antigo ministro dos Assuntos Sociais, conhecido como o "pai" do SNS", lembrou que situações desta natureza acontecem "em países muito pobres da Ásia, Paquistão, Sri Lanka, onde alguns doentes levam até os lençóis".

"Isso é humilhante para a dignidade do utente e ofensivo para o SNS, para o nosso extrato social", disse.

António Arnaut considera que, a existirem situações deste tipo, devem-se por duas hipóteses: "Ou resulta da desfaçatez da pessoa que teve essa iniciativa ou é mais uma tentativa de descredibilizar o SNS".

O socialista alertou ainda para "o período de graves dificuldades" que os portugueses estão a passar e que, na sua opinião, "pode suscitar alguma simpatia por parte de certas pessoas".

"Todos os cidadãos conscientes devem recusar situações deste género. Eu, rejeito energicamente todo este tipo de medidas, porque o Estado ainda não chegou a este tipo de penúria e os cidadãos portugueses ainda não chegaram tão baixo", frisou.

Paulo Portas aceitou pagar 30 milhões de euros a mais por submarinos



PÚBLICO – 18 abril 2011

Paulo Portas aceitou pagar 30 milhões de euros a mais pelos dois submarinos adquiridos ao consórcio alemão German Submarine Consortium (GSC), em 2004, quando assumia a pasta da Defesa. Apesar de o ex-ministro ter pedido que a qualidade do equipamento fosse reduzida, por questões financeiras, aceitou pagar o valor inicialmente acordado pelos navios.

Segundo um documento de 29 de Abril de 2004 do responsável pelo Grupo de Projecto dos Novos Submarinos (GPSS), capitão-de-mar-e-guerra Rui Rapaz Lérias, hoje citado pelo “Jornal de Notícias”, o preço dos submarinos, 712 milhões de euros, “não sofreu qualquer alteração relativamente ao valor da adjudicação”, apesar da “configuração dos submarinos ter sido degradada”.

Paulo Portas enviou na altura ao GPSS uma “orientação no sentido de se reduzirem as capacidades dos submarinos tendo em vista reduzir o seu preço de aquisição”. O responsável do GPSS indica no mesmo documento citado pelo “JN” que a orientação de Portas foi seguida e as reduções das capacidades técnicas dos submarinos ficaram avaliadas em valores de 18 a três milhões de euros, chegado a um valor total de 21 milhões de euros. Foi ainda contabilizada uma outra redução de dez milhões por se abdicar do empréstimo de dois submarinos usados que a Armada portuguesa iria usar até chegar o novo equipamento. Ficaria, assim, prevista uma redução de cerca de 30 milhões de euros.

Porém, segundo contas do relatório do GPSS, estes cortes não se verificaram na factura paga pelo Estado. Assim, no contrato assinado entre o ex-ministro Paulo Portas e o consórcio alemão configuram os 712 milhões de euros inicialmente acordados, ou seja, “não houve qualquer alteração relativamente ao valor da adjudicação”, segundo o relatório de Rui Rapaz Lérias.

Paulo Portas recusou-se a reagir de imediato a este relatório, remetendo para amanhã ou quarta-feira uma reacção ao documento.

domingo, 17 de abril de 2011

UM DIREITO DE DEFESA QUE CHEGA TARDE DEMAIS




Tarde demais para transformar o cinismo, a falta de informação, o silêncio e a indiferença em verdade. É tarde de mais para transformar a arrogância do poder e os velhos costumes ditatoriais numa carroça de transporte que possam levar, de um lado para outro, produtos que já estão perecíveis (vencidos) para serem vendidos com os rótulos de verosimilhança. E tem mais, verosimilhança, nem sequer é verdade!

Querer provar a essa altura do campeonato que tudo são mentiras e falácias, é como misturar mentiras e verdades num só liquidificador ( batedor) para tentar depois, de maneira infeliz, separar as mesmas. E convencer aos observadores que a mentira, a intriga, a desinformação e a manipulação – mal combatido pelos órgãos do governo e do Estado – deve ser ingerida como um calmante (xarope ou suco) amargo, por todos nós.

Infelizmente temos a dizer ao presidente que ele chegou tarde de mais para se justificar. E que não existe obrigação moral de quem quer que seja para se acreditar nas versões vinda dele, numa situação anormal ( de pressão política, ideológica) ou de crise.

Saiba Senhor Presidente que a Democracia -burguesa ou não - ela não constitui um regime baseado no princípio da confiança ou até mesmo da moralidade ideológica e política. Ela é um regime de Estado de Direito. Isso significa dizer que na luta pelo poder – direito de todos os cidadãos Democráticos - importa pouco a confiança ou até – se for o caso - a desconfiança que existe entre aqueles que se digladiam pelo poder.

Como você mesmo tenta demonstrar ou persuadir aos poucos que te apoiam, o que importam são fatos corroborados por comandos, métodos, procedimentos e leis que movimentam a máquina do Estado. Essa máquina só será eficiente – para as finalidades pretendidas - se cada peça ou componente corresponder a esses comandos. Imagine agora que os componentes daquela máquina são os seres humanos.

Não se trata aqui de se ter certeza do quanto o Presidente tem em suas contas bancárias no exterior. Ou se o mesmo tem alguma conta bancária fora do país. Mesmo porque a essa altura ninguém está mais interessado em saber isso. Se fosse na época de partido único, onde só imperava a ideologia Marxista-leninista, com certeza, todos nós estaríamos morrendo de curiosidade para saber os bilhões que o Camarada Presidente tem mundo afora, qual o valor da riqueza do Presidente, fora ou dentro do país.

Trata-se aqui da postura do próprio presidente, de um conjunto de atitudes, procedimentos legais que impedem que o povo, a nação, as instituições democráticas - entre eles o Tribunal de Contas, o próprio Legislativo, a imprensa privada sufocada e chantageada; a Constituição da República redigida em beneficio próprio - que impedem que aquela riqueza seja descoberta ou minimamente monitorada.

