segunda-feira, 7 de Março de 2011

UM NOVO MODELO PARA O BRASIL: O CAMINHO DO BOM SENSO

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Ladislau Dowbor – Carta Maior

Com a visão de bom senso de que o principal desafio do Brasil, a exclusão econômica e social de quase a metade da sua população, podia ser um trunfo, o país encontrou um novo horizonte de expansão no mercado interno. A crescente pressão da base da pirâmide social brasileira por melhores condições de vida, articulada com a determinação do governo de promover as mudanças, gerou um círculo virtuoso em que o econômico, o social e o ambiental encontraram o seu campo comum. O Brasil encontrou o seu rumo ao transformar o seu maior desafio, a pobreza, e a falta de capacidade de compra que a acompanha, em vetor de expansão do conjunto da economia. O artigo é de Ladislau Dowbor.

O economista Ladislau Dowbor elaborou um documento intitulado “Brasil: um outro patamar - Propostas de estratégia”, que incorpora o cerne das discussões travadas no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) ao longo dos últimos cinco anos, com objetivo de esboçar uma “Agenda Brasil” para a década que se inicia.

O documento busca desenhar em grandes traços o novo referencial, tanto nacional como internacional, que incide sobre os rumos desta década. “O Brasil encontrou o seu rumo ao transformar o seu maior desafio, a pobreza, e a falta de capacidade de compra que a acompanha, em vetor de expansão do conjunto da economia. A distribuição, ao estimular a demanda, é que faz crescer o bolo”, diz Dowbor.

A Carta Maior está publicando quatro dos principais capítulos deste trabalho - um a cada dois dias, com o link para a versão integral do texto. Publicamos hoje a segunda parte: "Um novo modelo: o caminho do bom senso".

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O Brasil optou pelo enfrentamento da desigualdade como seu eixo estratégico principal. A materialização da estratégia se deu através da ampliação do consumo de massa. A visão enfrentou fortes resistências no início, mas os efeitos multiplicadores foram-se verificando no próprio processo de ampliação das políticas. Com a visão de bom senso de que o principal desafio do Brasil, a exclusão econômica e social de quase a metade da sua população, podia ser um trunfo, o país encontrou um novo horizonte de expansão no mercado interno. A crescente pressão da base da pirâmide social brasileira por melhores condições de vida, articulada com a determinação do governo de promover as mudanças, gerou um círculo virtuoso em que o econômico, o social e o ambiental encontraram o seu campo comum.

Os avanços sociais sempre foram apresentados no Brasil como custos, que onerariam os setores produtivos. As políticas foram tradicionalmente baseadas na visão de que a ampliação da competitividade da empresa passa pela redução dos seus custos. Isto tem duas vertentes. Enquanto a redução dos custos pela racionalização do uso dos insumos e pelo aproveitamento das novas tecnologias produtivas e organizacionais é essencial, pelo avanço de produtividade que permite, a redução de custos pelo lado da mão de obra reduz o mercado consumidor no seu conjunto, e tende a ter o efeito inverso. Ao reduzir o mercado consumidor, limita a escala de produção, e mantém a economia na chamada “base estreita”, de produzir pouco, para poucos, e com preços elevados.

É importante lembrar que faz todo sentido, para uma empresa individual, achar que com menos direitos sociais ou menores salários poderia reduzir os seus custos, tornando-se inclusive mais competitiva relativamente aos seus concorrentes. Mas a aplicação desta visão ao conjunto das empresas resulta em estagnação para todos. Em termos práticos, o que faz sentido no plano microeconômico, torna-se assim um entrave em termos mais amplos, no plano macroeconômico. As políticas redistributivas aplicadas de forma generalizada, atingindo portanto o conjunto das unidades empresariais, geram também mercados mais amplos para todos, reduzindo custos unitários de produção pelas economias de escala, o que por sua vez permite a expansão do consumo de massa, criando gradualmente um círculo virtuoso de crescimento. Se sustentada por mais tempo, esta política passa a pressionar a capacidade produtiva, estimulando investimentos, que por sua vez geram mais empregos e maior consumo.

A expansão simultânea da demanda e da capacidade produtiva promove desenvolvimento sem as pressões inflacionárias de surtos distributivos momentáneos. A espiral de crescimento passa a ser equilbrada. E a verdade é que os setores que estagnam em termos salariais e de direitos sociais, também tendem a se acomodar em termos de inovação em geral.

Esta compreensão dificilmente se generaliza com explanações teóricas apenas. No entanto, a constatação de que funciona quando aplicada de maneira sustentada, e que viabiliza os negócios de cada um, convence muita gente, que vê os resultados práticos. De certa forma, o Brasil encontrou o seu rumo ao transformar o seu maior desafio, a pobreza, e a falta de capacidade de compra que a acompanha, em vetor de expansão do conjunto da economia. A distribuição, ao estimular a demanda, é que faz crescer o bolo.

Uma segunda mudança, também ditada pelo bom senso, encontra-se na ampliação das políticas sociais em geral, envolvendo a educação, a saúde, a formação profissional, o acesso à cultura e à internet, à habitação mais digna. Aqui também está se invertendo uma visão tradicional. A herança teórica, das simplificações neoliberais, é de que quem produz bens e serviços, portanto o setor produtivo privado, gera riqueza. Ao pagar impostos sobre o produto gerado, viabiliza as políticas sociais, que representariam um custo. Deveríamos portanto, nesta visão, maximizar os interesses dos produtores, o setor privado, e moderar as dimensões do Estado, o gastador. A realidade é diferente. Quando uma empresa contrata um jovem engenheiro de 25 anos, recebe uma pessoa formada, e que representa um ativo formidável, que custou anos de cuidados, de formação, de acesso à cultura geral, de sacrifícios familiares, de uso de infraestruturas públicas as mais diversas, de aproveitamento do nível tecnológico geral desenvolvido na sociedade.

As políticas sociais não constituem custos, são investimentos nas pessoas. E com a atual evolução para uma sociedade cada vez mais intensiva em conhecimento, investir nas pessoas é o que mais rende. A compreensão de que os processos produtivos de bens e serviços e as políticas sociais em geral são como a mão e a luva no conjunto da dinâmica do desenvolvimento, um financiando o outro, sendo todos ao mesmo tempo custo e produto, aponta para uma visão equilibrada e renovada das dinâmicas econômicas.

Um terceiro elemento chave é a política ambiental. A visão tradicional amplamente disseminada apresenta as exigências da sustentabilidade como um freio à economia, impecilho aos investimentos, entrave aos empregos, fator de custos empresariais mais elevados. Trata-se aqui simplesmente de uma conta errada, e amplamente discutida já em nível internacional, com a refutação do argumento da externalidade. Fazer o pre-tratamento de emissões na empresa, quando os resíduos estão concentrados, é muito mais barato do que arcar depois com rios e lençóis freáticos poluídos, doenças respiratórias e perda de qualidade de vida.

Para a empresa ou uma administração local, sai realmente mais barato jogar os dejeitos no rio, mas o custo para a sociedade é incomparavelmente mais elevado. Desmatar a Amazônia gera emprego durante um tempo, mas não o mantém, a não ser com a progressão absurda da destruição. Aprofundar os investimentos em saneamento básico, em contrapartida, gera empregos, reduz custos de saúde, e aumenta a produtividade sistêmica. Investir em tecnologias limpas tende a promover os setores que serão mais dinâmicos no futuro e melhora a nossa competitividade internacional. E ao tratar de maneira sustentável os nossos recursos naturais, capitaliza-se o país para as gerações futuras, em vez de descapitalizá-lo. Fator igualmente importante, na economia global moderna uma política coerente em termos ambientais gera credibilidade e respeito nos planos interno e internacional, o que por sua vez abre mercados. A verdade é que a política ambiental ganhou nestes anos uma outra estatura, e se incorpora na nova política econômica que se desenhou no país.

Um quarto eixo de política econômica encontra-se no resgate da capacidade de planejamento das infraestruturas do país. Boas infraestruturas, ao baratearem o acesso ao transporte, comunicações, energia, água e saneamento, geram economias externas para todos e elevam a produtividade sistêmica do território. O custo tonelada/quilómetro do transporte de mercadorias no Brasil é proibitivo, pois transportar soja e outros produtos de relação peso/valor relativamente baixo, em grandes distâncias, por caminhão, gera sobrecustos para todos os produtores. O resgate do transporte ferroviário, a reconstituição da capacidade de estaleiros navais e de transporte de cabotagem, a priorização do transporte coletivo nas metrópoles, o barateamento do acesso a serviços de telecomunicações e de internet banda larga, a busca da produtividade na distribuição e uso de água e em particular no destino dos esgotos, o reforço das fontes renováveis na matriz energética, conformam uma visão que pode abrir um imenso caminho de avanço para o conjunto das atividades econômicas.

O planejamento e a forte presença do Estado são aqui essenciais. As infraestruturas constituem grandes redes que articulam o território. Constituem neste sentido um dos principais vetores de redução dos desequilíbrios regionais do país Precisam, por exemplo, ser ampliadas nas regiões mais pobres, para dinamizar e atrair novas atividades, e são políticas públicas que podem arcar com este tipo de investimentos de longo prazo justamente nas regiões onde não geram lucros imediatos. Isto envolve planejamento, visão sistêmica e de longo prazo. As metrópoles brasileira estão se paralizando por excesso de meios de transporte e insuficiência de planejamento. O resgate desta visão, e a dinamização de investimentos coerentes com as necessidades do território, constituem um trunfo para o desenvolvimento, e deverão desempenhar um papel essencial nesta decada.

Assim, políticas distributivas ancoradas numa visão de justiça social e de racionalidade econômica, a ampliação dos investimentos nas pessoas através das políticas sociais focalizadas, a gradual incorporação das dimensões da sustentabilidade ambiental no conjunto dos processos decisórios de impacto econômico, e a dinâmica de investimentos de infraestruturas que tanto reduzem o custo Brasil através das economias externas como melhoram a competitividade internacional, conformam um modelo que, em clima democrático e de paz social, está abrindo novos caminhos. Ter um modelo que não apenas faz sentido teórico, mas funciona, e convence grande parte dos atores econômicos e sociais do país, é um trunfo importante.

A íntegra do documento

Brasil: um outro patamar - Propostas de estratégia
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Na página do autor, o documento também está disponível nas versões em espanhol e inglês.
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Que Portugal não se esqueça de felicitar o MPLA pelo êxito na luta...

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… contra os angolanos!

ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Portugal vai liderar o comité de sanções da ONU para a Líbia, mau grado, segundo as palavras do primeiro-ministro português, Muammar Kadafi ter sido (ou será que ainda é?) um “líder carismático”. Quem será que, um dias destes, irá liderar um análogo comité em relação a Angola?

Cá para mim, com ou sem José Sócrates no comando do Governo, com ou sem Cavaco Silva na Presidência, ainda vamos ver Portugal dizer de José Eduardo dos Santos o mesmo que agora diz de Muammar Kadhafi.

Mas enquanto isso não acontece, o mundo lá vai continuar a assistir ao atávico lambe-botas dos actuais governantes portugueses perante o dono e senhor de Angola e, é claro, quase dono – mas já senhor – de Portugal.

Creio que, já hoje, os governantes portugueses das ocidentais praias lusitanas devem ter felicitado o chefe do Governo angolano (José Eduardo dos Santos), o presidente do MPLA (José Eduardo dos Santos) e o presidente da República de Angola (José Eduardo dos Santos) pelo êxito que conseguiram ao neutralizar os que se atrevem a pensar de forma diferente.

Recordo-me de num dos aniversários da independência de Angola, Cavaco Silva explicar na mensagem enviada ao seu homólogo angolano (não eleito e há 32 anos no poder) que Portugal e Angola «souberam construir uma relação de sólida amizade e cooperação que, com a conquista da paz, se tem vindo a fortalecer e a expandir a novos domínios de interesse comum, com resultados expressivos e mutuamente vantajosos, tanto no quadro bilateral, como no da coordenação de esforços e posições na cena internacional».

Se calhar, nestas coisas da política “made in Portugal”, também Muammar Kadafi deve ter recebido (obviamente antes de passar de bestial a besta) uma mensagem similar, ou não fosse ele, tal como Eduardo dos Santos, um “líder carismático”.

«A solidez dos laços que nos unem e a convergência de posições em relação a muitos dos desafios centrais do nosso tempo, permitem-nos encarar o futuro com redobrada confiança e ambição», escreveu em 2009, Aníbal Cavaco Silva, numa mensagem enviada ao democrata dono de Angola e que certamente é repetida pelo menos uma vez por ano.

Quanto aos angolanos... nada. Pois. Quem tem de se preocupar com eles não é Cavaco. Para preocupações (se é que elas existem) já bastam a Portugal os perto de 40% em risco de pobreza, os 700 mil desempregados, a queda no ranking da liberdade de imprensa, os casos de corrupção, a oculta face da promiscuidade entre política e economia etc. etc. etc.

Também não é a Portugal que cabe preocupar-se com os 68% (68 em cada 100) dos angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome, ou com os 45% das crianças angolanas sofrem de má nutrição crónica, ou com o facto de uma em cada quatro crianças (25%) morrer antes de atingir os cinco anos.

Também não é a Portugal que cabe preocupar-se com o facto de, em Angola, a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, ser o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, ou o facto de o silêncio de muitos, ou omissão, ser dever à coação e às ameaças do partido que está no poder desde 1975.

A Lisboa apenas interessa, reconheça-se que com toda a legitimidade, que Angola olhe para a mão estendida de Portugal e lá vá colocando os dólares que José Sócrates & Campanhia precisam, mesmo que sejam conseguidos à custa da morte, da fome e da miséria de um povo de que é dono José Eduardo dos Santos.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.
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MÃOS IMPERIALISTAS, SOLTEM A LÍBIA

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DIÁRIO LIBERDADE

[Patrick Martin, Tradução de Diário Liberdade] O poder estadunidense e europeu está se encaminhando para a intervenção militar na Líbia. Estão procurando explorar um levante popular legítimo contra poder de Muammar Kadafi, estabelecido há 41 anos, antecipando qualquer possibilidade de uma radicalização maior no regime emergente e instalando um governo de marionetes à moda colonial no lugar da ditadura desacreditada.

O ritmo de mudança na política americana, em particular, é extraordinário. Washington saiu de um relativo silêncio sobre o movimento contra Kadafi para encabeçar a intervenção externa.

Como em todas as operações americanas na região, o motor do interesse tem sido a tentativa de exercer controle sobre o país, que é um dos maiores produtores de petróleo e a busca por pontos estratégicos mais amplos para o imperialismo americano no Oriente Médio e Norte da África. As forças militares imperiais instaladas na Líbia, poderiam estar numa posição favorável para influenciar o curso do Egito, Tunísia, Argélia e Marrocos, todos em crise hoje, bem como o Saara no Sudão, Chade e Nigéria.

Ninguém – ainda menos os próprios Líbios – deveria acreditar nas declarações de preocupações humanitárias invocadas para justificar a entrada das forças americanas, britânicas, francesas, alemãs, italianas, entre outras. Os mesmos poderes mantidos quando os ditadores tunisianos e egípcios, Zine El Abidine Ben Ali e Hosni Mubarak, massacraram os manifestantes que buscavam empregos, direitos democráticos e o fim de uma pilhagem exercida por uma elite corrupta no poder. Ofereceram assistência política, econômica e, em alguns casos, assistência direta de segurança, num esforço para sustentar estes regimes de marionete.

Durante as duas semanas em que as forças de segurança de Kadafi dispararam contra manifestantes da oposição, crimes parecidos foram cometidos pelas forças aliadas aos EUA em Omã e Barein e pelo regime parceiro dos EUA no Iraque, sem que Washington fizesse nenhuma repreensão publica ou que houvesse alguma campanha internacional para intervenção militar.

Uma propaganda ostensiva em larga escala está em curso, sob os mesmos moldes das campanhas que legitimaram a intervenção dos EUA e da OTAN na Bósnia e em Kosovo, em 1990. As atrocidades cometidas pelo regime de Kadafi é um argumento que uma intervenção conjunta entre as forças imperialistas é necessária para salvar a população Líbia. A Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton deu o tom nesta segunda feira [28 de Fevereiro – N.T.], denunciando o uso de “bandidos” e “mercenários” por Kadafi, declarando: “Nada está fora de cogitação enquanto o governo líbio continuar ameaçando e matando o povo líbio”. O primeiro ministro britânico, David Cameron, opinou dizendo à Câmara dos Comuns que “Nós não descartamos a possibilidade de se usar os meios militares” na Líbia.

Aproveitando a sugestão de Washington, Londres e outras capitais imperialistas, a mídia internacional tem dado enorme atenção ao suposto uso da força aérea contra os rebeldes no leste da Líbia e em Trípoli, a capital. Os ataques descritos são limitados uma vez que pilotos de Kadafi desertaram.

O Ministro das Relações Exteriores australiano, Kevin Rudd, voltou de um encontro com Hillary Clinton declarando que uma área de restrição aérea deve ser imposta imediatamente. “Guernica é conhecida em todo o mundo pelo bombardeio da população civil”, ele declarou, se referindo ao massacre realizado por aviões nazistas de guerra, durante a guerra civil espanhola. “Nós temos visto evidencias disso [ataque aéreo contra população civil – N.T] na Líbia. Não vamos ficar de braços cruzados enquanto atrocidade semelhante ocorre de novo.”. Longe de ficar de braços cruzados, a Austrália tem sido um parceiro e tanto nas guerras empreendidas pelos EUA no Iraque e Afeganistão, guerras estas que produziram atrocidades maiores.

A postura dos EUA e da Europa de sensibilização humanitária não tem credibilidade alguma. Até duas semanas atrás, estes poderes cotejavam Kadafi para obter contratos lucrativos para exploração de petróleo e gás líbios. Um desfile de pretendentes – Condoleezza Rice, o britânico Tony Blair, o francês [Jacques] Chirac, [Silvio] Berlusconi da Itália, [José Rodriguez] Zapatero da Espanha – seguiram sorrindo para o óleo de Trípoli. Eles não deram atenção para o Estado policial de Kadafi e para os gritos ecoados das celas de tortura. [Ler também a postura dos artistas destes países em: http://diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=12864&Itemid=176&thanks=13 – N.T].

Os EUA fizeram grandes investimentos políticos e financeiros para cultivar uma relação amigável com Gaddafi, e sua aproximação com Washington depois de 2003 foi um grande ganho estratégico. Hillary Clinton recentemente homenageou um dos filhos de Gaddafi em Washington e nomeou-o presidente fundador do US-Lybia Business Association [Associação Líbio-americana de Negócios - N.T] para ser coordenador do Departamento de Estado para interesses energéticos.

Veja o vídeo do encontro diplomático entre Hillary Clinton e um dos filhos de Kadafi em abril de 2009, nos EUA. (Foto)

Se estes poderes estão se enfileirando para retornar à Líbia como supostos patronos das forças de oposição que tomaram o controle de grande parte do país, elas o fazem guiados pelo mesmo apetite de lucro e pilhagem. E, a despeito de seu discurso de suporte para a derrubada de Kadafi, a entrada de forças militares estadunidenses e das antigas potências coloniais europeias não se dá em função daqueles que lutam contra a ditadura.

A ingerência irá suscitar a hostilidade popular. Muitos dos rebeldes de Benghazi já declararam sua veemente oposição à entrada das tropas europeias e estadunidenses. É a única coisa que poderia permitir que Kadafi retomasse sua falsa postura de antiimperialista, dando um novo sopro de vida a seu regime.

Igualmente cínico são as alegações de preocupação com o destino de centenas de milhares que têm fugido da Líbia desde o início dos combates, em 17 de fevereiro, em Benghazi. Os porta-vozes oficiais das várias potências imperialistas alegam que seus cidadãos, muitos deles técnicos e outros funcionários de companhias petrolíferas, estão em perigo e talvez precisem ser resgatados. Ao mesmo tempo, países do litoral mediterrâneo – Itália, França e Espanha – têm alertado para a avalanche de refugiados da guerra civil em escalada. Os dois problemas, claro, têm a mesma “solução” – intervenção militar, não só na Líbia, mas em todo seu litoral.

A campanha anti-Líbia é, em sentido literal, um exercício de pilhagem. A primeira grande ação foi a apreensão de US$ 30 bi em ativos da Líbia em instituições financeiras nos EUA e mais bilhões em contas europeias, após a aprovação de uma resolução de sanções pelo Conselho da ONU. Embora apelidada de “congelar”, trata-se de um confisco de recursos que pertencem ao povo líbio.

