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sábado, 19 de março de 2011

CASTAS DAS ARÁBIAS

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MARTINHO JÚNIOR

Um dos grandes dilemas dos Estados Unidos enquanto “virtuoso herdeiro” do império anglo-saxónico e hoje seu principal mentor, foi a constituição federal do estado republicano.

Como foi que a aristocracia financeira mundial enfrentou, lidou e “deu a volta” a esse “problema” manipulando, um “problema” aliás que se punha à migração transatlântica das grandes fortunas bancárias das dinastias financeiras europeias no início da “metamorfose” do império britânico? (1)

O capitalismo, pela via da revolução industrial, teve engenho e arte para, tirando partido da expansão do conhecimento científico e tecnológico, primeiro estabelecer as pontes financeiras próprias das bem sucedidas casas que se encastelaram desde a sua matriz, temperadas com as guerras napoleónicas, depois, em sucessivos processos sociais elitistas bastante dinâmicos (à medida dos resultados financeiros, dos lucros), estabelecer as castas oligárquicas nas metrópoles, espalhando sucedâneos “clientes” feitos à sua imagem e semelhança, submetidas ao seu sistema na Terra, para além do “timing” do colonialismo, ou seja, após as independências de bandeira e pouco se incomodando com as consequências locais, quaisquer que elas fossem. (2)

Se no princípio a revolução industrial impunha o domínio de territórios, o seu processo de refinação levou ao domínio das finanças, ao domínio da economia, como ao domínio por parte da aristocracia dos expedientes sócio políticos de gestação, arquitectura, consolidação e manipulação das elites e por via das elites, do poder, de forma tentacular, por todo o mundo. (3)

Sem castas sociais autóctones formadas no início, o capitalismo nos Estados Unidos formou-as na medida em que os grandes capitais de família foram sendo empregues nas corporações que absorveram as ciências e as técnicas que foram surgindo com a revolução industrial.

O sector da energia com base no petróleo e o da indústria com base nos minerais (e com o tempo o sector do armamento), são exemplos da gestação, arquitectura, consolidação e manipulação de algumas das castas sociais corporativas nos Estados Unidos. (4)

Esse expediente extremamente selectivo, dinâmico, elitista, acompanhou sempre aqueles que detiveram os maiores lucros, bebendo da matriz que constituíram as casas familiares da aristocracia financeira e ganharam expressão global, na medida que a conexão desse poder interferia pela via da política e dos interesses, nos relacionamentos com outras nações da Terra, com o emprego da força como pela via da persuasão.

As corporações familiares norte americanas (em especial as texanas) do sector do petróleo, foram inexcedíveis desde o momento que estabeleceram pontes com o exterior e particularmente no contacto que passou a haver com as monarquias arábicas, principalmente a saudita.

As castas familiares elitistas norte americanas do sector do petróleo e os senhores feudais sauditas detentores do espaço de exploração do petróleo barato da península Arábica, conseguiram entendimentos profundos desde a primeira metade do século XX, “casando-se” sob o ponto de vista de interesses, as casas dos magnates norte americanos, com as casas das nobres famílias feudais arábicas: os reis, os emires, os sultões, os sheiks…

A dinastia Bush e a casa Saud são disso garantes e exemplo: o “Carlyle Group” é nesse sentido um “produto acabado” eficiente e captador de novos associados espalhados nas elites de todo o mundo, agora também presentes em Angola. (5)

A osmose das casas elitistas do petróleo sucedâneas do império britânico, tornou-se dominante, até por que se foram apoiando na matriz financeira migrada da Europa, as casas Rohtschield, as casas Lehman, as casas Morgan, etc., que aliás se apossaram da Reserva Federal conforme denúncias do banqueiro rebelde e congressista que foi Louis McFadden. (6)

Essa osmose, primeiro aproximou dos reis, dos emires, dos sultões, dos sheiks arábicos, os magnates texanos do petróleo, depois, a partir dessa experiência comum, reforçaram os conceitos sociais que se prendem à gestação, arquitectura, consolidação e manipulação de elites onde quer que elas sejam produzidas por todos os recantos da Terra, (onde quer que os Estados Unidos tivessem relacionamentos e interesses corporativos do petróleo e com o tempo, para além deles em negócios de outra natureza).

