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terça-feira, 8 de março de 2011

ANGOLA PEDE AJUDA PARA VÍTIMAS DAS CHEIAS

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O país inteiro tem sofrido fortemente de catástrofes naturais relacionadas com os impactos das alterações climáticas - Fotografia: Elautério Silipuleni

JORNAL DE ANGOLA – 07 março 2011

O Ministério do Ambiente pediu ontem, em Luanda, que sejam mobilizados com urgência apoios internacionais para acudir às necessidades das populações afectadas pelas chuvas nas províncias do Namibe, Benguela e Cunene.

Os apoios enquadram-se nos programas de adaptação e mitigação das alterações climáticas.O apelo do Ministério do Ambiente é dirigido à comunidade internacional, Nações Unidas, Instituto Internacional do Planeta Terra e Organizações Não-Governamentais estrangeiras.

O país tem sofrido fortemente de catástrofes naturais relacionadas com os impactos das alterações climáticas, não obstante fazer parte dos que menos emitem gases com efeito estufa, que têm como consequências as alterações climáticas, segundo o Ministério do Ambiente, em nota de imprensa divulgada ontem, em Luanda.

As fortes enxurradas que se abatem ultimamente em algumas províncias do país têm afectado as populações do interior e sul de Angola. Estas fortes chuvas devem ser vistas como resultado das alterações climáticas, segundo o Ministério do Ambiente. Este facto, segundo o comunicado, tem levado a um engajamento sem precedentes do Executivo face às prioridades originadas pelos impactos destes fenómenos. O Ministério reconhece que a solidariedade às populações afectadas tem sido desencadeada em vários quadrantes da sociedade, entre académicos, sociedade civil e público em geral, mobilizando os meios de assistência possíveis.Este é o Ano Internacional das Florestas e a nível nacional o Ministério do Ambiente instituiu como Ano Nacional da Educação Ambiental e Cidadania. Por isso, o Ministério do Ambiente apelou aos governos provinciais a darem prioridade, nas suas agendas, a programas e acções que visem mitigar os efeitos das alterações climáticas.

O Ministério sugere, por isso, campanhas de arborização, programas de educação e sensibilização ambiental das populações, programas de gestão sustentada de terras e resíduos, com vista a evitar-se construções em locais inapropriados como encostas, leitos de rios secos, zonas de dunas, entre outras, bem como a utilização de material local para ajudar à contenção das ravinas em áreas de risco.

Sociedade deve apoiar as famílias afectadas

A sociedade nacional deve mobilizar-se para acudir, com bens diversos, as famílias afectadas pelas chuvas que se fazem sentir no interior das províncias do Namibe e do Cunene. O apelo foi feito pelo presidente da Rede Ambiental Mayombe, Januário Augusto, ontem, em Luanda.

"Estamos preocupados com o que aconteceu nas localidades de Bibala (Namibe) e Ombanja (Cunene) e as informações prestadas pelos nossos representantes nessas regiões revelaram que existem famílias ao relento a passar sérias dificuldades, visto que perderam os seus haveres em consequência das chuvas", referiu Augusto Januário.

Os populares mais afectados pela chuva precisam de roupa usada, incluindo cobertores, utensílios domésticos, alimentação, produtos de higiene pessoal, água potável, entre outros, segundo Januário Augusto.

O ambientalista considerou "preocupante" a situação ambiental nos municípios de Bibala (Namibe) e Ombanja (Cunene), onde as chuvas causaram a destruição dos habitats de algumas espécies animais, como aves e répteis.

No quadro das alterações climáticas, que podem estar na base das constantes e fortes quedas pluviais, uma equipa de técnicos do Ministério do Ambiente e da Rede Ambiental Mayombe segue, no decorrer desta semana, para as referidas regiões para constatar o estado de degradação das zonas sinistradas.

Especialistas do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros realizam já um trabalho aturado nessas regiões, com vista a acudir os populares afectados. O ministro do Urbanismo e Construção, Fernando Fonseca, terminou no domingo uma visita de trabalho à província do Namibe.

Depois de ter constatado os prejuízos em várias localidades do país, aconselhou a população no sentido de abandonar as áreas de risco para se evitarem mortes e destruição dos seus bens. Fernando Fonseca disse na ocasião haver necessidade de se fazerem trabalhos de reconversão e requalificação dos leitos dos rios na região e estudar-se a situação da regularização das margens.

Apelou também para a necessidade de se construírem pontes e estradas dimensionadas, no sentido de resistirem a determinadas cargas pluviais. Referiu ainda que há necessidade de se prestar maior atenção aos trabalhos nos diques de retenção em algumas barragens, bem como elaborarem-se planos de contenção das águas.

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