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domingo, 17 de abril de 2011

OTELO E MARINHO ESQUECERAM O GENE "CARNEIRO" DOS PORTUGUESES



ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

"O país está à rasca"... Mas nem chegou a meio milhão de portugueses que se manifestaram por todo o país quando uns poucos jovens deram boleia à carneirada. E depois, o que é que se tem visto? Foi uma demonstração de desagrado muito pobre se considerarmos a gravidade da situação em que Portugal e os portugueses se encontram. Foi uma minoria que se manifestou. Entretanto continua tudo na mesma e ainda estamos mais à rasca. A acção foi inconsequente, o gene acarneirado dos portugueses prevalece.

Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril, aponta alguns "males" do país e fala da falta de consciência dos políticos sobre quanto mal sobrevivem os portugueses referindo que pode ocorrer uma eclosão social. Poder pode, mas Otelo deve lembrar-se que este povo é carneiro. Não foi por acaso que suportou o regime de Oliveira Salazar por longas décadas. Os portugueses esperam sempre um "salvador". E esperam, e esperam... Isso mesmo viram em Cavaco Silva, um salvador, parecendo que agora se transferiram para Sócrates - a tomar em conta as últimas eleições legislativas.

Nas próximas eleições vamos assistir ao tira-teimas. Vamos ver se os cabeçudos voltam a acreditar em Sócrates e na sua arte avançada de manipular. Pode acontecer. Mas, se não, lá vamos nós ter de acarretar com uma escolha similar: Passos Coelho e o PSD tão mafioso quanto o PS.

O PSD é um partido desgarrado que representa ainda mais que o PS os interesses dos que eram ricos e agora são muito mais. Ricos e egoístas, como mandam as suas normas. Não servem o país, servem-se a eles próprios, à família e aos amigos. Têm por pátria o capital. Quanto mais têm, mais querem. Mas o PSD, a par do PS, também serve as suas clientelas e os seus, os novos-ricos que criou nos tempos áureos de Cavaco Silva em primeiro-ministro e de Barroso. Esses, políticos e empresários ou banqueiros, enriqueceram exponencialmente à custa de tanto roubarem. O mesmo tem acontecido neste sultanato de José Sócrates. Mas os portugueses vêem isso? Reagem de forma inequívoca em reprovação explicita nas urnas de voto? A resposta é sim e não. Sim, vêem e comentam que "isto é tudo uma roubalheira". Não, não reagem a expulsar aquela corja de ladrões descaradíssimos que estão instalados nos topos maiores da política nacional. Não reagem como deviam a cambalhachos desses mesmos políticos e até votam neles quase sempre. Sempre à espera que surja o "salvador".

Teoricamente Otelo pode ter razões naquilo que opina. Na prática é verdade que os atuais políticos são uns verdadeiros cães sarnosos em conluios que arrasam o país e lhes rendem fortunas. E isso vai desde Cavaco Silva até ao deputado mais insignificante que exista naquela casa a que chamam Assembleia da República mas que não passa de uma assembleia de representantes de lobbies de todo o jaez, da maçonaria e da opus dei.

Otelo deve lembrar-se que faz parte de um povo que quer é "safar-se" e que se contenta com pouco, que quer que não o chateiem "porque isso da política é para os políticos". Mesmo as novas gerações estão contaminadas por esse gene bem português a que se pode chamar cobardia disfarçada de alheamento. Por isso, uma eclosão social a valer e a procurar expulsar os ladrões de políticos que temos... Jamais. Só quando aparecerem novos Otelos e novos Capitães de Abril... E então o povinho, cobardolas, lá vai atrás.

Depois acontecerá o que acontece sempre, ou quase sempre. Esses Otelos e Capitães também vão fazer muita merda, como os anteriores na década de 70, outros políticos ladrões - ou até alguns dos de agora - surgirão com novas dialécticas. Haverá excessos como no tempo do COPCON e oportunistas como Ramalho Eanes... Tudo como antes, quartel em Abrantes.

O positivo desta perspetiva é que pode acontecer que o povinho folgue um pouco, como após 25 de Abril de 1974... E sonhe. Mas não passará de um sonho. Tudo porque os portugueses acarneiraram-se com o gene Salazarista e da igreja retrógrada de Portugal que pela sapa continua por aí. O gene está lá e a nossa má vida e a democracia quase inexistente está à vista.

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, também falou e disse. Quase tudo está certo daquilo que opinou, só que parece que se esquecem do povinho que temos: acarneirado e cobardolas. Um povinho que ao longo de décadas tem elegido as máfias partidárias de alternância, o PSD e o PS. Vai voltar a fazer o mesmo nas próximas eleições, com o agravante de que muitos se abstêm, nem votam, para sentirem que não participam no descalabro de elegerem o PS, o PSD ou o CDS, como se não existissem outros partidos a que nunca deram oportunidade de serem governo.

Afinal não é o povo quem mais ordena mas sim a manipulação e os milhões de acarneirados que continuam a aceitar sempre mais do mesmo para depois se lastimarem e irem fazer promessas à Fátima. Otelo e Marinho deviam lembrar-se disto e dizê-lo. Talvez conseguissem acordar algumas almas perdidas no mundo da bipolarização partidária, dita de alternância. Uma falsa democracia, uma ditadura de interesses e conveniências que tem a cara do PS, do PSD, e também (de que maneira!) de Cavaco Silva e seus "muchachos". Derrubar estes políticos só acontecerá quando se derrubar o gene acarneirado que subsiste nos portugueses. Esperemos que as novas gerações o consigam e que também derrubem o Sebastianismo. Que derrubem a falsa necessidade de se esperar sempre o "Salvador" da Pátria - coisa que Otelo e outros Capitães de Abril deixaram por alguns tempos que assim os encarnassem - com o mau resultado à vista, de merda.

Depois de Marinho Pinto ter invocado uma "greve à democracia"

Otelo acredita que pode estar na hora da democracia directa com que “sonhou” no PREC

LUSA - PÚBLICO

O estratega da revolução de 25 de Abril de 1974 acredita que a crise que o país atravessa poderá levar a que a democracia representativa venha a ser substituída por uma democracia directa, regime com que “sonhou” durante o PREC.

Otelo Saraiva de Carvalho, que participou sábado à noite, em Santarém, num colóquio sobre a canção que serviu de senha para o arranque da Revolução dos Cravos, disse à agência Lusa que é importante acompanhar o que está a acontecer na Islândia, que enfrentou a banca rota em 2008 e que está a viver formas de democracia directa, num processo que poderá ter “um desenlace profundo nas democracias europeias”.

No seu entender, os 37 anos decorridos desde a revolução não consolidaram totalmente o regime de democracia representativa que foi “imposto” a Portugal pela Europa Ocidental e pelos Estados Unidos da América.

“O meu sonho durante o PREC (processo revolucionário pós 25 de abril) começou a ser a possibilidade de instauração no país de um modelo novo de regime político que passava pela democracia directa”, pela criação de um “Estado de poder popular em que os partidos ficassem subalternizados”, à semelhança do que está a acontecer agora na Islândia, disse Otelo Saraiva de Carvalho à Lusa.

Para Otelo, o país está a assistir a “fenómenos importantes” a que é preciso estar atento, como as cada vez mais elevadas taxas de abstenção.

“O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, veio advogar greve da democracia e se ninguém votar como é que os políticos se acham com legitimidade para continuar a governar o país?”, questionou, frisando que estas “são ideias que vão aparecendo”.

Otelo disse acreditar que a “acção negativa da classe política que tem vindo a governar o país pode levar a circunstâncias que permitam uma alteração profunda disto”.

O “capitão de Abril” advertiu que se nada for feito para acabar com a “imoralidade da diferença salarial” existente no país, com gestores a receberem prémios de milhões e gente a ganhar menos de 300 euros, “o caldo está entornado”.

“Ou a classe política toma consciência da gravidade da situação ou pode haver uma eclosão social enorme”, declarou.

Otelo esclareceu o sentido do “sound bite” retirado da entrevista que deu a semana passada à Lusa -- de que não faria a revolução se soubesse como o país iria ficar -- assegurando que não está “absolutamente nada arrependido” e de que tem “um orgulho enorme em ter sido um dos protagonistas dessa gloriosa giesta”.

A frase surgiu “na sequência de se falar da situação atual, da juventude que está a emigrar por não haver aqui condições”, disse, em comentário às reações que a sua entrevista provocou.

Quanto à declaração de que só a perda de direitos dos militares poderia levar a um “novo 25 de abril”, Otelo reafirmou que as alterações ocorridas nos últimos anos nas forças armadas, com a profissionalização, e a tendência para a dissolução dos idealismos na sociedade levam a que só haja reação “se os direitos forem confiscados”.

“E vamos ver o que pode acontecer com a polícia e a GNR também, se começarem a tirar salários e a não pagarem salários. Aí cuidado”, advertiu.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

CAVACO, METIDO EM FALCATRUAS COM OLIVEIRA E COSTA? NEM PENSAR!


ANTÓNIO VERÍSSIMO - PÁGINA LUSÓFONA

Quem diria! Quem? Cavaco, a filha e Oliveira e Costa? E quem mais?

Quem diria! Quem? Cavaco, a filha e Oliveira e Costa? E quem mais? Cavaco Silva, a honestidade em pessoa, como por aqui tem sido dito... E agora, para além da SISA da casa da Coelha, no Alarve, sai mais esta "novidade". Que alarve.

Não nos precepitemos a julgar. Não! Malandro é aquele tipo do povinho que arrombou a caixa da pública cabine telefónica e lesou a PT em 223 euros. Prisão! O homem até estava roubar porque anda sem emprego, excluído, sem abrigo, carente de tudo, sem eira-nem-beira. Malandro. Prisão, já!

Aqui com o senhor Cavaco deve haver uma confusão qualquer. Nada de crime. Tudo legal... O costume. Um homem da direita, às direitas, regula-se pelo direito... de agir como acha que pode. Sempre legal, sempre a Bem da Nação!

Ainda agora a notícia vai no adro... Não tenhamos ilusões nem precipitações. Ler em baixo enquanto deixam, querem e podem publicar. Pois... Até breve.

