sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

AGORA JÁ PODEMOS COMPRAR NA ENSITEL !

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“A liberdade de expressão, as nossas opiniões, são constantemente ameaçadas pelos que detêm os poderes e acreditam reunir as condições que lhes permitem regressar à censura, incluindo na internet. É assim que publicamos a “história” de uma empresa que se vê protegida pelos tribunais numa tentativa de silenciar uma cliente descontente.”

Foi exatamente nestes termos que mais em baixo nos expressámos relativamente à atitude da ENSITEL, por processar judicialmente uma cliente descontente que veiculou o seu sentir e as suas opiniões no seu blogue pessoal sobre um desiderato com aquela empresa.

Na prosa de nossa responsabilidade lamentávamos o facto, tecemos criticas, condenámos a atitude da empresa. Ocorre que a ENSITEL reconsiderou e tomou o caminho certo: desistiu da acção judicial contra a referida cliente.

É disso que damos aqui conta através do i online. Queremos também enaltecer a atitude da ENSITEL. Se servimos para criticar, agora é hora de fazer o inverso. A ENSITEL acaba bem o ano, positivamente. Apetece parabenizá-la por retomar o caminho de uma empresa moderna e democrática, não uma “mercearia rasca”. Foi a melhor decisão para repor o seu bom nome.

Bem hajam todos os intervenientes e também a onda de solidariedade para com a liberdade de expressão dos internautas.

ENSITEL RETIRA PROCESSO CONTRA AUTORA DE BLOGUE

i ONLINE – LUSA – 21 dezembro 2010

A Ensitel anunciou hoje que retirou a ação judicial que tinha contra uma cibernauta que se queixou da empresa no seu blogue, gerando posteriormente acesas discussões em redes sociais como o Twitter ou o Facebook.

"Nos últimos dias temos ouvido as vossas opiniões. Nunca foi nossa intenção limitar a liberdade de expressão da Maria João Nogueira, mas apenas assegurar a defesa da nossa marca. Mas vemos agora que a nossa atitude não foi a mais adequada e por isso vamos retirar de imediato a ação judicial", refere comunicado divulgado na página Facebook da empresa.

No texto, assinado pelo responsável de vendas e serviço a clientes, Pedro Machado, a empresa assume responsabilidades pelas proporções tomadas pelo caso e garante que melhorará as formas de comunicação com os clientes.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

O BRASIL E O CALEIDOSCÓPIO MUNDIAL

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JOSÉ LUIS FIORI – CARTA MAIOR

A definição da estratégia internacional do Brasil não depende da “taxa de declínio” dos EUA, mas não pode desconhecer a existência do poder americano. Assim mesmo, gostem ou não os conservadores, o Brasil já entrou no grupo dos estados e das economias nacionais que fazem parte do “caleidoscópio central” do sistema, onde todos competem com todos, e todas as alianças são possíveis, em função dos objetivos estratégicos do país, e do seu projeto de mudança do sistema mundial. O artigo é de José Luís Fiori.

Durante a primeira década do século XXI, o Brasil conquistou um razoável grau de liberdade, para poder definir autonomamente sua estratégia de desenvolvimento e de inserção internacional, num mundo em plena transformação. O sistema mundial saiu da crise econômica de 2008, dividido em três blocos cada vez mais distantes, do ponto de vista de suas políticas e da sua velocidade de recuperação: os EUA, a União Europeia e algumas grandes economias nacionais emergentes, entre as quais se inclui o Brasil. Mas do ponto de vista geopolítico, o sistema mundial ainda segue vivendo uma difícil transição - depois do fim da Guerra Fria - de volta ao seu padrão de funcionamento original. Desde o início do século XIX, o sistema inter-estatal capitalista se expandiu liderado pela Grã Bretanha, e por mais algumas potências europeias, cuja competição e expansão coletiva foi abrindo portas para o surgimento de novos “poderes imperiais”, como foi o caso da Prússia e da Rússia, num primeiro momento, e da Alemanha, EUA e Japão, meio século mais tarde. Da mesma forma como aconteceu depois da “crise americana” da década de 1970.

Depois da derrota do Vietnã, e da reaproximação com a China, entre 1971 e 1973, o poder americano cresceu de forma contínua, construindo uma extensa rede de alianças e uma infra-estrutura militar global que lhe permite até o hoje o controle quase monopólico, naval, aéreo e espacial de todo o mundo. Mas ao mesmo tempo, esta expansão do poder americano contribuiu para a “ressurreição” militar da Alemanha e do Japão e para a autonomização e fortalecimento da China, Índia, Irã e Turquia, além do retorno da Rússia, ao “grande jogo” da Ásia Central e do Oriente Médio. Os reveses militares dos Estados Unidos na primeira década do século desaceleraram o seu projeto imperial. Mas uma coisa é certa, os EUA não abdicarão voluntariamente do poder global que já conquistaram e não renunciarão à sua expansão contínua, no futuro. Qualquer possibilidade de limitação deste poder só poderá vir do aumento da capacidade conjunta de resistência das novas potências.

Por outro lado, depois do fim do Sistema de Bretton Woods, entre 1971 e 1973, a economia americana cresceu de forma quase contínua, até o início do século XXI. Ao associar-se com a economia chinesa, a estratégia norte-americana diminuiu a importância relativa da Alemanha e do Japão, para sua “máquina de acumulação”, em escala global. E, ao mesmo tempo, contribuiu para transformar a Ásia no principal centro de acumulação capitalista do mundo, transformando a China numa economia nacional com enorme poder de gravitação sobre toda a economia mundial.

Esta nova geometria política e econômica do sistema mundial, se consolidou na primeira década do século XXI, e deve se manter nos próximos anos. Os Estados Unidos manterão sua centralidade dentro do sistema como única potência capaz de intervir em todos os tabuleiros geopolíticos do mundo e que emite a moeda de referencia internacional. Desunida, a União Europeia terá um papel secundário, como coadjuvante dos Estados Unidos, sobretudo se a Rússia e a Turquia aceitarem participar do “escudo europeu anti-mísseis”, a convite dos EUA e da OTAN. Neste novo contexto internacional, a Índia, o Brasil, a Turquia, o Irã, a África do Sul, e talvez a Indonésia, deverão aumentar o seu poder regional e global, em escalas diferentes, mas ainda não terão por muito tempo, capacidade de projetar seu poder militar além das suas fronteiras regionais.