O roubo é algo tão flagrante que o Primeiro Ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, falou numa conferência de negócios na Alemanha, afirmando sua rejeição. “O povo não deve arcar com o engano de seus governantes”, ele disse. “Não acreditamos que discussões sobre a intervenção na Líbia ou sanções são preocupantes se levarmos em conta o povo líbio e os estrangeiros naquele país”. Ele disse que forças estrangeiras devem agir na Líbia “a partir de uma perspectiva humanitária e não por interesses sobre o petróleo”.

O impulso da intervenção militar está aumentando. O governo de Berlusconi na Itália – tradicional força colonialista na Líbia e o maior consumidor do petróleo deste país – oficialmente repudiou o pacto de não agressão com o regime de Kadafi, no último domingo [27 de Fevereiro – N.T.]. É necessária uma preparação legal tanto para ação militar na Líbia quanto para o envio de aviões para Aviano ou outra base militar da OTAN na Itália.

A administração de Obama confirmou na segunda feira (28) que teve início uma série de manobras navais no mar mediterrâneo de modo a colocar os navios mais próximos da Líbia. O Pentágono foi pego de surpresa pela rápida inquietação que tomou a Líbia e enviou o porta-aviões USS Enterprise através do Canal de Suez para o Mar Vermelho em 15 de Fevereiro, numa demonstração de força, quatro dias após a queda do presidente egípcio Mubarak.

O grupo de batalha continuou no mar arábico, “agitando a bandeira” em apoio ao ditador sitiado pró-EUA no Iêmen, Saleh, e os emirados do petróleo do Golfo Pérsico.

Um porta-voz do Pentágono anunciou na segunda-feira (28): “Nós temos vários estrategistas e planos de contingência e... como parte das forças que estamos reposicionando para estarmos aptos para executar qualquer ordem dada”. O Enterprise é um helicóptero menor, o USS Kearsarge, acaba de voltar ao Mar Vermelho, numa posição conveniente para contornar o canal de Suez ou para lançar ataques aéreos contra alvos líbios. As operações que estão na berlinda variam de esforços de “resgate”, como os já montados por soldados alemães e britânicos, a área de exceção aérea, para desembarque de fuzileiros navais.

Uma preocupação adicional para os EUA é a China, que está montando a primeira operação militar no mar Mediterrâneo. Pequim dispensou a fragata Xuzhou da patrulha antipirataria na Somália e encaminhou-a para a costa Líbia para ajudar na evacuação de 30 mil cidadãos chineses, em sua maioria trabalhadores da construção civil pegos pelos combates.

Há um elemento de desespero e extremamente imprudente na campanha anti-Líbia. Ele veio à tona há alguns dias, depois que o Secretário de Defesa estadunidense, Robert Gates, numa conferencia militar declarar que “Na minha opinião, qualquer secretário da defesa no futuro que aconselhe o presidente a enviar uma grande tropa para a Ásia, Oriente Médio ou para a África precisa de um exame clínico, como o General McArthur delicadamente sugeriu”.

Gates estava dando voz ao pessimismo produzido pela irremediável oposição da população afegã ao grande período de ocupação militar pelos EUA, bem como as preocupações dos chefes militares sobre a condição de deterioração de uma força plenamente voluntária depois de dez anos de atividade além-mar.

Apesar de tais temores, há uma lógica imperialista e a administração de Obama está obedecendo a ela. O ultimo objetivo da intervenção europeia e estadunidense poderia ser preencher um “vácuo político” na Líbia, como o The New York Times citou no domingo (27), transformando a Líbia num protetorado das forças imperialistas.

Um especialista estadunidense em política líbia que escreve para a revista Newsweek, no domingo (27) comparou a intervenção na Líbia à longa ocupação dos EUA nos Bálcãs. Sobre a situação política na Líbia, escreveu ele, “acredito que os Bálcãs estão na contramão dos vizinhos Egito e Tunísia como precursores da reconstrução líbia. E como os Bálcãs, a comunidade internacional teria um importante e positivo papel a desempenhar, fornecendo conhecimentos e, temporariamente, força de segurança.”

Em outras palavras, a Líbia está prestes a se tornar uma semi-colônia, comandada pelos EUA e seus colegas predadores da Europa Ocidental, que vai assumir o controle das reservas de petróleo e transformar o país numa base estratégica de operações contra levantes populares que hoje assolam o Oriente Médio e o Norte da África.

**Traduzido para Diário Liberdade por Bruno Baader

NA VENEZUELA TAMBÉM SE LUTOU CONTRA O FASCISMO PORTUGUÊS

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DIÁRIO LIBERDADE

Diário Liberdade - [Bruno Carvalho] Há poucas semanas, comemorou-se o 50º aniversário do assalto ao paquete Santa Maria. Por trás do sequestro estiveram vários portugueses que colaboraram com o Directório Revolucionário Ibérico de Libertação.

Parte do comando que atacou o navio, treinou-se num sistema montanhoso perto de Caracas, sob as ordens de Sérgio Moreira. Estes e outros exilados saíram de Portugal mas continuaram a combater o fascismo do outro lado do Atlântico.

A maioria dos que se dedicaram à actividade política no campo da oposição chegaram à Venezuela na década de 50. Entre eles, estava António Marques Brandão, que deixou Espinho para atravessar o Atlântico rumo a Caracas. Tinha, então, 19 anos e os bolsos vazios. Agora com 73 anos, descreve que "foi uma emigração por motivos económicos" mas que já antes tivera problemas por colar propaganda eleitoral da Oposição.

Em 1958, Marques Brandão ajudou a formar, com outros companheiros, a Junta Patriótica Portuguesa (JPP), "um pouco a copiar a Junta Patriótica Venezuelana (JPV)". No início desse ano, a ditadura de Pérez Jimenez caiu e os portugueses aproveitaram para dar voz à luta contra a ditadura.

Anos depois, em 1964, pela sua participação na direcção da JPP, como responsável pelas finanças, o então funcionário bancário seria impedido de viajar para Portugal. "O meu irmão enviou-me uma carta que explicava que a nossa mãe tinha um tumor e que não tinha mais do que algumas semanas de vida e fui ao Consulado", recordou.

Acabou por ser insultado pelo próprio cônsul que o classificou de "português indesejável".

Outros portugueses, como Rúben Moreira, pagaram tais actividades com a prisão. Aos 67 anos, tão agitado como quando era jovem, explica que "a Revolução Cubana foi um extraordinário aliciante para revolucionários de todo o mundo". Por isso, no ano em que Fidel Castro entrou triunfante em Havana, juntou-se a Sérgio Moreira e decidiram, com humor, atacar a recepção ao então ministro português dos Negócios Estrangeiros Paulo Cunha com garrafinhas de mau cheiro. Apesar do carácter inofensivo dos engenhos, a missão foi um êxito. "Aquilo foi de morrer de riso. Estragámos-lhe o discurso e teve de abandonar a sala", descreve, entre gargalhadas.

Depois da acção com garrafinhas de mau cheiro, Rúben Moreira decidiu, duas semanas depois, realizar um ataque mais sério: "Arranjei uma garrafa de Coca-Cola, enchi-a de gasolina e pus-lhe um trapo. Depois lancei-a contra a parede do Consulado." As capas dos jornais dos dias seguintes amanheceram com a notícia da acção. Da prisão juvenil onde foi encarcerado, Rúben, com apenas 17 anos, afirmou aos jornalistas que "desafiava a ditadura de Salazar". Seria libertado duas semanas depois por influência de dirigentes do partido venezuelano Acção Democrática: "Se não, teria sido expulso do país."

Na livraria Divulgação, em Caracas, encontra-se Sérgio Moreira, outro dos membros da antiga JPP. O ideólogo do ataque com garrafinhas de mau cheiro, hoje com 78 anos, recorda a acção mais mediática que realizaram os portugueses, a partir da Venezuela, contra a ditadura salazarista. Em 1961, um comando constituído por mais de duas dezenas de antifascistas portugueses e espanhóis sequestrou o transatlântico português Santa Maria que transportava meio milhar de pessoas. Da acção resultou a morte de um tripulante e o ferimento de outro.

A execução da Operação Dulcineia, planeada e executada pelo Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL), recebeu as atenções dos principais jornais de todo o mundo. Recolheu a simpatia de vários países e obteve, inclusivamente, a protecção militar norte-americana em relação à ameaça das marinhas portuguesa e espanhola, até atracar no porto brasileiro de Recife.

Na preparação da acção, Sérgio teve um papel importante. "As armas que foram utilizadas no assalto deveram-se aos meus contactos com gente da esquerda e com gente que começava a entrar na guerrilha venezuelana", explica. E acrescenta que "uma boa parte dos portugueses que participaram na operação" foram recrutados por si.

De forma natural, Henrique Galvão nomeou-o director do treino que portugueses e espanhóis realizaram durante mês e meio entre a montanha e o mar.

Alugaram uma casa de férias e Sérgio Moreira, então professor de Filosofia, para além de coordenar a logística, dirigiu as caminhadas, os exercícios de tiro e os treinos de orientação. Contudo, pouco tempo depois, saiu da missão, em desacordo com Henrique Galvão, um dos comandantes do DRIL, em relação aos objectivos do sequestro do Santa Maria.

Também nesse ano, quatro mil portugueses emigrados juntaram-se em frente à Embaixada contra as posições tomadas na ONU contra as colónias de Portugal. A Junta Patriótica Portuguesa, em número inferior, organizou uma contramanifestação e abriu uma faixa pedindo liberdade.Prontamente, como contou António Marques Brandão, "vários salazaristas arrancaram o pano e uma senhora ao nosso lado descalçou os sapatos e com os tacões abriu umas quantas cabeças". O antigo responsável pelas finanças do movimento assistiu, depois, à chegada da polícia venezuelana que disparou vários tiros para o ar. E Sérgio Moreira, que acudira à concentração apesar de estar referenciado pelas autoridades, acabou detido.

Mas a vida deste português de Espinho e emigrado para a Venezuela em 1952 por motivos políticos, é tão vasta como a quantidade de livros que enchem as prateleiras da sua livraria. Humberto Delgado contactou-o para o acompanhar como seu secretário e Sérgio Moreira começou a tratar da documentação para deixar a Venezuela. A burocracia acabou por atrasar o processo e o General caiu assassinado pela PIDE.

Envolveu-se, desde cedo, com os meios intelectuais que lutavam por um mundo diferente. Escreveu em revistas, publicou livros de poesia e deu conferências. Participou intensamente na vida do Centro Português de Caracas. Em 1980, decidiu abrir a livraria que mantém há 28 anos. Entre o caos e a desarrumação, Sérgio Moreira consegue fintar a desordem e encontrar o que procura.

