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domingo, 12 de dezembro de 2010

Batalha de Alfabetização constituiu golpe profundo contra o analfabetismo

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Presidente da Associação de Pedagógos na Província de Granma, em Cuba, Luís Manuel Ramires Villasana

A alfabetização, um processo que em Angola se arrasta desde 1976, é uma via integrada no largo caminho do Che segundo a visão estratégica estabelecida no reforço do movimento de libertação por ele e por Agostinho Neto, a 2 de Janeiro de 1965 em Brazzaville: em Angola vão ser precisos ainda muitos milhares de caminhantes para que em 2015 haja possibilidade do país se aproximar das metas estratégicas dos Objectivos do Milénio! O repto está aí: resta aos angolanos e aos cubanos apenas 5 anos para tal! – Martinho Júnior

ANGOLA PRESS

Luanda - A batalha de alfabetização em Angola, iniciada em Outubro de 1976, constituiu um golpe profundo para a erradicação do analfabetismo então existente no país, que tinha acabado de alcançar a sua independência,com cerca de 60 por cento de população iletrada.

Esta afirmação é do presidente da Associação de Pedagogos na Província de Granma, em Cuba, Luís Manuel Ramires Villasana, em entrevista à Angop, em Luanda, a propósito do 35º aniversário da proclamação da independência nacional assinalado a 11 de Novembro.

Luís Villasana, que integrou o batalhão de tanques proveniente de Cuba e que chegou a Angola em Março de 1976, referiu que ao tomar conhecimento de que em Angola se iria levar a cabo uma campanha de alfabetização prontamente se ofereceu como voluntário para essa missão.

“Quando se fez a chamada por parte da direcção da Revolução cubana para vir a colaborar em Angola eu dei um passo em frente e fui integrado no batalhão de tanques que desembarcou em Março de 1976 no porto do Lobito, tendo depois descido até ao Namibe e posteriormente seguiu para Cabinda, contudo eu era um pedagógo e não um tanquista”, explicou.

Segundo o também deputado à Assembleia Nacional de Cuba, nessa altura exerceu a função de comissário politico do batalhão de tanques em Cabinda, onde tomou conhecimento da decisão do governo angolano em realizar uma campanha de alfabetização.

“Com a fuga massiva de quadros portugueses e alguns angolanos nos primeiros meses após a proclamação da independência, Agostinho Neto, empossado primeiro presidente de Angola, solicitou a Raul Castro, que se encontrava em missão não oficial à Angola, o envio de técnicos cubanos para ajudar a colmatar a falta de quadros existentes no país, tendo-se-lhe sido aconselhado a aproveitar os militares que integravam o contingente internacionalista”, afirmou.

De acordo com Luís Villasana, a sugestão resultou da constatação de o contingente internacionalista cubano ter sido integrado por quadros formados em diversos domínios do saber e que poderiam colaborar com Angola noutras frentes que não a militar.

“Eu ouvi dizer que ia haver uma campanha de alfabetização em Angola e me ofereci para fazer parte da mesma, uma vez que já possuía experiência nesse domínio pois havia participado em acção do gênero em Cuba em 1960”, asseverou.

Realçou que ao se oferecer para participar nessa missão foi enviado para Luanda onde no Ministério da Educação se encontrou com António Jacinto, na altura titular do sector o qual lhe orientou a integrar uma comissão que iria preparar a referida campanha.

“António Jacinto na altura nos apresentou uma cartilha de alfabetização que tinha sido usada durante o período da luta de libertação nacional e solicitou-nos que adaptássemos o seu conteúdo a nova realidade do país”, referiu.

Luís Manuel Ramires Villasana explicou que foi com base nessa cartilha de alfabetização que tinha como titulo “ A Vitória é certa” que se elaborou a que foi usada durante a campanha sendo dividida em 35 lições.

“O inovador dessa cartilha elaborada entre colaboradores cubanos e professores angolanos é que cada lição tinha uma frase chave com a qual se ministravam as aulas através da divisão das sílabas das diversas palavras”, pontualizou.

Luís Manuel Ramires Villasana cumpriu missão internacionalista em Angola durante seis anos, primeiro como comissário político do batalhão de tanques, e posteriormente, no Ministério da Educação, foi um dos integrantes da coordenação da batalha de alfabetização levada a cabo no país após a proclamação da independência, a 11 de Novembro de 1975.
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