De qualquer forma, três coisas se podem dizer com bastante certeza, neste início da segunda década do século XXI:

i. Não existe nenhuma “lei” que defina a sucessão obrigatória e a data do fim da supremacia americana. Mas é absolutamente certo que a simples ultrapassagem econômica dos EUA não transformará automaticamente a China numa potência global, nem muito menos, no líder do sistema mundial.

ii. Terminou definitivamente o tempo dos “pequenos países” conquistadores. O futuro do sistema mundial envolverá - daqui para frente -uma espécie de “guerra de posições” permanente entre grandes “países continentais”, como é o caso pioneiro dos EUA, e agora é também, o caso da China, Rússia, Índia e Brasil. Nesta disputa, os EUA já ocupam o epicentro do sistema mundial, mas mesmo antes que os outros quatro adquiram países a capacidade militar e financeira indispensável à condição de potencia global, eles já controlam em conjunto cerca de 1/3 do território, e quase 1/2 da população mundial.

iii. Por fim, a definição da estratégia internacional do Brasil não depende da “taxa de declínio” dos EUA, mas não pode desconhecer a existência do poder americano. Assim mesmo, gostem ou não os conservadores, o Brasil já entrou no grupo dos estados e das economias nacionais que fazem parte do “caleidoscópio central” do sistema, onde todos competem com todos, e todas as alianças são possíveis, em função dos objetivos estratégicos do país, e do seu projeto de mudança do sistema mundial.
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL TEM “PROTECÇÃO LEGAL”

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TSF – 29 dezembro 2010

Maria José Morgado diz que a corrupção em Portugal tem «protecção legal», considerando que, a cada ano que passa, há menos vontade política para combater este problema.

Em entrevista ao jornal Correio da Manhã, Maria José Morgado fala num Estado «capturado por interesses obscuros, incapaz de os combater e paralisados pelos maus interesses».

Maria José Morgado mantém a convicção de que «não há vontade política» para combater a corrupção, considerando mesmo que esta não só se mantém como goza de uma «protecção legal».

A corrupção é um problema que está mais na esfera política do que na jurídica, considera ainda a coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.

Por outro lado, defende, o combate ao crime económico em Portugal, quer na corrupção quer no branqueamento de capitais, nunca foi uma prioridade de política criminal.
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VÍDEO SIC

**Peça de Clara Osório sobre entrevista de Maria José Morgado ao Correio da Manhã
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Primeiro de janeiro: ENTRA EM VIGOR A ONU MULHERES

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ALÔ ALÔ BRASIL – 29 dezembro 2010

No primeiro dia do ano que está por iniciar, entrará em vigor a nova agência das Nações Unidas “ONU Mulheres”. Ela foi criada pela Assembleia Geral da Onu, em julho de 2010, depois de anos de negociações entre os Estados-membros e o movimento global de mulheres. A instituição terá como diretora-executiva Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile.

Segundo a Rádio Onu, a nova agência vai incorporar as quatro unidades da Onu dedicadas à igualdade de gênero. Michelle Bachelet destacou que todas as “estruturas atuais desaparecem” e que a nova agência abrirá concursos para cargos hierárquicos.

Está previsto o lançamento, em janeiro, de um plano de trabalho para os 100 primeiros dias de operação para a Instituição, a qual incorpora, inclusive, o Fundo de Desenvolvimento da Onu para Mulheres, o Unifem, que é responsável pela captação de recursos.

A estimativa inicial de orçamento necessário para a realização dos projetos da Agência é de 500 milhões de dólares, equivalentes a 850 milhões de reais, porém, segundo a diretora, o valor disponível atualmente é inferior a esse. Vários países, entre eles Estados Unidos e Canadá, se comprometeram em aumentar as doações.

O Conselho Executivo da Onu Mulheres será composto por 41 países. Entre as nações de língua portuguesa estão Brasil, Cabo Verde, Angola e Timor-Leste.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Santuário Basílica do DPE
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

BEM-VINDO CESARE BATTISTI

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RUI MARTINS *, Berna – DIRETO DA REDAÇÃO

"Não à extradição de Battisti". Foi com esse título, no site Direto da Redação, que publiquei meu primeiro artigo em favor do companheiro Cesare Battisti Clique aqui hoje agraciado pelo presidente Lula, e que poderá viver, enfim, no Brasil, depois de quase dois anos de prisão, mesmo depois da decisão do ex-ministro Tarso Genro.

Desnecessário falar de minha alegria de combatente, já que, no início, logo depois da prisão de Battisti no Rio de Janeiro, grande parte da esquerda não se decidia a apoiar Cesare Battisti. em consequência de uma insidiosa campanha movida pela revista Carta Capital.

Lembro-me do duelo com Mino Carta, redistribuído pela mídia alternativa. Dos artigos no Brasil de Fato, no Observatório da Imprensa, Correio do Brasil e de tantos outros, reproduzidos na própria França, onde a grande defensora de Battisti era a escritora Fred Vargas, muitas vezes no Brasil para contratar advogados, encontrar-se com juristas, políticos, ministros, em busca da libertação de Battisti.

A campanha por Battisti teve, a seguir, como seus grandes defensores Celso Lungaretti, ex-combatente contra a ditadura, ex-preso político, o combativo articulista Laerte Braga, o jurista Carlos Lungarzo, os políticos Eduardo Suplicy e Fernando Gabeira. E tantos outros que foram se juntando, se mobilizando, se reunindo diante do STF para protestar contra o ministro Cesar Peluzo e Gilmar Mendes, que quase provocaram uma crise institucional ao rejeitarem uma decisão do próprio ministro da Justiça Tarso Genro, mantendo preso, ilegalmente, diga-se de passagem, o italiano Cesare Battisti.

Lembro-me também das ofensas do governo e de políticos italianos contra o Brasil e contra Tarso Genro, vindas justamente do desmoralizado governo de Silvio Berlusconi, mas aceitas pela imprensa brasileira. Entendemos a paciência do presidente Lula, pois essa mesma imprensa comprometida teria certamente utilizado a não extradição de Battisti como argumento contra a eleição de Dilma Rousseff.

Pena que muitos brasileiros sem acesso ao falso processo de Cesare na Itália, tenham criado a idéia corroborada pela imprensa, de que se tratava de um culpado, quando na verdade era um foragido vítima de perseguição política. A verdade pouco a pouco virá à tona, e ajudará Battisti a se integrar no Brasil, escrever novos livros e se juntar aos combatentes pelos direitos humanos se tornando um dos nosso valores intelectuais.