A maioria dos clientes "compra livros que correspondem à problemática da economia e da política, na Venezuela e no mundo". Explica que à livraria, "considerada uma das melhores do país", vem gente de toda a Venezuela, universitários, professores e políticos. Ajudou a trazer José Saramago, Sophia de Mello Breyner e tantos outros escritores que divulgou não só entre a comunidade portuguesa mas também entre os venezuelanos.

Foi também aqui que Júlio Fernandes, empresário português, passou a juntar os seus heróis que não só descrevem a história da resistência ao fascismo mas também ajudam a identificar os documentos que o empresário vai descobrindo. Por isso, Júlio Fernandes tenta que não seja esquecido quem lutou pelo fim da ditadura e considera que o Estado português devia "apoiá-los porque muitos deles vivem com dificuldades económicas" e reconhecer "o papel que tiveram numa etapa importante" da história de Portugal.

(com foto - legenda "Sérgio Moreira (primeiro à direita), em Caracas, à frente da sua livraria, ao lado de antigos resistentes antifascistas em Dezembro de 2008")
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Polícia justifica detenções com necessidade de impedir "actos de agressão"

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DESTAK – LUSA – 07 março 2011

A Polícia Nacional angolana disse que a detenção hoje em Luanda de 17 pessoas, incluindo quatro jornalistas do Novo Jornal, que se encontravam de madrugada no Largo da Independência teve como objetivo evitar “atos de agressão”.

Em declarações à imprensa angolana, o porta-voz do comando provincial de Luanda da Polícia Nacional, superintendente-chefe Jorge Bengue, disse que as pessoas detidas pretendiam realizar no local uma vigília, que tinha sido impedida pelo Governo da Província de Luanda.

“À medida que essas pessoas se iam juntando no largo, foram surgindo no mesmo local, um outro grupo de pessoas, provavelmente moradores, com intenção de dispersar esse grupo de pessoas”, explicou Jorge Bengue.

Segundo Jorge Bengue, a polícia ao aperceber-se da situação “que se configurava na iminência de um conflito entre as duas partes”, viu-se obrigada a intervir "para reprimir aquilo que poderia transformar-se numa situação de agressão entre os dois grupos”.

“Fomos então obrigados a proceder à recolha dessas pessoas, que foram levadas para as esquadras da zona do Primeiro do Maio (atual Largo da Independência), a quinta e segunda esquadras, bem como para o piquete da DPIC (Direcção Provincial de Investigação Criminal)”, referiu Jorge Bengue.

A polícia confirmou que foram no total detidas 17 pessoas, salientando que o número poderia ter sido maior, “por tudo aquilo que estava a acontecer”.

“Foram todos convidados a abandonar a esquadra e neste momento estão a levar a sua vida normal”, realçou o porta-voz da polícia, reiterando que “foi uma intervenção necessária da polícia, no sentido de evitar uma situação de violência”.

“Havia um grupo que queria manifestar-se, onde havia uma prévia proibição do Governo da Província de Luanda e havia um outro grupo que, a todo o custo, por mãos próprias, quis impedir o ajuntamento daquelas pessoas que estavam naquele local”, sublinhou.

Relativamente à detenção, em particular, da equipa de jornalistas do Novo Jornal, que incluía dois repórteres, um fotógrafo e o motorista, Jorge Bengue não fez qualquer referência.

Esta versão das autoridades angolanas não coincide com os testemunhos de dois jornalistas ouvidos hoje pela Lusa, que não mencionaram problemas envolvendo um segundo grupo.

Ana Margoso e Pedro Cardoso disseram que a polícia prendeu o grupo de jovens quando se apercebeu que estavam envolvidos com o anúncio de uma manifestação anti-governamental, marcada para hoje naquele local, e que os jornalistas também foram detidos.

As 17 pessoas saíram em liberdade a meio da manhã.
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A propósito de Kadhafi: Quem não liberta amarra-se a si próprio - M. Moco

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À Mesa do Café, em Club K – 07 março 2011

Luanda - O tempo é uma Escola Superior gratuita que muitos homens e mulheres não aproveitam, devido a diversas distracções. Neste momento vemos a História a desfilar diante dos nossos olhos sobre o chão da Líbia. Kadhafi parece determinado a desprezar, até as últimas consequências, as reiteradas lições da História.

Triste é que, sem alternativas, o povo líbio é abrigado a empreender um esforço inumano para se libertar das grilhetas da opressão, numa luta sem quartel, que deixa atrás de si a morte e a destruição.

O povo de Angola não desconhece esta história, a de ter que segurar em armas para se libertar. Só que ao desviarmo-nos do caminho da moderação da tolerância e do perdão e ao cultivarmos, como elite política, uma apetência exacerbada pela corrida, sem princípios, às benesses do poder, teremos entrado num círculo vicioso em que tínhamos (acredito que ainda temos) tudo para nos deslindar.

Não vou repetir o que disse, no texto anterior, sobre culpas que atribuo às direcções mais recentes do MPLA, das quais venho divergindo desde há mais de uma década, ao se deixarem envolver, gradualmente, nas teias de um culto à personalidade que não vi, sequer, nos tempos anteriores às mudanças que imprimimos formalmente ao regime, depois da queda do Muro de Berlim. Quem estava de fora pode não concordar comigo mas que isso é verdade, é verdade.

Escrevo estas coisas a ver a História repassar diante dos olhos e, especialmente, a ler e reler o que diversas pessoas, especialmente jovens, escrevem a comentar o meu escrito anterior.

Felicito-me que a maioria esmagadora desses comentadores concorda com a minha posição. Para além da História, a maioria dos aforismos consagrados por diversos povos, constituem o verdadeiro depositário da sabedoria humana: “In médio virtus est” (a virtude encontra-se no meio) ─ diz um brocardo latino. Porém, como era de se esperar, os extremos não deixaram de se exprimir, neste mundo da comunicação virtual que tem a virtualidade de nele não se poder calar a boca a ninguém. Apareceram os que acham que se me dessem um cargo, no agora chamado Executivo, ou me depositassem uns milhões na conta, eu não estaria aqui a “mandar estas incómodas bocas”.

Conclusão: na nossa escola, que não é a da História, já formamos gente que, crescida num ambiente de corrida solta às benesses por quem o pode, não acreditará, jamais, que alguém, nesta terra, se interesse pelo bem comum; ou gente que vê em tudo o que é opinião diferente da sua, as palavras de um inimigo sedento do poder e do dinheiro que lhes pertence. Mas, pior do que isso, em certo sentido, embora provavelmente, bem-intencionado, apareceu-me um amigo (no Facebook ou no Club K?) a censurar-me por ele acreditar que em Angola só se deram novos passos sempre que o foi à custa do sangue vertido.

Não, caro amigo! Pelo contrário! Sempre que correu sangue perderam-se vidas e as vidas são tão preciosas que são irrepetíveis; e sempre que correu sangue os ódios se multiplicaram e ficamos mais presos aos nossos ódios. Agora é possível sairmos deste círculo vicioso através da palavra e de vários outros mecanismos legais que estão ao nosso alcance. Um dia falaremos desses aspectos mas digo-lhe, desde já, que piores coisas só não aconteceram porque alguns de nós não se calaram a espera de revoluções sangrentas e destruidoras.

No que às manifestações diz respeito, penso que antes de nos atiramos para aquelas que são comandadas por entidades sem rosto, cuja localização nem conhecemos, encontremos formas (que as há) para obrigar as autoridades actuais a deixar de fazer uma coisa a que não têm direito: promover e proteger manifestações que lhes são favoráveis ─ como se o Estado angolano fosse sua propriedade privada ─ e proibir manifestações justas de sectores da população ultrajados nos seus direitos e com organizadores identificados.

Pode ser que um dia estas ideias, que felizmente estão a coincidir com as de muitas outras figuras da chamada sociedade civil, já não façam sentido. Mas, isso só acontecerá se aqueles que hoje têm as rédeas do poder, em Angola, deixarem de aproveitar mais estas lições que passam diante de nós, segundo as quais, nas coisas do poder político quem não liberta a sociedade, com transparência e responsabilidade, amarra-se a si próprio ao comboio da hecatombe.
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Angola: justificação da polícia para detenção foi "ser... jornalista"

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Foto SIPHIWE SIBEKO/reuters

i ONLINE – LUSA – 07 março 2011

A justificação da polícia para o "fechar" foi "ser... jornalista", disse hoje à Lusa o luso-angolano Pedro Cardoso, um dos elementos da equipa de reportagem do Novo Jornal detidos madrugada de hoje em Luanda, no decurso de um protesto anti-governamental.

Com Pedro Cardoso, que detém as nacionalidades portuguesa e angolana, estavam ainda Ana Margoso, também jornalista do Novo Jornal, e o repórter fotográfico Afonso Francisco, igualmente levados sob detenção pela Polícia Nacional (PN) quando, cobriam na madrugada de hoje o tímido arranque do protesto contra o regime angolano divulgado pelas redes sociais.

Na Praça da Independência, onde se encontra a estátua de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, "não estavam mais de 15 pessoas" quando a polícia se aproximou e questionou a presença do grupo, constituído por músicos e poetas, obtendo como resposta que se tratava de uma mera manifestação cultural.

Segundo o jornalista luso-angolano contactado por telefone pela redação da Lusa, quando os agentes abriram as mochilas do grupo encontraram panfletos alusivos à manifestação que fora agendada para aquele lugar.

Os jornalistas ainda procuraram explicar aos agentes da Polícia Nacional que "não integravam o grupo" e "apenas procuravam fazer o seu trabalho...", que "não havia razão para serem detidos", mas a polícia estranharam o Novo Jornal o único órgão de comunicação social no local.

De pouco valeu a Pedro Cardoso, Ana Margoso e Afonso Francisco explicar que "se calhar eram os outros jornais que não estavam a fazer bem o seu trabalho", porque ficaram mesmo sob detenção policial.

Os elementos do alegado grupo "cultural" e os jornalistas do Novo Jornal foram conduzidos para a esquadra da polícia e passaram a noite nas instalações da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), de onde foram libertados cerca das 10:30.

Cardoso deixou claro que, durante a detenção, nenhum dos jornalistas foi sujeito a maus-tratos. No seu caso, foi sujeito a um interrogatório sobre as razões pelas quais estava naquele local e àquela hora.

Já Ana Margoso, igualmente em declarações à Lusa, disse que foi questionada sobre os motivos para "estar revoltada com o sistema".

O Largo da Independência foi o local escolhido para a realização de uma manifestação anti-governamental, convocada na internet, nas redes sociais e SMS, para hoje em Luanda.

