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quarta-feira, 2 de março de 2011

FILHO DE OBIANG QUER CONSTRUIR IATE DE 288 MILHÕES DE EUROS

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Teodorin Obiang

LIBERAL

Lisboa, 01 Março – Um dos filhos do presidente da Guiné Equatorial planeia, segundo a Global Witness, construir um iate no valor de 380 milhões de dólares, uma quantia quase três vezes superior ao que o país gastou em programas sociais em 2005.

A alegada construção do que seria um dos iates mais caros do mundo – cerca de 288 milhões de euros – é, de acordo com a Global Witness, um exemplo de como a economia na Guiné Equatorial (país rico em petróleo e gás natural) é gerida como uma conta pessoal pelo clã Obiang e dos seus aliados.

A organização - que se baseia em provas recolhidas junto da construtora alemã Kusch Yachts – adianta que os planos para o navio foram encomendados por Teodorin Obiang, um dos filhos de Teodoro Obiang, chefe de Estado que governa a Guiné Equatorial desde 1979, país que aspira tornar-se membro de pleno direito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O design básico do navio foi completado pela Kusch Yachts em Dezembro de 2009 pela quantia de 250 mil euros, precisa a Global Witness.

O valor total do navio é quase três vezes superior ao que a Guiné Equatorial gastou em programas sociais, incluindo saúde e educação, em 2005.
Apesar de a data de entrega ter sido marcada para finais de 2012, a construção do navio de 118 metros, – equipado com um cinema, restaurante, bar, piscina e um sistema de segurança no valor de 1,3 milhões de dólares – ainda não terá começado.

Segundo contas da Global Witness, o filho de Obiang, que pelo cargo de ministro no governo do seu pai recebe mensalmente um ordenando de 6,799 dólares (cerca de 4.900 euros) precisaria de 4.600 anos para conseguir pagar o iate.

"As evidências apontam para corrupção numa escala que não seria possível ou atraente se países como a Alemanha e os EUA não fossem locais de refúgio, em termos de livre passagem para ele [Teodorin] e para a sua questionável riqueza privada", critica Gavin Hayman, responsável da Global Witness.

Com a descoberta de grandes reservas de petróleo e de gás natural, na década de 1990, o pequeno país centro africano converteu-se no terceiro maior produtor de petróleo na região da África subsariana.

Mas a grande riqueza procedente da exploração petrolífera contrasta, no entanto, com o real padrão de vida da população na Guiné Equatorial.

Três em cada quatro pessoas no país (75 por cento), dos pouco mais de 630 mil habitantes, vivem abaixo do limiar da pobreza. Grande parte da população vive sem electricidade e acesso à água potável. A esperança de vida é de 52 anos, a mortalidade infantil é elevada e a desnutrição afecta 19 por cento dos menores de 5 anos.

A Human Rights Watch e o Instituto Soros salientam que o grande negócio do petróleo beneficia "principalmente a classe dirigente e os seus aliados", que mantêm um "monopólio absoluto sobre a vida política e económica" do país.

Recorde-se que Cabo Verde vem estreitando cada vez mais as relações com a Guiné Equatorial e na semana passada o Presidente daquele país africano, Teodoro Obiang, passou por Cabo Verde, onde manteve um tete-a-tete com o seu homólogo, Pedro Pires.

*Com a Lusa
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