Oliveira Costa vendeu a Cavaco e filha 250 mil ações da SLN perdendo 1,10 euros em cada

Margarida Cotrim - Lusa - 14 abril 2011

Lisboa, 13 mar (Lusa) - Uma testemunha revelou hoje em tribunal que o ex-presidente do BPN vendeu, em 2001, a Cavaco Silva e à sua filha 250 mil ações da Sociedade Lusa de Negócios, a um euro cada, quando antes as adquiriu a 2,10 euros cada à offshore Merfield.

Respondendo a perguntas dos juízes do julgamento do caso BPN, o inspetor tributário Paulo Jorge Silva disse "não ter explicação" para o facto de o principal arguido, José Oliveira Costa, ter perdido 1,10 euros em cada ação que vendeu a Aníbal Cavaco Silva e à filha do atual Presidente da República, Patrícia Cavaco Silva Montez.

O inspetor das Finanças, que participou na investigação, precisou que de um lote de 250 mil - de 1.750.000 de ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) que Oliveira Costa adquiriu à Merfield, em 27 de março de 2001, a 2,10 euros por ação - 100.360 ações foram adquiridas por Cavaco Silva e 149.640 ações por Patrícia Montez, em ambos os casos a um euro por ação, em 18 de abril de 2001.

© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
 
 

terça-feira, 12 de abril de 2011

NOBRE FOGE DO FACEBOOK POR FALTA DE COERÊNCIA E HONESTIDADE

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

FUGA DEMONSTRA COBARDIA POLÍTICA

Este Nobre é desnobre e foge logo às primeiras. Tal qual os PIDES que em 25 de Abril de 1974 pareciam ratos a fugirem do passado de sevícias que infligiram a milhões de portugueses no continente e nas então colónias. Negando sempre que podiam não ter pertencido à malfadada polícia fascista. Ou alegando que eram polícias de fronteira, escriturários… Cobardes, isso sim.

Este desnobre fugiu do Facebook como quem não quer a coisa, depois de ter demonstrado que afinal é mais um oportunista político que perante o aliciamento do sistema, agora representado por Passos Coelho, do PSD, adere a ele para tirar vantagens pessoais e manda às urtigas centenas de milhares de apoiantes que teve efetivamente nas últimas eleições presidenciais, em que se dizia contra o vergonhoso sistema político existente em Portugal, em que se dizia apartidário, em que se dizia prosseguir do mesmo modo e não perspetivar enveredar pelo caminho que enveredou, dececionando essas mesmas centenas de milhares e mais os que viriam e representavam um capital político assente no acreditar, em quem afinal não merecia.

Sobre esta reviravolta de Fernando Nobre, comentava Boaventura Sousa Santos, na TSF, que ele havia trocado um capital de confiança enorme assente na independência, na cidadania, por um prato de lentilhas que lhe foi oferecido pelo PSD. Nobre traiu ideais anunciados e jurados a pés-juntos mas teve uma forte razão para isso e veremos mais tarde como assim será.

O PSD e Passos Coelho, os barões banqueiros e grandes empresários, o sindicato de gradas figuras políticas conservadoras e até de saudosismos salazarentos adaptados à atualidade, não nomearam Fernando Nobre por acaso. E Fernando Nobre também não aceitou por acaso. Ao PSD convém ter Nobre e o seu capital eleitoral para agora e para daqui por cinco anos elegê-lo presidente da república, uma vez que Cavaco cumpre dois mandatos e já não pode concorrer. A Nobre isso interessa. Agora catapulta-se para presidente da Assembleia da República, acumulando benesses e mordomias. Depois ainda maior será o voo ao vislumbrar sentar-se por cinco ou dez anos na cadeira de Belém. Coisa nunca por ele sonhada de modo tão elaborado e provavelmente fácil. É aquilo que pode acontecer em pura e dura boa verdade. E quem age assim politicamente, traindo centenas de milhares, não pode ser boa rês. Provavelmente não há na história recente de Portugal maior golpe de rins que este. Aquilo que para Eça seria denominado o “esterco da política nacional”.

Contudo este aparente golpe de teatro pode não ter sido golpe de rins nenhum. Sabemos que Nobre sempre esteve próximo do PSD e da direita refinada. Quem nos garante que ao candidatar-se nas eleições presidenciais não obedecia a objetivos inconfessáveis e que estava tudo já alinhavado? A candidatura de Fernando Nobre nas presidenciais veio retirar a Manuel Alegre imensos votos e esse era um objetivo do agrado do PSD e do CDS, que apoiavam Cavaco Silva. Fernando Nobre, com a sua candidatura e campanha de ilusionista, serviu para contribuir para eleição de Cavaco por uns míseros cidadãos eleitores que legalmente o recolocaram na cadeira da presidência em Belém, independentemente da imoralidade que significa em padrões de ética democrática.

A ingenuidade dos eleitores e apoiantes de Nobre nas últimas eleições presidenciais deu lugar à revolta, às náuseas e vómitos. Isso mesmo tem sido expresso na página do Facebook por milhares dos então apoiantes. Foi disso que Nobre fugiu demonstrando a sua cobardia política e sem ao menos ter apresentado desculpas aos que manipulou. Uma prova, se atentarmos, de que ele sabia muito bem aquilo que podia acontecer caso as eleições antecipadas ocorressem ou noutro cenário que se desenrolasse. Plausivel.

Como se diz há muito em Portugal: A política é uma porca. Acrescente-se que só assim é devido aos porcos que lhe mamam nas tetas, porque existem e estão sempre a aparecer mais.

Sobre a indignação, já acima demonstrada, e a ausência de vergonha fica também em baixo à vossa consideração a prosa do Público:

Indignação continua no Facebook e no Twitter

Página oficial de Fernando Nobre desaparece do Facebook após críticas de seguidores

Hugo Torres - Público – 11 abril 2011

A candidatura de Fernando Nobre às legislativas de 5 de Junho, pelas listas do PSD, motivaram muitas críticas ao presidente da AMI no Facebook. A página criada para a corrida a Belém estava a ser inundada, desde ontem, com mensagens de seguidores desiludidos. Até hoje à tarde, quando desapareceu.

A comunidade que Fernando Nobre conseguiu reunir no Facebook, com mais de 39 mil seguidores, estava mesmo a aumentar esta manhã. Mas não para aplaudir a decisão: os utilizadores daquela rede social estavam a juntar-se à comunidade para poderem comentar no mural da página e veicular o seu desagrado.

Entre os comentários, encontravam-se vários que davam conta deste procedimento, antes de comunicar a “desilusão” que é para eles verem Nobre como cabeça-de-lista dos social-democratas por Lisboa. A página desapareceu entretanto do ar, tornando inacessível o historial de testemunhos desgostosos, mas também de alguns de apoio.

Certo é que mesmo sem essa página, os internautas arranjaram alternativas para publicitar o seu desagrado – desde a página pessoal de Fernando Nobre no Facebook às comunidades que vão nascendo nesta rede social (o exemplo mais popular é este, com mais de quatro mil seguidores).

O Twitter também está a servir de plataforma para fazer chegar críticas a Fernando Nobre, que nas últimas presidenciais conseguiu 14 por cento dos votos e está actualmente no Sri Lanka. Os internautas estão a direccionar os seus comentários para a conta @RecomecarPT, que remete para o lema de Nobre nas presidenciais.

domingo, 10 de abril de 2011

FERNANDO NOBRE É SÓ MAIS UMA AVE NO POLEIRO DOS ABUTRES

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

MAIS DEPRESSA SE APANHA UM MENTIROSO QUE UM COXO

"Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa, confirmou Pedro Passos Coelho na sua pagina no Facebook”, em Público e noutros órgãos de comunicação social.

E pronto. Aqui temos mais um artista contorcionista. Dos que se dizem prontos a lutar contra o sistema mas que são absorvidos pelo sistema. Dos que dizem que Portugal não pode continuar assim, neste descalabro, e que se contorce, vira-casaca, dá o dito por não dito, faz uma plástica e das verdades de ontem mentiras hoje. Lá vai, cantando e rindo, alinhado, alinhado sim, com o sistema que tanto criticou em campanha eleitoral para a presidência da república quando foi candidato. Fernando Nobre, digo, Desnobre, anunciou que aceita o convite do maioral do PSD do sistema se… Claro que quer ser cabeça de lista por Lisboa e até disputar a presidência da AR. Imaginem. Não fica em número 1 da República mas contenta-se em ser número dois.

E pronto. Lá perdeu a máscara mais um que ambiciona ser profissional da política e põe os cabelos em pé a muitos portugueses desiludidos que até acreditaram nele. Que se convenceram que ele estava de alma e coração a pretender combater o deboche que vai na política portuguesa. Conclui-se que afinal não. Que estava no faz-de-conta. Que estava a fazer o “frete” de esvaziar a candidatura de Manuel Alegre em prol de Cavaco Silva. Uma leitura lógica e verosímil. Pobre Cavaco que foi eleito por uma migalha de portugueses e que se tivesse dignidade não se alapava à legalidade para ser PR com tão poucos votos expressos a seu favor. Afinal quem é que o PR Cavaco representa? A maioria dos eleitores? Não. Desconfortável, mas “daqui não saio, daqui ninguém me tira, antes de “dar” a Portugal “um presidente, um governo, uma maioria”, como o PS. Para quê? Para se apoderarem ainda mais dos poderes e fazerem deste país bosta maior? Que raio de democratas são eles que só funcionam com maiorias, exercendo absolutismos que nos prejudicam? Democratas incapazes de escutar e disporem-se a fazer acordos de entendimento e de execução com opositores não são democratas mas sim absolutistas com graves e enormes tendências para ditadores. Eis o que Portugal tem nos políticos de hoje, de há anos a este tempo… Pelos vistos para se manterem e continuarem a apodrecer de mordomias e fazerem riqueza à custa dos que põem miseráveis e aos quase isso. Escroques, não me lembram outra classificação.

Desnobre vai na onda. Prometem-lhe a Lua. Sente que está com bastantes probabilidades de alcançá-la. Como penso higiénico político absorve as hemorragias da sociedade portuguesa e junta-se aos causadores das mesmas. Desnobre, para já e no futuro. Provou mais uma vez que na política, em Portugal e em muitos outros países, abundam os fulanos sem palavra, sem convicções, sem ideais… que não seja a de “tocarem e dançarem” ao som dos maestros e das músicas predominantes, impostas, nesta democracia deficitária, mais parecida com uma corporação mafiosa. Escroques políticos, no mínimo.