Fiquemos, porém, alertas para que Cesare Battisti não seja vítima de atentado ou vingança por parte de políticos italianos frustrados com a decisão brasileira. Lula não repetiu o êrro de Getúlio, que cedeu Olga Benário Prestes aos pedidos da Alemanha nazista. O Brasil se afirma, com essa decisão política de Lula, como um país independente, sem medo de pressões e ameaças, mesmo porque já se tornou uma potência internacional.

Bem-vindo Cesare Battisti ao convívio de nós brasileiros, de todos nós que lutamos contra os diversos tipos de opressão, de controle, de injustiças e de tramas judiciárias contra os lutadores pela liberdade. Ontem, prisioneiro, ameaçado de extradição, hoje Battisti é o atestado de nossa maioridade política e se torna uma marco na nossa história, no epílogo de uma luta entre um judiciário brasileiro desejoso de satisfazer a injustiça italiana contra um executivo, que não se dobrou e optou pela justiça e pelos direitos humanos. É o fecho de ouro do governo Lula.

Espero ter ainda a oportunidade, um dia desses no Brasil, de me encontrar com Battisti para lhe dar o abraço de boas-vindas como homem livre no território brasileiro.

*Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, é líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado dos Emigrantes, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o Expresso, de Lisboa, Correio do Brasil e agência BrPress.
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NUNCA MAIS COMPREM NA ENSITEL!

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Redação

A liberdade de expressão, as nossas opiniões, são constantemente ameaçadas pelos que detêm os poderes e acreditam reunir as condições que lhes permitem regressar à censura, incluindo na internet. É assim que publicamos a “história” de uma empresa que se vê protegida pelos tribunais numa tentativa de silenciar uma cliente descontente.

O que está a acontecer poderia ser considerado ridículo se estas acções não fossem “balões de ensaio” para limitar as nossas capacidades de comunicação e as nossas opiniões sobre os que detêm os poderes e deles pretendem abusar, sejam eles de cariz empresarial ou outros. A verdadeira “história” vem a seguir e convidamos os que nos lêem a dar atenção ao que ocorre e aos pormenores.

Uma empresa de Portugal, a ENSITEL, aparentemente uma empresa dirigida por “merceeiros” da pior espécie, sente-se lesada pela opinião de uma cliente que veiculou na internet o que pensava e sentia relativamente à empresa no comportamento que teve consigo. Vai daí solicita ao tribunal que a página em blogue da net seja “limpa” sobre tudo o que a cliente publicou do seu sentir, da sua opinião, da sua visão e interpretação relativamente aos procedimentos da ENSITEL.

Quer parecer que o tribunal vai decidir favoravelmente à pretensão da ENSITEL. Esta é a nossa convicção sobre a “justiça” em Portugal, porque na verdade não temos a mínima confiança nos tribunais na generalidade. Quase sempre são favoráveis aos mais fortes. Mas isso não deve de ser razão bastante para que não apoiemos esta campanha - antes pelo contrário - contra os ataques à liberdade de expressão e de opinião por parte dos atores mascarados de democratas - mas denunciados - desta “democracia de pacotilha” para onde nos conduz o falso liberalismo em que nos estamos a afundar globalmente, que nos reprime nas menores e mais surpreendentes situações que possam conduzir ao controle total das populações.

Neste caso da ENSITEL nada está a acontecer por acaso. Sejamos combativos e denunciemos.

A seguir consulte toda a “história”. (FB)

Ensitel exige a ex-cliente retirada de textos de blog pessoal

TSF

A troca de um telemóvel defeituoso foi o ponto de partida para seis textos escritos num blog, que a Ensitel pretende que sejam apagados. Nas redes sociais, há já uma onda "anti-Ensitel".

A Ensitel pretende que uma antiga cliente insatisfeita apague textos do seu blog pessoal que fazem referência a esta rede portuguesa de distribuição de equipamentos de electrónica e comunicações.

Na sua página na Internet, Maria João Nogueira explica que tudo começou quando tentou trocar um telemóvel defeituoso, uma troca que acabou em tribunal que acabou por dar razão à Ensitel, que agora exige a retirada de seis textos escritos em 2009 deste blog.

Quando a bloguista decidiu contar este caso, criou-se uma onda contra a Ensitel nas redes sociais como Facebook e o Twitter, tendo a página da empresa recebido uma enorme quantidade de críticas.

No Facebook, foi criada a página Nunca mais compro nada na Ensitel, que já conta com mais de mil fãs pouco satisfeitos com a forma como a empresa tratou deste caso, ao interpor uma providência cautelar para que os textos referentes à empresa fossem apagados.

A ex-cliente não retirou os textos e acrescentou mesmo mais um onde lamentou a posição da Ensitel, considerando que estava em causa a liberdade de expressão de uma bloguista.

Entretanto, a Ensitel, em comunicado, disse que repudia, rejeita e não aceita ser alvo de uma campanha difamatória.

Ouvido pela TSF, o advogado Manuel Lopes Rocha explicou que «ou o juiz encontra material ofensivo e, nessa altura, manda retirar, ou chega à conclusão que não há material ofensivo e certamente ficarão os comentários que estão».

«O juiz vai traçar o limite da liberdade de expressão como se fosse noutro meio qualquer. Já há casos em que os tribunais portugueses mandaram retirar com sucesso determinados textos e imagens da Internet», lembrou este especialista em Direito Informático.

Este advogado adiantou ainda que «uma reacção assim tão grande não me lembro, com tantas redes sociais a intervirem e com tanta intervenção física dos cidadãos». «Do ponto de vista sociológico e jurídico, é um caso interessantíssimo», concluiu.

OUVIR REFERÊNCIAS NA TSF
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Secretariado Confederal da CIG aprovou hoje convocar Greve Geral na Galiza

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DIÁRIO LIBERDADE – 29 dezembro 2010

Diário Liberdade - A data poderia ser 27 de janeiro e haverá convite para que o resto de centrais sindicais adiram à convocatória.

A decisom foi tomada na manhá de hoje na reuniom do Secretariado Confederal em Compostela. A data pode ser 27 de Janeiro, um dia antes de que a reforma de pensons seja discutida no Congresso espanhol.

Fontes próximas da central informárom o Diário Liberdade por duas vias diferentes da decisom tomada polo Secretariado Confederal da principal central nacional galega, que toma a iniciativa sem esperar polo que os sindicatos espanhóis fagam ou nom fagam. A CIG fará pública amanhá a decisom que agora adiantamos, com todos os pormenores sobre data e termos da convocatória.

