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sábado, 12 de março de 2011

O COPO AMARGO ATÉ AO FIM

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DIÁRIO DE NOTÍCIAS, editorial – 12 março 2011

Agora, os cidadãos portugueses sabem com o que podem contar até ao fim da actual legislatura, se este Governo se mantiver em funções. O novo pacote anunciado para três anos confirma a determinação de José Sócrates e de Teixeira dos Santos em beber a poção da austeridade incontornável até ao fim, isto é, até ao seu julgamento eleitoral pelos portugueses. Ambos garantiram que o desempenho orçamental até ao momento está a correr melhor do que fora planeado e que as medidas adicionais para este ano se destinam a dissipar qualquer dúvida que pudesse ainda existir nos mercados financeiros, de que o défice público é mesmo para ser reduzido para 4,6% do PIB.

As medidas complementares para 2012 e 2013 são mais exigentes do que as anteriormente enunciadas. Se tudo corresse segundo os efeitos esperados, sem surpresas adversas, o défice do Estado passaria a zero, em 2013, em vez dos 2% do PIB prometidos. Isto é, o Ministério das Finanças quer jogar com uma margem de segurança de 3700 milhões de euros, para com eles poder responder a imponderáveis negativos na execução orçamental até 2013.

Bruxelas e Frankfurt já esperavam este anúncio. A reacção imediata da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu aplaudindo as novas medidas duras e as reformas em múltiplos sectores da economia, para concluir que o programa é coerente e credível face aos objectivos propostos, reduz a margem de uma eventual rejeição do PSD, que as deitaria por terra abrindo de imediato uma crise política. Ora, os portugueses continuam a responder em sondagens, numa relação de dois para um, que não querem ir ainda para eleições.

A grande incógnita tem, porém, duas faces: vai o Eurogrupo reforçar o euro de forma a que a noção de risco na sua periferia caia? E os investidores? Vão animar-se com as reformas postas em prática e evitarão uma recessão forte? Se sim, tudo começará a melhorar. Se não, tudo vai piorar rapidamente, e sabe-se lá quando virá a recuperação.

O exemplo do Japão

Os japoneses deram ontem um exemplo ao mundo. A principal ilha do arquipélago foi atingida pelo sismo mais violento de que há memória no Japão. Após o choque inicial, a desorientação e os naturais movimentos de pânico, os japoneses recuperaram a tranquilidade e, com a óbvia excepção de Sendai, mantiveram os seus comportamentos e a sua atitude habitual no quotidiano.

Um porta-voz do Governo surgiu na televisão instando os seus compatriotas a "permancerem calmos e a ajudarem-se uns aos outros". E foi isso que os japoneses fizeram. Depois, na impossibilidade de regressarem a casa (muitos transportes foram suspensos por medida de precaução), permaneceram nos locais de trabalho. Acontecimentos culturais e desportivos agendados para ontem vão realizar-se hoje. Instituições públicas e privadas asseguraram que continuarão a funcionar como previsto.

Em 1989, o fundador da Sony, Akio Morita, e o actual presidente da Câmara de Tóquio, Shintaro Ishihara, publicaram uma obra de título provocatório e de afirmação nacionalista, O Japão Que Pode Dizer não. Os seus compatriotas provaram ontem que podem dar exemplos também. Exemplo de sentido de dever para com a comunidade , de cultura de responsabilidade e de solidariedade, de sentido cívico. Vocábulos que não são hoje populares no Ocidente. Num tempo de crise, de reflexão sobre o que deve mover as sociedades, os exemplos que chegam do Japão merecem não ser deixados em branco.
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