Se o Presidente alguma vez na vida tivesse tempo de ler algum livro, básico, de Direito Administrativo, ao sabatinar a informação do mesmo com a sua trajetória de homem de Estado e chefe de governo que é ao longo desses trinta anos, com certeza, teria se mantido calado. Como sempre foi o seu estilo e não teria tocado em algo tão delicado e constrangedor. Ou seja, deixaria que o trem da corrupção seguisse o seu curso, ou melhor, como bom maquinista desse mesmo comboio, que procurasse manter a velocidade do mesmo. Mantendo o cidadão como sempre, na dúvida e na desconfiança.

Já que Presidente –“angolano”, tradição deste, assim nos habituou - não dá esclarecimento à opinião pública, poderia pelo menos ativar os meios de comunicação públicos, para que os mesmos pudessem informar a população – e a oposição também -, do porque que só em Angola o combate a corrupção é encarado como forças anti-patrióticas que tendem a dividir os angolanos e a separar o povo do Governo?

Camarada Presidente este discurso de vítima e do agredido em nome do povo é vergonhoso até para mim que estou longe do poder. É vergonhoso até para qualquer militante do MPLA. Acreditar que o fim do seu mandato ou com a sua morte, o imperialismo e o colonialismo estarão de voltas para se apoderarem das nossas riquezas é uma presunção estúpida, que hoje só cabe nas mentalidades ofuscadas e impenetráveis, por tudo o que há de mais novo e moderno.

Fazendo uso do meu senso de ironia: Eu acho mesmo que o Senhor deveria ser julgado e condenado pelo excesso de presunção. E não por desviar dólares e não cumprir regras.

Eu o perdoo por desviar dólares e pelo comportamento infantil de não cumprir regras!

Jamais pela presunção!

Não adianta José, você pode até sair vitorioso de onde está -se achar que sairá - mas terá dificuldades eternas para justificar seus atos. Eu sinto pena dos angolanos – e agora também de você!

Nelo de Carvalho

Nelo6@msn.com

WWW.blogdonelodecarvalho.blogspot.com

OTELO E MARINHO ESQUECERAM O GENE "CARNEIRO" DOS PORTUGUESES



ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

"O país está à rasca"... Mas nem chegou a meio milhão de portugueses que se manifestaram por todo o país quando uns poucos jovens deram boleia à carneirada. E depois, o que é que se tem visto? Foi uma demonstração de desagrado muito pobre se considerarmos a gravidade da situação em que Portugal e os portugueses se encontram. Foi uma minoria que se manifestou. Entretanto continua tudo na mesma e ainda estamos mais à rasca. A acção foi inconsequente, o gene acarneirado dos portugueses prevalece.

Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril, aponta alguns "males" do país e fala da falta de consciência dos políticos sobre quanto mal sobrevivem os portugueses referindo que pode ocorrer uma eclosão social. Poder pode, mas Otelo deve lembrar-se que este povo é carneiro. Não foi por acaso que suportou o regime de Oliveira Salazar por longas décadas. Os portugueses esperam sempre um "salvador". E esperam, e esperam... Isso mesmo viram em Cavaco Silva, um salvador, parecendo que agora se transferiram para Sócrates - a tomar em conta as últimas eleições legislativas.

Nas próximas eleições vamos assistir ao tira-teimas. Vamos ver se os cabeçudos voltam a acreditar em Sócrates e na sua arte avançada de manipular. Pode acontecer. Mas, se não, lá vamos nós ter de acarretar com uma escolha similar: Passos Coelho e o PSD tão mafioso quanto o PS.

O PSD é um partido desgarrado que representa ainda mais que o PS os interesses dos que eram ricos e agora são muito mais. Ricos e egoístas, como mandam as suas normas. Não servem o país, servem-se a eles próprios, à família e aos amigos. Têm por pátria o capital. Quanto mais têm, mais querem. Mas o PSD, a par do PS, também serve as suas clientelas e os seus, os novos-ricos que criou nos tempos áureos de Cavaco Silva em primeiro-ministro e de Barroso. Esses, políticos e empresários ou banqueiros, enriqueceram exponencialmente à custa de tanto roubarem. O mesmo tem acontecido neste sultanato de José Sócrates. Mas os portugueses vêem isso? Reagem de forma inequívoca em reprovação explicita nas urnas de voto? A resposta é sim e não. Sim, vêem e comentam que "isto é tudo uma roubalheira". Não, não reagem a expulsar aquela corja de ladrões descaradíssimos que estão instalados nos topos maiores da política nacional. Não reagem como deviam a cambalhachos desses mesmos políticos e até votam neles quase sempre. Sempre à espera que surja o "salvador".

Teoricamente Otelo pode ter razões naquilo que opina. Na prática é verdade que os atuais políticos são uns verdadeiros cães sarnosos em conluios que arrasam o país e lhes rendem fortunas. E isso vai desde Cavaco Silva até ao deputado mais insignificante que exista naquela casa a que chamam Assembleia da República mas que não passa de uma assembleia de representantes de lobbies de todo o jaez, da maçonaria e da opus dei.

Otelo deve lembrar-se que faz parte de um povo que quer é "safar-se" e que se contenta com pouco, que quer que não o chateiem "porque isso da política é para os políticos". Mesmo as novas gerações estão contaminadas por esse gene bem português a que se pode chamar cobardia disfarçada de alheamento. Por isso, uma eclosão social a valer e a procurar expulsar os ladrões de políticos que temos... Jamais. Só quando aparecerem novos Otelos e novos Capitães de Abril... E então o povinho, cobardolas, lá vai atrás.