Retomar a iniciativa nacional e de classe

Esta Greve Geral retomará umha dinámica de greves gerais nacionais galegas que tivo os seus últimos capítulos em 2001 e 2002, quando a CIG mantinha a iniciativa e arrastava as renuentes CCOO e UGT. Contra aquela tendência histórica, o sindicalismo pactista espanhol mantivo a iniciativa durante a atual crise capitalista na Galiza, com umha CIG em que umha parte das estruturas dirigentes pareciam olhar mais para interesses partidistas alheios à central que para as necessidades das dezenas de milhares de filiados e filiadas, e para o conjunto do povo trabalhador em que as bases da CIG se inserem.

O passo em frente aprovado polo organismo dirigente da CIG na manhá desta terça-feira é, nesse senso, histórico, e supom um importante desafio à falsa dialética estabelecida entre os governos neoliberais e as dirigências sindicais espanholas. A CIG irrompe com umha convocatória que torna a Galiza a segunda naçom oprimida polo Estado espanhol que fará umha Greve Geral Nacional para enfrentar a crise capitalista e os seus responsáveis.

Com ou sem os outros sindicatos...

A direcçom da CIG vai tentar somar à convocatória os restantes sindicatos atuantes na Galiza. Porém, a decisom é firme e, quer participem quer nom, a Galiza terá Greve Geral num dos últimos dias de janeiro de 2011. A central nacional galega tem em agenda o dia 27 como possível data (coincidindo com a Greve Geral convocada em Euskal Herria por ELA e ELAB) mas está aberta a umha mudança se isso integrar outros sindicatos. Contodo, a jornada de luita será antes do dia 28, em que se discute a reforma de pensons no Congresso dos Deputados espanhol, segundo as informaçons com que contamos nestes momentos.

A terceira Greve Geral Nacional Galega da última década, primeira durante a atual crise capitalista, é sem dúvida umha boa notícia para importantes segmentos do nosso povo, duramente atacados polas medidas antipopulares dos governos do PSOE e do PP. Só a luita organizada e conseqüente, unitária e corajosa, poderá derrotar os planos do grande capital. Nesse contexto, a greve continua a ser umha importantíssima ferramenta de luita das massas contra os opressores.

O Diário Liberdade marca esta convocatória como evento informativo prioritário a partir deste momento, informando de todo o que nos for possível e colaborando no nosso ámbito para que a convocatória seja um êxito histórico da luita galega contra o capital, pola independência nacional e o socialismo.
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Paul Krugman: "QUANDO OS MORTOS VIVOS VENCEM”

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PAUL KRUGMAN - CARTA MAIOR

Os fundamentalistas do mercado erraram sobre tudo — ainda assim eles dominam a cena política mais completamente que nunca. Como isso aconteceu? Todos entendemos a necessidade de fazer acordos com inimigos políticos. Mas uma coisa é fazer acordo para adiantar seus objetivos; outra é abrir as portas para as ideias dos mortos-vivos. Quando você faz esta concessão, os mortos-vivos acabam comendo o seu cérebro — e possivelmente também a sua economia. O artigo é de Paul Krugman.

Quando historiadores olharem de volta no período 2008-10, o que mais vai intrigá-los, acredito, é o estranho triunfo de ideias falidas. Os fundamentalistas do mercado erraram sobre tudo — ainda assim eles dominam a cena política mais completamente que nunca.

Como isso aconteceu? Como, depois que bancos descontrolados colocaram a economia de joelhos, acabamos com Ron Paul, que diz “não penso que precisamos de regulamentação”, assumindo um comitê-chave do Congresso que vigia o Banco Central? Como, depois das experiências dos governos Clinton e Bush — o primeiro aumentou impostos e presidiu sobre uma espetacular criação de empregos; o segundo cortou impostos e presidiu sobre um crescimento anêmico mesmo antes da crise –, acabamos com um acordo bipartidário para cortar os impostos ainda mais?

A resposta da direita é que os fracassos econômicos do governo Obama mostram que as políticas de “grande governo” não funcionam. Mas a resposta a eles deveria ser, que política de grande governo?

Pois o fato é que o estímulo econômico de Obama — que em si era quase 40% baseado em cortes de impostos — foi muito cauteloso para dar uma guinada na economia. E isso não é uma crítica feita em retrospectiva: muitos economistas, dentre os quais me incluo, alertaram desde o começo que o plano era grosseiramente inadequado. Coloquem assim: uma política sob a qual os empregos públicos foram reduzidos e na qual os gastos do governo em bens e serviços cresceram mais devagar que durante os anos Bush não contitui exatamente um teste de economia keynesiana.

Bem, talvez não tenha sido possível ao presidente Obama conseguir mais diante do ceticismo do Congresso em relação a seu governo. Mas mesmo que fosse verdade, apenas demonstra o contínuo controle de uma doutrina falida sobre nossa política.

Também vale a pena dizer que tudo o que a direita falou sobre os motivos do fracasso da Obamanomics estava errado. Por dois anos temos sido advertidos de que os empréstimos do governo fariam disparar os juros; na verdade, as taxas flutuaram com o otimismo ou pessimismo sobre a recuperação econômica, mas se mantiveram consistentemente baixas se comparadas a padrões históricos. Por dois anos fomos alertados de que a inflação e até mesmo a hiperinflação estava a caminho; em vez disso, a deflação continuou, com a inflação básica — que exclui a volatilidade dos preços de alimentos e energia — sendo a menor do último meio século.

Os fundamentalistas do livre mercado cometeram tantos erros sobre os Estados Unidos quanto sobre eventos no Exterior — e sofreram poucas consequências disso. “A Irlanda”, declarou George Osborne em 2006, “é um brilhante exemplo da arte do possível na formulação econômica de longo prazo”. Epa! Agora o sr. Osborne é a maior autoridade econômica britânica.

E nessa nova posição ele está copiando as políticas de austeridade implementadas pela Irlanda depois que a bolha local estourou. Aliás, conservadores dos dois lados do Atlântico passaram boa parte do ano passado saudando a austeridade irlandesa como um sucesso absoluto. “A política irlandesa funcionou em 1987-89 e está dando certo agora”, declarou Alan Reynolds do Cato Institute em junho passado. Epa!, de novo.

Mas tais fracassos não parecem importar. Emprestando o título de um livro recente do economista australiano John Quiggin sobre doutrinas que a crise deveria ter matado mas não matou, estamos ainda — talvez mais que nunca — sendo governados pela “economia dos mortos-vivos”. Por que?