Já na DPIC, o grupo foi submetido, separadamente a um interrogatório, tendo a jornalista sido levada para uma cela, onde se encontrava sozinha, e com visitas regulares de investigadores, que lhe colocavam várias questões.

"Fui separada do grupo, levaram-me para uma sala onde os investigadores da DPIC, estiveram a falar comigo por alguns bons minutos, queriam saber da minha actividade profissional e do meu envolvimento com alguns políticos da oposição e porque razão é que eu estava revoltada com o sistema, foi uma das perguntas que um dos indivíduos me fez, uma vez que o meu pai é do MPLA", disse Ana Margoso, que disse não ter sido maltratada fisicamente, apenas foi obrigada a limpar a cela.

Além do rapper Brigadeiro Mata Frakus, que num concerto apelara à participação na manifestação de hoje, havia três mulheres entre os detidos.

A polícia ainda não prestou declarações à Lusa.
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**TUDO SOBRE ANGOLA AQUI
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Regime tremeu mas (ainda) não caiu (matar “frakus” é a sua grande obra)

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

"Quem tentar manifestar-se será neutralizado, porque Angola tem leis e instituições e o bom cidadão cumpre as leis, respeita o país e é patriota."

Quem o disse foi Bento Bento, primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA (partido que governa o país desde 1975 e que tem como presidente da República há 32 anos, nunca eleito, José Eduardo dos Santos).

Quem hoje, tal como ontem e infelizmente como amanhã, tratou da neutralização de todos aqueles que queriam, pacificamente, manisfestar-se foram os militares e polícias do regime que, inclusive, levaram para a choldra os jornalistas (não afectos ao regime) que no cumprimento do seu dever faziam a cobertura da manifestação.

Mas que o regime tremeu, isso tremeu. Apesar da passividade criminosa dos mais representativos partidos da oposição, o MPLA temeu e teme que a onça desça ao quintal.

Basta ver que, perante o anúncio da manifestação, o Governo angolano apressou-se a pagar salários em atraso nas Forças Armadas e na Polícia, a fazer promoções em série e a, inclusive, a mandar carradas de alimentos para a casa de milhares de militares.

Basta também ver que, perante uma manifestação pacífica, o regime pôs nas rua e por todo o lado – mesmo em locais onde os angolanos nem sabiam que iria haver manifestação – os militares e a polícia a avisar que qualquel apoio popular aos insurrectos significava o regresso da guerra.

No entanto, por muita força que tenha a máquina repressora do regime angolano (e tem-na), nunca conseguirá fazer esquecer que 70% dos engolanos vivem na miséria, que apenas 38% da população tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico.

Nunca fará esquecer que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Nunca fará esquecer que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação é agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino, que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Nunca fará esquecer que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros, que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população, que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.

Nunca fará esquecer que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Por tudo isto, a luta continua e a vitória é certa!

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Ler também no Alto Hama: O MPLA não tem dúvidas e garante: Em Angola quem manda somos nós
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Angola: NO INTERIOR HÁ MEDO DE NOVA GUERRA

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VOA NEWS – 06 março 2011

Mensagem acusa UNITA de preparar regresso á guerra. UNITA nega acusação.

A manifestação marcada para 7 de Março, em Luanda, instalou um clima de medo e mesmo pânico nas províncias do interior, nomeadamente, Benguela e Huambo onde correm rumores do retorno à guerra civil.

Uma mensagem que está ser difundida por telefones celulares acusa o maior partido na oposição UNITA de estar a se organizar para o retorno a guerra civil e apela ao assassinato do deputado e secretário-geral do Galo Negro, Ablio Kamalata Numa por ser o mentor do plano.

Num comunicado de imprensa o Bloco Democrático diz que em reunião de emergência, convocada pelo partido no poder, os presentes terão sido instruídos no sentido de criarem “grupos de contenção dos manifestantes” e ter-lhes-ão sido entregues “máscaras de gás lacrimogéneo e orientados para se infiltrarem no seio da manifestação de 7 de Março, caso haja, e criarem tumultos”.

Seriam, igualmente, segundo a fonte, infiltrados membros dos Serviços de Inteligência, a paisana, “para instalar o terror contra os manifestantes indefesos.” Em relação a essa denúncia não existem reacções da parte do MPLA.

O secretário daquela força política no Huambo, Liberty Chiaca denunciara, recentemente, a existência dum programa que visa a eliminação física de alguns dirigentes do seu partido.

Ontem o partido no poder, o MPLA, organizou uma manifestação pró governamental em Luanda e em várias outras capitais provinciais.

Jornalistas em Luanda disseram que cerca de meio milhão de pessoas participou na marcha. Uma entidade governamental disse que um milhão aderiram á manifestação de apoio ao governo na capital.

Nos últimos dias as províncias de Benguela e Huambo têm sido ocupados por polícias anti-motim e militares.

Devido ás crescentes tensões em algumas comunidades como Bailundo e Balombo, há relatos que populares começaram a armazenar alimentos e sal com medo do reinício do conflito.

Entretanto, a oposição apela a calma a população, afirmando que o governo é quem possui arsenal bélico.

Contudo em cada conversa de bar, táxi e esquina as pessoas questionam-se sobre o que será das suas vida no dia 7 de Março e após aquela data.
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Activista de Direitos Humanos: Carro de conhecido advogado vandalizado

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VOA NEWS – 06 março 2011

O ataque segue-se ao incêndio por fogo posto de uma viatura da organização Mãos Livres.

O carro do conhecido advogado e activista de direitos humanos David Mendes foi vandalizado em Luanda.

O nosso correspondente em Luanda Alexandre Neto disse que os vidros da viatura foram partidos, o interior vandalizado e documentos revistados.

Embora o acto possa também ser interpretado como uma tentativa de roubo o ataque ocorre poucos dias depois de uma viatura da organização Mãos Livres ter sido incendiada num caso de fogo posto. Os atacantes deixaram no local um vasilhame de transporte de gasolina e serradura.

David Mendes é dirigente da organização Mãos Livres.

Por outro lado Mendes tinha recebido recentemente várias ameaças contra a sua pessoa aparentemente devido à programada manifestação anti-governamental prevista para Segunda-feira.O advogado tinha tornado claro que devido às ameaças de violência tinha decidido não participar na programada manifestação.

Ouça o nosso correspondente Alexandre Neto em Luanda

Alguns comentários a este título em VOA NEWS

Domingo, 06 Março 2011 Offshore worker (Block 15) (Angola)

A falta de democracia neste pais, o regime de JES e o MPLA, mandaram cortar as comunicacoes telefonicas a todas plataformas petroliferas offshore de Angola. Desde as 10:00 desta manha que todos FPSOs and TLPs da Esso Angola (Exxonmobil) ChevronTexaco, Total e BP.estamos impedidos de telefonarmos para as nossas familias. Apenas os expatriados tem acesso a chamadas internl. De momento nao temos informacoes de como as nossas familias estao e como esta a situacao em Luanda.

Domingo, 06 Março 2011 Crocodilo (Luanda)

Todos angolanos sabem que o JES e seus colaboradores fazem o trabalho de matar quem tenta falar da verdeda, no caso do Eng. FULUPINGA LANDO VICTOR, que era considerado como um despertai angolano e agora vai chegando a vez do advogado e do Makuta.

Domingo, 06 Março 2011 Crocodilo (Luanda)

Todos angolanos sabem que o JES e seus colaboradores fazem o trabalho de matar quem tenta falar da verdeda, no caso do Eng. FULUPINGA LANDO VICTOR, que era considerado como um despertai angolano e agora vai chegando a vez do advogado e do Makuta.

Segunda, 07 Março 2011 angolano

mais uma imagem daquilo à que eu chamo política do medo! o MPLA sempre inspirou o medo nas pessoas para que não sejam capazes de reclamar seja do que fôr. aqueles que ousam agir de forma diferente, passam a ser marginalizados e até os acusam de não ser patriotas. Estamos fartos de não ser livres para poder dizer aquilo que pensámos. Angola é de todos e não de meia-dúzia de criminosos!

Segunda, 07 Março 2011 Luis Domingos (Luanda - Angola)

A repressão está em uso e já há detenções como sempre, mas a marcha vai prosseguir, e se houver mortes teremos muitos mais pois todo o povo, ou pelo menos 70% de homens em Angola têm armas; estaremos em legítima defesa e pode haver vítimas dentre os ditos dirigentes, porque a constituição que nos dá o direito à manifestação é do mpla e não é do povo. FORA COM OS DITADORES, é o nosso recado à opinião internacional...
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LUATY BEIRÃO CONTA COMO TUDO SE PASSOU HOJE EM LUANDA

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“As pessoas deram conta que incomodam
só por discutirem algo tão singelo como uma manifestação”

Ana Machado – Público – 07 março 2011

“Éramos 17 pessoas, não se passava nada, muito poucos, depois vieram alguns jornalistas. Foi então que a polícia apareceu e disse que não podíamos estar ali, não invocaram razão nenhuma e agiram como se estivéssemos a praticar um crime. Montaram um grande aparato policial para causar impressão”, conta Luaty, que é conhecido em Angola pelo nome artístico de Brigadeiro Mata Fraxkus.

A situação acabou por aquecer quando a polícia encontrou alguns panfletos onde se explicava o que fazer para não desvirtuar uma manifestação pacífica.

“Revistaram-nos não leram os nossos direitos e começaram a gritar. Eu fui algemado e levaram-me para a esquadra à revelia, sem dizerem porquê. Até havia alguns polícias conhecidos por gostarem de distribuir chapada. Mas não se passou nada”, conta sobre o que aconteceu então até ser libertado esta manhã.

Luaty Beirão explica que, apesar da nova constituição apenas dizer que para realizar uma manifestação as autoridades têm de ser alertadas, este tipo de iniciativa nunca é autorizada. “Foi o que se passou com a vigília que tínhamos marcado para ontem à noite”.

E conta que um certo clima de medo se instalou entre as pessoas depois da manifestação pela paz de 5 de Março, organizada pelo MPLA, onde havia um discurso latente sobre evitar a todo o custo o regresso à guerra.

Mas, mesmo sem objectivos cumpridos, Luaty Beirão fala de vitória: “A estratégia do MPLA de descredibilizar a manifestação foi percebida pelas pessoas. Eles não conseguem ter a certeza do real apoio da população. Isso já é um grande passo, as pessoas estão a perder o medo. Sentimos que podemos incomodar. Estamos com pica. Vamos juntar-nos e ver as ideias que surgem. Talvez convocar uma coisa mais concreta, não direccionada ao fim do regime mas aos problemas da saúde ou da educação”.

