quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

4 de Fevereiro: MEMORIAL AOS MÁRTIRES É INAUGURADO NO CAXITO

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Monumento dedicado aos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria no marco histórico do Cazenga - Fotografia: M. Machangongo

JORNAL DE ANGOLA – 03 fevereiro 2011

As festividades do 4 de Fevereiro, Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional contra o colonialismo português, vão ser marcadas pela inauguração, em Caxito, do Memorial dos Mártires de Angola e do Museu da Tentativa dos Heróis de Caxito, além de vários empreendimentos sociais e económicos.

O Memorial foi erguido no bairro da Açucareira, num espaço de 8.500 metros quadrados, onde estão enterrados vários nacionalistas mortos após o 4 de Fevereiro de 1961 pelos colonialistas portugueses, estando expostas fotografias de alguns deles. Com um formato oval, o empreendimento tem uma área administrativa e um centro cultural, que alberga um pavilhão multimédia, um auditório e uma sala de vídeo.

O Museu está localizado no Bairro Kinjada, no município do Dande, e foi erguido nas antigas instalações da casa do encarregado da Açucareira Heróis de Caxito. A obra está concluída, faltando apenas a colocação do acervo por parte do Ministério da Cultura.

Ontem, os partidos políticos com assento parlamentar manifestaram o seu agrado pela decisão do Executivo de escolher a província do Bengo para albergar o acto central das comemorações.

O secretário da FNLA no Bengo, Junqueiro Júnior, disse ao Jornal de Angola que a escolha da província faz todo o sentido. "Foi daqui, da cidade de Caxito, que partiram vários combatentes da FNLA em direcção a Luanda para participarem no levantamento de 4 de Fevereiro de 1961", disse.

Junqueiro Júnior afirmou que a acção do 4 de Fevereiro provocou a morte de muitos nacionalistas angolanos no Bengo e elogiou a iniciativa do governo provincial em construir um memorial para perpetuar a memória dos nacionalistas mortos, alguns deles enterrados vivos.

Todos os jovens que se tinham formado naquela altura, afirmou, e que se encontravam no Bengo, foram mortos. Os quadros que sobreviveram, explicou, foram aqueles que fugiram antes do 4 de Fevereiro. Junqueiro Júnior reconhece que, 35 anos após a independência nacional, o país evoluiu muito em vários aspectos. No caso concreto da sua província, refere que esta dispõe agora de duas instituições de Ensino Superior, foram reabilitadas algumas sedes das administrações municipais e comunais e estabelecido o fornecimento de água e luz a algumas localidades. No entanto, fez questão de salientar que ainda há muito por fazer, como seja melhorar as estradas e construir escolas e hospitais.

Participação activa

O segundo secretário do MPLA no Bengo, Pereira Alfredo, disse que o seu partido está a mobilizar os militantes e amigos para uma participação activa nos festejos do 4 de Fevereiro. Pereira Alfredo disse que a escolha do Bengo deixa satisfeitos os habitantes da província, porque nela vai recair toda a atenção ao longo das jornadas. O dirigente do MPLA realçou que para receber condignamente os visitantes, os militantes estão engajados em campanhas de limpeza da cidade e na criação de condições de acomodação para todos os que chegarem a Caxito para as comemorações.

Referiu ainda que o Museu da Tentativa dos Heróis de Caxito e o memorial aos que foram assassinados pelos colonos representam bem a memória preservada dos que lutaram para independência do país.

Dia de reflexão

O secretário provincial da UNITA no Bengo, Simão Dembo, espera que o 4 de Fevereiro seja mais um dia de reflexão para todos os angolanos, por marcar o "primeiro pilar na autodeterminação do povo angolano contra o jugo colonial" e espera a participação de todos os angolanos nos festejos do Dia do Início da Luta Armada contra o colonialismo português.

Quanto ao desenvolvimento da província, considerou que ainda falta muito por fazer, sobretudo no fornecimento de água potável, habitação, energia, escolas, hospitais, vias de acesso aos municípios, comunas e aldeias. Reconhece, contudo, que há melhorias nalguns sectores, como a construção de casas sociais para a juventude e a reabilitação de escolas e hospitais.

Simão Dembo defende a requalificação da cidade de Caxito, com a construção de diques para impedir a invasão das águas do rio Dande em tempo de chuvas intensas.

O secretário provincial do PRS na província, José João Francisco, disse que o seu partido vai participar com o maior entusiasmo nos festejos. "Todos os habitantes do Bengo estão de parabéns por irmos acolher o acto central", disse, acrescentando que as atenções do país vão estar viradas para a cidade de Caxito.

José Francisco falou também das acções em curso para o desenvolvimento da província e pediu ao governo provincial que crie uma política atraente de fixação de quadros na província. "Quase todos os funcionários que trabalham em Caxito vivem em Luanda e isso tem reflexos no funcionalismo público", disse.

População alinda cidade

A administração municipal contratou 73 cidadãos para limpar as principais artérias da capital do Bengo. Segundo o encarregado de fiscalização da Administração Municipal do Dande, José Luís Manuel, na falta de máquinas de grande porte, a administração está a usar os meios disponíveis para dar outra imagem à cidade de Caxito.

Teodora Florinda, 24 anos, estudante da 6ª classe, reconhece a importância da data e diz que participar na campanha de limpeza é também uma forma de homenagear os heróis.

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