Parte da resposta, certamente, é que as pessoas que deveriam ter tentado matar as ideias mortas-vivas tentaram, em vez disso, fazer acordo com elas. E isso é especialmente verdadeiro do presidente [Obama], mas não apenas dele.

As pessoas tendem a esquecer que Ronald Reagan muitas vezes cedeu em questões políticas de substância — mais notadamente, ele aprovou múltiplos aumentos de impostos. Mas ele nunca foi mole com ideias, nunca recuou da postura de que sua posição ideológica estava correta e de que a dos adversários estava errada.

O presidente Obama, por contraste, tem consistentemente tentado fazer acordo com o outro lado, dando cobertura aos mitos da direita. Ele felicitou Reagan por restaurar o dinamismo dos Estados Unidos (quando foi a última vez que você ouviu um republicano elogiando Roosevelt?), adotou a retórica da oposição sobre a necessidade do governo de apertar o cinto mesmo diante da recessão e ofereceu congelamento simbólico de gastos e salários federais.

Nada disso fez com que a direita deixasse de denunciá-lo como socialista. Mas essa postura ajudou a dar poder a ideias ruins, de forma que elas podem causar danos imediatos. Neste momento o sr. Obama está saudando o acordo para corte de impostos [dos ricos] como uma forma de estimular a economia — mas os republicanos já estão falando em cortes de gastos do governo que acabariam com qualquer estímulo resultante do acordo. E como é que ele pode enfrentar os republicanos se ele mesmo abraçou a retórica de apertar o cinto?Sim, política é a arte do possível. Todos entendemos a necessidade de fazer acordos com inimigos políticos. Mas uma coisa é fazer acordo para adiantar seus objetivos; outra é abrir as portas para as ideias dos mortos-vivos. Quando você faz esta concessão, os mortos-vivos acabam comendo o seu cérebro — e possivelmente também a sua economia.

Texto em português publicado no Vi o Mundo (Artigo publicado originalmente no The New York Times)
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Droga que sai do Brasil financia Al-Qaeda na África, diz jornal brasileiro

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ÁFRICA 21

Grupo do norte da África ligado à rede de Bin Laden cobra ''pedágio'' pela passagem de carregamento vindo do Brasil com destino à Europa.

Brasília - A droga que sai do Brasil na direção à Europa é um dos pilares do financiamento da rede terrorista Al-Qaeda. Isso é o que revela uma investigação feita pelo governo da Argélia. Ele mostra que, cada vez mais, o norte da África tem se transformado em um dos motores das finanças do grupo terrorista.

Entre as maiores fontes de renda hoje da organização está a cobrança de "pedágio" para os carregamentos de drogas vindos dos portos brasileiros, que têm a Europa como destino final, noticia "O Estado de S. Paulo".

A informação vem no mesmo momento em que o grupo WikiLeaks torna pública a constatação da diplomacia americana de que a África e alguns de seus governos se transformaram nos últimos anos no principal centro de apoio e de distribuição da droga sul-americana, tanto para a Europa como para o próprio mercado americano.

Por décadas, a droga que saía da Colômbia era embarcada diretamente para a Europa, em navios ou aviões que chegavam à Espanha e Portugal. Mas desde que esses governos passaram a adotar um controle mais rigoroso sobre as cargas e reforçar as fronteiras marítimas, o narcotráfico foi obrigado a buscar novas rotas.

Segundo a Interpol, essas rotas passam agora pelos portos brasileiros, com a droga colombiana. Santos e os portos do Nordeste seriam os mais utilizados. Em 2009, por exemplo, cerca de 10% de toda a droga que chegou à Europa de navio e 40% da que chegou à França usou o Brasil como rota, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).

A caminho da Europa, porém, essa droga passaria pelo norte da África e, lá, encontram grupos dispostos a ajudar fazer a mercadoria chegar até os europeus. Um dos principais grupos que se beneficiam desse "serviço" seria a AQMI, o Al-Qaeda no Magreb Islâmico. O grupo é relativamente pequeno - tem cerca de 300 membros na cúpula da organização na Argélia, Marrocos e Tunísia. Mas vem ganhando espaço político, midiático e tem operações organizadas de forma cirúrgica para atingir seus objetivos. Em 2007, por exemplo, promoveu em Argel o maior atentado contra a ONU.
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MISÉRIA, REALIDADE TIMORENSE QUE TEM SIDO ESCAMOTEADA

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ANA LORO METAN

Nada melhor para se avaliar sobre o crescimento dos filhos como estarmos uns tempos sem os vermos. O mesmo se aplica a um país, à capital desse país, aos bairros dessa capital, às pequenas povoações, às gentes conhecidas de estratos sociais carenciados na actualidade como o eram há dois ou três anos.

Timor Leste está repleto de população carenciada e isso não é o que aparece em reportagens da comunicação social timorense, muito menos na internacional. O governo diz que tudo vai bem, ou quase, faz a sua propaganda, e a principal agência noticiosa estrangeira permanentemente em Díli, a Lusa, alinha com o governo em atitude politicamente correta, cometendo a falta imperdoável de não exercer a sua função mostrando ao mundo e consequentemente aos timorenses com acesso à internet e a noticiários estrangeiros, sobre a realidade do país.

O governo AMP de Xanana Gusmão é uma fraude que tem numa oposição abstinente e quase ausente livre arbítrio para fazer a sua propaganda enganosa, mistificando a realidade do país. Compete à oposição, com mais ou menos deputados no Parlamento Nacional denunciar a realidade. Continua a haver fome em Timor Leste, continuamos a ver o interior do país sem água potável, sem energia eletrica, sem saneamento básico, com grandes problemas nas suas agriculturas familiares e domésticas. Os problemas de saúde são os mesmos de há anos e a subnutrição é numa escala que desafia a imaginação dos governantes que querem fazer-nos acreditar que tudo vai muito melhor e em vias de desenvolvimento. Mas que desenvolvimento podemos tomar em consideração se continuamos a ver timorenses carenciados como há dois ou três anos? A fraude Xanana Gusmão e o seu governo AMP deve ser desmascarada de uma vez por todas. Nem se compreende como a oposição se considera fiel representante dos eleitores que votaram nela se demonstra estar longe da realidade do país, por isso quase nada fazendo para pressionar o governo a pôr cobro às enormes carências do povo do interior.

