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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Portugal: A ESCOLHA ENTRE AUSTERIDADE E AUSTERIDADE

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PAULO MARTINS – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião - 31 março 2011

Ponhamos as coisas na crua simplicidade: por mais diversas que sejam as opções disponíveis, das próximas eleições sairá, como sempre, um mandato para PS ou PSD assumirem a liderança do Governo. E o que têm para oferecer a um país exaurido esses dois partidos?

Os socialistas, é sabido, queixam-se de que não os deixaram aplicar mais um pacote de austeridade, que tão prestimosamente Sócrates prometeu a Angela Merkel. Os sociais-democratas já esclareceram que só não deram a bênção ao PEV IV porque não era suficientemente duro.

Temos, portanto, as linhas programáticas de cada um dos grandes partidos claramente definidas: um promete austeridade, o outro austeridade promete. Quando se enfrentarem num debate televisivo, José Sócrates há-de dizer a Pedro Passos Coelho: "Eu garanto que ponho todos os cidadãos a pão e água". Já se adivinha a resposta: "O senhor é um esbanjador. No estado em que estamos, devia ter vergonha de investir na compra de pão, que custa os olhos da cara. Eu comprometo-me a distribuir água".

Austeridade por austeridade, resta ao eleitor escolher a que tiver uma cor mais a seu gosto. Até porque, pelo andar da carruagem (rumo à estação do FMI?) nenhum deles oferece um caminho de futuro, uma nesga que seja de perspectiva de sairmos do fosso em que estamos enterrados.

É nesta convergência em torno do aperto de cinto que navega a ideia de um entendimento alargado entre partidos, no pressuposto de que é o instrumento mais eficaz para atravessarmos a tempestade, rumo à bonança. Não se percebe bem (talvez seja esse o objectivo) que "entendimento alargado" é esse. Um novo Bloco Central? Uma nova AD? Uma "tripla" PSD, PS, CDS? Um governo "dos melhores" dos três partidos, como preconiza Portas, que cheira demasiado a tecnocracia?

Assumam desde já que alianças querem propor - se é que querem mesmo - para conhecermos as regras do jogo antes de decidirmos. Porque democracia é afirmação da diferença, ainda que assente em acordos mínimos. É alternativa política, que não pode dissolver-se em "uniões nacionais" como açúcar em café. Em tempo de prosperidade como em tempo de crise.


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