Essas elites nada têm de democrático, nem nas conjunturas sociais onde elas imperam, nem nas conjunturas políticas de referência.

A democracia representativa nos Estados Unidos, tal como o espectro sócio-político feudal das monarquias arábicas, tornaram-se cada vez mais exemplos de negação de democracia, que cada vez mais tendem para o absolutismo das classes tornadas dominantes pela lógica capitalista do lucro sem medir a consequências. (7)

As revoltas das multidões de deserdados da Terra nas nações árabes periféricas à Arábia Saudita estão a suceder-se duma forma sem precedentes, podendo contagiar outras nações que compõem este minúsculo Planeta Azul, nossa matriz e nossa condição.

As oligarquias latino-americanas da cintura das “repúblicas bananeiras”, por exemplo, sustentam-se desse “modelo” de conceitos até hoje e o caso flagrante das Honduras, 200 anos depois das bandeiras efémeras das independências, é exponencial. (8)

As humanísticas, que tiveram um incremento enorme de conhecimento com a revolução industrial, por via da antropologia cultural, da sociologia, da psicologia social, da psicologia, da própria história, serviram de inspiração antes de mais ao campo capitalista, para aplicação na fermentação de elites, das oligarquias e da aristocracia, estabelecendo os paradigmas dos relacionamentos com as outras classes e com a sua clientela, estabelecendo a identidade do poder que cada vez mais se foi tornando em rede global.

Por todo o planeta em função dos efeitos directos e indirectos duma conjuntura dessa natureza que tende para uma “engenharia social” que toca as raias dum “apartheid”, um “apartheid” exposto até na geografia humana das cidades mais cosmopolitas, as resistências vão-se desencadeando face às cada vez mais insuportáveis condições de vida e de repartição dos meios e benefícios.

A “especulação & filantropia” de George Soros aproveitou-se dessas humanísticas, da filosofia de Karl Popper e da “corrente ascendente” da globalização nos termos dos interesses, conveniências, manipulações e desígnios da aristocracia financeira mundial, interconectando-se com os veios dos serviços de inteligência e “alavancando” seus interesses nas sociedades locais, inclusive na formatação das elites de conveniência. (9)

George Soros pela via da “Open Society”, como pela via dos capitais, está omnipresente em Angola integrando o pacote de manipulações, tirando partido da contradição entre “especulação financeira” e “filantropia” com agitação social e política, aproveitando-se das fragilidades ideológicas do poder post 1992 para “ocupar o espaço vazio” abandonado pelo fim da mobilização nacional na luta contra o colonialismo e o “apartheid”, recorrendo quantas vezes aos aliados internos mananciais e apêndices dos expeditos processos de globalização sem fronteiras, com muitos lucros, com muita corrupção e com muita especulação. (10)

George Soros integra hoje também a plataforma do “Carlyle Group”, uma plataforma propícia para a aristocracia, as oligarquias e as elites com interesses nas corporações da banca, do petróleo e do armamento, estabelecendo a “rede” de negócios e até os “lobbies” comuns que beberam da experiência entre os magnates texanos e os monarcas das Arábias.

Castas das Arábias, perseguindo a lógica capitalista “crescei e multiplicai-vos” de acordo com os desígnios, os interesses e as manipulações da aristocracia financeira mundial, por que “é de vós o reino da Terra”, à custa dos biliões de deserdados e do próprio planeta, cada vez mais exaurido e arriscado para a vida de todas as espécies existentes, entre elas a própria espécie humana. (11)

