terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ANTONOV ANGOLANO LEVA ARMAS PARA A COSTA DO MARFIM

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VOZ DA LUSOFONIA

De acordo com o jornal “The Sunday Times”, um avião de carga Antonov An-22, com matrícula de Angola, transportou toneladas de armas de Harare para Laurent Gbagbo, o presidente derrotado pelo voto popular na Costa do Marfim.

De acordo com o jornal, o transporte do armamento para as forças fiéis ao amigo do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, terá sido feito durante o Natal e a passagem de ano.

Fontes em Harare disseram ao “The Sunday Times” que o presidente do Zimbabué, e também amigo do regime angolano, Robert Mugabe, autorizou a remessa de armas após um apelo de Gbagbo que oferece petróleo em troca de ajuda militar.

As fontes citam como líder da operação um empresário chinês, identificado apenas como Sam Pa, que terá garantido a Mugabe que não deixaria pontas soltas que pudessem implicar o presidente do Zimbabué.

A aeronave descolou da base aérea Manyame fora de Harare, desconhecndo-se a quantidade exacta de armas, apenas se sabendo que o Antonov, de fabrico russo, pode transportar até cerca de 80 toneladas de carga.

Ainda de acordo com o jornal, militares do Zimbabué e oficiais dos serviços secretos acompanharam o transporte até bases na Costa do Marfim e foram entregues aos militares fiéis a Laurent Gbagbo.

A entrega clandestina coloca Mugabe contra as Nações Unidas, e contra os líderes do oeste africano e da União Africana, que pressionam Gbagbo a ceder o poder a Alassane Ouattara, vencedor da segunda volta das eleições de Novembro, segundo os resultados verificados pelas Nações Unidas.

Recorde-se, como muito bem disse o Jornalista Carlos Narciso no seu blogue (http://www.blogda-se.blogspot.com/), em Março de 2007, “foi Angola quem pôs Joseph e Laurent Kabila no poder, no Congo Democrático (que raio de designação para um país daqueles…) e que sustentou esse regime “dinástico” durante a guerra civil”.

“Angola fez o mesmo no outro Congo plus petite, idem para o Zimbabwe. Angola não se inibe de provocar quedas de regimes que não lhe convenham. Foi o que fez com todos os que apoiavam Savimbi, só falhando o golpe de estado que preparou na Zâmbia”, escreveu Carlos Narciso, acrescentando que “nos países onde a pressão da comunidade internacional consegue a realização de um simulacro de democracia, com eleições gerais mais ou menos livres e justas, os “cavalos” angolanos vencem sempre”.

Publicada por Orlando Castro
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1 comentário:

Anónimo disse...

PAZ SIM, NATO NÃO.

1 ) Todos os dias centenas, senão milhares de aeronaves militares e unidades navais de combate dos Estados Unidos e da OTAN se espalham pelo mundo sem merecer um único comentário.

2 ) Até estados anémicos como Portugal possuem ao serviço da OTAN navios em pleno Índico Norte!

3 ) Em África a coberto dessa imunidade, uma parte desses mesmos meios (inclusive meios nucleares) circula e actua completamente à vontade, sem controlo de nenhuma instituição internacional séria que dignifique a paz e isso tudo num continente que ousou declarar-se livre de armas nucleares.

4 ) Escamotear os problemas e só incidir obstinadamente sobre as folhagens, mantendo no abstracto raiz, tronco e ramos, é uma forma e um método de se impedir a consciência sobre a situação terrível que a humanidade vive nesta "casa comum" que é a Terra.

5 ) Quantas aeronaves, por exemplo, pertencentes a Victor Bout, não circularam livremente em África contribuindo para as "guerras dos diamantes de sangue" e as "guerras do coltan" e foi preciso que Victor Bout se metesse em negócios de armamento na Colômbia para levar um "basta" dos Estados Unidos...

6 ) Terceiras bandeiras como as de Angola, ou do Zimbabwe são por vezes vínculos da "estratégia de tensões" desencadeadas pelo capitalismo à ocidental, pela via dos Estados Unidos, da OTAN e de outros "Tratados" similares e só existem por que os africanos são muitas vezes obrigados a tal em função das ingerências das potências.

7 ) Há alguém, por exemplo, que se debruce sobre as bases militares francesas existentes de há décadas no Continente e sobre a circulação dos meios que alimentam a operatividade dessas bases?

8 ) Para quê e porquê a continuação de unidades militares francesas na Costa do Marfim?

9 ) Paz sim, NATO não, implica atacar o problema a partir da sua raiz, de forma a que a iniciativa se espalhe pelo ronco, pelos ramos, até chegar à folhagem; partir da folhagem para o abstracto é mera propaganda.

Martinho Júnior

Luanda