
Homem a quem "a história recente do país e do PCP muito ficam a dever" - Carlos Carvalhas
CMP – ICO – LUSA
Lisboa, 07 ago (Lusa) - O antigo líder do PCP Carlos Carvalhas recordou hoje o "destacado membro" do Partido Comunista Dias Lourenço, considerando que é um homem a quem "a história recente do país e do PCP muito ficam a dever".
"Perde-se uma figura histórica do partido, sobretudo um homem de grande humanismo e de grande verticalidade", disse à agência Lusa Carlos Carvalhas, destacando a "sensibilidade" e a "grande coragem" de Dias Lourenço, que faleceu hoje aos 95 anos.
Carlos Carvalhas recordou também a fuga de Dias Lourenço em Peniche e a sua atitude no 11 de março, já depois do 25 de abril.
"É um homem a quem o 25 de abril e a história recente do país e do PCP muito ficam a dever", sublinhou.
O ex-líder dos comunistas disse ainda que Dias Lourenço era "um ser humano de grande amabilidade e um grande conversador" que procurava "sempre uma palavra de incentivo para com os mais jovens e para com aqueles com mais dificuldades".
O histórico dirigente do PCP António Dias Lourenço faleceu hoje aos 95 anos
O corpo de António Dias Lourenço estará em câmara ardente a partir das 16:00 de hoje na Casa Mortuária da Igreja de S. Francisco de Assis, em Lisboa.
O funeral será realizado no domingo, pelas 16:30, no Cemitério do Alto de São João.
Um grande ativista com uma enorme dedicação ao país - Carlos Brito
AL – LUSA
Lisboa, 07 ago (Lusa) - O ex-comunista Carlos Brito destacou hoje o "grande ativista" que foi Dias Lourenço, lembrando a sua "enorme dedicação" e o exemplo que foi "de capacidade de se dedicar às causas do país".
"Senti um desgosto profundo quando tomei conhecimento da notícia da morte de Dias Lourenço, uma grande figura comunista, por quem sinto um enorme e imenso respeito", disse hoje à Lusa Carlos Brito.
O ex-comunista sublinhou que Dias Lourenço foi um "ativista português de enorme dedicação ao país", que se empenhou toda a vida na defesa dos trabalhadores.
Carlos Brito destacou ainda a "inteligência" de Dias Lourenço, um operário que adquiriu "grande cultura" através de esforço próprio".
Um dos momentos que Carlos Brito recorda como dos mais marcantes na relação entre os dois, foi a noite em que Dias Lourenço lhe contou a sua fuga de Peniche e a grande violência por que passou na travessia feita a nado.
"Dias Lourenço foi um exemplo dessa capacidade de se dedicar às causas do país", salientou ainda Carlos Brito.
Biografia de António Dias Lourenço
JORNAL DE NOTÍCIAS
António Dias Lourenço, que hoje, sábado, morreu aos 95 anos, nasceu em Vila Franca de Xira em 1915, foi torneiro mecânico de profissão e aderiu ao Partido Comunista Português em 1932, com 17 anos de idade.
No início dos anos 40, assumiu papel importante na organização dos "Passeios no Tejo", encontros que pretendiam estreitar laços entre intelectuais e operários e impulsionar a luta antifascista.
Foi eleito para o Comité Central do PCP em 1943 e só de lá saiu em 1996 "para dar lugar a outros camaradas mais novos".
António Dias Lourenço foi deputado entre 1975 e 1987, tendo feito parte da Assembleia Constituinte.
Deixou publicadas obras como "Vila Franca de Xira: um concelho no país", "Alentejo: legenda e esperança" e "Saudades... não têm conto! - Cartas da prisão para o meu filho Tónio".
Viveu 17 anos na clandestinidade e esteve preso outros tantos, dirigiu o jornal Avante durante igual período e dizia que 17 era o seu número da sorte e do azar.
Dias Lourenço não negava a ligação ao partido, mas não havia ameaça ou tortura que o fizesse abrir a boca.
"Sou membro do Comité Central do PCP, mas recuso-me a dizer seja o que for", declarou, quando foi preso pela primeira vez, em 1949, antes de ser espancado a cassetete com a preocupação de manter uma expressão que não fosse de dor, como conta no documentário "O Segredo", de Edgar Feldman.
Na fuga de Peniche, quando viu que o grupo de pescadores com quem seguia queria entregá-lo à polícia, abriu o jogo: "Sou membro do PCP, acabei de fugir do Forte, vocês têm de me ajudar". Eles ajudaram.
Em 1960, é Dias Lourenço quem organiza a fuga de Álvaro Cunhal e de mais dez membros do PCP, num "trabalho meticuloso e sigiloso que durou muitos meses", como o próprio recordou numa entrevista dada em 2004 ao jornal Setúbal em Rede.
Entre 1962 e Abril de 1974, haveria de voltar à prisão onde "não podia inventar nada, porque nem papel tinha para escrever".
Mas Dias Lourenço "ia pensando em tudo, fazendo versos, cantando cá para mim", como recorda numa das muitas vezes que voltou a Peniche para recordar passo a passo a audaciosa fuga de 1954.
"Engendrou tudo sozinho, estudou as marés, avisou que ia partir, destruiu a vedação de uma cela solitária, atirou-se ao mar em pleno Dezembro - quando a polícia chegou ao local, constatou que é preciso gostar muito da liberdade para fugir daquela maneira".
O relato do comentário das autoridades no Forte de Peniche, quando o preso político António Dias Lourenço já se tinha evadido, é feito por outro membro do PCP, Domingos Abrantes, que, num vídeo do Youtube, o descreve como "um camarada possante do ponto de vista da resistência".
De tal forma que sobre Dias Lourenço dizia-se, "a brincar, que o pai, quando ele nasceu, pô-lo em cima do telhado para o enrijar".
CMP – ICO – LUSA
Lisboa, 07 ago (Lusa) - O antigo líder do PCP Carlos Carvalhas recordou hoje o "destacado membro" do Partido Comunista Dias Lourenço, considerando que é um homem a quem "a história recente do país e do PCP muito ficam a dever".
"Perde-se uma figura histórica do partido, sobretudo um homem de grande humanismo e de grande verticalidade", disse à agência Lusa Carlos Carvalhas, destacando a "sensibilidade" e a "grande coragem" de Dias Lourenço, que faleceu hoje aos 95 anos.
Carlos Carvalhas recordou também a fuga de Dias Lourenço em Peniche e a sua atitude no 11 de março, já depois do 25 de abril.
"É um homem a quem o 25 de abril e a história recente do país e do PCP muito ficam a dever", sublinhou.
O ex-líder dos comunistas disse ainda que Dias Lourenço era "um ser humano de grande amabilidade e um grande conversador" que procurava "sempre uma palavra de incentivo para com os mais jovens e para com aqueles com mais dificuldades".
O histórico dirigente do PCP António Dias Lourenço faleceu hoje aos 95 anos
O corpo de António Dias Lourenço estará em câmara ardente a partir das 16:00 de hoje na Casa Mortuária da Igreja de S. Francisco de Assis, em Lisboa.
O funeral será realizado no domingo, pelas 16:30, no Cemitério do Alto de São João.
Um grande ativista com uma enorme dedicação ao país - Carlos Brito
AL – LUSA
Lisboa, 07 ago (Lusa) - O ex-comunista Carlos Brito destacou hoje o "grande ativista" que foi Dias Lourenço, lembrando a sua "enorme dedicação" e o exemplo que foi "de capacidade de se dedicar às causas do país".
"Senti um desgosto profundo quando tomei conhecimento da notícia da morte de Dias Lourenço, uma grande figura comunista, por quem sinto um enorme e imenso respeito", disse hoje à Lusa Carlos Brito.