*Notícia alterada às 13h40 (por Público)
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"Polícia perguntou-me porque estava revoltada com o sistema" - jornalista

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NME - LUSA

Luanda, 07 mar (Lusa) -- A jornalista do Novo Jornal, Ana Margoso, detida hoje de madrugada em Luanda, quando cobria uma manifestação anti-governamental, disse que durante o interrogatório várias vezes lhe foi questionado "por que é que está revoltada com o sistema?".

Em declarações à Agência Lusa, Ana Margoso, que fazia parte de uma equipa de jornalistas do Novo Jornal, destacados para cobrir a manifestação marcada para hoje, explicou que foi detida com os seus colegas quando conversavam no Largo da Independência com um grupo de jovens ali reunidos "para declamar poemas e conversar".

O Largo da Independência foi o local escolhido para a realização de uma manifestação anti-governamental, convocada na internet, nas redes sociais e SMS, para hoje em Luanda.
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Angola: JORNALISTAS DO NOVO JORNAL E RAPPER LIBERTADOS

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Ana Machado – Público – 07 março 2011

Manifestação marcada para hoje cancelada

Os três jornalistas do jornal angolano “Novo Jornal” e o rapper Luaty Beirão, conhecido pelo nome Bigadeiro Mata Frakuxz, que esta madrugada tinham sido detidos em Luanda na manifestação contra o governo de José Eduardo dos Santos já foram libertados.

"Acabaram de ser libertados", disse a partir de Luanda Pedro Beirão, irmão de Luaty Beirão ao PÚBLICO. Pedro Beirão confirmou também a libertação dos três jornalistas.

Durante a madrugada, a polícia deteve na Praça 1º de Maio cerca de 20 pessoas, entre elas os três jornalistas, um dos quais português (Ana Margoso, Pedro Cardoso e Afonso Francisco), e o popular rapper angolano. Luaty era um dos organizadores e apelou à marcha num vídeo colocado no YouTube onde onde dizia "Ti Zé tira o pé, tô prazo expirou há bwé".

"Foram detidos por volta da meia-noite e toda a noite estive à procura dele, não era dada nenhuma informação. Depois apurei que estavam no Comando Central Provincial de Luanda mas desmentiram. Agora de surpresa libertaram todos", disse Pedro Beirão.

Estavam marcadas para hoje mais protestos contra o regime do Presidente José Eduardo dos Santos, que governa o país há mais de 30 anos. Porém, há momentos, a TSF avançou que a marcha contra o regime de Eduardo dos Santos foi cancelada por "falta de condições".

O cartaz oficial da manifestação marcada para hoje - e agora cancelada - diz o seguinte: “Dia 7 de Março Manifestação contra a ditadura ‘Joseduardizada’. Angola diz basta a 32 anos de tirania e má governação”.

A marcha tinha sido convocada pelas redes sociais e por sms.

Pedro Beirão revela um certo clima de agitação na cidade de Luanda: "As pessoas comentam muito. Não me lembro de ver tanta gente a comentar em muitos anos. E há medo".

**Notícia actualizada às 11h30 (por Público)
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Jornalistas detidos de madrugada foram libertados - Director do Novo Jornal

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NME – LUSA

Luanda, 07 mar (Lusa) - A polícia angolana libertou os três jornalistas do Novo Jornal que tinham sido detidos durante a madrugada quando tentavam acompanhar uma manifestação anti-Governo em Luanda, disse à Lusa o diretor adjunto daquele semanário.

Gustavo Costa referiu que a informação lhe foi transmitida por Pedro Cardoso, um dos jornalistas detidos.

"Vou agora falar com eles para saber mais detalhes", acrescentou o diretor adjunto do Novo Jornal. (NME-LUSA)

“Falta de condições”
MANIFESTAÇÃO CONTRA O DITADOR SANTOS JÁ NÃO SE REALIZA

Ao contrário daquilo que foi anunciado em vários sites e veículado pela TSF, como fazemos referência mais em baixo, os organizadores da manifestação pacífica contra o regime ditatorial do MPLA-JES em vigor em Angola declarararm que hoje não existem condições para se manifestarem devido à repressão do regime sobre toda e qualquer concentração de angolanos. Os organizadores vincularam bem a “falta de condições” para se manifestarem.

Algumas embaixadas em Luanda estão fechadas, imensos angolanos não compareceram nos locais de trabalho nem saem de casa. Luanda é uma cidade temente da repressão que logo na primeira hora da madrugada se fez sentir sobre os que pretendiam pacíficamente manifestar-se. Um pouco por toda a parte de Angola o clima é de medo. Já esta madrugada o diretor adjunto do Novo Jornal fazia essa referência à TSF, enquanto procurava pelo paradeiro de 3 dos seus jornalistas, sem sucesso. Jornalistas que, como noticiamos, já foram libertados. (Redação da FB)
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Carta Aberta - ÁGUALUSA E MACEDO ESCREVEM A EDUARDO DOS SANTOS

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Águalusa, o escritor

KLUB K, em REFLECTINDO SOBRE MOÇAMBIQUE

Carta Aberta ao Presidente José Eduardo dos Santos - José Eduardo Agualusa e Fernando Macedo

Senhor Presidente,

África vive um momento de viragem na sua História, só comparável ao levantamento que libertou o continente do domínio colonial. A revolução agora é pela liberdade e pela democracia.

Os cidadãos angolanos abaixo-assinados vêm por este meio pedir ao Senhor Presidente da República que tenha em atenção os últimos acontecimentos na Tunísia, Egipto e Líbia, reinicie de forma séria o processo de democratização, formalmente começado de maneira sinuosa em 1992, mas, definitivamente interrompido em 2010 com a aprovação da nova constituição e que ao mesmo tempo se retire da Presidência da República e da presidência do MPLA o mais depressa possível, sem prejuízo da estabilidade e continuidade das instituições. E que o processo da sua substituição no MPLA se processe através de eleições internas livres e justas para os membros desse partido que queiram concorrer à liderança do mesmo, abstendo-se o senhor Presidente de determinar ou impor substitutos da sua preferência.

Os abaixo assinados acreditam que ainda é possível que o Senhor Presidente abandone o poder de forma digna e honrosa, preservando a integridade da nação.

Senhor Presidente,

Os abaixo-assinados compreendem a insatisfação e ansiedade da maioria da população, em particular da juventude, mas exortam a sociedade civil para que, respeitando as leis justas, apenas e só use todas as formas pacíficas de manifestação contra a privatização do Estado, o culto da personalidade, a acumulação ilícita de riqueza por parte da classe dirigente, seus familiares e amigos; contra a má governação, a partidarização das Forças Armadas e da Polícia Nacional, a partidarização e governamentalização dos órgãos de comunicação social do Estado; contra a partidarização da Comissão Nacional Eleitoral e contra a parcialidade dos tribunais; contra as prisões arbitrárias e contras as demolições arbitrárias de casas de milhares de cidadãos angolanos.

Os abaixo-assinados acreditam que só um processo de transformação e de reformas políticas que ponha completamente de lado a ideia que entre nós há um grupo de omniscientes e patriotas que nunca erraram e erram e são detentores da verdade absoluta, e que, do outro lado, existe outro grupo, dos inimigos da pátria, que não sabem nada e que por esta razão devem seguir os iluminados como se carneiros fossem e igualmente e ao mesmo tempo só um processo de transformação que ponha completamente de parte o ódio, a vingança e a perseguição das pessoas nos conduzirá a um processo de transição política democrática bem sucedido. É indispensável que os órgãos de comunicação social, sem manipulações, promovam o debate permanente, pluralista e contraditório, em relação aos problemas nacionais e ao mérito quer das políticas públicas quer das suas respectivas implementações.

Senhor Presidente,

Os abaixo-assinados apelam aos angolanos e angolanas que são membros das Forças Armadas, da Polícia Nacional e dos Serviços de Informação e Segurança do Estado para que não usem da violência contra manifestantes pacíficos e contra pessoas que de maneira pacífica utilizem as mais variadas formas de expressão contra as práticas da actual liderança do país que atentam contra a dignidade da pessoa humana e contra a justiça. E chamam a especial atenção para o facto de que na República de Angola existem leis que prevêem as circunstâncias e estabelecessem as regras para o uso da força. Elas vão mais longe e classificam certos e determinados usos da força como crimes puníveis.

Senhor Presidente,

Como bem o demonstram os últimos acontecimentos, as democracias são regimes mais estáveis do que qualquer ditadura, assegurando mais garantias aos investidores nacionais e estrangeiros, e garantindo um desenvolvimento justo.

Senhor Presidente,

Os abaixo-assinados reiteram a sua confiança no bom senso e na generosidade do povo angolano, e esperam do Senhor Presidente igual bom senso e generosidade.

Atenciosamente,

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA E FERNANDO MACEDO

>> Assine este abaixo-assinado <<

Fonte: Club-K.net - 06.03.2011
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JORNALISTAS DO "NOVO JORNAL" LIBERTADOS PELA POLÍCIA ANGOLANA

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RAPPER BRIGADEIRO E MAIS 20 ANGOLANOS CONTINUAM PRESOS

Segundo informações recolhidas pela TSF, os jornalistas do Novo Jornal foram libertados há minutos (10:00 horas). Continua a desconhecer-se o número exato de pessoas que foram capturadas pela polícia angolana na primeira hora de hoje em Luanda.

Além do número exato, que se estima sejam cerca de 20 pessoas, desconhece-se igualmente as suas identidades. Sabe-se somente que o rapper Brigadeiro, que atuou perante uma multidão na passada quarta-feira e pronunciou-se contra o regime de MPLA-Eduardo dos Santos, recebeu ordem de prisão quando se dirigia para o local de concentração da anunciada marcha pacífica contra a ditadura angolana.
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MARCHA DE CONTESTAÇÃO VAI REALIZAR-SE

Os organizadores e colaboradores da marcha pacífica de contestação ao regime ditatorial do MPLA-José Eduardo dos Santos têm feito constar em vários sites que a concentração para a realização da marcha foi alterada para as 2 horas da tarde em Luanda. Também a TSF fez exatamente essa referência no notíciário das 10:30 em Lisboa.
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VÁRIAS PESSOAS DETIDAS EM DIA DE MARCHA PACÍFICA EM LUANDA

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TSF – 07 março 2011

Começou agitada a madrugada em Luanda com a detenção de várias pessoas pela polícia, entre as quais três jornalistas do Novo Jornal. A TSF já falou com o sub-director do diário.

