• A MORTE DA HISTÓRIA - *John Pilger* *Um dos mais louvados "eventos" da televisão americana,The Vietnam War, arrancou agora na rede PBS. Os directores são Ken Burns e Lynn Novi...
    Há 17 horas

sábado, 19 de março de 2011

AS MENTIRAS NAS PALAVRAS

.

ANGOLA 24 HORAS – 19 março 2011

Os momentos de óbitos ou festas são oportunidades para debaterem-se muitos assuntos politicos, sociais, culturais, juridicos…Estive recentemente num destes acontecimentos.Sentei-me ao lado de um grupo de jovens que debatiam sobre a politica nacional.

Quando um deles disse que os discursos politicos proferidos por JES, na prática são sempre um fiasco. Pois na realidade sempre acontecem ao contrario e citou alguns exemplos. As um milhão de casa que seriam construidas traduziram-se em mais demolições e as chuvas também fizeram a sua parte.

Quanto a tolerância zero, nunca em Angola foi publicitado quiçá nunca aconteceu, um roubo tão maior do que os mais de 100 milhões de dólares americanos. A questão da democratização do país, está cada vez pior, os métodos de aliciamento e os factos ilustram muito bem. Actuação da comunicação social pública e alguma privada são tristes e perderam os alicerces que tinham já construído sobre a imparcialidade, o pluralismo…Como afirmou Nelson Pestana”o partido no poder nunca deu provas de ter abandonado a ditadura, pelo contrario durante 16 anos foi sempre a contramão da democracia e apenas gozava de uma maioria simples”.

Os presentes que testemunhavam essas reflexões, ficaram surpresos com o rigor e a análise real da situação. Como sempre não faltam os medrosos. Estes aconselharam-no que devia ter cuidado, podem matá-lo. O jovem calmamente respondeu:

-” Posso morrer, irei ao lado Jesus Cristo.”

Os argumentos apresentados levou-me a fazer uma reflexão aos discursos políticos e sua aplicabilidade .Os discursos políticos estão sempre recheados de inverdades, frontalidades, e de promessas irrealizáveis. Raramente, diz-se a verdade. Angola tem sido o palco principal dessas manobras políticas, dizer para os outros “sentirem”a dicção. Decide passar a pente fino as palavras recentes. Após a paz a expectativa e a esperança que se criaram no seio do povo, “Angola agora nova”. Pareciam que anarquia e a “sanzalice” terminariam. Lembram-se do caminho-de-ferro que apitaria no Kuito, adiado permanente. O combate a pobreza, as condições sócias básicas é um oceano de azares que nos perseguem.

Para ilustrar que muitas vezes a uma grande distância entre o que se diz e o que se vive. Vou passear por alguns pronunciamentos extraído do comunicado do bureau político do Mpla “ o Mpla garante que continuará, no quadro da legitimidade democrática, a respeitar á diferença e a promover a liberdade de expressão e de opinião, na firmeza convicção de que a democracia deve ser valorizada, e a unidade dos angolanos preservada, no espírito de reconciliação e fortalecimento.”Como diziam os sofistas a vida real é outra coisa.

Quanto a manifestação para derrube do regime, que os deixou sonâmbulos. Convocaram-se as pessoas para uma marcha patriótica e não partidária como cantavam os discursos. Dias depois reapareceram dizendo “os milhões de angolanos que participaram na marcha, em todas as províncias, foi uma prova elucidativa de que Angola é verdadeiramente um país organizado, e que todo o seu povo ama a paz, o MPLA e, sobretudo, respeita o seu líder, José Eduardo dos Santos.Que hipocrisia!

As vezes fico com a sensação que somos simplesmente receptores e não reflectimos e tudo que ouvimos absolvemos sem indagar-se. O momento crucial para se afirmar a confiança e eternidade do poder, não é a caminhada. Entretanto as politicas socias crediveis, democraticia e governação mais humanas, viradas para o progresso e desenvolimento.Que se tire a ideia que tudo vai bem e se nada se fez é a guerra.Excepto os prédios de dinheiro que se construiram!

Os defensores do tormento permanente e interminável do povo diriam, que o país somente tem paz de 9anos e a guerra durou mais tempo. Claro que é uma verdade. Saibam que mandatos são quatro anos e nós já temos “duas legislaturas”. Problemas básicos ainda não foram resolvidos quase tudo é feito a correr. Não estou a dizer que nada foi feito, digo apenas que muita coisa foi feita pessimamente. Infelizmente falta humildade política para reconhecer. Como se explica que a promiscuidade entre negócios públicos e privados não causou ainda vitimas? Se quando o Chefe falou dançou-se, Nada. Disseram que o povo é especial porque continua a viver desgraça e é facilmente manipulada. O vício da instrumentalização da alma e da imprensa que exibem, contrariam com o dia-a-dia de labuta e suor por parte do cidadão comum para ter-se o razoável para sobreviver. O mais grave é que já não há diferença entre o profano e o divino! Até se comparou o “senhor” ao Jesus Cristo.

Existem frases que já fazem partem do léxico politico angolano como”Angola está a mudar para melhor”. Se isto é o melhor imaginem o pior.”Candidato natural JES”Ensinam-me na quarta classe que somos 14 milhões, embora ainda não haja uma estatística actual. Parece utopia que só um cérebro é capaz de ser o presidente. “Destruíram o país”, não justifico a força para alcançar os intentos porém somos tão racionais para sabermos que os dois lados destruíram e mataram. "Vamos fazer de Angola, é bom lugar para se viver."Quando meus Deus? O mais importante é resolver os problemas do povo. Sempre adiados. Penso que estes argumentos só revelam a nossa fraca capacidade de debater assuntos do país, e a falta de intervenções políticas mais inteligentes. Aconselho a relerem os seus discursos. Lembram-se pessoas certas nos lugares certos? Certa vez dissera Eduardo Agualusa “ A grandeza da democracia está na diversidade de opinião e não na pobreza de pensamento.”

Domingos Chipilica Eduardo, em Benguela

Angola24horas.com
.

Sem comentários: