• Portugal | RUI QUÊ? - *Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião* Rio, Rui Rio. Alta figura do PSD e presidente da Câmara do Porto por 12 anos. As primárias do PSD, como ...
    Há 14 horas

sábado, 18 de setembro de 2010

Brasil está longe de alcançar meta de mortalidade materna até 2015

.

NOTÍCIAS LUSÓFONAS – 17 setembro 2010

O Brasil não vai conseguir cumprir a meta da mortalidade materna até 2015, como estabelecido nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), porque o país ainda está longe de alcançar a redução de três quartos dos índices de 1990.

Faltam apenas cinco anos para o fim do prazo de cumprimento dos ODM e, até agora, o Brasil já alcançou quatro dos oito ODM e pretende ter um bom desempenho até 2015.

Contudo, o país não está próximo de atingir a razão de mortalidade materna igual ou inferior a 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos até 2015.

A razão de mortalidade materna é o indicador utilizado para acompanhar esta meta, que estima a frequência de óbitos femininos ocorridos até 42 dias após o término da gravidez.

A meta “mais complexa” é a que trata da mortalidade materna, admitiu o director de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Económica e Aplicada (IPEA), Jorge Abrahão.

“Não vamos conseguir chegar à meta estabelecida para o Brasil”, declarou o economista brasileiro responsável pelo documento com o balanço dos ODM, a ser apresentado nas Nações Unidas, na próxima semana.

Mesmo com uma redução significativa desde 1990, a mortalidade materna no Brasil ainda permanece elevada.

Em 1990, ocorriam 140 óbitos por 100 mil nados vivos (NV), enquanto em 2007, o índice declinou para 75 óbitos por 100 mil NV, o que representa uma diminuição de 46 por cento neste período.

Abrahão reconhece que um dos maiores desafios é melhorar a investigação dos óbitos, além de aperfeiçoar a qualidade da atenção ao parto e ainda reduzir a proporção de partos por cesariana.

“O sistema público tem que actuar fortemente. Na mortalidade materna temos um problema a tratar devido à subnotificação. Mas essa não é apenas uma realidade do Brasil, é da América Latina como um todo”, argumenta.

O país, acrescenta o economista, realiza muitos partos por cesariana o que “tende a aumentar a mortalidade”.

O Brasil é o campeão mundial de cesarianas. Os dados são alarmantes. Só no sector privado de saúde, a taxa de cesarianas atinge 80 por cento, enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS), no sector público, gira em torno de 30 por cento.

O risco de uma mulher morrer em consequência, ou durante o parto de cesariana, é quatro vezes maior que no caso de parto normal. E a cesariana também eleva para 10 vezes o risco de morte neonatal.

O Brasil poderia reduzir os altos índices de mortalidade materna se adoptasse medidas que requerem o mínimo de intervenção cirúrgica no parto, defende.

Não foi o que aconteceu com a esposa do advogado João Paulo Lins e Silva, de 37 anos. Mesmo optando por um parto normal, a jovem empresária Bruna Bianchi, de 34 anos, morreu, em Agosto de 2008, após sofrer graves complicações no parto e intervenções cirúrgicas para tentar salvá-la. A pequena Chiara, que hoje tem dois anos, sobreviveu.

“Foi uma tragédia após a outra. Foi uma série de erros e complicações”, disse à Lusa o jovem pai que hoje, com o apoio da família de Bruna, se desdobra nos papéis de mãe e pai para cuidar de Chiara.

A dor da perda da esposa teve um impacto muito grande. “Tive que me blindar emocionalmente, foi uma fase complicada. Hoje lido bem com esta situação”, afirma João Paulo.

O pai de Chiara atribui a morte da esposa a uma série de erros e omissões por parte da equipa médica.

O parto foi realizado numa clínica privada no Rio de Janeiro. “Se tivesse sido feito num hospital público isso não teria ocorrido e ela não teria morrido”, declarou o advogado.
.

Sem comentários: