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sábado, 5 de março de 2011

O IMPERIALISMO ALEMÃO E A CRISE NA LÍBIA

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DIÁRIO LIBERDADE

[Peter Schwarz e Alex Lantier, Tradução de Diário Liberdade] Enquanto o Coronel Muammar Kadafi encara uma crescente oposição interna vinda da massa de trabalhadores e de segmentos do seu próprio regime, a Alemanha surge como uma experiente participante na preparação para uma intervenção imperialista na Líbia.

Já há uma semana, a marinha alemã enviou três navios de guerra com 600 soldados nos arredores da costa líbia – num momento que os Estados Unidos estavam ainda analisando qual ação tomaria. Ao fim da última semana, dois aviões alemães modelo Transall voaram da ilha de Creta para Líbia, aparentemente para resgatar cidadãos da União Europeia (UE) da instalação de petróleo de Al-Nafoura. Diversas unidades de paraquedistas treinadas para operações de apoio atrás das linhas inimigas se juntaram às unidades de Transall em Creta.

A mídia alemã tem pressionado para a criação de uma área com voos proibidos na Líbia. Como no Iraque, isso seria o primeiro passo para alvejar os aviões de guerra da Líbia e tomar controle do espaço aéreo do país. A mídia também pressionou para o congelamento dos fundos líbios no exterior.

Essas medidas são justificadas com argumentos humanitários – para proteger a população insurgente do regime de Kadafi. Tais pretextos humanitários são absolutamente cínicos e sem nenhuma credibilidade. Não houve nenhuma proposta similar para que as forças alemãs ficassem de prontidão para evacuar cidadãos europeus de países com outros regimes pró-Ocidente – como Egito, Tunísia, Barein e Iêmen – que atiraram contra seu próprio povo ao longo das revoltas de massas que abrangeram o Norte da África e o Oriente Médio.

As razões pelas quais a mídia e os representantes de estado advogam tratamento diferente para a Líbia não são difíceis de descobrir. Líbia é grande, com uma população espalhada, e possui reservas maciças de uma commoditie que exporta em grandes quantidades para a Europa – petróleo. O país se oferece como um alvo mais tentador para ser saqueada pelo imperialismo do ocidente, que continua a balançar sob os choques da crise global econômica.

Corporações alemãs obtiveram grandes lucros na Líbia, desde 2004, quando o então Chanceler Gerhard Schroeder, um socialdemocrata, visitou Kadafi pela primeira vez. A Wintershall, uma subsidiária da BASF, baseada num investimento de U$2 bilhões, se tornou na maior produtora estrangeira de petróleo na Líbia. Companhias industriais alemãs como a Siemens também estão bastante envolvidas com a Líbia, ganhando grandes somas de projetos de infraestrutura financiados pelo dinheiro do petróleo líbio.

A Alemanha, não menos que os Estados Unidos e outros poderes imperialistas, teme as implicações de um vácuo político se Kadafi cair. Atualmente, não está claro quem está liderando o movimento de oposição. Em entrevistas desde Benghazi e de outras cidades controladas pelas forças anti-Kadafi, muitas pessoas deixaram claro que se opõem a intervenções de grandes potências.

A Líbia, que sofreu pesadamente sob os ditames coloniais da Itália, tem uma longa tradição de luta antiimperialista – uma tradição que Kadafi explorou antes de fazer as pazes com o imperialismo.

Para defender os investimentos das corporações alemãs realizados junto à ditadura de Kadafi, Berlim deve conseguir ameaçar – e, portanto, fazer uso – com força militar. Essa é uma razão fundamental para explicar o porquê que o exército e marinha alemães estão enviando forças para a região.

A declaração aberta do apetite imperialista de Berlim vai de mãos dadas com o ressurgimento de uma rivalidade pública com outros poderes imperialistas para a divisão dos saques. Comentando sobre a performance de Westerwelle (foto) [ministro alemão das Relações Exteriores] em Genebra, o site Spiegel Online escreveu: “A Alemanha está cumprindo um papel ativo no Mediterrâneo e não está concedendo terreno para a França e Itália, que estão mais comprometidas que Berlim em razão de suas ligações com as antigas e atuais potências no Norte da África. Depois de uma hesitação inicial em relação aos governantes na Tunísia e no Egito, o ministro de Relações Exteriores foi bem direto no caso da Líbia.”

A pressa precipitada da elite governante alemã em flexionar seu músculo militar na Líbia sugere que ela enxerga a crise como uma oportunidade de eliminar quaisquer restrições remanescentes do pós-Segunda Guerra para o exército alemão.

Para a Alemanha, uma intervenção na Líbia representa um passo para frente em direção ao completo retorno do país ao círculo das grandes potências. Também dá continuidade à participação do país tanto na guerra do Kosovo em 1999, quanto na ocupação da OTAN no Afeganistão, e a uma campanha orquestrada pelos políticos alemães para sobrepor o sentimento antimilitarista existente na população alemã – produto de experiências devastadoras do nazismo e de duas guerras mundiais.

Depois que o presidente alemão Horst Köhler se demitiu em Maio passado em protesto às críticas sobre suas declarações de que a participação da Alemanha no Afeganistão buscava proteger interesses econômicos, o Ministro da Defesa Karl-Theodor zu Guttenberg defendeu publicamente o uso das forças militares para defender interesses econômicos alemães.

O principal freio político para prevenir a disseminação da guerra imperialista por todo o Oriente Médio, e, em última instância, pelo mundo, é a oposição nas massas de trabalhadores. As grandes potências ainda não decidiram abertamente em despachar tropas para o território líbio, temendo poder ficar presos numa guerra sem fim contra a população, como no Afeganistão, e que isso possa provocar oposição popular – tanto em casa, onde guerras são odiadas, quanto entre as massas do Oriente Médio que estão agora se insurgindo pela região contra as ditaduras apoiadas pelo imperialismo.

Isso significa, entretanto, que a questão de desenvolver uma nova perspectiva e liderança políticas para as rápidas lutas da classe trabalhadora que se desenrolam são urgentes. A questão crítica é como a classe trabalhadora pode lutar contra a guinada imperialista rumo à guerra.

O governo conservador alemão tem conseguido perseguir seus objetivos militares sem obstáculos em razão da falta de qualquer oposição por parte dos partidos políticos estabelecidos, que adotaram posições abertas pró-militarismo e pró-imperialismo, e que suprimiram o sentimento antiguerra das massas.

O presidente da fração parlamentar do partido Social-Democrata e ex-ministro de Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, deu estrondosas boas-vindas para as sanções do Conselho de Segurança da ONU, e o governo da Alemanha as apoiou. O vice-presidente, Gernot Erler, apoia a proibição de voos na Líbia, além de solicitar uma autorização sob o Capítulo 7 da Carta de Princípios da ONU. Essa cláusula foi usada pelo governo dos Estados Unidos para justificar a guerra do Iraque.

Apoio também chega do lado do Partido Verde. No dia 25 de fevereiro, a líder dos Verdes Cláudia Roth atacou o governo alemão por ser demasiado brando com a Líbia. “As deliberações da União Europeia por sanções contra o regime de Kadafi vêm muito tarde e estão mais do que atrasadas”, disse Roth. Ela criticou a inação da União Europeia e do governo “para ajudar a moldar a política da UE contra Kadafi com um plano claro de ação”, e “pressionou por uma política de sanções efetiva, rápida e em conjunto.”

O Partido de Esquerda [Die Linke – N.T.], de forma notória, se ausentou em comentar a situação na Líbia, e tem evitado criticar o posicionamento estratégico da marinha alemã por toda a costa líbia, em sincronia com o Partido Social-Democrata e os Verdes. Ao invés disso, o partido está preparando para minar e desmobilizar qualquer oposição a uma nova guerra.

A membro executiva Christine Buchholz, que entrou no Partido de Esquerda como uma membro da fração Linksruck (Internacional Socialista), realizou uma pequena declaração chamada “Líbia: sem intervenção militar.” Nela, ela convoca por um embargo armamentístico, mas aconselha contra uma intervenção militar, argumentando que poderia levar “as pessoas para trás do regime e custar muitas vidas.”

Isso mostra a atitude imoral do Partido de Esquerda, que funciona como um conselheiro do governo alemão para as melhores táticas para defender os interesses imperialistas. Buchholz sugere uma oposição com princípios contra a intervenção imperialista na Líbia, avisando do caráter colonialista de quaisquer sanções pelas grandes potências, e insistindo que essa é uma função das massas líbias, não do imperialismo, para se livrar eles próprios tanto de Kadafi como da burguesia líbia como um todo.

Ela não fala em nome nem da classe trabalhadora líbia nem da alemã, que devem ver Westerwelle e a chanceler alemã Angela Merkel, assim como seus colegas do SPD, como seus mais amargo inimigos de classe.

As questões sociais e políticas que levaram milhões para as ruas no Magreb e no Oriente Médio – pobreza, desigualdade, a falta de direitos democráticos – não podem ser resolvidas dentro do sistema capitalista. Essas mesmas questões estão levando milhões de trabalhadores na Alemanha, Europa e por todo o mundo a lutar contra a aristocracia financeira e seu sistema político enraizado.

A luta por democracia está necessariamente ligada à luta do poder dos trabalhadores e à transformação socialista da sociedade por toda a região e mundo afora. Os trabalhadores alemães devem demonstrar sua solidariedade aos trabalhadores líbios e árabes, opondo-se a qualquer intervenção militar, e se mobilizando contra os exploradores em seu próprio território orientados por políticas socialistas e internacionalistas.

**Traduzido para Diário Liberdade por José Platão
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1 comentário:

Anónimo disse...

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