Ofereceram espaço ao contorcionista Nobre e ele vai no circo. A desilusão e indignação é de quem acreditou em mais um que num ápice passa de contestatário a concorrente a destacada ave no poleiro dos abutres. Mais um, a juntar aos imensos que ao longo destas décadas vimos fazer exatamente o mesmo. Talvez sem tanto descaramento e falsidade.

A servir: Notícia ainda quentinha. Cuidado com os vómitos.

Fernando Nobre é candidato do PSD à presidência da Assembleia República

Tolentino de Nóbrega – Público – 10 abril 2011

Fernando Nobre, presidente da AMI, será o cabeça-de-lista por Lisboa do PSD e será indigitado presidente da Assembleia da República se o partido ganhar as eleições.

O presidente da AMI aceitou um convite feito pelo líder nacional dos social-democratas, Pedro Passos Coelho, assumindo também o compromisso de ser também o candidato por este partido à presidência da Assembleia da Republica.

O ex-candidato à Presidente da República, que teve cerca de 14 por cento nas últimas eleições, em Janeiro passado, deverá divulgar nas próximas horas um comunicado a justificar a candidatura. Com a indicação deste independente, o PSD de Passos Coelho pretende dar um sinal de abertura à sociedade civil e à cidadania.

"Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa, confirmou Pedro Passos Coelho na sua pagina no FacebookO líder do PSD justifica a escolha do ex-candidato à Presidência da República argumentando que os resultados que Nobre conseguiu nas últimas eleições mostram que "existe um segmento expressivo de portugueses que acreditam na capacidade de regeneração da política".

Nascido em Luanda em 1951, Fernando Nobre veio em 1985 para Portugal, país das suas origens paternas. É doutorado em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente das cadeiras de Anatomia e Embriologia e especialista em Cirurgia Geral e Urologia. É fundador da associação humanitária AMI.

*Notícia actualizada às 15h58, em Público



domingo, 3 de abril de 2011

Eleições: OS ALDRABÕES DE SEMPRE ANDAM POR AÍ, ATÉ QUANDO?

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

A campanha eleitoral já começou. Começou no dia da tomada de posse do PR Cavaco Silva com o seu discurso calculado e foi confirmada por Passos Coelho e pela decisão de José Sócrates ao demitir-se no momento certo e em que ainda pode disputar os poderes tão almejados pelo PS, por Cavaco, pelo PSD, por Coelho e por Portas.

Não foi por acaso que somente um quinto dos portugueses eleitores votou Cavaco Silva e também se esteve borrifando para os restantes candidatos. É “tudo farinha do mesmo saco”, diz e sabe quem tem sido vítima daquela corja de falsários. Por isso, quase 55 por cento dos eleitores nem compareceu nas urnas de voto e cerca de 10 por cento votaram nulo ou em branco – o que dá no mesmo.

Conclui-se destes números que só cerca de 35 por cento dos portugueses eleitores deram aval à corja que se tem mantido à força nos poderes, deduz-se que esses sejam os portugueses que estão mais bem instalados na vida ou então alguns distraídos ou mentecaptos que vão nas loas de que votar é um dever cívico… Seria um dever cívico se os candidatos nos interessassem e os soubéssemos honestos, se os candidatos representassem interesse para o país. Como sabemos à partida que não é o caso, antes pelo contrário, o dever cívico é rejeitar os candidatos que se propõem. Queremos mudança. Estamos fartos de ser roubados por uma corja de políticos que só olham para os seus umbigos, das suas famílias e comparsas que lhes ofereçam vantagens. Esse é o sentimento dos portugueses que maioritariamente não votam, votam nulo ou em branco, deixam “mensagens” nos boletins de voto a chamar-lhes nomes muito feios que incluem as suas mães (coitadas), sendo que “ladrões” é um dos epítetos mais benevolentes. Porque fazem os portugueses tal “desfeita” aos políticos que concorrem às eleições?

Os motivos estão afetos aos comportamentos de uma classe que não merece o menor crédito e que teima em não ser renovada, querendo enganar-nos ao fazer avançar candidatos “novos” fabricados por eles próprios, os autores e condutores da situação penosa a que chegámos. Os que se iniciaram na política aproveitando a instauração da democracia em Abril de 1974 não largam o “osso” e mesmo já velhadas instalaram-se como eminências pardas nos gabinetes dos partidos políticos, nos gabinetes dos governos e da Assembleia da República, nas sombras dos poderes de decisão. Quase 40 anos volvidos, eles lá estão, apesar de terem caído de pára-quedas a saudar o 25 de Abril libertador, quando sabemos que eram abnegados ou consentâneos servidores do sistema ditatorial salazarista. Nestes anos, quase 40, o que têm feito é acumular riqueza e mordomias que são pagas por todos os portugueses, desde os mais desafogados financeiramente aos que nada têm e por via deles têm muito mais miséria – provavelmente nunca nada terão de seu. Encontramos nesse caso Almeida Santos, do PS. Só um exemplo, mas são muitos mais profissionais da política que têm toda a responsabilidade pelo estado de miséria a que chegámos, Cavaco Silva incluído – e de que maneira!

Principalmente o PS, o PSD e o CDS, que têm partilhado os poderes, guardam nas suas fileiras toda a responsabilidade do fracasso da Nação. Bem podemos esforçar-nos e trabalhar que nem mouros que o resultado é sempre o mesmo: a miséria senta-se à mesa e deita-se na enxerga connosco, passeando-se ao nosso lado por onde quer que andemos.

Cerca de 70 por cento dos portugueses estão à rasca. 20 por cento já a experimentar fome e a caminho do desabrigo. São várias gerações. Muitos nem sequer querem reconhecer a realidade das suas depauperantes situações e enveredam pelos caminhos do “salve-se quem puder”, que só beneficia, eventual e temporariamente, os que escolhem esses caminhos, mas principalmente estes políticos falsários, parasitas oportunistas que julgam que em terra de cego quem tem olho é rei. E lá vão roubando-nos a cidadania, a dignidade, a democracia, a justiça, sorvendo até ao tutano, insensivelmente, o que nos resta, a própria miséria. São piores que abutres, já que esses deixam ficar os ossos depois de os descarnarem metodicamente.

São esses mesmos, esses piores-que-abutres, ainda visíveis ou já nas “sombras” dos poderes, que se mantêm a concorrer a mais estas eleições legislativas que se vão realizar em 5 de Junho. Aparentemente apresentam mudanças, caras supostamente novas. É o caso de Passos Coelho, no PSD. Um filho-querido-da-vitória, de Cavaco e dos barões laranjas e quejandos, um fabricado na JSD, que até agora não disse concretamente o que propõe para “salvar” o país. Nem o fará com honestidade quando da apresentação do programa eleitoral que prometeu apresentar até princípios de Maio. E não o faz porque a sua proposta será igual à do PS, mais coisa menos coisa. Mesmo que diga que despojará o Estado dos inúmeros boys e girls despesistas, agora do PS – menos Estado, menor despesa – o certo é que vai ter de colocar lá os boys e girls do PSD que já se perfilam na sede da Lapa e noutras sedes do partido, tal qual hienas que já cheiram a carniça. E tudo volta ao mesmo. Se é o PS ou o PSD, ou o CDS, ou outro qualquer, pouco nos importa. Passos Coelho é um produto fabricado e contaminado por tudo aquilo que já conhecemos e de que já fomos e estamos a ser vítimas. Queremos mudar. Os portugueses têm de se lembrar que precisamos de mudar e salvar Portugal deste exército de malfadados políticos que se organizaram à laia de máfia e que não nos deixam de sugar, provavelmente até à aniquilação.

Sem escrúpulos eles voltam a calcorrear os caminhos das campanhas eleitorais, sem dizerem nada de novo mas pretendendo que o dizem. Nem serão novas as mentiras que têm constantes nas campanhas eleitorais e que não faltarão nestas. De Belém a São Bento, da Lapa PSD ao Rato do PS, os mesmos aldrabões de sempre andam por aí, até quando?

Uma percentagem tão enorme de portugueses que não votaram significa que pretendemos uma mudança radical dos políticos e das políticas nacionais. Só que eles, agarrados aos poderes como têm estado, fazem que não entendem. É imoral que um indivíduo como Cavaco Silva se escude na legalidade legislada por os da sua “espécie” para fazer vingar e exercer a presidência da república sabendo que foi eleito por somente um quinto dos eleitores. Para a maioria dos portugueses a sua representatividade de facto está em questão.

sábado, 2 de abril de 2011

MPLA-JES PRECISA DE PAZ PARA ROUBAR… OU SENÃO…

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ANTÓNIO VERÍSSIMO

Quem por razões de pesquisa sobre notícias que possam informar sobre a manifestação (ou marcha) convocada para hoje em Luanda por jovens angolanos e outros opositores democráticos e pacíficos ao regime ditatorial de Eduardo dos Santos-MPLA, ou por razões de hábito, visitar o portal da Angop-Angola Press, pode constatar que naquela agência de notícias enfeudada ao referido regime a palavra PAZ é uma constante. Declarações oficiais e iniciativas anunciadas têm como pano de fundo a PAZ. Sintomático.

A desonestidade do regime vigente e imposto em Angola não tem a característica de nos deixar perplexos na sua postura porque já sabemos como funcionam os hipócritas que se usam dos povos e dos seus legítimos bens, que em Angola vão do petróleo aos diamantes, entre outros. Os afetos ao MPLA-JES falam de PAZ ameaçando e talvez preparando a GUERRA. É assim em Angola como tem acontecido em outras partes do mundo em que os povos pretendem sociedades justas, livres de repressão, da corrupção e roubos, democráticas e que possuam estados de direito legítimos reconhecidos nas suas práticas. Esse não é o caso de Angola. Segundo as práticas do regime MPLA-JES os roubos ao povo angolano, concretizados ao longo de décadas, refletem-se nos poderios económico financeiros dos familiares, amigos e comparsas de José Eduardo dos Santos.

Quando a palavra PAZ e as iniciativas anunciadas pela comunicação social angolana serva de JES-MPLA são tão proficuamente constantes isso significa que o regime imposto em Angola está a dizer em português vulgar “ou estás quietinho ou levas no focinho”. Disso mesmo tem dado provas nas repressões aos seus opositores. Sejam eles jornalistas, advogados ou simples cidadãos do povo carenciado e discordante de tanta espoliação aos angolanos.

