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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Presidente da República aponta desafios da diplomacia angolana

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ANGOLA PRESS - 07 fevereiro 2011

Luanda – O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, declarou hoje, segunda-feira, em Luanda, que um dos importantes desafios que se colocam à política externa e à diplomacia angolana é o de promover e defender os interesses, o prestígio e a imagem do país junto da Comunidade Internacional.

Discursando na abertura do IV conselho consultivo alargado do Ministério das Relações Exteriores, José Eduardo dos Santos disse que deve-se continuar a desenvolver acções político-diplomáticas que conduzam ao desenvolvimento da Comissão do Golfo da Guiné, da Conferência dos Grandes Lagos e das Comunidades Económica Sub-Regionais Africanas nas quais o país está inserido, nomeadamente a SADC e a CEEAC.

“Não nos esqueçamos que detemos a Presidência da CPLP por dois anos e que é nosso dever tudo fazer para que as deliberações desta Comunidade aprovadas na Cimeira de Luanda e de outras não aplicadas, sejam implementadas com êxito”, sublinhou.

Neste contexto, prosseguiu, temos de priorizar a concretização do programa para a Guiné-Bissau e para adopção do português como língua de trabalho da Organização das Nações Unidas.

“Devemos igualmente, dentro das nossas reais possibilidades, contribuir para a resolução dos problemas globais, particularmente daqueles que afectam o nosso continente e assumirmo-nos simultaneamente como um factor de paz, segurança regional e mundial e agindo como parceiro justo disposto a partilhar interesses, a cooperar com vantagens recíprocas na construção de um mundo cada vez melhor”, indicou.

Neste quadro, o estadista disser ser importante reforçar o papel do multilateralismo na resolução dos problemas universais, seguindo a lógica de um novo pensamento de responsabilidades e benefícios partilhados com base no reconhecimento dos legítimos interesses de todas as partes e na sua concertação, com vista a serem encontradas soluções exequíveis.

José Eduardo dos Santos observou que hoje é cada vez maior o reconhecimento geral de que as instituições criadas há mais de 60 anos atrás, ou depois da II Guerra Mundial, carecem de reformulação e adaptação às novas realidades do mundo actual.

“É assim necessário envolvermo-nos activamente neste processo de reforma e continuar a luta por uma participação efectiva e mais ampla de África no Conselho de Segurança das Nações Unidas, no Fundo Monetário Internacional e nos órgãos informais como o G20, G8 e outros”, defendeu.

O Chefe de Estado exprimiu a sua satisfação pela iniciativa da realização do conselho consultiva alargado, cujos resultados, terão conforme anteviu, efeitos positivos no futuro trabalho dos embaixadores e dos funcionários das Relações Exteriores.
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1 comentário:

Anónimo disse...

ÁFRICA MERECE PAZ!

1 ) A história de África é uma história de violência e barbárie praticamente desde a época do mercantilismo que produziu uma das primeiras e mais trágicas globalizações – a época do “comércio triangular” que tinha na escravatura o seu maior investimento e lucro.

2 ) No período post-colonial, mais de 500 anos depois da chegada dos primeiros ocidentais, pela primeira vez as elites africanas têm alguma expressão efectiva; estão muito longe de ser perfeitas: assumem parcerias que são “contra natura”, enriquecem ilicitamente, são corruptas, agarram-se ao poder e circundam-no com todo o peso de influência de um grupo de famílias privilegiadas, neutralizam os esforços de várias gerações em prol do movimento de libertação, aceitam o neo colonialismo, têm imensas dificuldades em lutar contra o subdesenvolvimento, são refractárias ao aprofundamento da democracia, etc., etc….

3 ) Há uma coisa que elas contudo, também por razões de sobrevivência, não se podem esquivar: procurar a paz.

4 ) É evidente que se está numa paz plena de desequilíbrios, com uma fossa de desigualdades que continua a crescer, com terríveis Índices de Desenvolvimento Humano, com o presente envenenado duma “democracia representativa” que conduz à sujeição nos relacionamentos internacionais perante o poder das potências ocidentais, uma paz frágil e extremamente vulnerável.

5 ) Está-se muito longe dum equilíbrio social desejável, do desenvolvimento sustentável, da participação cidadã na solução das coisas públicas e nas decisões do estado, duma saúde compatível com a dignidade humana, duma educação perfeita e tendo como base um universo de 100% de alfabetizados… está-se muito longe até dos Objectivos do Milénio…

6 ) Mas esta paz precária, frágil e vulnerável é o início duma cultura que se deve alargar e aprofundar e as vias de multilateralismo favorecem-na, por que pela primeira vez há potências no plano global que a troco das riquezas do continente não chegam pela via militar, não carregam armas e procuram trazer pelo menos alguns benefícios mútuos e a hipótese de haver muito mais respeito entre as nações e os povos.

7 ) Com todas as fragilidades e vulnerabilidades desta paz, ela pode propiciar o fim da barbárie e as elites africanas, se quiserem garantir sua própria sobrevivência, não têm outra alternativa senão cultivá-la, segui-la e lapidar o diamante da emancipação real dos povos e das nações em construção.

8 ) Cabe aos homens de consciência solidária, que colocam o homem e o ambiente como prioridades, ao assumir a crítica responsável à lógica do capitalismo, reforçar as medidas que são essenciais a África nos campos da saúde, da educação, do acesso à água potável, da necessidade de urbanização, sanidade pública, habitação condigna, reforçar as medidas que tragam maior dignidade humana e respeito pela natureza e é aí que eu me esforço por situar.

9 ) A paz é um profundo acto cultural que implica um renascimento para África, que será um caminho longo mas que colocará o continente em vias de resgate no lugar em que o tão sacrificado e explorado homem africano merece!

Martinho Júnior

Luanda.