Na capital já existe a pobreza envergonhada. Existem carenciados de alimentação e de outros consumíveis, de habitação condigna, de emprego (mas isso já sabemos desde sempre) que se calam e fazem todos os possíveis por aparentarem melhor vida. Para isso recorrem à prostituição e a outras práticas marginais em que saciam temporariamente algumas das suas necessidades. Em Díli e em Baucau, pelo menos, há crianças e jovens a prostituírem-se. Adultos, nacionais e estrangeiros, são seus “clientes”. São eles e elas, através da prostituição, que se esforçam por alimentar as famílias. Os timorenses quase nada mais comem que arroz. Peixe, carne e leite é coisa que as crianças quase não conhecem. O leite é quase inexistente em Timor Leste nos hábitos de alimentação.

A miséria na capital ou no resto do país não se resolve com uns parcos subsídios oferecidos pelo governo AMP mas sim enfrentando o problema de raiz, com interesse, honestidade, solidariedade e abnegação, em vez olharem constantemente para os seus umbigos e tomarem medidas avulso que acabam por iludir as populações e mitigar-lhes a subnutrição e o subdesenvolvimento mas não mais que isso. É tempo de exigir aos que estão de posse dos poderes que cumpram as suas funções, as suas promessas. De miséria já basta!

Em poucos dias em Timor Leste, desde que se contactem as populações, sem sofismas ou baias político partidárias, temos oportunidade de constatar a realidade do nosso povo e ver o seu medo de falar, o seu encolher de ombros parceiro do descrédito e da desesperança. Afinal, o que é que Gusmão tem andado a fazer a este povo e a este país? O que é que faz calar a oposição neste caos em que a população vive? Por que só surgem casos pontuais de denuncias às más atuações dos diversos ministérios quando o que acontece na realidade é grave e alarmante? As próprias ONGs, a quem cabe muito mérito em denúncias e ajudas efetivas, talvez se devam aliar sem pruridos, cruzando dados e informações, assim como suas acções no terreno, para mostrar ao mundo e aos timorenses que parecem viver noutro país que há irmãos nossos, timorenses, no nosso país, a sobreviverem em condições deploráveis.

Há uma realidade timorense que tem sido sabiamente escamoteada: a miséria. Por isso se deve perguntar insistentemente para onde têm ido os milhões de dólares, alegadamente empregues no bem-estar e desenvolvimento do povo e do país? Para pôr cobro à miséria não tem sido. Nem por sombras.

*Relacionado: 2010, O ANO DE TODOS OS ROUBOS - em TIMOR LOROSAE NAÇÃO diário
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Australiana campeã mundial de Surf agredida com barra de ferro

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RCP - LUSA

Sidnei, 28 dez (Lusa) - A australiana quatro vezes campeã do mundo de surf Stephanie Gilmore foi agredida à porta de casa com uma barra de ferro, ficando com um pulso partido e vários ferimentos na cabeça.

A surfista parece não ter ficado abalada com a agressão e em declarações à imprensa local minimizou a gravidade das lesões: "Felizmente já estou a recuperar. Foi só um arranhão na cabeça e um pulso partido".

A polícia revelou que a jovem foi agredida segunda feira à noite ao chegar ao seu apartamento na cidade de Tweed Heads (Nova Gales do Sul), explicando em comunicado que o agressor "atacou a vítima por duas vezes com uma barra (de metal) antes de fugir de bicicleta".

O agressor foi reconhecido por amigos e vizinhos da vítima que o retiveram até à chegada da polícia. O suspeito vai comparecer perante a justiça no próximo mês.

Stephanie Gilmore, que festejará 22 anos a 29 de janeiro, é considera a "rainha" do circuito de surf feminino desde do primeiro título mundial conquistado na sua estreia em 2007.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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Diplomacia russa condena pressão ocidental no caso Khodorkovski

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JM - LUSA

Moscovo, 28 dez (Lusa) - O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia condenou hoje as declarações dos Estados Unidos e de alguns países da União Europeia a propósito da sentença do "caso Khodorkovski", que começou a ser lida na segunda-feira.

"A propósito das declarações feitas em Washington e nalgumas capitais da União Europeia sobre o julgamento de Mikhail Khodorkovski e Platon Lebedev, gostaríamos de sublinhar que se trata de uma questão da competência do sistema judicial da Rússia", lê-se num comunicado publicado pela diplomacia russa.

Segundo o ministério, "as tentativas de exercer pressão sobre o tribunal são inaceitáveis".

"O Presidente da Rússia sublinhou, numa entrevista recentemente dada aos maiores canais de televisão russos, que ninguém tem o direito de interferir com as prerrogativas dos órgãos judiciais", sublinha-se.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia recorda que Khodorkovski e Lebedev são acusados de crimes graves como "fuga ao fisco" e "branqueamento de capitais conseguidos por via criminosa".

"A propósito, nos Estados Unidos, esses crimes são punidos com penas de prisão perpétua. As opiniões sobre a justiça tendenciosa na Rússia não têm fundamento, os tribunais russos analisam milhares de processos que dizem respeito à responsabilidade de empresários face à lei", acrescenta-se no comunicado.

A diplomacia russa conclui: "esperamos que cada um se dedique aos seus assuntos, tanto em casa, como no campo internacional".

Na véspera, o Tribunal Khomovnik de Moscovo considerou provadas as acusações de "roubo de petróleo", "branqueamento de capitais" e "crime organizado" por parte do antigo patrão da petrolífera russa YUKOS, Mikhail Khodorkovski, e do seu sócio, Platon Lebedev.

A leitura da sentença continua e os arguidos podem incorrer em penas de prisão até 14 anos.

Organizações russas e internacionais de direitos humanos consideram este julgamento "uma farsa" e uma "vingança" do primeiro-ministro Vladimir Putin em relação a um adversário político.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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PR LULA DIZ QUE "FOI GOSTOSO DEMAIS" GOVERNAR O BRASIL

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FO – LUSA

Rio de Janeiro, 27 dez (Lusa) - A uma semana de deixar a Presidência da República, Lula da Silva disse hoje, em seu último programa semanal de rádio 'Café com o Presidente', que "governar o Brasil foi gostoso demais".

"Eu quebrei um tabu porque todo mundo dizia que era difícil governar o Brasil. Eu não achei nada complicado, achei até gostoso demais", declarou Lula, que agradeceu ao povo brasileiro o voto de confiança.

"Conclui que não foi nada complicado, até achei gostoso e consegui provar que era possível fazer tudo acontecer e permitir a participação do povo", acrescentou.