O MPLA-JES precisa de mais tempo. Quer mais tempo no poder para… roubar. Isso, a PAZ, ou a GUERRA se não lhe derem esse tempo a bem. Afinal, o modelo é useiro e vezeiro das práticas dos ditadores e elites associadas que espoliam sem escrúpulos os povos.

Sobre o que se passa em Luanda, relacionado com a manifestação – desta vez aparentemente autorizada pelo regime mas confinado a um espaço fechado – aguardamos notícias concretas e fiáveis que nos possam esclarecer sobre como está a decorrer. A informação neste momento, de nossas fontes, relata que a adesão não está a ser significativa devido ao medo das populações, não havendo referências a atos violentos, somente alguma “pressão ostensiva por parte das polícias… e a comprovada manobra do regime anti-democrático MPLA-JES em nos querer tranfiar num parque fechado anexo ao local onde antes nos autorizaram a manifestarmo-nos…”

Voltaremos ao assunto mais tarde.

A título de mostra ficam aqui inseridos os títulos que podem encontrar em Angola Press de há momentos e onde abunda a palavra PAZ, que neste caso tem por significado … SENÃO, A GUERRA.

OS TÍTULOS EM ANGOLA PRESS:


sexta-feira, 1 de abril de 2011

NÃO HÁ BEM QUE SEMPRE DURE, NEM MAL QUE NUNCA ACABE

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Cavaco, da tanga da casa da Coelha, e o “socialista” Gama, o tal que anda com uma perna num BMW topo de gama… e outra perna noutro, dois. Uma fartazana de gamanço.

ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

O tempo está de crise… para os de menos recursos – não me lembro de um dia, uma hora, um minuto, um segundo, em que o tempo para esses não fosse de crise. Só agora é que o tempo está de crise para a classe média-baixa e média-alta (alguns)… e então não se fala de outra coisa. E é uma chatice do caraças!

É pena que os das ditas classes média nunca se lembrem dos que estão permanentemente em tempos de crise. Porque quando não estão, já não há crise. Nem se fala de crise nesses tempos! Para os que estão sempre em crise é que é fodido!

E é isso, fodido, porque até muitos dos seus parentes mais próximos da média-baixa os desprezam e lhes metem o rótulo de pobrezinhos e fazem deles gato-sapato por todo o lado, chegando mesmo a dispensar-lhes olhares de desdém. É o ser humano (desumano) no seu pior.

Bem, mas agora há mesmo crise. Agora é que é. Porque muitos mais estão a sentir aperto financeiro fala-se na crise. Indignam-se com a crise, indignam-se com o governo dito socialista de Sócrates esquecendo-se que até votaram nele nestas últimas eleições legislativas dando-lhe uma maioria simples e repetiram a dose de oportunidade de um mentecapto que precisa de fazer psicoterapia avançada voltar a ser primeiro-ministro. O mesmo ainda há dias aconteceu no PS quando voltaram a votar nele para secretário-geral com uma margem abastada de 94 por cento, concluindo-se daí que socialistas mesmo, por lá, pelo dito Partido Socialista, já só devem restar seis por cento. O resto é chularia que aprova e quer manter o vigarista no topo do partido para verem se continuam a pendurar-se nos lugares de boys e girls que dão milhares de euros todos os meses… e mais uns quantos cambalachos à conta dos que passam a vida a pagar as crises.

É assim que dá para recordar o que hoje vem em parangona no jornal Correio da Manhã e em título do Público: “Carris: administração recebeu viaturas topo de gama em ano de buraco financeiro de 776,6 milhões”. Não vão mais longe porque terei o cuidado de apensar aqui mais em baixo a notícia integral através de um simples copy paste.

Lá vêm os nomes de gestores e outros estupores que gozam à conta das carências dos outros umas ricas vidas. Neste caso são parasitas da Carris. Boys e girls do PS? Perguntar para quê? Decerto que não estão ali pelos seus lindos olhos, nem pelas eventuais verrugas nos traseiros. Nem elas por oxigenarem ou raparem os pelos púbicos e fazerem plásticas de aperto e embelezamento lá na "coisa" (tal é a rodagem)…

Se isto ofende, mais ofende o desplante de andarem de cu tremido em carros de luxo enquanto para milhões de portugueses só sobra o lixo. Lixo que muitas das vezes serve para fazer triagens e de lá sacar comidinha. Ide à noite ver as centenas de portugueses por esse país fora que vai “rapar” o lixo dos supermercados ou de restaurantes à procura de algo para se alimentarem. Mas aqueles merdas não têm vergonha, nem remorsos, nem um pingo que seja de sentimentos solidários. Têm, isso sim, a ambição de evoluírem socialmente atropelando tudo e todos, se necessário roubando e, quase sempre, parasitando.

Não é preciso pôr mais na escrita. Chega. Dá para perceber a razão porque este país fede tanto a podridão. Nem nos resta a consolação de que os ditos socialistas vão embora do governo e regressamos à honestidade na política e nas contas públicas. Não, porque a seguir vão para lá outros que são iguais e que como os anteriores estão nos poderes para se servirem e servirem as clientelas partidárias e outras. Boys e girls qb, sempre. Vão mudar as moscas mas a merda vai continuar. Com o agravante de sabermos que temos de gramar com a crise e continuar a pagar vencimentos imorais aos políticos, aos gestores, aos penduras todos que convenham às estirpes de Passos Coelho, de Cavaco Silva… e os mais que vierem que os sirvam e saibam servir-se. Na AR vão continuar os gajinhos penduras e chupões que se reformam em uma dúzia de anos, que recebem mordomias como nababos e produzem cuidadosamente para os interesses de alguns, principalmente dos lobies a que pertencem ou que lhes dão razões de vantagens imediatas ou futuras. É fartar vilanagem. E a carneirada vai votar novamente neles, acreditando nas suas loas. Esses são os principais responsáveis por Portugal ter estes políticos chupistas de merda a dominar os poderes que nos prejudicam. Assim, os da mó de baixo jamais deixarão de estar em crise… Mas esses quase nunca votam. Até sabem que votar em merda cheira mal e desse mau cheiro já eles estão fartos por andarem aos caixotes… do lixo.

Fartem-se vilões! Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. O adágio está certo, pode é levar tempos demais a cumprir-se.

*Nota: Desculpem algumas palavras mais deselegantes mas a indignação já transborda. É evidente que nesta e noutras prosas excluem-se os homens e mulheres honestos e bem-intencionados que estão envolvidos na política nacional. São poucos, mas existem.

Carris: administração recebeu viaturas topo de gama em ano de buraco financeiro de 776,6 milhões

PÚBLICO

A Carris alugou no ano passado quatro novas viaturas topo de gama para o seu presidente e administradores, suportando um valor de cerca de 4500 euros mensais com o aluguer dos veículos. A empresa pública, que tem 2010 teve capitais negativos de 776,6 milhões de euros, explica que a decisão cumpre o estabelecido pela Comissão de Fixação de Vencimentos.

O relatório de contas da Carris de 2010, citado pela edição de hoje do “Correio da Manhã”, indica que o presidente da Carris, José Manuel Silva Rodrigues, e os vogais da administração Fernando Jorge Moreira da Silva, Maria Isabel Antunes e Joaquim José Zeferino receberam as quatro viaturas das marcas Mercedes, Audi e BMW no ano passado. A acrescentar a esta lista há a viatura da também administradora Maria Adelina Rocha, que conduz uma viatura paga pela empresa desde 2008.

Ao diário, a Carris indicou que os veículos foram “alugados em substituição de viaturas entretanto abatidas” e que “todas as viaturas estão regime de ALD [Aluguer de Longa Duração]”. De acordo com a empresa, o “valor mensal das rendas pagas, para as cinco viaturas, em 2010, foi de 4514 euros”, incluindo manutenção e seguro. O valor comercial das viaturas ronda os 176 mil euros. A empresa sublinha que o aluguer foi feito “em cumprimento escrupuloso do determinado pela Comissão de Fixação de Vencimentos”.

Esta semana foi divulgado que os capitais próprios da Carris estão negativos em 776,6 milhões de euros e que a administração da empresa pública teve um aumento nos vencimentos em 2010. O resultado líquido da Carris foi novamente negativo no ano passado, agravando-se para 42,3 milhões de euros.

Quanto aos custos com pessoal, a administração da Carris recebeu um total de 420.556 euros em 2010, traduzindo-se num aumento nos vencimentos dos cargos de topo de quase 33 mil euros em comparação a 2009, apesar dos cortes salariais decididos na administração pública. O presidente da Carris aufere mensalmente 6577 euros brutos. Cada vogal da administração 5727 euros.

domingo, 27 de março de 2011

DITADURA DOS MERCADOS – A FOSSA GLOBAL FEDE!

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

Sobre os acontecimentos nacionais, europeus e até mundiais, quase que não precisamos de nos actualizar e darmo-nos à tarefa de consumirmos aquilo que vem nos jornais, revistas, ouvirmos os noticiários na rádio ou na televisão, para sabermos sobre a lástima em que os povos do mundo estão a sobreviver. Valha-nos para consolo a Revolta Árabe ou, se quisermos, a Revolta Muçulmana.

Na Síria as elites tiveram agora o desplante de dar por findo o Estado de Emergência declarado e em vigor havia quase 50 anos. Bolas que é demais! Decerto que ao decidirem tão “afoita medida” se sentiram uns “mãos largas”, uns “deuses”, quando afinal não passam de dejetos humanos que oprimem milhões. Este é o grande problema das elites. São merda, fazem merda, dizem merda e acham-se “deuses”, alegando com mentiras que é tudo a bem dos povos e das nações. Na verdade não são menos que uns grandessíssimos vigaristas, intrujões, egoístas, fascistas ou comunistas – porque entre uns e outros venha o Diabo e escolha, não existem grandes diferenças práticas, só na teoria!

A evidência da realidade Síria, daquele exagero, decerto que a maioria dos povos ignorava. 50 anos a sobreviver em Estado de Emergência é inadmissível, intolerável, mostra quanto os das elites são capazes para subjugar os povos. Através de pretextos e contextos que dramatizam procuram encontrar as justificações para se servirem e conterem os povos, dominá-los e explorá-los. É assim na Síria e um pouco ou muito por toda a parte.