O ex-comunista sublinhou que Dias Lourenço foi um "ativista português de enorme dedicação ao país", que se empenhou toda a vida na defesa dos trabalhadores.
Carlos Brito destacou ainda a "inteligência" de Dias Lourenço, um operário que adquiriu "grande cultura" através de esforço próprio".
Um dos momentos que Carlos Brito recorda como dos mais marcantes na relação entre os dois, foi a noite em que Dias Lourenço lhe contou a sua fuga de Peniche e a grande violência por que passou na travessia feita a nado.
"Dias Lourenço foi um exemplo dessa capacidade de se dedicar às causas do país", salientou ainda Carlos Brito.
Biografia de António Dias Lourenço
JORNAL DE NOTÍCIAS
António Dias Lourenço, que hoje, sábado, morreu aos 95 anos, nasceu em Vila Franca de Xira em 1915, foi torneiro mecânico de profissão e aderiu ao Partido Comunista Português em 1932, com 17 anos de idade.
No início dos anos 40, assumiu papel importante na organização dos "Passeios no Tejo", encontros que pretendiam estreitar laços entre intelectuais e operários e impulsionar a luta antifascista.
Foi eleito para o Comité Central do PCP em 1943 e só de lá saiu em 1996 "para dar lugar a outros camaradas mais novos".
António Dias Lourenço foi deputado entre 1975 e 1987, tendo feito parte da Assembleia Constituinte.
Deixou publicadas obras como "Vila Franca de Xira: um concelho no país", "Alentejo: legenda e esperança" e "Saudades... não têm conto! - Cartas da prisão para o meu filho Tónio".
Viveu 17 anos na clandestinidade e esteve preso outros tantos, dirigiu o jornal Avante durante igual período e dizia que 17 era o seu número da sorte e do azar.
Dias Lourenço não negava a ligação ao partido, mas não havia ameaça ou tortura que o fizesse abrir a boca.
"Sou membro do Comité Central do PCP, mas recuso-me a dizer seja o que for", declarou, quando foi preso pela primeira vez, em 1949, antes de ser espancado a cassetete com a preocupação de manter uma expressão que não fosse de dor, como conta no documentário "O Segredo", de Edgar Feldman.
Na fuga de Peniche, quando viu que o grupo de pescadores com quem seguia queria entregá-lo à polícia, abriu o jogo: "Sou membro do PCP, acabei de fugir do Forte, vocês têm de me ajudar". Eles ajudaram.
Em 1960, é Dias Lourenço quem organiza a fuga de Álvaro Cunhal e de mais dez membros do PCP, num "trabalho meticuloso e sigiloso que durou muitos meses", como o próprio recordou numa entrevista dada em 2004 ao jornal Setúbal em Rede.
Entre 1962 e Abril de 1974, haveria de voltar à prisão onde "não podia inventar nada, porque nem papel tinha para escrever".
Mas Dias Lourenço "ia pensando em tudo, fazendo versos, cantando cá para mim", como recorda numa das muitas vezes que voltou a Peniche para recordar passo a passo a audaciosa fuga de 1954.
"Engendrou tudo sozinho, estudou as marés, avisou que ia partir, destruiu a vedação de uma cela solitária, atirou-se ao mar em pleno Dezembro - quando a polícia chegou ao local, constatou que é preciso gostar muito da liberdade para fugir daquela maneira".
O relato do comentário das autoridades no Forte de Peniche, quando o preso político António Dias Lourenço já se tinha evadido, é feito por outro membro do PCP, Domingos Abrantes, que, num vídeo do Youtube, o descreve como "um camarada possante do ponto de vista da resistência".
De tal forma que sobre Dias Lourenço dizia-se, "a brincar, que o pai, quando ele nasceu, pô-lo em cima do telhado para o enrijar".

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