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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ANGOLA FESTEJA PRISÃO DE RODRIGUES MINGAS

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Diz o órgão oficial do regime angolano, o Jornal de Angola (JA), que “o embaixador angolano em França, Miguel da Costa, recordou, em Paris, aos diplomatas, que o Governo angolano mantém vivas as expectativas de ser feita justiça às vítimas do atentado de Massabi (Cabinda), perpetrado a 8 de Janeiro de 2010 contra a selecção de futebol do Togo, que iria participar no CAN 2010.

O JA, como manda a cartilha do MPLA (em muitos aspectos ainda é a mesma do tempo do partido único), mistura meias verdades e mentiras para tentar dar credibilidade a quem a não tem.

É admissível que o regime louve todos aquele que lhe vão comer à mão e que ataquem os seus adversários. Esquece-se, no entanto, de dizer que o ataque não foi feito contra a selecção do Togo mas, isso sim, contra a escolta militar e policial angolana à comitiva togolesa.

Além disso, importa não esquecer, as autoridades coloniais angolanas aproveitaram o incidente com a equipa de futebol do Togo para tentar arrasar, de uma vez por todas, todos aqueles que em Cabinda (e não só) entendem que devem lutar pacificamente pela sua causa.

Relembre-se ainda que, apesar de a colónia ter quase tantos militares da força ocupante como população, Angola vangloriou-se antes do CAN 2010, que tinha blindado o território e que nada iria acontecer.

José Eduardo dos Santos, presidente do MPLA (partido que governa Angola desde 1975) e da República há 31 anos sem ter sido eleito, mandou para Cabinda todos os meios militares considerados suficientes para que nem uma mosca perturbasse o êxito do CAN 2010.

Luanda, segundo o JA, ficou por isso satisfeita com a prisão do cidadão francês de origem cabinda, Rodrigues Mingas, que reivindicou o ataque em nome da FLEC-PM.

“De facto, uma decisão do Tribunal de Apelação de Paris, datada do passado dia 18, ordenou a colocação de Rodrigues Mingas sob prisão preventiva, até ao julgamento final. Tanto o Procurador-Geral da República quanto o juiz de instrução concordam que há matéria criminal bastante que indicia a sua ligação ao terrorismo”, escreve o JA.

Terrorismo mau, acrescente-se. Isto porque há terrorismo bom, que é – por exemplo – aquele que Angola pratica em Cabinda, onde pensar de forma diferente do regime ocupante é à partida um crime contra a segurança do Estado.

Aliás, tal como em Angola, quem em Cabinda não for do MPLA é considerado criminoso até prova em contrário. Que o digam, entre outros, Francisco Luemba ou Raúl Tati.

Escreve o JA que “o assumido mentor do atentado (...) tinha sido indiciado em Dezembro passado pela justiça francesa por associação de malfeitores com relação a uma organização terrorista e encontrava-se em regime de supervisão judiciária”.

Assim, a FLEC é uma organização terrorista tal como, durante muito tempo, durante a guerra colonial, foi considerado o MPLA. Não está mal.

“A justiça francesa está, neste caso concreto, a colaborar na procura da aplicação do direito aos factos decorrentes dos crimes cometidos no dia 8 de Janeiro em Cabinda”, concluiu Miguel da Costa.

Ou seja, porque a comunidade internacional (Portugal, CPLP, ONU etc.) atribui mais valor à razão da força do que à força da razão, a FLEC teve de mostrar (embora de forma débil) que também sabe usar a força pura e dura.

Se, como acontece no caso de Cabinda, o regime angolano só aceita dialogar com aqueles que estão de acordo, que outra solução haverá que não passe pela linguagem das armas?

**Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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1 comentário:

Anónimo disse...

OS ERROS PAGAM-SE.


1 ) A "operaçao" do grupo da FLEC foi estratégica, técnica e tacticamente mal concebida.

2 ) Sob o ponto de vista estratégico não levou em conta a psicologia dominante na conjuntura internacional, nem tampouco o facto de todas as organizações internacionais desportivas merecerem uma atenção especial como elemento de relacionamento pacífico entre as nações e os povos, pelo que a oportunidade da acção e o alvo foram mal escolhidos.

2 ) Sob o ponto de vista técnico-táctico acho que o pessoal "operacional" ou não tem treino, ou não tem pontaria, ou tem defeitos na vista: não há, ao que se sabe, polícias da escolta feridos e as baixas registaram-se na caravana do Togo...

3 ) A "operação" registou-se numa zona onde é tradicional a acção de elementos que têm tido a França como território último de cobertura.

4 ) Se o estado francês levou por diante o "Angolagate" qual a sua possibilidade de evitar levar por diante este caso?!... não basta as imunidades históricas acumuladas por exemplo com as acções dos tempos do Conde de Marrenches e Jacques Foccard?

5 ) Por que razão o assassino de Thomas Sankara e dos seus companheiros nunca foi alvo de acção judicial em França e, a partir da elevada responsabilidade que detem de há longos anosa esta parte, tem a possibilidade hoje de instigar ao sangue não só na Costa do Marfim ,mas também nas mais diversas paragens de África, em particular da África Ocidental?

Os erros pagam-se ou não?

Martinho Júnior

Luanda