Vimos em Portugal a caminhada regressiva que as elites nos têm imposto a partir da noite de 25 de Abril de 1974, ainda mal refeitas das benesses exclusivas que haviam perdido. Vimos os que então contestavam o regime fascistóide Salazar-Marcelista e que até haviam sido perseguidos por esse regime, tomarem os seus lugares, estabelecerem-se como elites e de imediato, sob a falsa defesa da democracia, da liberdade, da paz, e etc., laborarem na construção de uma sociedade subjugada, progressivamente subjugada e condenada à exploração desmedida em beneficio desses “democratas”, refugiados em confederações, em partidos políticos que não são menos que associações criminosas por via dos bandidos de topo que as constituem e que formam sociedades secretas que pugnam pelos seus benefícios e mordomias exclusivas em prejuízo dos portugueses. Quanto maiores os partidos políticos são em termos de representatividade - conseguidas através de repugnantes mentiras eleitorais e/ou sistemáticas – mais afoitos se tornam na roubalheira e na tomada de medidas “inteligentemente” impostas sob o falso pretexto da defesa da democracia e do país. Quando sabemos, pelo menos há uns quantos que sabem e denunciam, que tudo que engendram se destina a implementar medidas de proveito próprio para as elites a que pertencem. É uma minoria que progressivamente vem subjugando a maioria, o povo, os portugueses, os povos do mundo. Uns quantos fazem-no conscientemente e outros nem por isso, alinhando por razões de egoísmo e de proporcionar bem-estar às suas famílias e amigos, seres fúteis – o que vai dar no mesmo.

A tudo isto a ONU chama democracia e considera que nesta Europa os Direitos Humanos estão preservados e são respeitados, isso mesmo assim é considerado pela ONU, na Europa, nos EUA… A ONU, desde que se façam umas eleições mal-amanhadas – como no caso de Angola e de muitos outros países do mundo – já considera que os povos vivem em democracia e que os Direitos Humanos estão a ser respeitados. Se Eduardo dos Santos está no poder presidencial há 32 anos isso não interessa nada (ele até diz que em breve vão haver eleições presidenciais, que se prevêem mal-amanhadas). Pois então o maior “cancro” mundial está exatamente na ONU. Somos levados a considerar assim. A ONU aprova o que os EUA deixa aprovar. Vimos isso sobre todas as medidas que são goradas contra a nação assassina israelita. Vimos isso sempre que serve ou não serve aos interesses políticos e económicos dos EUA.

A Ditadura dos Mercados de que somos vítimas e em que nos estão a obrigar a sobreviver por todo o mundo, subjugando-nos, tem o conluio dos políticos. Podemos até tomar em consideração que os políticos não chegam ao topo da pirâmide da elite se aqueles que controlam os mercados assim decidirem. Em Portugal tivemos e temos Sócrates, como antes Durão Barroso – depois ainda mais compensado com lugar de topo na UE. Que lugar de topo europeu ou mundial está reservado para José Sócrates? Sabemos que em Portugal já se perfila Passos Coelho, pela mão de Cavaco Silva, para representar os interesses dos Mercados e a sua repelente ditadura. Sorte, coincidência… Nada disso. Não por acaso, ditam os Mercados, agora até vai dar muito jeito “Um Presidente, Uma Maioria, Um Governo”. “Democraticamente”, através de grandes lavagens ao cérebro pelos meios de comunicação social e declarações de “sapientes” analistas, chupistas, comodistas, pseudo-jornalistas e outros istas, os portugueses vão ficar com a cabeça feita para cumprir o resultado desejado. Aliás, não é por acaso que a tão apregoada “alternância” nos poderes mundiais se resume a dois partidos políticos na maior parte dos paíse ditos democraticos. Ai de quando os povos tomam outras decisões. Claro que o Mercado tem vários antídotos para resolver essas “crises” pontuais em países que não passam de “salpicos desobedientes” nesta ou naquela outra parte do globo. Pena é que depois tudo acabe por redundar em ditaduras – caso de Cuba. Cuba é um caso triste e perdido por responsabilidade de Fidel e das elites que o rodearam e rodeiam. Ele, Fidel, é tão responsável da “nódoa” de Cuba, agora, como meritório do louvor e da responsabilidade de ter libertado o país do Baptistismo Norte- Americano, ou imperialista, como ele prefere dizer. Agora é tarde para fazer melhor o que devia de ter sido feito há muito tempo. Por isso Cuba, os cubanos, vão passar pela “liberdade” de serem subjugados pelo Mercado depois de terem sido subjugados por dois irmãos estúpidos chamados Castro. Mais cedo que tarde Cuba dará muito que falar e o cor-de-rosa que nos mostrarem será negro. Tão negro como a “liberdade” e o “poder do povo” do comunismo da ex-União Soviética e satélites – Cuba incluído. Comunismo? Fascismo? Na prática qual tem sido a diferença? Nem Estaline nem Fidel saberão explicar cabalmente. E nós, no “mundo livre” vivemos em democracia?

Povos de todo o mundo. Se continuarmos a “deixar andar” estamos fodidos!

Muito se pode dizer e escrever sobre tudo isto. O meu saber e registo fica pela rama mas creio que importa mais este alerta para os menos avisados. A fossa nacional fede, a europeia tresanda, a global fede tanto que em circunstância alguma devemos esquecer!

sexta-feira, 25 de março de 2011

ADEUS SÓCRATES, CAVACO JÁ TIROU O COELHO DA CARTOLA

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

SÓ VÃO MUDAR AS MOSCAS, O CHEIRO NAUSEABUNDO É O MESMO

Estamos no fosso, na fossa. Os portugueses, Portugal, deparam-se com a maior crise económica de que há memória. Analistas consideram que nem no século 19, em crise de elevado grau, se chegou a este descalabro. Estamos na fossa mas ainda vamos mergulhar mais com o despoletar desta crise política. Sócrates devia de ter sido demitido há muito mais tempo ou, quando da formação do governo, após as últimas eleições, Cavaco Silva devia de ter procurado a formação de um governo de aliança, ou entendimento, entre o PS e o PSD, já que é tão conservador. A ele, PR ainda em primeiro mandato, cabem imensas responsabilidades por toda esta crise política do momento, fruto dos seus interesses partidários, do seu egoísmo e displicência relativamente ao interesse nacional. Igualmente a Cavaco cabem agora responsabilidades acrescidas pelo despoletar da inconveniente crise política com a demissão de Sócrates. Na tomada de posse para o segundo mandato teve um discurso incendiário que mostrou as suas intenções quanto ao seu timing, convencido que está de que o PSD vai arrancar uma maioria absoluta nas eleições que estão para breve, agora que Sócrates se demitiu do cargo de primeiro-ministro e vai haver eleições. Cavaco mostrou a sua personalidade obtusa, mesquinha, doentia e oportunista – no mínimo – marimbando-se na verdade para o interesse nacional. É isso que, sem dó nem piedade, se lhe deve apontar. Quis, e conseguiu, malbaratar o PS lentamente, para dar tempo a que o PSD se organizasse como achava que devia e assim usar a sua enorme ascendência sobre Passos Coelho, previsível primeiro-ministro após as eleições que se seguem. Razão porque só agora Cavaco tirou o Coelho da cartola. Esta é a atitude de um PR que usa métodos sinuosos na política que lhe convém e aos seus próximos e não na política que convém a todos nós, ao país. Não foi por acaso que nestas eleições presidenciais mereceu o desprezo de quatro quintos do total dos eleitores portugueses. Não é por acaso que é o presidente da república em exercício que foi menos votado nos últimos 35 anos. Não é por acaso que sentimos que não nos representa. Provavelmente ele também o sente, acomodando-se na oportunidade que a legalidade construída na Assembleia da República lhe proporciona, apesar de imoral e inadmissível. Talvez também por isso Portugal tenha um PRzinho de uma republicazinha. Melhor que ninguém ele o saberá, nunca o confessando por ser um denodado adepto dos tabus.

Provavelmente até os animais de estimação e os seus parentes pobres, os vadios, sabiam que este governo de José Sócrates, do partido dito socialista, devia ter terminado a governação obtusa no final do mandato e que apesar de ter sido o mais votado nas eleições legislativas não reunia as condições para governar sozinho, pelo péssimo passado e pela crise mundial que já existia. Quis Cavaco, PR ainda com alguma representatividade eleitoral do primeiro mandato, fazer os seus “joguinhos”, indigitando José Sócrates em PM de governo minoritário. Se Sócrates antes já governara mal, Cavaco proporcionou-lhe que mostrasse o seu pior. Eis o resultado.

E agora? Agora demitiu-o. Depois de um jogo cobarde e cínico de toca-e-foge. E agora, espera-se pelos prejuízos e inconvenientes de não ter tomado a decisão devida atempadamente e ter escolhido causar a demissão do governo no pior momento. É por demais evidente que Coelho e Cavaco estão em sintonia. Enquanto isso os portugueses, estão encostados à parede, com o estômago encostado às costas, e vão novamente a eleições legislativas para cumprir o planeamento do PR (de um quinto dos portugueses) e levar ao colo o desconhecido Pedro Passos Coelho com a auréola de salvador. Coelho, ilustre desconhecido nestas coisas de governação. Bem conhecido do PSD, quando menino da JSD, de que não saiu há tantos anos quanto isso.

Pedro Passos Coelho, da política suja que é praticada em Portugal, deverá conhecer tudo e o que desconhece, por ter andado eclipsado por uns quantos anos, facilmente adquirirá em formação acelerada, ou até tudo lhe é inato. A um porco não é preciso ensinar a grunhir, nem a um cão a ladrar ou a um bode a marrar…

Tirando as eventuais acções de cambalacho de Sócrates, nunca provadas, Passos Coelho parece ter tido sempre um comportamento quase exemplar a vários níveis. Porém, não devemos colocar as mãos no lume por ele. Cavaco também sempre nos inspirou confiança mas vimos o que aconteceu com a casa da Coelha, em Albufeira, sendo referido como provas que o Fisco saiu ludibriado relativamente ao pagamento da sisa – porque pagou sobre uma casa em projecto que não corresponde à casa que adquiriu e onde habita. Pois é, naquele que julgamos ser o melhor pano cai a nódoa. E quem faz um cesto… Sobre Passos Coelho vamos esperar para ver, partindo do princípio que vamos descansar das tricas e laricas referentes a Sócrates. Nada mais desconfortável que saber que somos reféns de políticos apontados em práticas de maiores ou menores barbaridades, como o Caso Freeport, o diploma passado a um domingo e sabemos lá que mais, sobre Sócrates. Agora descansemos disso, ao menos por uns tempos. Se é para continuar... o tempo o dirá.