Depois acontecerá o que acontece sempre, ou quase sempre. Esses Otelos e Capitães também vão fazer muita merda, como os anteriores na década de 70, outros políticos ladrões - ou até alguns dos de agora - surgirão com novas dialécticas. Haverá excessos como no tempo do COPCON e oportunistas como Ramalho Eanes... Tudo como antes, quartel em Abrantes.

O positivo desta perspetiva é que pode acontecer que o povinho folgue um pouco, como após 25 de Abril de 1974... E sonhe. Mas não passará de um sonho. Tudo porque os portugueses acarneiraram-se com o gene Salazarista e da igreja retrógrada de Portugal que pela sapa continua por aí. O gene está lá e a nossa má vida e a democracia quase inexistente está à vista.

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, também falou e disse. Quase tudo está certo daquilo que opinou, só que parece que se esquecem do povinho que temos: acarneirado e cobardolas. Um povinho que ao longo de décadas tem elegido as máfias partidárias de alternância, o PSD e o PS. Vai voltar a fazer o mesmo nas próximas eleições, com o agravante de que muitos se abstêm, nem votam, para sentirem que não participam no descalabro de elegerem o PS, o PSD ou o CDS, como se não existissem outros partidos a que nunca deram oportunidade de serem governo.

Afinal não é o povo quem mais ordena mas sim a manipulação e os milhões de acarneirados que continuam a aceitar sempre mais do mesmo para depois se lastimarem e irem fazer promessas à Fátima. Otelo e Marinho deviam lembrar-se disto e dizê-lo. Talvez conseguissem acordar algumas almas perdidas no mundo da bipolarização partidária, dita de alternância. Uma falsa democracia, uma ditadura de interesses e conveniências que tem a cara do PS, do PSD, e também (de que maneira!) de Cavaco Silva e seus "muchachos". Derrubar estes políticos só acontecerá quando se derrubar o gene acarneirado que subsiste nos portugueses. Esperemos que as novas gerações o consigam e que também derrubem o Sebastianismo. Que derrubem a falsa necessidade de se esperar sempre o "Salvador" da Pátria - coisa que Otelo e outros Capitães de Abril deixaram por alguns tempos que assim os encarnassem - com o mau resultado à vista, de merda.

Depois de Marinho Pinto ter invocado uma "greve à democracia"

Otelo acredita que pode estar na hora da democracia directa com que “sonhou” no PREC

LUSA - PÚBLICO

O estratega da revolução de 25 de Abril de 1974 acredita que a crise que o país atravessa poderá levar a que a democracia representativa venha a ser substituída por uma democracia directa, regime com que “sonhou” durante o PREC.

Otelo Saraiva de Carvalho, que participou sábado à noite, em Santarém, num colóquio sobre a canção que serviu de senha para o arranque da Revolução dos Cravos, disse à agência Lusa que é importante acompanhar o que está a acontecer na Islândia, que enfrentou a banca rota em 2008 e que está a viver formas de democracia directa, num processo que poderá ter “um desenlace profundo nas democracias europeias”.

No seu entender, os 37 anos decorridos desde a revolução não consolidaram totalmente o regime de democracia representativa que foi “imposto” a Portugal pela Europa Ocidental e pelos Estados Unidos da América.

“O meu sonho durante o PREC (processo revolucionário pós 25 de abril) começou a ser a possibilidade de instauração no país de um modelo novo de regime político que passava pela democracia directa”, pela criação de um “Estado de poder popular em que os partidos ficassem subalternizados”, à semelhança do que está a acontecer agora na Islândia, disse Otelo Saraiva de Carvalho à Lusa.

Para Otelo, o país está a assistir a “fenómenos importantes” a que é preciso estar atento, como as cada vez mais elevadas taxas de abstenção.

“O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, veio advogar greve da democracia e se ninguém votar como é que os políticos se acham com legitimidade para continuar a governar o país?”, questionou, frisando que estas “são ideias que vão aparecendo”.

Otelo disse acreditar que a “acção negativa da classe política que tem vindo a governar o país pode levar a circunstâncias que permitam uma alteração profunda disto”.

O “capitão de Abril” advertiu que se nada for feito para acabar com a “imoralidade da diferença salarial” existente no país, com gestores a receberem prémios de milhões e gente a ganhar menos de 300 euros, “o caldo está entornado”.

“Ou a classe política toma consciência da gravidade da situação ou pode haver uma eclosão social enorme”, declarou.

Otelo esclareceu o sentido do “sound bite” retirado da entrevista que deu a semana passada à Lusa -- de que não faria a revolução se soubesse como o país iria ficar -- assegurando que não está “absolutamente nada arrependido” e de que tem “um orgulho enorme em ter sido um dos protagonistas dessa gloriosa giesta”.

A frase surgiu “na sequência de se falar da situação atual, da juventude que está a emigrar por não haver aqui condições”, disse, em comentário às reações que a sua entrevista provocou.

Quanto à declaração de que só a perda de direitos dos militares poderia levar a um “novo 25 de abril”, Otelo reafirmou que as alterações ocorridas nos últimos anos nas forças armadas, com a profissionalização, e a tendência para a dissolução dos idealismos na sociedade levam a que só haja reação “se os direitos forem confiscados”.

“E vamos ver o que pode acontecer com a polícia e a GNR também, se começarem a tirar salários e a não pagarem salários. Aí cuidado”, advertiu.

PSD diz que Nobre não exigiu ser presidente da Assembleia da República ...



… e fala em "equívoco"

JORNAL DE NOTÍCIAS – 17 abril 2011-04-17

Os dirigentes sociais-democratas Paula Teixeira da Cruz e Diogo Leite Campos disseram este domingo que Fernando Nobre não exigiu ser presidente da Assembleia da República e aceitou ser candidato a deputado pelo PSD sem colocar nenhuma condição.

"Há aí um equívoco, que será desfeito muito rapidamente", declarou Paula Teixeira da Cruz à comunicação social, à entrada para a reunião do Conselho Nacional do PSD, num hotel de Lisboa, que aprovará as listas do partido de candidatos às legislativas de 5 de Junho.

Em entrevista ao Expresso, publicada na edição deste sábado, Fernando Nobre afirmou ter sido convidado pelo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, "para ser o primeiro candidato por Lisboa, com o exclusivo e inequívoco propósito de ser proposto pelo PSD para presidente da Assembleia da República".

"Se, seja por que razão for, eu não puder ser nomeado presidente da Assembleia da República, renuncio imediatamente ao mandato de deputado. Não serei só um deputado", anunciou o presidente da AMI, na mesma entrevista.

Segundo a vice-presidente do PSD Paula Teixeira da Cruz, "há aí um equívoco", porque "o doutor Fernando Nobre não exigiu nem nunca pediu ao PSD para ser presidente da Assembleia da República".

"Não houve condições postas pelo doutor Fernando Nobre, como a seu tempo será elucidado", acrescentou.

Por sua vez, o vice-presidente do PSD Diogo Leite Campos considerou que "aí há alguma dificuldade de comunicação" e manifestou-se convencido de que Fernando Nobre esclarecerá esta questão na entrevista que dará esta noite à RTP1.

Também Diogo Leite Campos disse que ser presidente da Assembleia da República "nunca foi nenhuma condição posta pelo doutor Fernando Nobre, nem houve nenhum jogo de toma lá dá cá".

"O doutor Fernando Nobre vai apresentar-se a deputado e depois, se as coisas correrem bem, como julgo que vão correr bem, será indicado pelo PSD para presidente da Assembleia da República. Nunca ele pôs condição nenhuma para ser candidato a deputado", reforçou.

Dissidentes cubanos afirmam que reformas económicas são apenas...



... um "paliativo"

JORNAL DE NOTÍCIAS – 17 abril 2011

As medidas anunciadas pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, para superar a crise económica que afecta o país são apenas "paliativos", disse este domingo o porta-voz dos dissidentes cubanos em Espanha, citado pela agência de notícias France Press.

Estas medidas são "paliativos que aliviam a dor, mas não curam a doença endémica do povo cubano, que é essencialmente a falta de liberdade e de direitos", disse à AFP Ernesto Gutierrez, secretário-geral da Federação das organizações de cubanas em Espanha.

No VI Congresso do Partido Comunista Cubano, que começou sábado no Palácio de Convenções em Havana, o presidente cubano apresentou mais de 300 medidas para reformar a economia do país.

O corte de empregos no sector público, a abertura da economia à iniciativa privada, a autonomia das empresas públicas, a reforma do agro-alimentar e a abertura ao capital estrangeiro são as principais reformas propostas."Estas reformas são feitas apenas para poupar tempo e melhorar a credibilidade internacional [de Cuba], especialmente em termos financeiros e económicos", disse o dissidente cubano, há 20 anos em Espanha.

Com o anúncio, Raúl Castro "está a tentar apaziguar a crise económica que tomou conta" de Cuba, mas as medidas "não procuram de alguma forma resolver os verdadeiros problemas do país", acrescentou.

Ainda no congresso, o presidente cubano propôs limitar a dois períodos, de cinco anos cada, os mandatos dos principais cargos políticos e estatais, afirmando que a medida será aplicada a si mesmo.

Para o dissidente cubano, este anúncio tem pouca credibilidade já que os atuais dirigentes cubanos "sabem que não lhes resta muito mais de dez anos para viver, eles sabem que esta etapa está a terminar", disse Ernesto Gutierrez.

O VI Congresso do Partido Comunista Cubano decorrerá até 19 de Abril. Além das mudanças nas políticas económicas, o congresso debaterá ainda a sucessão de Fidel Castro, de 84 anos, que anunciou a intenção de renunciar ao cargo de primeiro secretário, que desempenha desde 1965, prevendo-se que o seu irmão, Raúl Castro, actual Presidente de Cuba, assuma o seu lugar.

O congresso, o primeiro dos últimos 14 anos, coincide com 50.º aniversário da tentativa fracassada norte-americana de invadir a Baía dos Porcos (1961), numa operação militar que procurava controlar a praia, formar um governo provisório, conseguir apoio da Organização de Estados Americanos e o reconhecimento internacional.

Em menos de 72 horas, a maioria dos invasores foi capturada pelo exército e milícias cubanos.

Massacre apoiado por EUA mancha primavera árabe no Bahrein



Amy Goodman - Democracy Now - Carta Maior

No discurso de condenação ao governo de Kadafi, Obama justificou os recentes ataques militares a Líbia com estas palavras: “Assassinaram pessoas inocentes. Atacaram hospitais e ambulâncias. Prenderam, agrediram e assassinaram jornalistas”. Agora ocorre o mesmo no Bahrein e Obama não tem nada a dizer. “Centenas de pessoas estão presas e são torturadas por exercer sua liberdade de expressão. E tudo por vingança, porque um dia, há um mês, quase a metade da população do Bahrein foi para as ruas exigir democracia e respeito pelos direitos humanos”, diz Nabeel Rajab, presidente do Centro pelos Direitos Humanso do Bahrein. O artigo é de Amy Goodman.

Três dias depois da renúncia de Hosni Mubarak e do fim de sua longa ditadura no Egito, o povo do Bahrein, pequeno estado do Golfo, se lançou massivamente às ruas de Manama, capital do país, e se reuniu na Praça da Perla, sua versão da praça egípcia de Tahrir. O Bahrein vem sendo governador pela mesma família, a dinastia de Khalifa, desde a década de 1780, há mais de 220 anos. Com as manifestações, a população do país não pedia o fim da monarquia, mas sim uma maior representação em seu governo.

Após um mês de protestos, a Arábia Saudita enviou forças militares e policiais por meio da ponte de mais de 25 quilômetros que une o território continental saudita à ilha de Bahrein. A partir desse momento, reprimiu-se cada vez com mais força e violência os manifestantes, a imprensa e as organizações de direitos humanos.