O Movimento para a Paz e a Democracia em Angola (MPDA) já exigiu, através de um comunicado, a «libertação urgente e incondicional» dos cerca de 20 manifestantes anti-Governo detidos esta madrugada pela polícia em Luanda.

«Exigimos que 'Brigadeiro Mata Fakus' e toda a equipa do Novo jornal, nomeadamente Ana Margoso, Pedro Cardoso, Afonso Francisco e Idalio Kandé, sejam postos em liberdade antes da realização das manifestações», refere o MPDA em comunicado ao alertar que, «caso contrário, vai tomar medidas repressivas que poderão pôr fim a diplomacia angolana no exterior».

Cerca de 20 pessoas, incluindo o "rapper" angolano «brigadeiro Mata Frakus" e jornalistas do Novo Jornal, foram detidas pela polícia, quando se concentravam na Praça 1º de Maio para uma manifestação anti-Governo, de acordo com o portal Angola 24horas.

Durante a madrugada a TSF falouc om o sub-director do Novo Jornal, Gustavo Costa, que disse desconhecer os motivos destas detenções, explicando que os jornalistas estavam incontactáveis e a polícia judiciária angola não dá explicações.

O "rapper" angolano "brigadeiro Mata Frakus" e toda a equipa do Novo Jornal estão detidos no Comando Provincial de Luanda, segundo aquele portal.

Estas detenções pode contribuir para subir de tom a manifestação de hoje, naquele que é o primeiro grande desafio ao regime do presidente José Eduardo dos Santos.

O Movimento para a Paz e a Democracia em Angola (MPDA) já reiterou o apelo à população para que participe na manifestação, condenando o que dizem ser a «política de intolerância e de violação dos direitos humanos levada a cabo pelo regime ditatorial» de José Eduardo dos Santos.

**SOM – Gustavo Costa, sub-diretor do Novo Jornal, faz declarações à TSF
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MPDA exige a libertação urgente dos manifestantes detidos em Luanda

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ANGOLA 24 HORAS – 07 março 2011

O Movimento para a Paz e a Democracia em Angola, veio através deste comunicado exigir a libertação urgente e incondicional dos 15 a 20 angolanos detidos polícia-secreta logo a primeira hora do dia, quando estes tentavam concentrar-se no 1° de Maio para a realização de uma Manifestação Pacífica, entre os quais encontram-se o Brigadeiro Mata Fakus e toda a equipa do Novo jornal, nomeadamente Ana Margoso, Pedro Cardoso, Afonso Francisco e Idalio Kandé.

1. O MPDA faz apelo as massas angolanas que no interior e no exterior enfrentam com a bravura, coragem, determinação patriótica e heroísmo, de reiterar o seu apoio aos nossos irmãos e irmâs vítimas do regime ditatorial dirigido pelo José Eduardo dos Santos.

2. Pedimos sobretudo a diáspora angolana, na Europa, nos estados unidos, Brasil, África do sul e na Ásia, de redobrar as suas reivindicações e acções junto a Comunidade Internacional para exigir a libertação urgente e incondicional dos nossos irmãos e irmãs.

3. Pedimos o fim imediato e incondicional das acções e manobras bélicas e as medidas repressivas levadas acabo pelo regime autoritário contra as populações indefesas.

4. Condenamos a política de intolerância e de violação dos direitos humano levada acabo pelo regime ditatorial.

5. Condenamos sem reservas as prisões arbitrárias, as prisões extrajudiciárias e todo tipo de acção de intimidação e de humilhação contra as populações angolanas.

6. Exigimos que Brigadeiro Mata Fakus e toda a equipa do Novo jornal, nomeadamente Ana Margoso, Pedro Cardoso, Afonso Francisco e Idalio Kandé sejam postos em liberdade antes da realização das Manifestações levadas acabo a diáspora angolana, em vários países do mundo.

7. No termo do prazo exigido, caso contrário, o MPDA vai tomar medidas repressivas que poderão pôr fim a diplomacia angolana no exterior.

8. O MPDA considera justa e necessária as manifestações dos angolanos seja no interior como no exterior, para a liberdade e salvagurda da soberania da nação, desde estes actuam dentro da lei estabelecida e aprovada em unanimidade pelo partido da situação.

9. O MPDA poderá posseder a convocação de uma Marcha geral nos proxímos dias, caso o governo corrupto não agir dentro do prazo e dentro da lei estabelecida naquela república das bananas.

Feito em Bruxelas, aos 07 de Março de 2011

MPDA/EU
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Direção do Novo Jornal desconhece paradeiro de três jornalistas detidos

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Santos – angolanos vivem com medo do regime do ditador (FB)

MYDM (PNE) - LUSA
Luanda, 07 mar (Lusa) -- O diretor adjunto do Novo Jornal, Gustavo Costa, confirmou hoje à agência Lusa a detenção de três jornalistas pela polícia de Luanda durante uma manifestação anti-Governo, desconhecendo até ao momento o paradeiro dos detidos.

"Vou agora sair de casa para saber mais informações porque neste momento continuamos sem saber do paradeiro dos meus colegas", afirmou Gustavo Costa, contactado telefonicamente em Luanda a partir de Lisboa.

O diretor adjunto do Novo Jornal adiantou ainda que passou a madrugada a fazer de "bola de pingue-pongue" entre a Polícia Judiciária Provincial e a Polícia Judiciária Nacional para saber informações dos jornalistas detidos.

"Disseram-me que não estava lá ninguém, que não sabiam de nada e para me dirigir esta manhã novamente à Judiciária Provincial para me darem informações", explicou.

Para Gustavo Costa, a detenção dos três jornalistas do Novo Jornal foi uma "estupidez" porque, disse, "eles estavam a fazer a cobertura da manifestação, não se estavam a manifestar".

"Espero que os meus colegas acabem por sair, porque isto não faz sentido nenhum", acrescentou.

Cerca de 20 pessoas terão sido detidas detidas hoje de madrugada pela polícia em Luanda quando se concentravam na Praça 1.º de Maio para uma manifestação anti-Governo, segundo informação divulgada pelo portal "Angola 24horas".

O Movimento para a Paz e a Democracia em Angola (MPDA) já exigiu, através de um comunicado, a "libertação urgente e incondicional" manifestantes.

Caso contrário, o MPDA promete "tomar medidas repressivas que poderão pôr fim a diplomacia angolana no exterior", sem no entanto especificar.
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OS PRÍNCIPES DESTE MUNDO

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ANGOLA 24 HORAS – 07 março 2011

(Angola esta a viver momentos ímpares!). - Cardeal D. Alexandre do Nascimento.

Embora desde 1992, sempre desconfiasse da cumplicidade da igreja católica com o regime (tal como aconteceu no passado colonial), nutria apesar dos pesares uma certa simpatia pelo então ‘ícone’ da igreja Católica de Angola (Príncipe da igreja Católica de Angola), honestamente não sabia que tal titulo existisse dentro da igreja, mas enfim.., mais decepcionado fiquei com a montanha de cumplicidade e bajulação caudilhista, deste emérito ‘príncipe’ que, sempre pensei, fosse amante da verdade e nada mais do que a verdade.

Isaías 32 versículo 1-2 reza; …e quanto a príncipes, governarão como príncipes para o próprio JUIZO, e cada um (deles) terá de mostrar ser como ABRIGO contra o vento e como esconderijo contra o temporal, como correntes de água numa terra árida, como a SOMBRA dum pesado rochedo numa terra esgotada.

Angola esta localizado entre os DEZ MAIS CORRUPTOS do planeta, concomitantemente entre os dez com a PIOR GOVERNAÇÃO DO PLANETA, entre os dez Países mais IMUNDOS do mundo, e como não podia deixar de ser entre os dez do mundo onde não reina a PAZ (um país verticalmente corrupto, severamente desgovernado e impiamente imundo é linearmente VIOLENTO), a dor, a miséria execrável e a mortandade/genocídio contínua que tais ‘atributos’ semeiam ininterruptamente no seio do povo Angolano constitui a razão maior do grito de angustia e dor das populações de Angola, estamos todos a viver ao vivo e a cores um autêntico filme de TERROR. E o príncipe da igreja Católica, assegura que; “Angola esta a viver momentos ímpares”.

Os Príncipes das várias denominações igrejas cristãs de Angola, não o são para o próprio juízo, porque não primam pela verdade e muito menos com a JUSTIÇA, são na verdade cúmplices da injustiça, impossível poderem fazer o papel de abrigo contra o vento e como esconderijo contra o temporal, e como correntes de água numa terra árida, e quanto a Sombra eles não passam mais do que escaldantes fontes de sofrimento e agonia do humilde e quebrantado povo, o povo não sente nenhum alivio e consolo ao aproximarem-se ‘deles’.

Certa vez Jesus Cristo, que rejeitou o título e cargo de REI, quando o povo entusiasmado queria aclama-lo a tal cargo, em conversa com os membros do sinédrio judaico, portanto com os chamados príncipes da religião judaica, que também dirigiam os ‘assuntos’ sociopolítico da nação judaica em representação do império Romano, disse-os sem papas na língua (João 8 versículo 44); - “Vós sois de vosso pai o diabo, e QUEREIS FAZER OS DESEJOS de vosso pai, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Esse foi homicida DESDE O PRINCIPIO, e não permaneceu firme na VERDADE, porque não há nele verdade. Quando fala a mentira, fala segundo a sua própria disposição, porque é um mentiroso e o PAI DA MENTIRA.

O jornal de Angola, ‘boca-de-aluguel’ do regime ditatorial na mesma edição que enalteceu o ‘príncipe de Angola’ na contra-pagina anunciava o seguinte titulo; chuva de Domingo deixa um rastro de destruição e dor. E o ‘príncipe’ a dizer que Deus esta a abençoar Angola, e esta com o povo Angolano (por outras palavras disse; que Deus abençoa JES).

A quanto tempo isso acontece? Os efeitos mortíferos das chuvas? E o que fez/faz o regime para atenua-las ou mesmo anula-las?.. fez/faz algo? Caso positivo, Então não fez/faz o suficiente, como sempre fez/faz algumas ‘obrazitas’ cosméticas, que o ‘fiscal’ logo anula-as traduzindo em inegável sofrimento para o povo. Desta feita Os bairros Palanca, Golfe I e II, morro Bento, Futungo, Benfica e Samba, foram os mais afectados.

