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quarta-feira, 2 de março de 2011

SEM FRONTEIRAS

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Kadafi contrata mercenários-pilotos

Wálter Fanganiello Maierovitch – Terra Magazine

Na falta de pilotos, Kadafi coloca mercenários nos aviões de guerra e tenta bombardear a petrolífera Sirt. No Mediterrâneo, aproxima-se o super Kearsarge americano

Com as deserções em massa, o tirano Muammar Kadafi, que ainda controla a capital Trípoli (oeste) e contesta a legitimação do governo de transição instalado em Bengasi (leste), ficou desfalcado de pilotos para os seus aviões de guerra.

Os mercenários contratados por Kadafi até os primeiros dez dias da revolta não pilotavam aviões de guerra.

A última leva de mercenários veio do Mali e de Níger, que estão entre os países mais pobres da África.

Os contratados anteriormente foram arregimentados no Sudão, Chade, Libéria, Nigéria e Etiópia. São chamados de “mastins de guerra” ou de “capacetes amarelos” (em oposição aos capacetes azuis das missões de paz da ONU)

A novidade ocorreu ontem. Kadafi acabou de contratar mercenários que pilotam aviões de guerra. Segundo propalado pela Líbia, a contratação foi a peso de ouro. Mais ou menos o triplo do recebido pelo chamado “mercenário de infantaria”, ou seja, três vezes US$30 mil.

Ontem, para surpresa, aviões realizaram disparos em Brega, na região da Cirenaica.

O alvo, consoante analistas, eram os poços de petróleo mantidos pela Sirt Company e controlados pelo governo de transição liderado por Mustafá Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça de Muammar Kadafi.

Não se sabe ainda o número de mercenários que atuam pró-Kadafi.

Ontem, fontes da Tunísia exageravam ao estimar em 150 mil o número de mercenários. O certo, no entanto, é que para trabalhos de campo e até o fim da revolta receberam US$30 mil.

Os mercenários de reforço chegaram a Trípoli em aviões líbios, como informado pela rede televisiva Al Arabyia.

Depois de o chefe do Ministério Público do Tribunal Penal Internacional (TPI) ter noticiado a intenção de abrir investigações preliminares em face de crimes contra a humanidade e genocídios na Líbia (confira o post de ontem deste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine), o coronel Kadafi reagiu.

Kadafi, numa resposta indireta ao procurador do TPI, declarou “jamais ter autorizado disparos contra o seu povo”. Pelo que percebe, Kadafi não considerou os que protestaram em praças como parte do que chamou de “o seu povo”. Por isso, soltou, com ordem para matar, os mercenários, a sua tropa pretoriana e os militares do exercito que lhe são fiéis.

O Pentágono começou ontem a deslocar a frota do Mediterrâneo. Aproxima-se do litoral Líbio o Kearsarge, com 1.800 marines, mísseis, aviões não tripulados e base para movimenação de helicópteros.

PANO RÁPIDO. O quadro geopolítico na Líbia poderá sofrer alterações em termos de intervenção internacional com roupagem de ajuda humanitária.

Como Kadafi demonstrou disposição de atacar poços petrolíferos, a Otan pode entrar em cena com a demarcação de zonas de impedimento de voos, navegação e circulação de tanques e veículos de guerra.

Como o interesse financeiro está sempre em primeiro lugar, as chamadas zonas de exclusão, cogitadas na reunião de sábado passado pelo Conselho de Segurança, poderão voltar à pauta. Afinal, aurum non olet (o ouro não tem cheiro). E é o ouro negro a bússola que orienta as decisões dos organismos internacionais.
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