Uma valente jovem ativista bahreiní a favor da democracia, Zainab al-Khawaja, viu a brutalidade de perto. Para seu horror, foi testemunha de como seu padre, Abdulhadi al-Khawaja, um destacado ativista pelos direitos humanos, foi golpeado e preso. Ela descreveu o ocorrido, desde Manama:

“Forças de segurança atacaram minha casa. Chegaram sem aviso prévio. Derrubaram a porta do edifício, derrubaram a porta de nosso apartamento e atacaram diretamente meu pai, sem explicar os motivos de sua prisão nem dar-lhe oportunidade para falar. Arrastaram meu pai pelas escadas e o golpearam na minha frente. Bateram nele até que ficou inconsciente. A última coisa que ouvi-lo dizer foi que não podia respirar. Quando tratei de intervir, tentei dizer-lhes: “Por favor, deixem de bater nele, ele irá com vocês voluntariamente. Não precisam golpeá-lo assim”. Basicamente me disseram que calasse a boca, me agarraram e me arrastaram escadas acima até o apartamento. Quando voltei a sair, o único rastro que havia de meu pai era seu sangue na escada”.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch pediu a imediata libertação de Al-Khawaja. O esposo e o cunhado de Zainab também foram presos. Zainab publica no twitter como “angryarabiya” e, em protesto pelas prisões, iniciou uma greve de fome, ingerindo apenas líquidos. Também escreveu uma carta ao presidente Barack Obama, na qual diz: “Se algo acontecer com meu pai, com meu esposo, meu tio, meu cunhado ou comigo, declaro-o tão responsável como o regime de Al Khalifa. Seu apoio a esta monarquia faz com que seu governo seja cúmplice de seus crimes. Todavia, abrigo a esperança de que você se dê conta de que a liberdade e os direitos humanos significam o mesmo para uma pessoa do Bahrein do que para uma pessoa dos Estados Unidos”.

No discurso de condenação ao governo de Kadafi, Obama justificou os recentes ataques militares a Líbia com estas palavras: “Assassinaram pessoas inocentes. Atacaram hospitais e ambulâncias. Prenderam, agrediram e assassinaram jornalistas”. Agora ocorre o mesmo no Bahrein e Obama não tem nada a dizer.

Do mesmo modo que ocorreu no Egito e na Tunísia, o sentimento é nacionalista e não religioso. O país é 70% xiita, mas governador por uma minoria sunita. No entanto, uma das principais consignas presentes nos protestos tem sido: “Nem xiita, nem sunita, bahreiní”. Isso desmoraliza o argumento esgrimido pelo governo do Bahrein, segundo o qual o atual regime seria a melhor defesa contra a crescente influência do Irã, um país xiita, no rico em petróleo Golfo Pérsico. Some-se a isso o papel estratégico do Bahrein: é ali que se encontra a base da 5ª Frota Naval dos EUA, encarregada de proteger os “interesses estadunidenses” como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, e de dar apoio às guerras no Iraque e no Afeganistão. Não está também entre os interesses estadunidenses o de apoiar a democracia e não os ditadores?

Nabeel Rajab é presidente do Centro pelos Direitos Humanos do Bahrein, organizado que foi dirigida pelo recentemente sequestrado Abdulhadi al-Khawaja. Rajab pode enfrentar um julgamento militar por publicar a fotografia de uma manifestante que morreu enquanto permanecia preso. Rajab me disse: “Centenas de pessoas estão presas e são torturadas por exercer sua liberdade de expressão. E tudo por vingança, porque um dia, há um mês, quase a metade da população do Bahrein foi para as ruas exigir democracia e respeito pelos direitos humanos”.

Rajab observou que a democracia no Bahrein poderia implicar a luta pela democracia nas ditaduras vizinhas do Golfo Pérsico, especialmente na Arábia Saudita. É por isso que a maioria dos governos regionais têm interesse no fim dos protestos. A Arábia Saudita está bem posicionada para tarefa já que é recente beneficiária do maior acordo de venda de armas na história dos EUA. Apesar das ameaças, Rajab foi firme: “Enquanto respirar, enquanto viver, vou seguir lutando. Acredito na mudança. Acredito na democracia. Acredito nos direitos humanos. Estou disposto a dar minha vida. Estou disposto a dar o que for preciso para alcançar essa meta”.

(*) Amy Goodman é editora e apresentadora do Democracy Now.

(**) Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna

Tradução: Katarina Peixoto

EM ANGOLA NÃO EXISTE CORRUPÇÃO E POBREZA!



ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Finalmente o dono de Angola, no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito, explicou a razão pela qual o país, independente desde 1975 e já com nove anos de paz efectiva, tem 70% de pobres.

Segundo José Eduardo dos Santos, quando ele nasceu já havia muita pobreza na periferia das cidades, nos musseques, e no campo, nas áreas rurais. Citou, aliás, os poetas Agostinho Neto e António Jacinto que, nos seus versos, denunciavam a miséria extrema, e a exploração do contratado, cujo pagamento era fuba e peixe seco e porrada quando se refilava.

O Presidente do MPLA, da República e chefe do Governo (entre outras coisas) falava ontem em Luanda, na cerimónia de abertura da primeira sessão extraordinária do Comité Central do MPLA, que decorre no complexo turístico “Futungo II”, com a participação de 225 dos seus 311 membros.

Eduardo dos Santos denunciou também, pudera!, os oportunistas que pretendem promover a confusão no país para provocar a subversão da ordem democrática estabelecida na Constituição da República, e derrubar governos eleitos, a favor de interesses estrangeiros.

“Hoje há uma certa confusão em África e alguns querem trazer essa confusão para Angola”, declarou o dono do país, adiantando que “devemos estar atentos e desmascarar os oportunistas, os intriguistas e os demagogos que querem enganar aqueles que não têm o conhecimento da verdade".