O Presidente afirmou ainda que vai trabalhar de forma intensa nesta última semana antes de passar o cargo à Presidente eleita Dilma Rousseff.

Na agenda, estão previstas viagens a Pernambuco, ao Ceará e à Baía, além de inaugurações em Brasília.

Lula da Silva vai trabalhar até dia 30 e descansar no dia 31, "desligar o motor para esfriar e entregar para Dilma no dia primeiro o cargo, para ela começar no dia 2 de janeiro a cem quilómetros por hora".

O Presidente pediu à população para apoiar Dilma Rousseff.

"O Brasil está a viver uma fase importante de crescimento económico que pode levar-nos a ser, dentro de cinco ou seis anos, a quinta economia mundial. Serão quatro anos de intensivo trabalho. Dilma vai precisar de todo o apoio. E é isso que eu queria pedir para vocês", declarou.

Lula da Silva também falou sobre o programa 'Café com o Presidente', criado em 2003, e sugeriu que a Presidente eleita continue a usá-lo como um de seus canais de comunicação.

"É importante lembrar que no dia 17 de novembro de 2003 colocamos no ar o primeiro programa 'Café com o presidente'. Foram 279 programas. Paramos nas eleições de 2006 e um pouco nas eleições de 2010. Penso que é justo que a nova Presidente continue esse programa. Muitas das coisas que nós falamos aqui repercutem na televisão. As pessoas ficam sabendo pela televisão. Acho que a nossa presidente tem que utilizar o máximo possível esse espaço", afirmou.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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Comité militar da CEDEAO discute hoje uso da força na Costa do Marfim

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MDR – JMR – LUSA

Lagos, 28 dez (Lusa) - Os comandos militares dos países da Comunidade de Estados da África Ocidental reúnem-se hoje em Abuja para avaliar planos de um eventual uso da força na Costa do Marfim para afastar Laurent Gbagbo, informou fonte da CEDEAO.

Na reunião do comité de chefes de Estado-Maior da África Ocidental devem ser estudados os pormenores de um possível destacamento de tropas para o país, assim como questões estratégicas, táticas e logísticas de uma tal operação.

A fonte, citada pela agência EFE, sublinhou que "não será só mais uma reunião do comité de chefes do Estado-Maior" mas "uma reunião extraordinária dedicada especificamente à situação na Costa do Marfim".

Numa cimeira extraordinária realizada na sexta-feira, os dirigentes da CEDEAO advertiram Gbagbo de que poderiam recorrer à força para o retirar da presidência se persistir na recusa em entregar o poder a Alassane Ouattara, reconhecido como Presidente da Costa do Marfim pela comunidade internacional.

A reunião de hoje coincide com a prevista visita ao país dos Presidentes do Benim, Cabo Verde e Serra Leoa, que vão comunicar a Gbagbo as decisões tomadas na cimeira de sexta-feira, incluindo a suspensão da Costa do Marfim da organização até que Ouattara ocupe a presidência.

Depois da segunda volta das eleições presidenciais de 28 de novembro, a Comissão Eleitoral Independente atribuiu a vitória a Ouattara, com 54 por cento dos votos, sobre Gbagbo, que obteve 46 por cento. O Presidente cessante não aceitou os resultados, que foram confirmados pela missão da ONU na Costa do Marfim (ONUCI).

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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PORTUGUESES MANTÊM-SE NA COSTA DO MARFIM

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JORNAL DE NOTÍCIAS

O Governo já contactou 20 cidadãos portugueses na Costa do Marfim, país em conflito devido à disputa pela presidência, mas "nenhum pediu ajuda para regressar" a Portugal.

De acordo com uma fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades citada pela Agência Lusa, estes 20 portugueses "estão contactados e ninguém pediu para regressar".

Segundo a mesma fonte, no caso de ser necessário o repatriamento, "os portugueses já têm indicações para se dirigirem à embaixada de França", antiga potência colonial na Costa do Marfim e o país da União Europeia com mais cidadãos naquele país da África Ocidental.

Questionada sobre em que condições poderá ocorrer o repatriamento, a fonte explicou que acontecerá "em função da análise da situação feita quer pela França, quer pela Espanha (país que representa Portugal, que não tem embaixada em Abidjan)". "Até ao momento, ainda não foi necessário", garantiu.

Caso venha a ser necessário, o repatriamento será feito recorrendo a "meios das autoridades francesas", adiantou a mesma fonte.

A situação de conflito na Costa do Marfim agudizou-se após a segunda volta das eleições presidenciais, a 28 de Novembro.

Laurent Gbagbo, no poder há dez anos, perdeu para o candidato da oposição, Alassane Ouattara, segundo os resultados da Comissão Eleitoral Independente.

A comunidade internacional reconheceu Ouattara como chefe de Estado, mas Gbagbo recusou deixar o poder e alertou, em entrevistas divulgadas ontem, segunda-feira, que o país corre o risco de uma guerra civil.

A crise política pós-eleitoral na Costa do Marfim já provocou cerca de 200 mortos e milhares de pessoas refugiaram-se nos países vizinhos.
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Seita islâmica reivindica ataques que mataram dezenas de pessoas na Nigéria

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JORNAL DE NOTÍCIAS

Uma seita islâmica reivindicou hoje, terça-feira, num 'site' da Internet os atentados que mataram dezenas de pessoas na véspera de Natal na Nigéria e ameaçou continuar os ataques.

"Nações do mundo, informamos que os ataques de Suldaniyya (Jos) e Borno, na véspera de Natal, foram realizados por nós, Jama'atu Ahlus-Sunnah Lidda'Awati Wal Jihad, sob o comando de Abu Mohammed", refere a declaração publicada na Internet.

O nome significa Povo devoto aos ensinamentos do Profeta para a propagação da guerra santa e a seita islamita Boko Haram já havia declarado que pretendia adoptar este nome.

Os atentados "marcam o início das vinganças após as atrocidades cometidas contra os muçulmanos nas suas regiões e no país em geral", refere a declaração.

Os confrontos ocorridos entre cristãos e muçulmanos na véspera de Natal, na cidade de Jos, na Nigéria, provocaram 86 mortes, o dobro daquelas que tinham sido avançadas nos últimos dias, revelou hoje, terça-feira, uma agência do Governo.

O balanço foi avançado pela Agência Nacional de Gestão de Situações de Urgência, que adiantou que os atentados e as represálias que se lhe seguiram originaram 189 feridos, um número bem diferente das 35 vítimas mortais que tinham sido divulgadas pelas autoridades policiais.

