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domingo, 19 de dezembro de 2010

Portugal - O BENEFÍCIO DO INFRACTOR

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NUNO SARAIVA – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

Com o arranque dos debates televisivos, foi dado, formalmente esta semana, o tiro de partida para as eleições presidenciais. E, desde logo, ficou clara a regra que temos pela frente: 10 janelas de, no máximo, 30 minutos para, alegadamente, discutir o estado de um país inteiro. Quem "impôs" a norma, já percebemos, é quem menos interesse tem no debate, isto é, quem tem contas a prestar.

Sem querer agora fazer qualquer juízo de valor ou balanço do mandato que Cavaco Silva está a terminar - e que dificilmente não será renovado -, ou sobre a qualidade dos outros candidatos na corrida a Belém, o facto é que, salvo qualquer imponderável, com apenas meia hora por duelo com os seus adversários, o recandidato a Presidente da República fará tão-só "um passeio pela avenida".

A verdade é que, em tão curta conversa, Cavaco Silva será poupado à exposição mediática, tantas vezes traiçoeira, e Manuel Alegre, Francisco Lopes, Fernando Nobre e Defensor Moura serão necessariamente económicos no confronto e no escrutínio político da actuação do actual Presidente da República.

Por outro lado, quem assistiu aos primeiros confrontos, pode ter ficado com uma ideia errada sobre o objecto das eleições marcadas para 23 de Janeiro. Ouvindo os candidatos, há quem possa ter-se convencido de que estes têm por objectivo concorrer a outro cargo que não o de Presidente da República. Recordemos algumas das propostas e promessas feitas esta semana. Houve quem anunciasse que se baterá pela redução do número de deputados à Assembleia da República, quem garantisse que não permitirá que seja posto em causa o Estado social, quem se comprometesse com a defesa intransigente do Serviço Nacional de Saúde ou da escola pública.

Sem prejuízo da bondade das ideias, sejamos sérios. Nenhuma destas aqui reproduzidas cabe no caderno de encargos que um presidente da República leva para o Palácio de Belém. Ao Chefe do Estado compete um papel mediador, de magistratura de influência e de zelo pelo regular funcionamento das instituições. Elaborar programas de governo ou prometer medidas concretas é para candidatos a cargos executivos.

Também por isto era necessário dar tempo aos candidatos para que estes pudessem, seriamente, fazer, repito, o escrutínio político de quem agora cessa funções. Para que a 23 de Janeiro ninguém fique com dúvidas sobre se a decisão do árbitro, que é o povo, beneficia ou não o infractor.

Uma imagem estranha

Esta semana, antes do Conselho Europeu, José Sócrates conseguiu um feito quase inédito: apareceu ao mesmo tempo em São Bento ao lado dos patrões e do líder da UGT. O primeiro-ministro chamou os parceiros sociais para lhes dar conhecimento do pacote de 50 medidas para o crescimento que depois apresentou aos restantes líderes europeus. Em Bruxelas como em Lisboa (excepção feita à coerente CGTP), Sócrates ouviu elogios, tanto mais estranhos quando, há menos de um mês, João Proença alinhou ao lado de Carvalho da Silva numa greve geral contra medidas como estas.
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