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sexta-feira, 4 de março de 2011

LUTA ÉPICA EM WISCONSIN

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Bryan G. PfeiferInfoalternativa

A mobilização popular junto ao Capitólio de Madison, estado de Wisconsin, Centro-Leste dos EUA, continua cheia de vigor. Esta luta começou quando o governador de direita, Scott Walker, membro do Tea Party, apresentou o seu “orçamento rectificativo”, que não só reduz drasticamente as regalias, mas também elimina os direitos consagrados em convénios colectivos de 175 mil trabalhadores do sector público daquele estado.

Desde 14 de Fevereiro, milhares de trabalhadores ocuparam o Capitólio para impedir a aprovação desta lei que constitui um atentado à organização laboral. Falando no sábado, 19, perante a maior concentração desta semana, com 100 mil pessoas, Mahlon Mitchell, do Sindicato dos Bombeiros Profissionais de Wisconsin (PFW), disse: «O momento é agora. Não podemos esmorecer porque estamos na estaca zero, e aquilo que acontecer irá afectar toda a gente. Temos de ser fortes, uma frente unida.» Mitchell tornou-se em Janeiro o primeiro presidente afro-americano do PFW. Delegações de bombeiros juntaram-se aos protestos num assinalável acto de solidariedade, uma vez que não são afectados pela lei Walker. Foram acolhidos com entusiasmo pela multidão, tal como já o tinham sido os jovens e os estudantes.

Os manifestantes encheram a área circundante do Capitólio, enquanto lá dentro se mantinha a ocupação. Durante todo o dia um imenso piquete integrado por trabalhadores dos diversos sectores desfilou pelas ruas, acompanhado por percussões, cânticos, danças e canções.

No início da tarde, o racista e antilaboral Tea Party organizou uma contramanifestação na escadaria do Capitólio. Aderiram cerca de duas mil pessoas, protegidas por mais de 500 polícias bem armados, mas foram cercados pela multidão que ali estava em apoio aos trabalhadores.

Desde o dia 15 que os sindicatos do sector público de Wisconsin e outros têm vindo a mobilizar milhares de associados das diferentes regiões do estado e até mesmo do Canadá. Manifestações de solidariedade tiveram lugar em várias cidades do país, designadamente em Nova Iorque, no dia 18, junto à bolsa de Wall Street.

Walker e os legisladores de Wisconsin foram inundados com e-mails, telefonemas e foram feitas centenas de visitas aos respectivos gabinetes. Praticamente todos os principais sindicatos utilizaram os seus sítios na Internet e as redes sociais para divulgar mensagens. Inscrições como «Egipto? Wisconsin?» ou «Marcha como um egípcio» traduzem o espírito dos manifestantes inspirados pelo povo egípcio. A luta massiva convenceu 14 senadores do partido democrático a sair do estado, o que inviabilizou a votação final da lei.

Lynne Pfeifer, que trabalhou durante mais de 30 anos num centro de reabilitação, afirmou à nossa reportagem: «Não podemos perder os convénios colectivos. A concentração junto ao Capitólio foi fabulosa. Havia gente de todas as idades por todo o lado, na relva, nos passeios, à volta do Capitólio».

No dia 18, o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka, interveio ao meio-dia e o reverendo Jesse Jackson Jr. falou à tarde da escadaria do Capitólio. Ambos manifestaram solidariedade e prometeram ajudar a enterrar a lei Walker.

Estudantes de todas as nacionalidades também animaram a ocupação do Capitólio. Começaram por realizar uma concentração na universidade de Wisconsin-Madison. Depois vieram em manifestação para participar na ocupação. A sua presença aumentou após os professores de Madison terem apresentado baixa por doença, provocando, desde dia 15, o encerramento de todo o sistema público de ensino na cidade.

No dia 18, também as escolas públicas de Milwaukee encerraram e os estudantes deste distrito juntaram-se aos seus professores em protesto no Capitólio.

No interior do Capitólio, estudantes e trabalhadores mantêm a ocupação durante dia e noite. Recebem comida e bebidas do exterior e são assistidos por uma equipa médica.

Gilbert Johnson, presidente da Federação dos Trabalhadores Municipais, Estaduais e Federais na Universidade de Wisconsin-Milwaukee, afirmou: «Repudiamos as tentativas do actual governo de nos privar dos nossos direitos e da nossa dignidade. A intensificação dos protestos em todo o estado, e particularmente junto ao Capitólio, é a melhor maneira de obtermos a retirada da lei do governador Walker.»

A lei Walker deu entrada no Comité das Finanças depois de um bloqueio popular que durou mais de 20 horas nos dias 15 e 16.

- Extraído do CubaDebate
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