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quinta-feira, 3 de março de 2011

Enquanto o regime põe o dedo no gatilho a UNITA volta a esquecer...

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Enquanto Isabel dos Santos, filha de Eduardo dos Santos, exibe jóias no valor de centenas de milhares de dólares os angolanos passam fome. Como adquiriu a fortuna Isabel dos Santos? E Eduardo dos Santos? E os generais e amigos do regime do ditador angolano?*

... os angolanos...
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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Os angolanos estão entre a espada e a parede. Se a manifestação do próximo dia 7 tiver o êxito que se espera (e que já está, aliás, ser uma espinha na garganta do regime), vão apanhar forte e feio. Se não tiver, poderão ficar ainda pior.

Por alguma razão o líder da UNITA, Isaías Samakuva, acusou hoje, em conferência de imprensa, o "regime do Presidente José Eduardo dos Santos" de estar a planear um "atentado à vida dos dirigentes" do principal partido da oposição angolana.

E estão a preparar esses atentados porque, no caso de êxito da manifestação, precisam de bodes expiatórios para – até mesmo dentro da linha moderada do MPLA – fazer uma purga ao estilo do 27 de Maio de 1977, desta vez alargada a outros partidos, o que aliás nem sequer é novo na história do partido que lidera o país desde 11 de Novembro de 1975.

Isaías Samakuva referiu que este "plano" implica as acusações do MPLA de que a UNITA estará envolvida na organização de uma manifestação marcada para 7 de Março contra um Presidente, José Eduardo dos Santos, que está no poder há 32 anos sem nuca ter sido eleito.

O líder da UNITA (naquilo que é uma forma de tentar agradar a Deus e ao Diabo) negou o envolvimento do partido na organização desta manifestação e, respondendo às acusações do MPLA, repudiou as declarações de todos quantos pretendem "transformar a UNITA em bode expiatório da má governação do executivo".

Ao distanciar-se, com o rabo entre as pernas e de cócoras, da manifestação, a UNITA mostra como para si é suficiente ter 10% de representação parlamentar, ter lagosta às refeições, enquanto 70% do povo continua a ter, na melhor das hipóteses, fuba podre, peixe podre e porrada se refilar.

Desta forma, tal como há nove anos, a UNITA continua a render-se aos ditâmes ditatoriais do regime, temendo estar ao lado daqueles que precisam: o Povo. É, para já, uma primeira vitória do regime. Outras vão, com certeza, seguir-se.

Se o maior partido da Oposição não tem coragem para estar ao lado dos que precisam de ajuda, o melhor era nomearem uma comissão liquidatária da UNITA e integrarem-se, com todas as mordomias do regime, no MPLA.

Também em Angola se percebe que o Povo sabe o que faz. Quando deu à UNITA cerca de 10% dos votos, sabia que este partido não iria servir para nada. Tinha razão. Quando – como agora – precisa do seu apoio, o Galo Negro nega-o a troco de um prato de lentilhas.

Por alguma razão o MPLA sabia que matando Jonas Savimbi a UNITA acabaria, mais dia menos dia. É isso que está a acontecer, mau grado um ou outro episódio de alguma valentia “savimbiana”, como é o caso do seu secretário-geral, Kamalata Numa.

Savimbi dizia que preferia morrer a ser escravo. Smakuva prefere o contrário, tendo aliás a vantagem de vir a ser um escravo bem alimentado, bem nutrido, bem acarinhado pelos seus donos.

Pois é, aquela roça grande continua a não ter chuva, é o suor de outros rostos que rega as plantações; aquela roça grande ainda tem café maduro e aquele vermelho-cereja são gotas de outro sangue feitas seiva.

O café vai ser torrado, pisado, torturado, continua a ser negro, negro da cor do contratado.

Perguntem às aves que já não cantam, aos regatos de alegre serpentear e ao vento forte do sertão: Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga? Quem traz pela estrada longa a tipóia ou o cacho de dendém?

Quem capina e em paga recebe desdém, fuba podre, peixe podre, panos ruins, cinquenta kwanzas, "porrada se refilares"?

Quem? Quem faz o milho crescer e os laranjais florescer? Quem dá dinheiro para o patrão comprar máquinas, carros, senhoras e cabeças de outros pretos?

Quem faz o MPLA prosperar, ter barriga grande, ter dinheiro? -Quem?

E as aves que cantam, os regatos de alegre serpentear e o vento forte do sertão responderão: "Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras, deixem-me beber maruvo e esquecer diluído nas minhas bebedeiras.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

MONANGAMBÉ (ouvir)
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