quinta-feira, 12 de agosto de 2010

CEDEAO - passar das palavras aos actos para ajudar a Guiné


ANGOLA PRESS

Bissau - O presidente da comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Vitor Gbeho defendeu hoje (quarta-feira), em Bissau, que a organização deve passar das palavras aos atos para ajudar a Guiné-Bissau a retomar a normalidade democrática e o desenvolvimento.

O responsável africano falava na cerimónia de abertura da reunião extraordinária da comissão dos chefes das Forças Armadas da CEDEAO, que decorre em Bissau até quinta feira, onde, entre outras coisas, vai ser analisada a situação militar da sub-região com particular destaque para a Guiné-Bissau.

Vitor Gbheo fez um breve historial sobre a evolução política na Guiné-Bissau, tendo destacado o papel das Forças Armadas desde a criação da Nação guineense, mas salientou que, à luz dos diagnósticos feitos, "têm sido exageradas" as vezes que os militares intervêm no curso normal do país.

Preocupado com a situação, a comissão da CEDEAO deu instruções à cúpula dos chefes militares da organização, no sentido de trabalhar para "encontrar soluções válidas para combater o impasse que surgiu no processo que possa conduzir a Guiné-Bissau novamente à democracia, boa governação e ao desenvolvimento económico".

Por seu turno, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Nigéria, presidente em exercício da comissão dos chefes militares da CEDEAO, o marechal Paul Dick afirmou que as Forças Armadas têm a oportunidade de escolherem entre promover o desenvolvimento da Guiné-Bissau ou serem "agentes do caos".

"É minha pura convicção deque as Forças Armadas têm aqui, agora, uma oportunidade histórica para escolherem entre serem agentes do desenvolvimento socioeconómico e da coesão do país ou então serem, irremediavelmente, agentes do caos", afirmou Paul Dick.

O responsável nigeriano justificou também os motivos pelos quais a Guiné-Bissau deve aceitar a vinda de uma missão de estabilização, que poderia ajudar a reformar as forças armadas e combater o crime organizado.

"O país tem sido uma plataforma do tráfico de droga. A Guiné-Bissau precisará hoje mais que nunca dos apoios e da intervenção dos parceiros da CEDEAO, juntamente com a comunidade de países da língua portuguesa e outros parceiros", defendeu o oficial nigeriano.

Paul Dick fez questão de sossegar os guineenses, referindo que a vinda de qualquer missão internacional não terá intenções hostis, mas sim de ajudar a resolver os problemas.

"Sossego os guineenses que qualquer missão da nossa comunidade aqui não visará molestar algum elemento das Forças Armadas, ou meter-se nos assuntos internos do vosso país. Será sempre uma missão de irmãos e colegas profissionais, que pretendem apenas ajudar o povo deste belo país", disse.

Para Paul Dick, o que a CEDEAO e outros parceiros pretendem é "ajudar a realizar os anseios de um futuro bom para a Guiné-Bissau", bem como dos países da sub-região, fazendo vincar a democracia e preservar a lei.

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