Martinho Júnior - 14 de Março de 2011

Notas:
- (1) – Bilderberg Group – Wikipedia –
http://en.wikipedia.org/wiki/Bilderberg_Group ; http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Bilderberg ; "The True Story of the Bilderberg Group" and What They May Be Planning Now – Stephen Lendman – Global Research – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=13808 ; O discurso de Daniel Estulin sobre Bilderberg no Parlamento Europeu – Octopus – http://octopedia.blogspot.com/2010/06/o-discurso-de-daniel-estulin-sobre.html
- (2) – As sequelas da Operação Condor – Tony Solo – Resistir Info –
http://resistir.info/eua/operacao_condor.html ; Novas revelações sobre a Operação Condor – Historianet – http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=158 ; Operação Confor – Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Condor ; Mesa redonda informativa Os Estados Unidos e o terrorismo na América Latina efetuada nos Estudos da Televisão Cubana, a 3 de junho de 2002, “Ano dos Heróis Prisioneiros do Império”- http://www.cuba.cu/gobierno/documentos/2002/por/m030602p.html
- (3) – Revolução Industrial –
http://www.consciencia.org/a-revolucao-industrial-dos-seculos-xix-e-xx ; Depois da revolução industrial – http://www.antropologia.com.br/pauloapgaua/trab/dep.pdf ; Revolução Industrial - Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Industrial
- (4) – Petróleo – Wikipedia –
http://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo ; Salvar o(s) rei(s) – Martinho Júnior – Página Um – http://pagina--um.blogspot.com/2011/03/salvar-os-reis.html ; O petróleo e o envolvimento militar dos EUA no Médio Oriente – http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp001946.pdf
- (5) – Les liens financiers occultes des Bush et des Ben Laden – Thierry Meyssan – Reseau Voltaire –
http://www.voltairenet.org/article7613.html ; Le Carlyle Group, une affaire d’initiées – Réseau Voltaire – http://www.voltairenet.org/article12418.html ; Carlyle Group - Réseau Voltaire – http://www.voltairenet.org/mot120862.html?lang=fr ; Saudi Aramco – Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/ARAMCO#History
- (6) – Louis McFadden – Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/Louis_Thomas_McFadden ; The Federal Reserve: An astounding exposure 1934 – http://www.conspiracyarchive.com/NWO/Federal_Reserve_McFadden.htm ; Louis McFadden (1876-1936): an American hero – Richard Cook – http://dandelionsalad.wordpress.com/2008/07/21/louis-t-mcfadden-1876-1936-an-american-hero-by-richard-c-cook/
- (7) – Sociocapitalismo –
http://www.slideshare.net/pjvalente/o-sociocapitalismo ; A crise da democracia representativa – http://espectivas.wordpress.com/2009/10/21/a-crise-da-democracia-representativa/ ; Uma reflexão sobre democracia representativa – http://democratadirecto.wordpress.com/2009/10/22/uma-reflexao-sobre-o-fim-da-democracia-representativa/
- (8) – Honduras: golpe de estado teve selo “made in USA” diz Zelaya –
http://cebrapaz.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=246 ; O envolvimento dos Estados Unidos no golpe das Honduras – http://odiario.info/?p=1240 ; Golpe derruba governo legítimo de Arbenz na Guatemala – Diário Liberdade – http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=4188:hoje-na-historia-golpe-derruba-governo-legitimo-de-arbenz-na-guatemala&catid=93:direitos-nacionais-e-imperialismo&Itemid=106 ; United Fruit Cº - Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/United_Fruit_Company ; Banana republic - Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/Banana_republic ; La United Fruit Cº - Pablo Neruda – http://dedonacara.com.br/2010/05/la-%20united-fruit-co-by-pablo-neruda/
- (9) – Colour revolution – Wikipedia –
http://en.wikipedia.org/wiki/Colour_revolution ; George Soros - Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/George_Soros ; Jogos africanos de George Soros – Martinho Júnior – Página Um – http://pagina--um.blogspot.com/2011/01/blog-post_26.html
- (10) – Mercenários até quando? – II – Martinho Júnior – Página Um –
http://pagina--um.blogspot.com/2010/11/mercenarios-ate-quando-ii.html ; A constitutional democracy or feudal capitalism? – http://www.polarbearandco.com/mainedem/cdc.html
- (11) – A outra tragédia – Reflexões de Fidel – Granma –
http://www.granma.cu/portugues/reflexoes/19julio-reflexoes.html
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