Passos Coelho poderá parecer e até ser honesto em determinadas vertentes mas sabemos como são os políticos e como esgrimem as palavras. Como dão o dito por não dito “porque o que queriam dizer não era exactamente como interpretámos”. Desonestidades comuns naquela terrível espécie. E já temos uma sobre Coelho. Sobre o aumento de impostos em que dizia há pouco tempo atrás não concordar mas que agora, perspectivando vir a ser primeiro-ministro, foi invadido por amnésia e já admite que aumentará o IVA. Ora se o IVA não é um imposto o que será? E vai “emagrecer” o Estado? Quer dizer aquilo que é evidente: vai fazer despedimentos e passar serviços públicos para as mãos de privados - uma pretensão antiga - sabendo-se que quase sempre que fazem isso os prejuízos dos cidadãos mais carenciados saem muitíssimo prejudicados. O que não disse foi que vai implementar e aumentar impostos aos banqueiros (porque não vai) e ademais mega empresários com que se reuniu mal se sentou na cadeira da Lapa, na cadeira de maioral do PSD. Reuniu com esses mas nunca com trabalhadores, com os sindicatos, por exemplo. Nunca com os que produzem riqueza para o país ou que já produziram, os reformados – não os reformados de três e mais reformas, seus pares e mentores, com quem convive e bem conhece desde rapazola. Logo naquele momento, nos primeiros dias, demonstrou as suas preferências no diálogo e convivência. Um mimo de democrata que ambiciona ser um napoleónico “filho querido da vitória” de Cavaco. E será. E será… se conseguir maioria absoluta nas eleições a realizar em breve.

Que português algum se iluda sobre os sacrifícios que a partir de muito em breve nos vão ser exigidos. Refira-se que os portugueses aqui mencionados são os que pagam sempre as crises, não aqueles que nunca o fazem; aqueles que são os amestradores de muitíssimos políticos, a que também dão a definição de mega-empresários, banqueiros e eteceteras…

Vêm aí dias muito difíceis. Dias? Não. Anos. A sofreguidão dos da alta-finança é insaciável. Vivemos numa ditadura dos mercados. Passos, como Cavaco, como outros do PSD, são muito mais emparelhados com esses do que aquilo que possamos imaginar. Até por isso a nossa vida não vai ser nada fácil, antes pelo contrário. Não esqueçamos também que por detrás de Passos Coelho está um barão do PSD de muitíssimo peso: Ângelo Correia. Uma eminência parda que é eivado de conservadorismo, “mexe” na política e na alta-finança como boleiro nas massas. Amigo do peito de reis árabes e de muitas outras figuras internacionais de alto-relevo. Tudo da “Alta”. Tudo daqueles que já perderam a capacidade de olhar para baixo, para os explorados-governados de mais baixo estrato social devido a responsabilidades dos que até agora têm vindo a depauperar este país com reformas aos oito anos de deputados na AR – depois passou para 12 anos (três mandatos) quando o regime geral é de vinte anos. Quantas reformas aufere Ângelo Correia? Passos Coelho, enquanto deputado, que serviu em fase em que se podia reformar aos oito anos de exercício de deputado (dois mandatos) não o fez. Também, seria escandaloso, era então um quase-ainda-menino. Não aufere reforma alguma, como já disse. Decente. Positivo. Não podemos dizer o mesmo de muitos outros, nem Cavaco Silva. Com 67 anos aufere duas ou três reformas (a saber). É daquela espécie humana que quando ainda está na barriga da mãe já trabalha e desconta para a reforma. Negativo. E vá-se lá entender o “milagre”. Pior ainda, porque há imensos políticos e afins naquelas circunstâncias. Também por isso o sistema vem falindo. Para quando acabar com estas imoralidades? No tempo de Passos e de Cavaco não será, com toda a certeza.

Não foi aqui abordada a clientela do PSD porque é igual à do PS. Praticamente tudo como antes. Antes eram boys e girls. Agora passam a ser bois e vacas. Sem ofensa e sem diferença.
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sexta-feira, 18 de março de 2011

ASSIM SE FAZ PORTUGAL – POUCOS BEM, MUITOS MAL

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

UM COELHO PORCO, FENÓMENO À PORTUGUESA

O debate quinzenal que está neste momento a acontecer na Assembleia da República de Portugal, em que o governo de Sócrates, primeiro-ministro e líder do partido dito socialista, está a apresentar o PEC, mais conhecido por Programa de Enriquecimento dos Capitalistas, teve à priori o anúncio de que não vai ser aprovado por Coelho, líder do dito partido social-democrata. Assim sendo será aberta uma crise política imensurável em Portugal. Maior que a que já está a dar origem à fome em Portugal.

É disso mesmo que José Sócrates se está a queixar. Que vai ser aberta uma crise política porque o PSD quer. Sócrates não se queixa por causa da fome que os portugueses já estão a passar. Isso não. O traste não se preocupa com coisas “menores”.

Saliente-se que Sócrates está mesmo a encostar à parede o lider do PSD, Coelho. Ele mostra por A mais B que Coelho é porco, isto em palavras caras, cheias de rodriguinhos e merdas que vincam bem a hipocrisia que os sustenta naquela malfadada casa onde os parasitas, a que chamam deputados, se divertem com oratórias hipócritas e de conveniência à custa do povo esfomeado, desempregado, acarneirado, enganado, e pagante daquele circo (no mau sentido) que nos sai por milhões de euros anuais para que mais de 200 mamões vivam cheios de mordomias e a esbanjar à fartazana.

Em acerto implícito entre os PSDs Cavaco – presidente eleito por um quinto dos portugueses eleitores – e Coelho, está chegada a hora de a direita mais ressabiada tomar de vez o poder, para assim ainda melhor servir os grandes das finanças a quem servem. Ontem Coelho encontrou-se com Cavaco e anunciou que não mais apoiará PECs ou o que quer que seja vindo do governo Sócrates. Pois ficou claro que Coelho não tem sido mais que um arguto porco à espera do momento para avançar na tomada do poder, não o tendo feito antes, causando uma crise política, por obediência ao objectivo de permitir que Cavaco não fosse prejudicado com a sua reprovação ao PEC anterior que Sócrates pôs em prática e nos tem tramado. Um partido, um governo, uma maioria, é o objectivo perseguido e sonhado pela direita cavaquista. Parece que será desta vez que o vão conseguir. Vem a crise política com a reprovação do PEC hoje em discussão, vai acontecer a demissão do governo Sócrates por vontade própria ou por decisão de Cavaco, e os portugueses vão respirar de alívio julgando que Coelho irá fazer melhor. Vão dar-lhe o beneficio da dúvida ou até confiar cegamente e eleger com maioria o PSD. Coelho em primeiro-ministro e Cavaco presidente da república, apesar de minoritário… Ai de nós. De nós, os “perrapados”. O “mexilhão” vai tramar-se ainda mais e quando disso se aperceber já será tarde. Ocorre que o “mexilhão” é a maioria de votantes e estupidamente arranja sempre “lenha para se queimar” ao votar na cambada de parasitas que enxameiam os partidos da alternância, PS e PSD. Alternativas? Haverá. Pensem, reajam, destituam os que nos têm enganado por largas décadas. Saibam dar uma lição aos donos dos boys cavaquistas, psdista, socialistas e aos oportunistas que se lhes vão colando e engordando à nossa custa. Pensem, deixem de ser o magote de carneirada a que se acomodaram. Ajam.

Não é de espantar que um Coelho se mostre porco. Em Portugal tudo é possível com estes políticos vigaristas e sem respeito algum pelos eleitores, por todos os portugueses em geral. Sócrates está cheio de não-presta, é um traste do piorio, mas esta atitude de Coelho e de Cavaco – claro que o cobardolas tabuzeiro fica-se sempre pelas sombras e não se mostra – demonstra que estavam apenas à espera de uma oportunidade para correrem para a gamela do poder e assim satisfazerem as suas clientelas. Os boys do PS vão ser substituídos pelos boys do PSD e de Cavaco. Favores com favores se pagam. Pior é que eles pagam os favores que lhes fazem com aquilo que pertence a todos os portugueses! Como o PS ou o CDS. A propósito: Cavaco já pagou o favor ao tal amigo de infância que lhe “vendeu” a casa na Coelha, em Albufeira, a tal casa por que pagou uma SISAzinha mas que não é aquela que comprou nem onde mora e chama sua? Honesto? Pensava que sim, mas…

Sem alternativa melhor, o governo Sócrates deve continuar a espoliar-nos e a mal governar. Coelho virá fazer o mesmo ou ainda pior. Não é a solução para um Portugal melhor. Estamos fartos de ver as moscas mudarem mas a merda ser sempre a mesma!

E assim se faz Portugal, poucos bem, muitos mal.
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domingo, 13 de março de 2011

OS RASCAS, ALDRABÕES E CORRUPTOS “MEXERAM” COM OS À RASCA

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

É POSSÍVEL “LIMPAR” PORTUGAL
DOS POLÍTICOS PARASITAS, BASTA QUERERMOS

O Facebook, uma vez mais, proporcionou que um povo em uníssono dissesse basta!

Inédito em Portugal mas já experimentado por outros povos de países do mundo que é possível as populações agregarem-se para exercerem os seus direitos de cidadania e se insurgirem democrática e pacificamente contra a classe política que os subjuga e esbanja recursos que são de todos em proveito próprio e das cliques mafiosas em que se apoiam, regra geral partidos políticos e corporações de várias índoles com que estão em conluio.

Os portugueses, na ordem de talvez mais de 300 mil, manifestaram-se por várias cidades do país contra os políticos que nos têm vindo a pôr à rasca. Não só à juventude, não só aos licenciados desempregados ou com empregos precários mas a todos, que são a vasta maioria deste país, o povo.

Nas manifestações em Portugal, hoje, vimos portugueses de todas a faixas etárias dizer basta aos abusos de uma classe política que mais não tem feito que desbaratar desde há décadas os nossos esforços quotidianos por uma vida melhor, por mais e melhor democracia, por justiça, por reconhecimento dos seus esforços e da mais-valia que produz para regalo de uns quantos. De empresários, agiotas e políticos sem escrúpulos.

A manifestação de hoje não deveria ser denominada Geração à Rasca mas sim Gerações à Rasca. Tal foi a adesão das faixas etárias mais idosas à manifestação de protesto.

