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terça-feira, 19 de abril de 2011

POLÍTICOS DE VIDA PREGRESSA



ELIAKIM ARAUJO – DIRETO DA REDAÇÃO

Chegou às minhas mãos esta semana o comentário de um leitor nos seguintes termos: “Desgraçado!!!! Algum dia ele vai ter o que merece...desgraçado dos infernos...verme maldito!!!!”

Curioso, fui ver a que artigo foi dirigido o raivoso comentário e quem era o personagem merecedor de observação tão curta e grossa. E descobri, para surpresa minha, que o comentário fora postado em uma coluna assinada por mim, e publicada em 02/12/2004, cujo título é “Você acredita na punição de Jader Barbalho?”.

Naquele ano, Barbalho já era acusado de peculato (apropriar-se do dinheiro público no exercício de função pública) , quando governador do Estado do Pará (1984), e de vários outros ilícitos, que o levaram a renunciar ao mandado de deputado federal (2001), para evitar uma possível cassação.

No Supremo Tribunal Federal, o então ministro, Carlos Velloso, relator do pedido de reabertura de processo contra Barbalho, votou a favor, aceitando a denúncia do Ministério Público que destaca : “o vínculo causal entre os valores criminosamente desviados do Banpará e seus destinatários – sendo um deles Jader Barbalho – foi exaustivamente demonstrado pela auditoria do Banco Central”. Clique aqui para ler a denúncia do MP - da qual ninguém mais fala hoje em dia - que é de deixar qualquer um arrepiado com o tamanho do rombo.

Ora, seria um ministro do Supremo tão irresponsável a ponto de aceitar uma denúncia desse quilate se não tivesse examinado o conjunto de provas? Se a atividade criminosa de Barbalho estava devidamente comprovada por um auditoria do Bacen e o voto de um ministro do STF, ele deveria liminarmente estar impedido de voltar à vida pública, sem necessidade do Ficha Limpa. Por uma questão moral, apenas.

Mas nem sempre moral e direito caminham juntos. A legislação eleitoral, formulada pelos próprios politicos, por razões óbvias, apresentou sempre monstruosidades jurídicas como essas e outras, que permitem a Barbalho argumentar hoje que sua vida pregressa tornou-se limpa a partir do momento em que foi empossado pela justiça eleitoral no cargo de deputado federal em 2006.

Outra monstruosidade da legislação é a que permite ao parlamentar comprovadamente corrupto renunciar ao mandato antes de ser julgado por seus pares e voltar lépido e fagueiro a disputar um novo mandato no pleito seguinte, como se nada tivesse acontecido.

Por sua atualidade, e lamentando que a decisão do Supremo sobre o Ficha Limpa tenha permitido que politicos como Jader Barbalho, voltem a ocupar uma cadeira no nosso Congresso Nacional, reproduzo aqui meu artigo, repito, de dezembro de 2004, cujo título em forma de pergunta, por si só, já era uma profecia que o tempo se encarregou de confirmar.

Você acredita na punição de Jader Barbalho?

Caramba! Confesso que já tinha esquecido da história do Jader Barbalho. São tantas as irregularidades, tantas as sacanagens praticadas pelos nossos políticos que, a cada novo escândalo, aquele mais antigo passa para segundo plano e vai para a geladeira.

Pois não é que abro o jornais desta quarta e reencontro a figura rechonchuda e não muito simpática do senador e agora deputado federal, o paraense Jader Barbalho? Que, diga-se de passagem, não é um borra-botas qualquer. O homem já foi governador do Pará e presidente do Senado da República, a nossa mais alta Câmara Legislativa.

A folha corrida de Jader é de fazer inveja a muita gente que está hospedada em Bangu I e adjacências. O homem deu um rombo no Banpará quando era governador do Estado. Falam em vinte milhões de reais que foram pará (sem trocadilho) nas contas de parentes e amigos. Isso foi em 1984. O negócio era tão vergonhoso que o governador se apoderava de cheques do Banco e aplicava em CDs numa agência do Banco Itaú, no Rio de Janeiro em seu próprio nome.

Criatividade é o que não falta aos nossos homens públicos. Jader, governador, autorizava empréstimos fraudulentos a empresas que não tinham a mínima qualificação cadastral para o endividamento. Uma delas pertencia ao irmão e sócio do governador, Guilherme Barbalho. Só aí foram 300 milhões de reais que saíram dos cofres públicos e nunca mais voltaram.

As acusações não são minhas nem da mídia tradicional. São do próprio Ministro Carlos Veloso, do Supremo Tribunal Federal, que afirma com todas as letras: “o vínculo causal entre os valores "criminosamente" desviados do Banpará e seus destinatários - sendo um deles Jader Barbalho - foi “exaustivamente” demonstrado pela auditoria do Banco Central”.

Ora, o que deixa qualquer pessoa de bom senso ruborizada é tentar descobrir como tudo isso chegou até aqui sem que nenhuma providência fosse tomada. Ao contrário, depois disso tudo Jáder teria se envolvido num esquema fraudulento na SUDAM com a distribuição de verbas a empresas suspeitas, uma delas a Lunus, de propriedade do marido da ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, que acabou abatida em pleno em vôo quando tentava a indicação à sucessão de FHC quatro anos antes da eleição de Lula.

O grande problema continua sendo o da memória curta do eleitor brasileiro. Depois que tudo fez e que foi amplamente divulgado pela mídia, Jader se elegeu senador e presidente do Senado. Renunciou ao mandato para evitar uma possível cassação que o tornaria inelegível no futuro. Eis que volta nos braços do povo paraense e hoje ocupa discretamente uma cadeira na Câmara dos Deputados.

É assim mesmo. O pessoal esquece rápido do passado recente. Agora mesmo, estoura o escândalo contra Gilberto Cassab, que acaba de ser eleito vice-governador da cidade de São Paulo na chapa do tucano José Serra. Cassab foi simplesmente secretário de planejamento no governo Celso Pitta em São Paulo e, segundo as denúncias, nesse período seu patrimônio cresceu 316 por cento. Será que os eleitores não se lembraram do passado de Cassab na hora de votar? E como Pedro negou a Jesus três vezes antes que o galo cantasse, hoje Cassab tem a cara de pau de dizer que se arrepende de ter servido ao governo Pitta.

Bem, agora vamos ver com quantos paus se faz uma canoa. Jader é peemedebista e, apesar de tudo, mantém cacife eleitoral em sua terra. Ligado ao Senador José Sarney, o maior cacique do partido e presidente do Senado Federal. O governo Lula precisa urgentemente do apoio do PMBD para garantir sua base parlamentar. Pergunto: você acha, prezado leitor, que vai acontecer alguma coisa a Jáder Barbalho? Cartas para a redação.

**Eliakim Araújo - Ancorou o primeiro canal de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e do SBT e na Rádio JB foi Coordenador e titular de "O Jornal do Brasil Informa". Mora em Pembroke Pines, perto de Miami. Em parceria com Leila Cordeiro, possui uma produtora de vídeos jornalísticos e institucionais.

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