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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

CORTE CONDENA BRASIL POR CRIMES NA DITADURA MILITAR

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BLOG DO SAKAMOTO *

A Corte Interamericana de Direitos Humanos concluiu que o Brasil é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas entre os anos de 1972 e 1974, na região do Araguaia. De acordo com nota divulgada hoje, a Corte afirma que as disposições da Lei de Anistia brasileira que impedem a investigação e punição de violações contra os direitos humanos são incompatíveis com a Convenção Americana dos Direitos Humanos. Ou seja, a Lei da Anistia vai contra um documento assinado pelo Brasil e que o país deveria respeitar. A Corte concluiu também que:

- o Brasil é responsável pela violação do direito à integridade pessoal de familiares das vítimas, em razão do sofrimento pela falta de investigações efetivas para o esclarecimento dos fatos;

- o país é responsável pela violação do direito de acesso à informação, estabelecido no artigo 13 da Convenção Americana, pela negativa de dar acesso aos arquivos em poder do Estado com informação sobre esses fatos;

- o Brasil deve investigar e punir os fatos do caso por meio da justiça.

Conversei na noite de terça (14) com o brasileiro Roberto de Figueiredo Caldas, juiz ad hoc da Corte que participou da decisão. Segundo ele, “somos um país continental, portanto muito auto-referente. Agora, os olhos do mundo estão se voltando para o Brasil e é importante estar de olho, respeitar as decisões com as quais ele se comprometeu.”

Caldas lembrou também que toda a jurisprudência nacional que não observar a Convenção Americana dos Direitos Humanos é inválida. Agora, o Brasil terá que dar uma resposta a essa sentença, o que pode colocar em xeque a própria Lei da Anistia. Mas a decisão precisa ser validade pelo próprio Supremo Tribunal Federal, que meses confirmou, em um julgamento, a própria lei.

Para baixar a sentença, clique aqui.

* Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Já foi professor de jornalismo na USP e, hoje, ministra aulas na pós-graduação da PUC-SP. Trabalhou em diversos veículos de comunicação, cobrindo os problemas sociais brasileiros. É coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.
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