Como diria o seu amigo primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, ainda está para nascer um presidente do MPLA, de Angola e chefe do Governo, que tenha feito melhor do que José Eduardo dos Santos.

José Eduardo dos Santos adiantou que nas chamadas redes sociais, que são organizadas via Internet e nalguns outros meios de comunicação social, fala-se de revolução, mas não se fala de alternância democrática.

Como dono da verdade, José Eduardo dos Santos esquece-se que para haver alternância democrática é preciso que antes existe democracia.

Diz ele, do alto da sua sábia cátedra, que pôr os vivos (e até os mortos) a votar – mesmo que de barriga vazia – é democracia.

“Para essa gente, revolução quer dizer juntar pessoas e fazer manifestações, mesmo as não autorizadas, para insultar, denegrir, provocar distúrbios e confusão, com o propósito de obrigar a polícia a agir e poderem dizer que não há liberdade de expressão e não há respeito pelos direitos” referiu o único presidente dos países lusófonos que nunca foi eleito.

José Eduardo dos Santos considera que os seus opositores têm medo das próximas eleições de 2012, pois sabem que a maioria dos eleitores não vai votar a favor deles.

Nisso tem razão. Um povo com fome vota certamente em quem lhe der um saco de fuba. Além disso, como nas anteriores eleições, nada de anormal irá acontecer se em alguns círculos votarem no MPLA mais de 100% dos eleitores inscritos...

José Eduardo dos Santos diz que os opositores querem apenas colocar fantoches no poder, que obedeçam à vontade de potências estrangeiras que querem voltar a pilhar as riquezas e fazer o povo voltar à miséria de que se está a libertar com sacrifício.

Tem razão. Embora o MPLA pilhe as riquezas e o povo desde 1975, sempre tem a seu favor o facto de impor que os estrangeiros só pilhem se for em parceria com o clã Eduardo dos Santos.

O dono de Angola lamentou o facto de ninguém se lembrar de dizer que a pobreza não é recente e que é uma pesada herança do colonialismo e uma das causas que levou o MPLA a conduzir a luta pela liberdade, para criar o ambiente político necessário para resolver esse grave problema.

Pois é. Embora tenha comprado o país em 1975, o MPLA continua a responsabilizar o colonialismo e até, talvez, não fosse despiciendo falar também da responsabilidade de D. Afonso Henriques.

Utilizando uma calculadora certamente “made in Coreia do Norte”, Eduardo dos Santos diz que os índices de pobreza, que estavam em cerca de 70 por cento, baixaram em 2010 para cerca de 37 por cento.

Mais uma vez o dono do país, modesto como é, peca por defeito. É que se fizer o cálculo ao seu clã e aos vassalos que o rodeiam, o índice de pobre é 0 (zero).

Segundo Eduardo dos Santos, no quadro do Programa de Luta contra a Pobreza, se continuar com esse ritmo de redução, a pobreza deixará de existir dentro de alguns anos.

Tem, mais uma vez, razão. Aliás, se o regime angolano excluir dos cálculos da pobreza todos os que são... pobres, pode já anunciar o fim da pobreza.

José Eduardo dos Santos afirmou também que apesar de não existir país nenhum no mundo sem corrupção, o Governo está a fazer esforços para combater este mal.

Aí está a prova de que o MPLA deve mudar o regime legal. É que se a lei não considerar a corrupção como um crime, o país deixa de ser o local do mundo com mais corruptos por metro quadrado.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

O LABIRINTO NEOLIBERAL



Pedro Carrano, de Santiago (Chile) - Brasil de Fato

Reconstrução das lutas da classe trabalhadora é ainda um desafio frente à hegemonia do Consenso de Washington no país

Como se fosse uma passagem da mitologia grega, em um labirinto, os militantes chilenos buscam hoje se guiar pelos fios dispersos do movimento popular e operário, passados quase quarenta anos do golpe de Estado e da instauração da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1973, ação que atingiu a Unidade Popular do presidente Salvador Allende e debilitou a organização popular dos bairros do entorno de Santiago do Chile. Matou o senso de pertencimento de classe. Instaurou o neoliberalismo com toda força.

Mesmo quando a ditadura dá lugar às eleições e o período Pinochet se encerra, em 1988, ainda assim os 23 anos de governo da Concertação que se sucederam não conduziram o país à saída desse labirinto neoliberal. Os recursos e a matéria-prima do solo foram entregues às empresas transnacionais.

Mas isso ainda diz pouco: foi a resistência e a organização obreira, fermentadas no período de substituição de importações, durante o século 20, o alvo principal da política de Pinochet. Essa é a avaliação de Carlos Torres, assessor do Fórum Social Mundial.

“Nos centros industriais, existia o que podemos chamar de cultura proletária, que, no caso de Chile, Brasil e México, construiu-se através de quase um século de vida das pessoas em torno dos lugares de trabalho. Os trabalhadores viviam nos bairros distantes, industriais, seus filhos iam às mesmas escolas, suas mulheres estavam na mesma junta de vizinhos, sofriam os mesmos problemas, liam os mesmos jornais, jogavam nos mesmos times de futebol, tomavam cerveja nos mesmos bares, os religiosos iam à mesma igreja. A força do movimento sindical não estava somente nos sindicatos. Estava também, porque se sentia a exploração, mas eles a viviam diariamente e não só em relação à máquina, mas em todos os escalões da vida”, reflete.

Movimentações recentes

Os ataques aos trabalhadores permanecem. De acordo com o raciocínio de Torres, no Chile, eles não têm encontrado forças e soluções coletivas para uma reação. “As políticas neoliberais vêm justamente atacar o nó central da força e da organização popular, destruindo o que se havia construído, que era a cultura proletária, que se rompe com toda a sua força orgânica e de consciência, porque já não tem a força de enfrentar os problemas coletivamente. Aqui, tudo se dispersa. O que faz com que o trabalhador não chegue sequer a ler o boletim do sindicato”, reflete.

