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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

BRASIL E CHINA

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BRASIL E CHINA - I

CARLOS CESAR D’ARIENZO - ADMINISTRADORES

Nós brasileiros precisamos pôr o Brasil no século XXI, de fato, tirando-o, em grande medida, do século XIX.

Não faz muito tempo, a CPMF foi a grande vilâ dos nossos males econômicos e sociais. Não se podia ler nada significativo na imprensa que não a mencionasse. Chegou a ser mais discutida do que o déficit das contas da Previdência Social etc. Nada significativo, de fato, sobre nossas deficiências na estrutura econômica e debilidades de nosso sistema político, recebeu tamanha atenção por parte daqueles indivíduos que adoram discutir o que beira a irrelevância diante dos problemas que afligem o País há séculos. Parece-me que a China está ocupando esse posto.

Quando se fala na China, em comparação ao Brasil, sobretudo nos meios de comunicação tradicionais como os jornais impressos e, não raro, em revistas especializadas em negócios, mesmo em estudos técnicos sobre desindustrialização provocada supostamente por importações oriundas da China, esquece-se o fundamental : A China tem POLITBURO; o Brasil, CONGRESSO NACIONAL

Enquanto o Brasil faz a interação econômica com as questões políticas, via consenso democrático pela eleição e instalação de um Congresso Nacional, também, de um Poder Judiciário independente; na China, bastam alguns cartões vermelhos levantados em obediência ao Comitê Central do Partido, outrora Comunista. Sim senhores! não temos, no País , uma democracia em pleno funcionamento que possibilite a nós brasileiros igualdade de condições para vivermos dignamente, ainda não! Contudo, nossa democracia, mesmo incipiente, é o melhor caminho encontrado por outras sociedades ao longo da História, que estão adiantadas em relação a nós e aos chineses.

Destaco a precondição democrática para um bom sistema econômico, duradouro nos seus resultados positivos, não que a democracia torne os homens honestos e verdadeiros por sua simples adoção, mas fornece à sociedade meios e garantias para correção dos equívocos sócioeconômicos que possam ser cometidos. Penso que estamos no caminho certo (correções são necessárias) para o desenvolvimento social e econômico.

Bastaria considerar as diferenças primárias nos Sistemas Políticos de ambas as nações, para evitarmos comparações absurdas entre as duas economias, pior, evitarmos que sigamos o modelo chinês de "desenvolvimento" pelo pobre entendimento do quadro geral das nações.

"As pessoas em geral têm olhos e ouvidos, é verdade, mas não muito mais, de fato muito pouco julgamento ou mesmo memória." (A Sabedoria da Vida - Arthur Schopenhauer)

Quem desconhece as premissas de uma questão, ignora conteúdo e solução.

Não se constitui raridade que algumas demandas políticas (incluindo as partidárias) estejam apoiadas por fundamentos técnicos de economia e casem-se bem, porém, é temerário quando ações econômicas são empreendidas sem a consideração dessas mesmas demandas políticas, afinal, o Estado é uma entidade social e política, o Mercado, um elemento da economia, o primeiro representa a cidadania, o segundo uma dada estrutura econômica. Não é possível conceber e implementar mudanças em um (mercado) e esperar resultados positivos quando não se considera o outro (Estado). Estamos assistindo precisamente isso nos países árabes, atualmente.

A economia não tem o caráter de moldar o homem ao sistema de produção como disse Karl Marx : " A História do homem é a História dos modos de produção". Afinal, o homem é muito mais do que produz, consome, gasta, regulamenta ou desregulamenta. Porém, a estrutura econômica é essencial à vida em sociedade e é inseparável da estrutura social e política, ela depende das ações dos agentes econômicos, que são também sociais, políticos e culturais. Daí a necessidade de uma forma de governo democrática, para dar voz e vazão a todos segmentos de uma nação. A China terá, forçosamente, que reconhecer e implementar isso.

