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terça-feira, 8 de março de 2011

OS INSACIÁVEIS DA DESGRAÇA

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JOSÉ RIBEIRO – JORNAL DE ANGOLA – 06 março 2011

A Palavra do Director

Os angolanos lutaram de armas na mão pela independência nacional e pelo resgate da liberdade e da dignidade. Ajudaram a Humanidade a libertar-se do colonialismo e da sua forma mais agressiva, o apartheid. Nessa altura, o Ocidente nunca esteve do seu lado, tentou marginalizar Angola do concerto das nações livres e fez tudo para impedir o desfecho vitorioso da sua luta.

Os angolanos não são um povo de ressentimentos e mal conhecem a palavra vingança. Por isso, aceitam tudo. Mas nunca a comunidade internacional agradeceu ao povo angolano o seu contributo para a paz, a democracia e a estabilidade na África Austral.

Os angolanos fizeram as suas opções e foram coerentes com os seus princípios. Mas não são respeitados por isso. A própria potência colonial estimulou movimentos que puseram em causa a soberania angolana e a integridade territorial.

Depois de décadas de sacrifícios e abnegação sem limites, os angolanos aceitaram negociar. Com esse gesto ajudaram a Namíbia e a África do Sul. Mas ninguém agradeceu, ninguém distinguiu os dirigentes angolanos com o Nobel da Paz que bem merecem pelo contributo para a paz mundial.

Falou-se de eleições. Os angolanos perceberam que não se tratava de um genuíno movimento a favor da democracia. Os que defendiam as eleições em Angola estavam apenas a preparar uma esparrela. E mais uma vez a potência colonial colaborou nesse embuste e vários dirigentes políticos portugueses de proa excederam-se nas ingerências.

Os angolanos foram a votos. Uma maioria absoluta de eleitores deu a vitória ao melhor. Em qualquer país democrático os resultados apurados eram suficientes para dar a mão à palmatória. Mas aconteceu o contrário. A Imprensa portuguesa alinhou na mentira da fraude eleitoral.

Nos últimos dias surgiram ameaças à paz e estabilidade em Angola. Ameaças reais. Em nenhum país ocidental se ouviu uma voz de solidariedade. Muito menos de condenação dos aventureiros do costume que estão sempre disponíveis para fazer sangue. Estranho que os argumentos dos que ameaçaram deitar a baixo a estabilidade e a paz em Angola sejam exactamente os mesmos dos que ouvimos do líder da oposição, que se distanciou da “confusão” mas elogiou o comportamento irresponsável do deputado Camalata Numa como “acto heróico”. Em Portugal um político do partido do governo apressou-se a insultar o Presidente José Eduardo dos Santos e a vaticinar, ante as câmaras da SIC Notícias, que depois de Kadhafi “cai o José Eduardo”. E para Lisboa seguiu o líder da UNITA, sem disso dar conta, uma vez mais, à imprensa do seu país. Ninguém na cena política portuguesa se indignou com os planos de Numa e os insultos do político do partido do governo português. Nem sequer a Direcção do seu partido se demarcou de tão grave incitação ao golpismo.

Ouvimos tantas declarações bem intencionadas, todos dizem que somos irmãos, que estamos juntos no mesmo combate pela democracia e pelo desenvolvimento, mas quando os angolanos são atacados, quando são insultados, quando lhes faltam ao respeito, Portugal e outros países ocidentais que se dizem amigos, mergulham num silêncio sepulcral.

Angola vive para a paz. Acabou com a guerra. Está a reconstruir o país. Tem excelentes condições para o investimento externo. A economia está aberta a todos os que vierem por bem e tiverem capacidade para ajudar a sair do subdesenvolvimento. O Executivo está a pagar as dívidas atrasadas. Foi aprovada há um ano uma Constituição da República que tem na matriz a democracia, os direitos, liberdades e garantias. Apesar disso, há muita gente que não escondem que está preparada para aproveitar o menor sinal de fraqueza dos angolanos. E muitos dos que se dizem amigos estão ansiosos pelo mais pequeno fracasso.
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