Angola está literalmente transformado num INFERNO, então o Cardeal e os seus congéneres das demais religiões cristãs, são “príncipes do inferno”.

Um outro ‘príncipe’ caudilhista ‘trovejou’ que vai participar da manifestação a favor da violência e da continuidade de JES, prometendo que vai ‘arrastar’ com o mesmo mais 10.000 jovens… QUE MENTIRA MAIS ESCABROSA, vindo de alguém que diz ser ‘a boca’ de Deus.

O regime já vai preparando o cenário, convidando artistas e músicos considerados do nosso ‘music-hall’ (que aceitaram o convite tendo apenas em conta, o aspecto profissional) para servirem de atracção aos jovens, raves de cerveja e demais pandemias, tudo que é indecente, corrupto e MENTIRA, já estão devidamente planificados a boa maneira do MPLA-JES. Se os manifestantes anti-JES tentarem procederem da mesma forma, serão considerados de arruaceiros, desordeiros, ‘traidores’ e um atentado a ordem publica, Ê ISTO DEMOCRACIA?!...

Nem todos os que se sentam na mais alta hierarquia das igrejas cristãs de Angola, comem da mesa de JES, há os que esporadicamente vão fazendo ouvir as suas vozes, alguns de forma tímida e ténue mas vão-se fazendo ouvir a favor do povo, mas a maioria fazem alarido público de comer na mesa do demónio, outros têm receio de perder algumas mordomias social, politico e económicas, faz-me lembrar as palavras de Luther King; por vezes o silêncio traduz-se por traição. E num outro lugar disse; O QUE ME PREOCUPA NÃO Ê O ‘GRITO’ DOS MAUS, MAS O ‘SILÊNCIO’ DOS BONS.

No tempo de Jesus Cristo (JC), nem todos os que se sentavam no sinédrio judaico (os príncipes e representantes/servos do império Romano) odiavam Jesus Cristo, alguns como Nicodemos (que visitou secretamente JC e maravilhou-se com os seus ensinos) José de Aritmeia (que sepultou JC, demonstrando publicamente o seu amor por JC) e Gamaliel (que defendeu corajosa e abertamente os apóstolos aos quais o sinédrio proibiu de divulgar os ensinamentos de JC), foram excepção, distanciando-se dos demais colegas do ‘principado’.

A maioria dos príncipes deste mundo (ANGOLA), estão a favor da continuidade de JES, da violência, do genocídio, e da continuação da corrupção e da miséria do povo, estão a favor da continuação da MENTIRA, porque eles mesmos são príncipes da Mentira e da injustiça.

Entendo que devido a obra evangélica cristã e a paz espiritual, os chamados ‘príncipes’ das diversas igrejas cristãs, deveriam recomendar as suas ‘ovelhas’ ao distanciamento equilibrado ou melhor uma certa neutralidade, traduzida; nem a favor da manifestação do MPLA-JES nem da manifestação anti-JES.

Caifás o sumo-sacerdote judaico, o autor da ideia do recrutamento e traição de Judas e da morte violenta de JC, equipara-se ao Cardeal Alexandre de Nascimento e congéneres, que condenou a morte JC por este ter declarado ser filho de Deus, a mais pura verdade ou melhor o principio e o fim da VERDADE.

Pilatos não estava de acordo com a condenação a morte de JC “porque não via nele motivo para tal condenação”, Pilatos tentou (depois de algumas) mais uma ‘artimanha’, ingenuamente perguntou a massa da multidão diante dele; Não é este (JC) o Rei dos Judeus? Caifás, destacando-se entre os chamados ‘príncipes’ e da multidão em geral, trovejou; NÕS (os príncipes do sistema religioso judaico) NÃO TEMOS OUTRO REI SENÃO CÈSAR… com esta declaração, o Sumo-sacerdote judaico, encurralou astutamente Pilatos; Se não crucificares este homem (JC) fazes-te inimigo de César, assegurou Caifás, desferindo o golpe de misericórdia contra as intenções de Pilatos, a sorte de JC estava fatalmente traçado, por aquele que se julgava o príncipe do Criador entre as pessoas comuns da terra.

Cardeal Alexandre de Nascimento e congéneres, também dizem; NÃO TEMOS OUTRO REI SENÃO JES… quem não se juntar a ‘procissão’ de Bento Bento, faz-se inimigo de JES.

É caso para uma vez mais dar razão a sabedoria da palavra de Deus. Maldito é o homem que confia noutro homem.

Nguituka Salomão

www.angola24horas.com
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Regime colonial angolano em Cabinda intimida e enxovalha Agostinho Chicaia

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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O Engenheiro Agostinho Chicaia é o Coordenador Geral, (Ponta-Negra) do Projecto Transfronteiriço do Maiombe do PNUA (Programa das Nações Unidas para o Ambiente) e UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza). Este abrange todos os países que comungam da mesma extensão desta grande floresta: Cabinda (Angola), RDCongo, Congo-Brazzaville e Gabão.

É nesta sua qualidade que na passada semana foi até a Luanda, passando por Cabinda.

Encontrou-se com altas personalidades do regime, inclusive com Fátima Jardim, Ministra do Ambiente. Regressou a Cabinda sexta-feira (5 de Março). Hoje, depois de um encontro com o Governador de Cabinda, Mawete João Baptista, que terminou tarde por causa do carnaval, pediu ao Padre Congo que o levasse até à fronteira com o Congo (Massabi).

Devia regressar, porque, amanhã, deve estar em Kinshasa para uma reunião. Chegaram ao local às 17h30, ainda com a possibilidade de atravessar a fronteira, já que é residente na República do Congo.

Os funcionários da DEFA, como tem sido hábito, passeavam com o seu passaporte de um lado para outro, com os telemóveis colados, permanentemente, às badanas, para no fim comunicarem que não podia sair de Cabinda. Regressou-se e ao chegar às portas de Lândana, onde está uma barreira que divide Cabinda em dois; lugar de humilhação dos cabindas, aproximaram-se dois polícias que pediram ao Padre Congo para estacionar o carro, queixando-se que era uma ordem que tinham recebido naquele momento.

Este encostou a viatura nas bermas e viram-se cercados pela fina flor do aparelho repressivo do MPLA e do governo angolano em Lândana (Cacongo): o comandante da polícia, Evaristo Bota, que mais se parece com um agente do SINFO; Benjamim da polícia de Investigação Criminal e o adjunto da DEFA.

Procederam a um controlo, peça por peça; papel a papel, da pasta-de-viagem de Chicaia, diante dos olhos estarrecidos dos ocupantes da viatura. Estiveram no local, mais ou menos, meia hora, libertando, depois, a viatura e. Chicaia.

Compreendeu-se que foi estratégia não o terem deixado passar para o Congo, para o controlarem ao regressar à sua casa na cidade de Cabinda. Teme-se, neste momento, pela sua segurança, amanhã, quando voltar à fronteira.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Ler também no Alto Hama: O MPLA não tem dúvidas e garante: Em Angola quem manda somos nós
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7 de março: As mulheres Angolanas em Londres vão organizar manifestação

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ANGOLA 24 HORAS – 07 março 2011

Angolanas e Angolanos do Reino Unido, venho em nome da OMAL (Organização da Mulher Angolana de Londres) e das mulheres angolanas no geral, comunicar-lhes que OMAL em colaboração com varias ONGs Britânicas, vai realizar Amanha Hoje, Segunda-feira 7 de Marco, uma grandiosa manifestação para protestar os 32 anos de ditadura de José Eduardo Dos Santos e os mais de 35 anos no qual o povo angolano foi e esta a ser submetido a todo tipo privações, humilhações, repressões, perseguições e miséria absoluta causadas pelo regime do MPLA.

A manifestação terá lugar diante da Embaixada de Angola, no número 22 Dorset Street em Londres das 13.30 da tarde e concluirá as 15.30. Com o direito que nos concede a constituição angolana (artigo 47) manifestaremos pacificamente e exigiremos a retirada imediata de José Eduardo Dos Santos, do Cargo de presidente de Angola assim como o fim do MPLA, na liderança dos destinos do nosso povo.

Convictos de que os angolanos precisam de actuar com urgência para evitar a queda de Angola no abismo, a OMAL, chama a consciência das nossas irmãs e irmãos angolanos espalhados pelo Reino Unido para unirmos as nossas forcas no sentido de resgatarmos o nosso pais das forças do mal que aos poucos vai tornando Angola, no verdadeiro Inferno na Terra. Não existe sucesso sem sacrifício, não há Victoria sem luta e não há revolução sem coragem. E é com coragem e espírito vitorioso que juntos manifestaremos diante da Embaixada de Angola em Londres para exigir a saída urgente dos carrascos do povo angolano os senhores JES, Nando, Dino Matross, Kopelica, Feijó, Falcão e toda corja do MPLA e a nomenclatura que a eles se associam.

O Povo angolano esta cansado de viver na miséria, o povo quer se beneficiar das riquezas que saem do nosso subsolo. O povo angolano quer deixar de ser pisoteado pelos mesmo (estrangeiros) que no passado nos escravizaram e colonizaram. Não queremos o neocolonialismo, queremos ser donos do nosso destino. Queremos ser livres e capazes de expressar os nossos ideias sem medo do chicote e as balas da FAA. Queremos democracia e não demagogia. O angolano quer escolas, quer hospitais, água corrente, luz, justiça, igualdade e distribuição equitativa das riquezas da nossa terra. Queremos o fim imediato da cultura do medo, do nepotismo, da bajulação e da exclusão social. Queremos e exigimos o fim de ‘‘poucos com tudo e muitos com pouco’’.

Vamos e devemos apoiar os nossos iramos em Angola. Não devemos esquecer que nesta altura decisiva e importante na historia de Angola, todos nós ,de forma consciente devemos dar o nosso contributo para uma Angola melhor e prospera. Vamos motivar e encorajar os nossos irmãos em Angola fazendo o mesmo aqui em Londres. Vamos fazer barulho, vamos dizer: Fora Ze-Du e a sua corja. Vamos mostrar que somos uma comunidade formada por pessoas decisivas, conscientes e carregadas de convicções.

Em nome do sangue e das vidas que se foram em nome da da Independência, liberdade e felicidade dos angolanos, a OMAL, apela a todos a comparecem em massa as 13.00 da tarde, na Embaixada de Angola em Londres.

O nosso Slogan é: TI ZE, TIRA O PE, TO PRAZO EXPIROU A BWE.

Nzinga Azevedo.
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Presidente, interina da OMAL.
Reino Unido aos 6 de Marco de 2011.
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Noticiaspress
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