A taxa de sindicalização hoje no país está em torno de 11% da força de trabalho, o que dá à Central Unitaria de Trabajadores (CUT) pouca presença na agenda política do país.

Apesar da fragmentação e um longo período de descenso da luta de massas, movimentações recentes e à margem dos partidos institucionais despertam a atenção para a realidade chilena. Os povoadores da província de Magallanes, no sul do país, organizaram no começo deste ano a chamada Assembleia Cidadã contra a alta dos preços do gás – produzidos na própria região, centro energético chileno. Como resultado, mais de 200 presos políticos, repressão que também se manifesta contra a luta em defesa do território mapuche e de coletivos de esquerda da capital Santiago.

A gestão do direitista Sebastián Piñera – também ele individualista e refratário ao trabalho em equipe, de acordo com editorial do periódico Punto Final – equilibra-se entre a chance de promover um retorno ao Estado policial chileno – dos tempos de Pinochet – e a manutenção de políticas compensatórias, ao estilo neoliberal.

O governo, que recebeu recentemente a visita do presidente estadunidense Barack Obama ao Palacio de la Moneda, de onde Allende foi retirado morto, em 1973, volta-se para o campo de países que segue diretamente a política determinada por Washington. “Acentua-se a repressão. Há uma mudança no posicionamento latino-americano, e Piñera se alinha com o uribismo, com Alan García, do Peru”, informa Ernesto Pérez, militante da tevê comunitária Umbrales TV.

Enquanto isso, a conjuntura aponta para projetos de reforma educacional e da saúde. Esta última se daria por meio da implantação de um bônus à população mais pobre que transferiria o atendimento da saúde pública para o âmbito privado. Com ingressos mensais médios de 229 dólares, para uma jornada de 45 horas semanais, um trabalhador ainda deve pagar todos os serviços.

O economista José Manuel Flores, professor da Universidade de Santiago de Chile, agrega que, além de tudo, os impostos são mais um mecanismo de exploração da já endividada classe trabalhadora chilena. “Com os impostos, o trabalhador perde 60% do poder aquisitivo. São impostos que não se nota”, comenta.

Por fora da esquerda

Tudo se resume a um modelo hegemônico que, no Chile, há décadas não conhece contraposição. “Vivemos um momento político em que não há uma alternativa de modelo. Inclusive o Partido Comunista está dentro dele, buscando reformas não antagônicas, apoio dos setores do Partido Democrata-Cristão (PDC), alternativas de administração do modelo”, analisa Carlos Torres.

Na juventude, reside a esperança de confrontação ao projeto de reforma educacional. “Em 2006, houve uma manifestação dos famosos ‘pinguinos’ [pingüins], estudantes de ensino médio de 13, 14, até 16 anos. A reação em cadeia dos escolares evidenciou que o modelo de controle de dominação era ineficiente”, analisa José Manuel Flores.

A retomada de antigas tradições, como o baile cueca, que leva centenas de jovens de volta às praças da capital, é um pequeno sinal de que há uma movimentação popular à margem da lógica neoliberal e dos partidos engessados na formalidade – na qual a própria esquerda ainda apresenta pouca inserção.

Uma crise na oposição conformada pela Concertação e pelo Partido Comunista, que até o momento não deram resposta efetiva ao governo Piñera e à política da Alianza, pode ser substituída por ferramentas novas da classe trabalhadora? Na realidade, não parece haver elementos nesse sentido, de acordo com Ernesto Pérez, da Umbrales TV. “Duvidamos disso. A esquerda revolucionária vive uma crise profunda que não logra sair, há que ser franco com a verdade. Sabemos que o modelo de esquerda sectária está habitando um esquema do passado, assim como amadurece um movimento social por fora da esquerda”, descreve.

Para poucos

Em um país de 16 milhões de habitantes, 6,5 milhões de trabalhadores estão no mercado de trabalho formal, 800 mil na informalidade e 2,5 milhões de pessoas se situam na pobreza extrema, de acordo com dados citados pelo economista José Manuel Flores; dados não oficiais e/ou defasados, aponta.

As 6 mil grandes empresas controlam os mercados externo e interno e deixam uma fatia pequena deles às 27 mil médias e 51 mil pequenas empresas formais. Não há articulação entre esses ramos industriais, de acordo com Flores. “São grandes empresas que não criam sinergias com as médias e pequenas e contam com carga tributária reduzida”, diz. Nesse cenário, de acordo com o economista, os salários são rebaixados.

A pauta de exportações, formada pelo cobre e pelo salmão, entre outros itens, são apropriadas pelas transnacionais. Por absurdo que pareça, as águas do Pacífico para a pesca foram privatizadas. Suas donas são empresas concessionárias abertas ao capital financeiro, que já receberam do Estado chileno 450 milhões de dólares. Como resultado, a produção caiu, entre 1985 e 2002, de 1.200 para 331 toneladas, segundo a revista Punto Final.

Junto a esse cenário, 60% das fontes fluviais são controladas pela empresa Endesa, da Espanha. Estamos falando de uma das águas potáveis mais caras da América do Sul, de acordo com o periódico quinzenal El Ciudadano.

Igualmente à conjuntura que também atinge a economia brasileira, a desvalorização do dólar e o consequente fortalecimento do peso chileno reforçam na mídia local o discurso de necessidade de “adaptação trabalhista” e corte de direitos, argumentando que a força de trabalho estaria muito cara no país.

sábado, 16 de abril de 2011

CUBA COMEÇA A DEFINIR SEU FUTURO



Gerardo Arreola, no La Jornada - Outras Palavras - Tradução: Antonio Martins

A reforma econômica suscitou em Cuba um intensos debates, que provocaram, segundo analistas dúvidas da população sobre o futuro de suas garantias sociais e revelaram resistências conservadoras contra um esquema que busca elevar a produtividade do trabalho – mas, ao mesmo tempo, serviram para apontar a urgência das mudanças.

