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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Guerra Colonial: Acontecimentos continuam envoltos...

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... em "muita deturpação, desinformação e paixão" - Vasco Lourenço
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CRISTINA FERNANDES FERREIRA – LUSA

Lisboa, 05 fev (Lusa) - O presidente da Associação 25 de Abril defende que, 50 anos depois do seu início, continua a existir "muita deturpação e desinformação" em torno da guerra colonial, o que gera um olhar "mais apaixonado do que racional" sobre os acontecimentos.

"Continua a haver muita deturpação, muita desinformação e muita paixão à volta dos acontecimentos. Estão vivos ainda muitos dos que foram obrigados a ir à guerra, que sofreram na pele, que viram companheiros seus morrer ou ficar feridos, que eles próprios ficaram feridos ou com stress de guerra", diz Vasco Lourenço.

Em entrevista à Agência Lusa, a propósito da passagem dos 50 anos dos acontecimentos que a 04 de Fevereiro constituíram o embrião da guerra colonial em Angola, o capitão de Abril acrescenta que a isto se juntam "sequelas no processo de descolonização" que tornam esta questão "mais num problema de paixões do que racional".

Vasco Lourenço lembra que passam também 50 anos sobre a reabertura do campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, e da criação do campo do Missongo, em Angola, acontecimentos "igualmente condenáveis".

"É todo um conjunto de acontecimentos que nos deve levar a tentar analisar o que se passou para acabar com algumas afirmações de indivíduos que ainda hoje dizem que Angola devia continuar a ser portuguesa e que estão prontos para ir defender Angola, etc... como às vezes de ouve por esse país fora, em situações mais apaixonadas do que lúcidas", diz.

O presidente da Associação 25 de Abril acredita que será "complicado" em breve a sociedade portuguesa ter um olhar racional e de rigor histórico sobre a guerra.

"O facto de ter sido um processo muito longo, de ter sido necessária uma rutura levada a cabo pelas Forças Armadas para encontrar a paz, não ter sido possível fazer uma transição para a independência pacífica e terem vindo forçados muitos portugueses que estavam nas então colónias...demora a sarar", considera.

Meio século depois das primeiras ações violentas dos movimentos independentistas em Angola, Vasco Lourenço evoca sobretudo "o início de uma guerra que podia ter sido evitada" se os governantes da altura tivessem percebido que se estava a "entrar num buraco sem saída".

"Esses primeiros acontecimentos são o resultado da cegueira de não entrar em conversações e negociações para encontrar uma solução política para os problemas do ultramar e obrigaram os movimentos de libertação a entrar na fase armada da luta pela independência, a fase do terror a que se responde com o terror e deu origem às chacinas de parte a parte", refere.

Vasco Lourenço, que estava no primeiro ano da Academia Militar e viria mais tarde cumprir uma comissão na Guiné-Bissau, sustenta que esses primeiros acontecimentos "foram explorados até ao tutano" pelo regime para criar "uma onda de indignação" que pôs "praticamente todo o país a apoiar uma resposta violenta" ao que se passava em Angola.

Diz que as Forças Armadas cumpriram "extraordinariamente" o seu papel à espera que fosse encontrada uma solução política e que acabaram por servir de "bode expiatório", de um conflito que "o ditador Salazar" sabia que ia acontecer.

Cineastas
dizem que os portugueses não olham para as feridas do passado

LUSA

Lisboa, 05 fev (Lusa) - António-Pedro Vasconcelos, Margarida Cardoso e João Botelho, três realizadores que colocaram a guerra colonial no cinema, dizem agora, 50 anos depois do começo do conflito, que os portugueses não olham para as feridas do passado.

"Um Adeus Português", de 1985, é considerado o primeiro filme português de ficção a abordar diretamente a questão da guerra colonial e João Botelho fê-lo porque "não aguentava mais o silêncio", disse à agência Lusa.

"Foi uma guerra de desgaste, de podridão e senti que precisava de romper o silêncio", recordou, admitindo que fez o filme também como uma espécie de catarse pessoal, porque lhe morreu um irmão em treinos militares.
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