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sexta-feira, 11 de março de 2011

Sismo de magnitude 8.9 - JAPÃO EM ALERTA DEPOIS DE SISMO E TSUNAMI

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Helena Geraldes, Susana Almeida Ribeiro – Público – 11 março 2011

Um sismo de 8.9 na escala de Richter abalou hoje o nordeste do Japão, provocando um tsunami de enormes proporções que invadiu algumas áreas costeiras. O Governo fala em 32 mortos.

Vagas com dez metros de altura abateram-se na zona costeira da região de Sendai e outras de sete metros na prefeitura vizinha de Fukushima. Na província de Miyagi, uma vaga carregando detritos e lama arrastou, a grande velocidade, os campos agrícolas por onde passou. Em alguns locais, a água entrou até cinco quilómetros para o interior.

“Fomos sacudidos tão violentamente que foi preciso baixarmo-nos para não cair”, testemunhou uma responsável do município de Kurihara, à AFP.

As estações de televisão nipónicas difundem em directo imagens de casas inundadas e automóveis submersos pelas águas. Colunas de fumo elevam-se por cima de localidades no Nordeste da ilha principal de Honshu onde, até ao momento, foram registados 40 incêndios.

Na baixa de Tóquio, os edifícios abanaram de forma violenta e os trabalhadores invadiram as ruas a meio da sua jornada de trabalho. A AFP fala no desmoronamento de um edifício em Tóquio onde 600 estudantes participavam numa cerimónia de entrega de diplomas. Há pelo menos 20 feridos, indica a BBC.

"Estava no meu escritório, num décimo andar. As paredes começaram a tremer e depois os móveis também. Nunca tinha vivido algo assim. Tive mede", comentou Saki Horikane, uma funcionária a trabalhar no bairro de Ginza, citada por aquela agência de notícias.

O Governo nipónico, através da Agência de gestão de catástrofes e incêndios, reviu o número de mortos para 32. Um homem de 67 anos morreu esmagado por um muro que ruiu e uma mulher pelo desabamento do tecto da sua casa na região de Tóquio. Três outras pessoas morreram na região de Ibaraki, a norte da capital, depois de a sua casa ter ruído.

Várias pessoas estão feridas e outras desaparecidas. O primeiro abalo - o mais forte a atingir o Japão nos últimos 140 anos, segundo os sismólogos - espoletou uma série de incêndios e fez parar os comboios no país. Um dos incêndios ocorreu numa refinaria da cidade de Ichihara, na prefeitura de Chiba, perto de Tóquio, consumindo tanques de armazenamento de combustível.

As redes de telecomunicações fixas e móveis estão a registar fortes perturbações. Em Tóquio, quatro milhões de lares estão sem electricidade.

Os transportes são um dos sectores mais afectados. O sismo levou o aeroporto internacional de Narita, a 50 quilómetros de Tóquio, a suspender todos os voos e a evacuar os seus edifícios. Os transportes ferroviários e rodoviários também foram interrompidos em grande parte do arquipélago, especialmente em Tóquio e na sua região, bloqueando milhões de pessoas que "tomaram de assalto" os hóteis da cidade. Os comboios expresso Shinkansen estão parados em todo o Nordeste e as auto-estradas da região de Tóquio foram encerradas poucos minutos depois do primeiro abalo.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, já falou ao país após o violento sismo, lamentando o sucedido e oferecendo as suas condolências às vítimas do desastre. Indicou igualmente que já está em marcha a construção de um quartel-general para as operações de emergência e assegurou que não foi detectada nenhuma fuga radioactiva nas centrais nucleares do país.

Ainda assim, foi declarado estado de emergência na central nuclear de Onagawa, em Miyagi, depois da deflagração de um incêndio num dos edifícios do complexo, noticiou a estação de televisão Sky News. Já foi activado no local um procedimento de arrefecimento emergência.

O Ministério da Defesa já enviou as suas forças navais para a zona de Miyagi, outra das zonas mais afectadas pelo maremoto.

A zona "mais perigosa possível" para formação de tsunamis

O sismo, que teve epicentro a cerca de 400 quilómetros de Tóquio e a uma profundidade de 32 quilómetros, ocorreu às 14h46 (05h46, hora portuguesa) e foi seguido por uma série de réplicas de grande magnitude.

Apesar de a agência geofísica americana (USGS) ter registado o sismo numa magnitude de 8.9 na escala de Richter, a uma profundidade de 24,4 quilómetros, a agência meteorológica japonesa indicou, por seu lado, que o sismo atingiu os 8.8 na escala de Richter e que se localizou a uma dezena de quilómetros de profundidade e a cerca de cem quilómetros da costa nordeste da ilha de Honshu, no Oceano Pacífico.Contactado pelo PÚBLICO, o director do Instituto Geofísico D.Luís, Jorge Miguel Miranda, indicou que nesta zona do mundo ocorre uma subducção, ou seja, uma área de convergência de placas tectónicas, onde uma das placas desliza para debaixo da outra. "Esta é a zona mais perigosa possível do ponto de vista da formação de tsunamis".

O sismo foi registado em todas as estações da Rede Sísmica Nacional operada pelo Instituto português de Meteorologia. "Este sismo foi gerado num regime compressivo, em zona de subducção, situação em que a placa do Pacífico mergulha sob a placa Norte Americana. Sendo o sismo superficial, com epicentro no mar e uma magnitude elevada, deu origem a um tsunami cuja primeira vaga atingiu a costa do Japão pelas 06h35", informa o instituto.

De acordo com um comunicado do Instituto português de Meteorologia, "o sismo teve uma série de percursores, que tiveram início há dois dias com um sismo de magnitude 7.2 e pelo menos três sismos de magnitude superior a 6. Este tipo de ambientes tectónicos, em regime compressivo, são os que têm maior capacidade de gerar os chamados grandes sismos".

O sismo mais forte de que há memória ocorreu no Chile, a 22 de Maio de 1960, com uma magnitude de 9,5 na escala de Richter.

Operação de evacuação em curso em várias ilhas que esperam chegada das vagas

Logo após o sismo foi emitido um alerta de tsunami para o país, que se estende nas próximas horas a todo o Pacífico, incluindo Indonésia, Taiwan, Havai, Austrália, Ilhas Marianas e às regiões costeiras russas junto ao Pacífico. Nas Filipinas, as autoridades ordenaram a evacuação das zonas costeiras e aconselharam os habitantes a dirigirem-se para o interior. Os sismólogos alertam para a chegada das grandes vagas entre as 17h00 e as 19h00 locais (09h00 e 11h00, hora portuguesa). A ordem de evacuação abrange 19 das 74 províncias do país, onde vivem 94 milhões de pessoas.

Também os habitantes das zonas costeiras no Havai estão a abandonar as suas casas, depois do alerta de tsunami. “Temos cerca de quatro horas para evacuar o litoral”, disse John Cummings, dos serviços de Honolulu responsáveis pelas situações de emergência. Automóveis foram requisitados para transportar os habitantes e turistas e as autoridades preparam-se para abrir centros de acolhimento. As primeiras vagas provocadas pelo tsunami deverão chegar às costas da ilha às 02h55 (12h55, hora portuguesa).

Notícia actualizada às 11h44


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