Não há partidos políticos nem os que os integram que não tenham responsabilidades na devastação que ao longo de mais de duas décadas temos assistido em Portugal. Não está isento Cavaco Silva nem José Sócrates, não está isento Coelho nem Portas, não está isento Jerónimo nem Louçã. Uns com mais responsabilidades que outros, muitas mais, mas a verdade é que as oposições têm estado acomodadas aos governos do PS-PSD-CDS, que nos roubam à tripa-forra as possibilidades de vivermos com dignidade e de acordo com os preceitos constitucionais. Com direito ao emprego, à saúde, à habitação, à educação, à alimentação e satisfação de todas as necessidades básicas que devíamos de usufruir e não usufruímos, cada vez mais temos vindo a ser privados desses direitos. A razão também tem causas diretas nos autênticos roubos ao erário público que os partidos políticos vão efetuando ao engrossarem a função pública e similares com militantes e simpatizantes seus, sem tomar em consideração que por uso e abuso desses políticos e desses partidos é o país que está a ser depauperado com as clientelas partidárias que vão alternando e cada vez mais criando mais despesa, mais encargos. Encargos desnecessários. Basta!

Como se não bastasse, os encargos com os ordenados dos políticos, as alcavalas, as mordomias, a falta de rigor, a falta de escrúpulos, o recrutamento partidário de multidões de assessores, etc., ainda mais depauperam os cofres do Estado. E Estado somos nós, pois que somos quem paga impostos que não são convenientemente geridos e administrados. Esta é uma prática de ladrões, de conluios, de corrupção, de parasitarismo. Impossível manter o respeito por esta escumalha oportunista e desprovida de honestidade ou vergonha.

A Assembleia da República tem de “emagrecer” no número de deputados. Os ordenados têm de ser visivelmente reduzidos. As alcavalas, os subsídios relevantes e indecorosos têm de ser eliminados. As despesas de milhões com viaturas e demais alegados equipamentos “imprescindíveis”, viagens, etc., não podem continuar a ocorrer deste modo, muito menos sem uma fiscalização rigorosa independente e fiável. O orçamento da AR deve ser reduzido em mais de 40 por cento nessas rubricas. Seria possível, se existisse uma réstia de dignidade dentro destes políticos. Como não há só temos de exigir que saiam e colocar lá outros que se disponham a mudar as regras e a ser honestos para com o país. É que naquela “casa” parece haver um cofre sem fundo. Todos os milhões que lá caem desaparecem e aquilo que produz é uma lástima. Como diz o povo: “Vão mamar nas tetas de outra vaca que a esta já lhe secaram o leite.” Estamos fartos!

Dos ministros, do governo… Está tudo dito. Especialmente os da atualidade são uma cambada de aldrabões, no topo Sócrates. Os maus exemplos de cima refletem-se por toda a parte. Nada mais a adiantar. Todos sabemos o que aquela “casa de Sócrates” representa. Desgraça, desgraça, desgraça.

O órgão Presidência da República não está completamente isento na desbunda. O senhor Cavaco pode fazer muito mais e melhores economias. Ele que não dê beberetes, comes e bebes a tantos à nossa conta. Cerca de um milhar foi comer à nossa conta na posse ainda há dias. É que enquanto ele faz isso no Palácio de Belém, há portugueses a passar fome. Façam as cerimónias pomposas mas baratas e depois os convidados que vão comer à sua própria conta à tasca de Belém, ao Gambrinos ou a casa deles. Ou que experimentem não comer para verem o que custa a tantos do povo. De penduras e papa-banquetes estamos fartos. O PR, mesmo apesar de eleito minoritário, já que é PR, deve de refazer também os gastarios daquela instituição, a Presidência da República.

As autarquias idem, tudo e todos que têm estado mal habituados deve levar uma grande e inequívoca volta. Uma revolução no parasitarismo que representam as despesas e os “golpes” de milhares de oportunistas, incluindo funcionários públicos, regra geral em chefias e direções. Desemprego não, mas contenção nas despesas sim. E eficiência. Sem eficiência na função pública e em tudo que é correlacionado com os serviços públicos suportados por todos nós este país vai para a fossa. Isso significa que quem se lixa é o mexilhão. Primeiro. Depois aqueles que são a classe média. Aliás, essa já está a sentir muito os efeitos de toda a rebaldaria que os Cavacos, os Guterres, os Barrosos e os Sócrates implantaram por conveniências próprias, de classe e partidárias.

Assim não, Portugal precisa de uma revolução. Fazer revoluções pacíficas e floridas é connosco. Hoje, na manifestação das “Gerações à Rasca “ foi demonstrado que é possível “limpar” Portugal dos políticos parasitas. Mãos-à-obra!

A juventude não tem idade. Viva a juventude!
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sábado, 5 de março de 2011

MPLA RECORRE A MÉTODOS COLONIAL-SALAZARISTAS PARA MOSTRAR APOIO

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ANTÓNIO VERÍSSIMO

Para quem teve o azar de nascer e sobreviver em Portugal e nas colónias do regime salazarista não é novidade que esse regime sempre que precisava de demonstrar que era apoiado pelas populações recrutava todos os transportes possíveis para levar milhares aos locais das manifestações de apoio. Acontece em todas as ditaduras. Até nas ditas “democracias”. Vejam-se atualmente certas concentrações de quase todos os partidos políticos em Portugal.

Na capital do então “império”, Lisboa, as manifestações de apoio a Salazar e ao seu regime fascista, quando aconteciam, tinham por recrutadores os caciques e as chamadas Casas do Povo dos mais recônditos lugares do país. Ali se concentravam camionetas de passageiros ou de transporte de gado para trazer a Lisboa muitos dos cidadãos que vinham pelo aliciante do passeio à capital do país – que antes não tinham visitado e provavelmente nunca mais a veriam. Era o “passeio” e não Salazar que os fazia mover, mas para o caso servia às mil maravilhas. Os caciques controlavam. Ai daqueles que não estivessem presentes nas manifestações de apoio com as bandeiras, cartazes e faixas elaboradas nas organizações salazaristas (Movimento Nacional Feminino, Mocidade Portuguesa, Legião e outros) e que já no local da manifestação lhes eram distribuídas.

Nas então colónias, como em Angola, Moçambique e outras, sempre que um ministro ou qualquer “alto representante” do regime salazarista ali se deslocava acontecia o mesmo, para a manifestação de boas-vindas… Era a organização do regime colonial-fascista.

Neste momento, em Luanda, está a acontecer o mesmo, numa manifestação de apoio ao ditador Eduardo dos Santos. A organização da manifestação de apoio é do MPLA, temente da manifestação anunciada com intenção de repudiar Dos Santos, que se encontra há 32 anos no poder sem que para isso tenha sido eleito pelos angolanos.

O MPLA, partido da resistência histórica ao colonialismo, que nas suas fileiras contém inúmeros patriotas heróis, recolhe e pratica os ensinamentos do regime que oprimiu os angolanos durante séculos, contra o qual combateu. O MPLA recorre aos métodos colonial-salazaristas na pretensão de demonstrar que o ditador José Eduardo dos Santos tem o apoio dos angolanos. Uma falácia. Em Luanda está a acontecer aquilo que acontecia em Lisboa durante os negros anos do fascismo salazarista.

Talvez de modo mais discreto mas a fazer recordar a cópia do nefasto regime colonialista, as forças da repressão fiéis a Eduardo dos Santos controlam, intimidam e encarceram opositores. Já há notícias de que isso está a acontecer em Luanda e um pouco por todas as principais cidades angolanas onde existam opositores ao regime mais destacados. Estão a acontecer raptos no mesmo modo dos da PIDE colonialista. Opositores que serão libertados (ou não) quando este regime opressor e ditatorial angolano considerar que “a vaga de terrorismo passou”. “Terrorismo” que mais não é que a contestação à manutenção de um ditador e de um regime que subjuga os angolanos há 32 anos e que os traz na miséria, na fome, na ilusão de dias melhores com promessas que levam décadas a serem minimamente concretizadas, as que são. Fartos de guerra, fartos de opressão, fartos de padecer, fartos de acreditar em autênticos traidores dos propósitos que fundaram o MPLA, os angolanos estão a dizer NÃO! É esse o propósito da manifestação convocada para 7 de Março. Só esse propósito. Propósito mais que suficiente para ser temido pelos que fizeram do MPLA um movimento hibrido angolano-colonial-salazarista, ou deve dizer-se angolano-traidores de um povo farto de ser roubado e massacrado?

Quantos milhares de pessoas já foram e estão a ser transportadas para o local da manifestação de apoio ao ditador, em Luanda, no figurino salazarista? Quase todas. Santos e os que o ladeiam, os alunos de Salazar, assimilaram-no, aprenderam e usam os seus métodos. Que não sendo uma novidade… não deixa de ser uma enorme vergonha para todos que amam a Pátria Angolana e que quase até agora foram crentes e fiéis a este regime por demais caduco!
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quinta-feira, 3 de março de 2011

OS USURPADORES NAS ELITES SÃO LADRÕES DA PIOR ESPÉCIE

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ANTÓNIO VERÍSSIMO

DÊEM-LHES AINDA MAIS TEMPO!

Sobre Angola e o regime do ditador José Eduardo dos Santos – MPLA anda tudo em efervescência. Há ainda os que estão convencidos de que o MPLA é o histórico partido político e movimento de esquerda, ofendendo-se quando se aponta que as elites angolanas pertencentes ao MPLA ou próximas daquele mais não são que uma corja de usurpadores dos bens naturais e materiais que pertencem a todo o povo angolano. Por conta desses roubos mais de 70 por cento de Angolanos vivem no limbo da miséria e da fome, das carências injustificáveis num país extremamente rico por dádivas da natureza.

Assim, culturalmente e na prática humanista de esquerda (?), que considero a real democracia, onde o que conta são as pessoas e não os materialismos desmedidos, apesar de desde tenra idade ter sido um instruendo de anarco-sindicalistas por via paterna e de maçons por via materna, não duvido que corro o sério risco de me considerarem um reaccionário destemperado ou um comunista ou fascista diabólico por ser portador deste tipo de opinião que se desenha antes e segue. O que me causa sorrisos e risos ou até gargalhadas. A tristeza surge depois quando meditar nas críticas – quase sempre comuns e vindas daqueles espectros políticos – e me aperceber de que existem pessoas demais a assimilarem doutrinas sem que as procurem aquilatar das práticas a que dão acesso, reais práticas desumanas. Neste caso, sobre Angola, como em outros países, as práticas são de roubos descarados mas legitimados pelas tais elites usurpadoras e criminosas (de esquerda?) que põem os povos a sobreviverem a pão e água enquanto delapidam os seus bens, até as suas vidas, com a maior das “canduras” sob “legitimidades” que criam para eles próprios, ofendendo-se porque lhes chamam ladrões.