Os chineses são uma sociedade milenar, mas não escapam de tomar lições mesmo com a História Geral recente. Nós brasileiros precisamos pôr o Brasil no século XXI, de fato, tirando-o, em grande medida, do século XIX. Afinal, nossas relações de produção, consumo e trabalhista ainda trazem o ranço do período escravagista de nossa História. Somente depois de situar o Brasil no século XXI, é que poderemos pôr a culpa de nossas incompetências nos chineses, antes não.

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BRASIL E CHINA – II

A China apresenta mais oportunidades para o Brasil, do que ameaças.

Penso não ser apropriado fazer analogias (esperando precisão) entre economias, devemos fazer comentários e utilizarmos outras economias como exemplos, no campo das possibilidades, não das certezas. Por exemplo: o Mercosul pode utilizar alguns parâmetros da União Européia, notadamente os da Zona do Euro, objetivando integração econômica, para que equívocos semelhantes aos que poderíamos enfrentar sejam evitados ou minimizados. Adaptação, antes da implementação, termos distintos que alguns economistas, administradores e empresários brasileiros ainda desconhecem.

Isso porquê, as técnicas e teorias de Ciências Econômicas e de Administração são verdadeiras tanto para o Brasil quanto para a China ou outro país qualquer, embora as Histórias, as estruturas econômicas, e os resultados obtidos com as políticas econômicas possam ser, e naturalmente o são, completamente diferentes.

Processos de crescimento da produtividade (duradouros, sustentáveis) são o produto (resultado) do desenvolvimento socioeconômico, não são os fatores determinantes.

Aliás, o desenvolvimento econômico e social não pode reduzir-se aos elementos de Economia, mas, esses elementos são a base material de qualquer desenvolvimento no sentido amplo do termo. Todas as sociedades descritas pela História, primitivas ou não, que tenham formado seu Estado ou não, possuem cultura, que é a expressão máxima do ser humano. Não há, nesse sentido, subdesenvolvidos. Os garanis são culturalmente tão desenvolvidos quanto os dinamarqueses. O que os diferencia não é o contexto antropológico, mas o histórico, expresso pela evolução dos acontecimentos ao longo dos séculos. Para a História e Economia, há três grupos distintos de países: desenvolvidos, subdesenvolvidos e não desenvolvidos.

Os desenvolvidos integraram suas culturas ao progresso material, isso nem sempre foi feito de modo pacífico, a História da humanidade não nos deixa esquecer disso. Algo que passa despercebido a muitas pessoas é que os países desenvolvidos nunca foram subdesenvolvidos, eles foram não desenvolvidos e passaram ao estágio de desenvolvidos sem conhecer o subdesenvolvimento em grande escala e imposto por outras nações (EUA, Inglaterra, Canadá, Japão...).

Os subdesenvolvidos são aqueles países que apresentam a maior parte dos seus espaços geoeconômicos mergulhados na pobreza e miséria, porém, convivendo com áreas desenvolvidas, como se fossem ilhas num oceano. Podem-se ver carros-de-boi nos interiores, gente sem água potável, sem comida e, ao mesmo tempo há centros de excelência que produzem satélites, aviões e computadores. Normalmente os governos desses países não conseguem romper esse círculo fechado, segundo Schumpeter. Não conseguem por pressões externas e internas. Isso é subdesenvolvimento.

Portanto, o subdesenvolvimento se caracteriza entre outras coisas pela concentração em demasia dos recursos econômicos, baixa produtividade dos meios de produção e da falta de mercado interno integrado, pela existência de poucas áreas de excelência produtiva em meio às muitas não produtivas.

Entre outras características do subdesenvolvimento presente em países como o Brasil, está a ingerência de outras potências ao longo dos tempos em suas histórias e economias. Observem como é difícil para os países como a Coréia do Sul, que estão se esforçando para sair da condição de subdesenvolvimento para o desenvolvimento socioeconômico. A China utiliza sua condição de potência militar nuclear e de país mais populoso do mundo, para conseguir sair dessas pressões dos países centrais, que poderiam impedir seu desenvolvimento econômico e social.