Ainda são desconhecidos os detalhes da discussão, que terminará no sexto congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC), entre este sábado (16/4) e a próxima terça-feira. Ele aprovará a nova versão das Linhas da Política Econômica e Social, documento-base do debate [clique para baixá-lo].

“Apresentei mais de 40 objeções à discussão e a discussão de que participei durou quase seis horas”, disse a La Jornada o escritor e jornalista Félix Sautié, de 72 anos, que foi líder juvenil católico, ativista do movimento revolucionário, fundador e militante veterano do PCC e diretor do diário Juventud Rebelde.

“As pessoas novamente opinaram, esperançosas de que suas opiniões serão ouvidas”, acrescentou Sautié. “Se estas opiniões não forem levadas em conta, creio que será a última oportunidade para consertar o que Raul mencionou”. Era referência a uma frase do presidente Raul Castro que está causando, desde dezembro passado, forte impacto entre os cubanos: “Já se acabou o tempo de caminhar beirando o precipício. Ou retificanos ou nos afundaremos, e afundaremos (…) o esforço de gerações inteiras”.

Voto contra o corte do gasto social

Mas nem tudo está tão claro, para Isbel Diaz, biólogo e especialista em informática de 35 anos, ativista do Observatório Crítico, uma rede que examina regularmente uma ampla agenda de assuntos públicos, como o sistema socialista, o cooperativismo, a autogestão, projetos culturais, ecológicos, as minorias sexuais e os transgênicos, entre outros.

Dias frisou que, em alguns lugares, votou-se contra o corte dos gastos sociais. “As pessoas estão muito preocupadas, por exemplo, com o caso da libreta” (a cesta básica, racionada e quase gratuita). Ele também avalia que talvez o fundo da mensagem oficial não seja compreendido por todos. “Houve um tempo em que o governo podia fazer afirmações e as pessoas tinham fé de que aquilo era exatamente o que ocorreria. Mas agora, nem tanto”, destacou: “No caso da libreta, o medo é que ela seja retirada e não se possa obter de outro modo os produtos que assegura”.

Talvez a libreta tenha sido o tema mais debatido. O ministro Ariel Terrero escreveu na revista Bohemia que se alegraria “se ela desaparecesse amanhã mesmo. Mas penso que seu enterro só ocorrerá como expressão de saúde econômica, avanços e condições de que necessitamos com urgência: ampliação sólida da produção e oferta de alimentos e alta efetiva dos salários, acima da produtividade, para que os cubanos possamos assumir a compra da cesta básica sem a mediação dos subsídios estatais”.

Segundo algumas opiniões, porém, que a crítica às reformas encobre a resistência à mudança por parte de quem passou anos em posições administrativas que logo desaparecerão. A eliminação de postos de trabalho, redução do aparato governamental, decentralização de funções, maior peso na gestão municipal e local, supressão de duplicidades de comando, autonomia de gestão empresarial e outras fórmulas buscam eficiência na atividade produtiva e na função pública. Mas são componentes da reforma que provocarão mudanças substanciais no modo de vida de todo um segmento social, segundo observadores.

“O primeiro a fazer é uma identificação das responsabilidades”, afirma o jornalista Sautié. “Não estou falando de caça às bruxas, mas de evitar que se volte a cometer erros”.

“O debate sobre estes temas vem de longe, em Cuba e fora de Cuba”, afirmou Juan Triana, do Centro de Estudos da Economia Cubana, na Universidade de Havana, à revista católica Espacio Laical. Ao descrever os traços gerais do debate, Triana aponta algumas das questões mais abordadas. O elenco inclui participação de diversas formas de propriedade, a necessária decentralização, a redefinição do papel da empresa estatal, a reavaliação das relações Estado-empresa, Estado-família e Estado-indivíduo, as próprias relações entre indivíduos e a necessidade de desmontar tavas, obstáculos e proibições que, ao invés de favorecer a realização plena das pessoas, dificultavam alcançar por vias legíticas suas aspirações individuais.

Também em Espacio Laical, o cientista político e diretor da revista Temas, Rafael Hernández, considerou que as Linhas da Política Econômica e Social são a alternativa de mudança mais importante no modelo socialista cubano, desde 1976.

“É óbvio que estas transformações não são puramente econômicas. Afetam as relações entre o Estado e a sociedade civil e implicam mudanças de natureza política”, agregou. “A maior lacuna destes projeto de Linhas é que não reafirma suficientemente o papel da participação dos trabalhadores e suas organizações no novo ordenamento econômico – no controle social, tomada de decisões relacionadas à produção e serviços”.

Além de abordar amplamente o debate, no Espacio Laical, a imprensa católica participou ativamente. Em um comentário de seu diretor, Orlando Marquez, a revista do Arcebispado de Havana, Palabra Nueva, reivindicou que os cubanos possam investir em seu próprio país e que se reconheça como legítimas a acumulação e reprodução de riqueza.

Marquez pensa que “Cuba não deve mais dar-se ao luxo de se resignar e esperar apenas empréstimos e compreensão dos credores, de abrir-se apenas ao investimento estrangeiro ou de deixar que os cubanos busquem oportunidades no exterior”. “Para que nosso país seja mais rico, precisamos criar riqueza, e isso não se faz apenas com escolas e hospitais, mas com capacidade de produzir, aproveitando a cultura e instrução acumuladas em cidadãos saudáveis. Isso não está em contradição com a soberania a independência e dignidade do país”.

Em outro artigo, Marquez propôs considerar a participação de instituições religiosas no sistema de saúde, a abertura de cooperativas ou a combinação de serviço público com o privado, como reação ao enfraquecimento do sistema cubano de saúde.