Sobre Angola ou sobre outro país qualquer naquelas circunstâncias – de roubos enormes – o que devemos perguntar é, há 30 anos, que fortunas possuíam ladrões como José Eduardo dos Santos, ou Isabel dos Santos, ou generais angolanos, ou quejandos e próximos do regime? Quem for ver, investigar, concluirá que fortunas não possuíam e que só através do roubo rechearam as suas contas bancárias em instituições norte-americanas ou de outras partes do mundo.

É comum constatarmos que assim acontece quase sempre. Olhemos Timor Leste e temos um quadro relativamente recente de como se adquirem bens pertencentes ao povo em beneficio de elites usurpadoras. Podemos saber que os bens de Ramos Horta ou de Xanana Gusmão se multiplicaram de modo inexplicável em cerca de 10 anos? Mas não só esses dois personagens. Quase sempre os familiares e amigos fazem lembrar potentes foguetões que ascendem da quase miséria para grandes vidas de nababos meteoricamente, recheando suas contas bancárias e mostrando que adquirem bens que quase sempre carecem de explicações plausíveis. No caso de Timor Leste ainda podemos e devemos considerar que comparativamente a Angola, às elites angolanas, é uma formiga junto de um elefante. Dêem-lhes tempo e daqui por 15 anos vejam as fortunas acumuladas à socapa ou descaradamente. Não será de admirar que a filha de Xanana Gusmão, Zenilde, ou outros familiares ou amigos, daqui por uma dezena de anos andem nas bocas do mundo por via das ostentações que praticam, à semelhança de Isabel dos Santos, filha do ditador Santos, que decerto está colado ao poder e é uma “vítima a servir” o país. Na atualidade, agora, em Timor Leste, estão por explicar (assim irão ficar) determinadas exibições de riqueza injustificáveis já denunciadas que abrangem políticos timorenses, militares, familiares e amigos dessas elites. E agora é só o princípio. Não desestabilizem, “Timor Leste precisa de tempo!”

Obviamente que não são só estes dois países que enfermam das atividades dos usurpadores. Quase todos os países e povos são vítimas desta espécie sub-humana, que nos obriga a esforços sobre-humanos para sobrevivermos com alguma dignidade. Em África, como em Timor Leste, como em Moçambique e noutros países lusófonos – o Brasil é um reino de usurpadores – chega-se a morrer de fome ou, mais moderadamente, por via da subalimentação.

Mas a razão da prosa é Angola e o regime imposto pelo ditador Eduardo dos Santos - MPLA e reconhecido pela geração de “democratas” Bush, Obama, Blair, Barroso, Merkel, Sarkosy, Sócrates… e tantos outros da espécie. Eles mesmo igualmente usurpadores. Mais seletivos, mais pelintras… mas usurpadores.

Foram encontrados no porto do Lobito contentores com armamento sofisticado. O governo angolano dos usurpadores quer estabelecer uma conexão com a manifestação de reprovação das políticas de Eduardo dos Santos. Manifestação anunciada para o próximo dia 7 de Março. O governo angolano dos usurpadores está todo borradinho com a perspectiva de as insurgências registadas no Norte de África e no mundo árabe influenciarem o comportamento do povo angolano. E está borradinho de cagaço porque sabe que quem domina o país é uma elite constituída por usurpadores como naqueles países em que os povos se fartaram de serem roubados e passarem fome, serem privados de liberdade de verdadeira democracia. Elites que roubam desmedidamente, sem contemplações nem remorsos pela miséria que causam aos povos. Se isto são comportamentos de esquerda ou de direita não importam. Não são é comportamentos de pessoas honestas, antes pelo contrário. Muitos destes personagens das elites são verdadeiros criminosos que gravemente violam os direitos da humanidade. É isso que importa. É isso que deve ser tomado em consideração numa nova ordem mundial que venha por cobro aos detentores de fortunas roubadas aos povos!

A camarilha de Eduardo dos Santos, provavelmente ainda hoje a considerar-se de esquerda e pelo povo, dominam tudo em Angola. Sabemos que se há quem não lhes agrade corre o risco de ser “repreendido” com prisão, com espancamentos… Com a usurpação de vidas. Misteriosamente até acontece a jornalistas…

Em comunicados, ou espécie disso, elaborados por jornalistas ao serviço do regime, tem circulado “inteligentes” insinuações de que Angola está a ver a sua estabilidade ameaçada. E logo agora que está no caminho da democracia… Estranha democracia, devemos dizê-lo. Uma “democracia” que tem por principal ordenador um PR que já está no poder presidencial há 32 anos. Se isto não é de provocar vómitos em quem anda lúcido, o que é?

Bento Bento, um ministro do MPLA dos usurpadores, referiu há dois dias em declarações insistentes sobre a violência declarada no propósito da referida manifestação do próximo dia 7. Garantidamente nada disso se vislumbra nos comunicados e convocatórias dos promotores da manifestação. Interpretemos como manipulação esquizofrénica e de argumentos primários as referências de Bento Bento. Discurso ultrapassado. Balelas.

Na Gazeta de Luanda podemos ver a prosa intitulada "Manifestação em Angola: Dirigentes do MPLA e da UNITA contrários a iniciativa”, e em rodapé na fotografia exposta a legenda “Angola precisa de tempo!”. Mas quem não ri com estes descaramentos? Com estas manipulações primárias que nos causam náuseas?

Angola precisa de tempo para o quê? Para os usurpadores roubarem mais? Mas então não é Angola que precisa de tempo e sim os usurpadores! Em Angola e em todos os outros países. Os usurpadores precisam de tempo!
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Generais sentados e à babuja de políticos com a mania das grandezas

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ANTÓNIO VERÍSSIMO – PÁGINA LUSÓFONA

Que lhes irá na cabeça?

A Wikileaks divulgou e o Expresso trouxe até nós parte ínfima do que se relaciona com Portugal. Mesmo que continue com algumas divulgações serão sempre só algumas porque de novidade nada se vislumbra neste diz que disse ontem publicado e que até mereceu da parte do ministro Santos Silva, dito da pasta da Defesa e dito do PS, reprovação pela intenção de divulgar “coisas secretas”. Mas onde está o secretismo daquilo que o Expresso divulgou nesta última semana?

Repetindo: Mas onde está o secretismo daquilo que o Expresso divulgou nesta última semana?

Não é novidade que as nossas forças armadas estão repletas de generais sentados e mais ainda. Também à babuja dos políticos citados ou não citados, de todos os quadrantes políticos, desde que sejam poder, para se manterem no dolce fare niente. Não precisamos de ir muito longe. Basta visitar o Estado-Maior do Exército, em Lisboa, e percebemos perfeitamente a boa vida que generais "quase miúdos" levam. E são imensos. Generais mais generais ou menos generais, dependendo das estrelas. Para não falar dos que estão imediatamente antes na escala hierárquica. Fazendo as contas saberemos que são uma esgotante e inútil fonte de gastos de recursos provindos dos contribuintes. Assiste-se, inclusive, a motoristas civis às ordens dos referidos estrelados. E não devem de ganhar pouco. Mas adiante, que nos militares não se mexe nem se provocam… Não vá o diabo tecê-las ao contrário do espírito dos abnegados militares da geração de Abril. É que estes agora o que querem é poleiro e uma guerrazita distante até faz jeito. Os de Abril queriam paz e progresso para o país, queriam justiça, quiseram e ofereceram-nos a liberdade ao encarnar a luta que as gerações de antifascistas vinham enveredando havia décadas. Em vez disso, agora, temos nas forças armadas Barbies e Ken’s estrelados… Entre muitos deles e dos políticos da atualidade podemos dizer que são farinha do mesmo saco. Uns sacam daqui, outros dali, outros dacolá. Importa é encherem o bandulho, orientarem-se à custa da miséria que cresce no país.

O telegrama do embaixador norte-americano, em que diz verdades sobre Portugal e alguns portugueses de topo, merece ser considerado correto. Isto apesar de o dito embaixador ser má rês e já o ter provado inúmeras vezes. Claro que ele comporta-se como um observador ativo que presencia o descalabro que vai neste país do terceiro mundo e que enganadoramente se quer mostrar dos tais em vias de desenvolvimento… O tanas!

Por outras palavras diz o mais que absoluto conservador embaixador gringo que os políticos em Portugal, as elites na generalidade, têm a mania das grandezas. Ah pois têm! Por isso mesmo é que nós estamos na miséria!

Isso não é só notório no gasto de milhões em submarinos ou em blindados. Blindados que servem para nos dar no focinho se não estivermos quietinhos. Vimos o mesmo nos empresários. Mal têm uns cobres aqui del-rei que se sentem os maiores, e compram, e trocam, e adquirem casas luxuosas, mais que uma, que dificilmente conseguem manter se acaso não enveredarem pela exploração desenfreada dos que para eles trabalham, pela vigarice dos que com eles negoceiam, pela fuga aos impostos devidos, etc, etc. Maior será o seu sucesso se tiverem relações com o ou os partidos políticos dos governos ou quem de suas relações apertadas.

Concluímos daqui, ou dali, do telegrama caçado pelo Wikileaks e divulgado pelo Expresso, que Portugal está a abarrotar de sacanagem militar, política, empresarial… Recordemos e rediga-se: Quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão. O mar é a super inflacionada cambada de chulos, de parasitas, de vigaristas, de ladrões que este país, que o povo trabalhador deste país, está a sustentar. Imagine-se que até Cavaco Silva, antes considerado impoluto, nos presenteou com um cambalacho sobre sisas e falta de siso numa casa que adquiriu na Coelha, em Albufeira, por troca com a sua anterior e famosíssima Vivenda Mariani… No melhor pano cai a nódoa. Assim, podemos confiar nestes oportunistas, nestes abusadores, nesta corja de desonestos que nem nos permitem vislumbrar os que são na realidade honestos? Se ainda os houver…

Perante todo este descalabro os portugueses parecem optar por continuar a apascentarem-se com pasto de fel. Que lhes irá na cabeça?

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