Os países não desenvolvidos são aqueles que sequer conseguiram formar uma estrutura subdesenvolvida. Hoje eles são em menor número. Normalmente são países muito jovens, ou seja, recentemente libertos de alguma dominação colonial ou vítimas de ocupação por potências estrangeiras e, que ainda tentam construir um Estado. São os casos da Palestina, Namíbia e Timor Leste. Dificilmente os países desse grupo passarão do estágio de não desenvolvidos para desenvolvidos sem conhecer o subdesenvolvimento.

No caso do Brasil, enquanto não reformularmos o Estado no sentido de torná-lo apto a sustentar uma guinada em direção ao desenvolvimento socioeconômico, nenhum crescimento econômico será capaz de diminuir desigualdades sociais tão profundas, nem mesmo um espetáculo do crescimento, sem a reforma do Estado, qualquer crescimento econômico concentrará mais e mais a Renda Nacional.

Não há países desenvolvidos sem poder judiciário desenvolvido. As bases do desenvolvimento são a educação formal, segurança jurídica (em todos os aspectos), respeito à vida e a estruturação do Estado para servir ao cidadão. A China apresenta essa estrutura ao seu povo e ao mundo, ou nós ao nosso povo e ao mundo ?

Crescimento econômico não é indicador de economia e sociedade saudáveis, desenvolvidas. O Brasil já chegou a crescer 7% ao ano (milagre econômico 1968-1973) e quais foram as consequências ? Mesmo hoje, segundo a ONU, somos um dos países mais desiguais do mundo, na América Latina, só não ficamamos atrás da Bolívia e Haiti.

Por serem economias em desenvolvimento (Brasil e China) não significa que tenham a mesma estrutura socioeconômica. O elemento que produz pobreza e miséria no Brasil (para efeito de comparação) não está relacionado diretamente com a atividade econômica, e sim com as relações sociais. As empresas e os governos repetem nas relações trabalhistas a realidade das relações sociais. Somente mudando essa relação social, pode-se resolver a miséria e a pobreza no Brasil, e dotá-lo de um sistema econômico competitivo.

À medida que a China aprofunda-se nos moldes de uma economia capitalista, mais seus problemas se parecerão com os do Brasil : demandas trabalhistas, maior autonomia para sindicatos, problemas ambientais , pressão política para destituir o partido comunista do poder central em benefício de um Estado e governo democráticos, respeito aos contratos e ditâmes dos organismos internacionais etc. Não há como fugir disso, pois, os avanços sociais são frutos das próprias sociedades engajadas. O Estado e as elites podem capitanear as ciências, os movimentos sociais e a historiografia, por determinado tempo, mas não todo o tempo, as sociedades acabam por corrigir os desvios, tem sido assim desde a capacidade de filosofar, praticar ciência e fazer crítica política, as três grandes descobertas da humanidade.

Existem argumentos de parte dos empresários brasileiros, que a China representa ameaça para várias indústrias. Isso não tem fundamento, a idústria mundial, inclusive a brasileira, faz uso da capacidade de produção chinesa para evitar em suas próprias economias o fenômeno da inflação e o aumento dos custos das empresas.

Os EUA estão se recuparando com inflação baixa. Quem está financiando as dívidas interna e externa dos EUA, mais do que o capital financeiro japonês? Quem importa grandes volumes do Japão e Coréia do Sul, Formosa, Cingapura, da União Européia e mantém investimentos produtivos no restante do extremo-oriente e no próprio Brasil ? a China ! Além disso, a China é membro da OMC e as salvaguardas comerciais são os instrumentos de proteção aceitos pelos seus membros, inclusive o Brasil, que deve e pode fazer uso delas.

Do mesmo modo, será que esses empresários acreditam que os aumentos de juros no Brasil são por causa da inflação ? As suas empresas formam preços reais ? Os salários no Brasil são justos ? A concorrência no País é ampla e honesta ? Os argumentos dos EUA para as sobretaxar produtos brasileiros são verdadeiros ?

A China apresenta mais oportunidades para o Brasil, do que ameaças.

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