Esta recente onda de violência aumentou as tensões entre muçulmanos e cristãos, numa altura em que se aproxima a data das eleições presidenciais, agendadas para Abril de 2011.

Entretanto, vários observadores atribuíram esta recente violência a uma luta de poder, tanto político, como económico, entre os dois grupos.
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LÁ SE FOI O NATAL!

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ACALMAR AS ALMAS

Lá se foi o Natal. E quem deve estar a dar graças a Deus por isso, são os que tiveram de fazer de pai natal em Moçambique com temperaturas a rondarem os 40 graus centigrados! Com as tradicionais roupas vermelhas quentes, o gorro, as botas, e a barba!

É o lado ridículo desta assimilação... Até hoje ninguém pensou em minimizar o sofrimento desse gordo dos trópicos, usando tecidos frescos como a casquinha de ovo, por exemplo, para as suas roupas, ou em vez de calças fazer calções, em vez de camisa de mangas compridas serem de manga curta, etc...

Na verdade não sei de quem é a culpa... É de quem vende ou de quem compra?

O conceito e o valor do natal, são bons de se aproveitar, eu acho. Mas o resto, que também é bonito, tem de ser adequado principalmente a estação do ano, para além de outros factores. O pinheiro, por exemplo, não é uma árvore típica dos trópicos, embora existam algumas por lá. Quantas vezes não se vê pessoas a destruírem os pouco pinheiros da cidade das acácias? Porque alguns não querem comprar as árvores plásticas... Sendo assim, não dá para se pensar numa alternativa, mais "alcançável" e semelhante ao emblemático pinheiro e de fácil reposição?

Outra coisa engraçada, é que o pai natal em Moçambique é uma espécie só de shopping center! Aquele que alicia ao consumismo, ao servir os homens de negócio, e que transpira de VERDADE para levar um pouquinho de natal também para os seus...

Publicada por Nádia Issufo
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Luanda e Malange ligadas por comboio a 13 de Janeiro ao fim de 18 anos

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NOTÍCIAS LUSÓFONAS – 27 dezembro 2010

Os Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL), que ligam a capital angolana a Malange, foram hoje mais uma vez postos à prova antes da primeira viagem comercial prevista para Janeiro.

Com a maior parte dos seus 424 quilómetros interrompidos há 18 anos devido à guerra, os comboios do CFL vão abrir portas para passageiros e mercadorias a 13 de Janeiro, de acordo com a empresa.

A par dos Caminhos de Ferro de Benguela (CFB) e de Moçamedes (CFM), a linha que liga Luanda a Malange via Ndalatando, capital do Kwanza Norte, é considerada fulcral para desencravar o interior do país e é uma das grandes apostas do programa de reconstrução nacional iniciado após o fim da guerra, em 2002.

Nesta viagem, a segunda que os CFL fazem completa depois de vários anos de trabalhos para recuperar a linha e as estações ao longo do percurso, como a de Catete, Zenza do Itombe, ex-Bela Alta, Canhoca ou ainda Ndalatando, pretende-se verificar a operacionalidade da infra-estrutura para que a 13 de Janeiro seja feita a primeira viajem comercial.

Todas as estações, reconstruídas ao longo do percurso por empresas chinesas ao abrigo das linhas de crédito acordadas entre Pequim e Luanda, têm dois pisos e capacidade para albergar entre 200 a 500 pessoas.

Para além dos milhares de pessoas que os comboios vão transportar entre Luanda e Malange, as mercadorias são apontadas como tendo neste meio de transporte um novo impulso ao permitir que muitos produtos, nomeadamente agrícolas e agro-pecuários, cheguem do interior a Luanda mais rápido, ultrapassando os problemas que ainda subsistem no que toca ao armazenamento e conservação.

Também na área dos combustíveis a recuperação desta linha trouxe melhorias depois de a Sonangol ter criado três centros de armazenamento ao longo do percurso, sendo que também a distribuição de gasóleo e gasolina para o interior do país é um problema que persiste.

O CFL já tem mais de 100 anos, foi inaugurado em 1909 com uma extensão de 479 quilómetros, com alguns ramais que hoje já não existem nem foram recuperados nesta intervenção.

Um dos grandes problemas da administração dos CFL é a substituição do pessoal depois de a maior parte dos funcionários ter morrido ou abandonado o serviço com o desenrolar da guerra, bem como a substituição de todo o material, à exceção daquele em uso no troço entre Luanda e Viana, cerca de 20 quilómetros, que nunca deixou de estar operacional e foi modernizado nos últimos anos.

Um dos episódios que mais marcou esta linha durante o longo conflito armado em Angola, contribuindo decisivamente para a sua inutilização, foi o ataque em Zenza do Itombe, Kwanza Norte, atribuído aos guerrilheiros da UNITA, em 2001, onde morreram mais de 250 pessoas e centenas ficaram feridas.

Apesar de a UNITA afirmar que o comboio era um alvo militar por transportar armamento, sempre negado pelo Governo, neste ataque a generalidade das vítimas eram passageiros civis.

Para o sector dos caminhos-de-ferro em Angola, os próximos dois anos vão ser decisivos com a abertura em 2011 dos CFM e em 2012 da linha de Benguela, a única com ligação internacional e a mais longa e importante do país, ao ligar o porto do Lobito à República Democrática do Congo e para a qual está previsto um ramal à Zâmbia.

O Governo angolano já admitiu abrir a gestão dos caminhos-de-ferro, nas três linhas, a privados.
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Guiné-Bissau: Alívio da dívida não resolve problemas e mundo estará atento...

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... aos próximos desenvolvimentos - CPLP
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MB – MSE - LUSA

Bissau, 19 dez (Lusa) -- O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereia, considera que o alívio da dívida da Guiné-Bissau não resolve os problemas do país e que o mundo estará "atento aos próximos desenvolvimentos".

"Não há um elemento qualquer que por si só possa resolver o problema", afirmou Domingos Simões Pereira em declarações à Lusa à margem do Momento CPLP, que decorre em Bissau.

Segundo Domingos Simões Pereira, os guineenses têm de "somar ingredientes, fatores que possam congregar para criar um momento positivo e isto é essencial".

"Tudo depende agora da forma como nos mobilizamos para o utilizar. Temos de estar conscientes de que o mundo ao estender-nos esta oportunidade estará atento aos próximos desenvolvimentos", sublinhou o secretário-executivo da CPLP.

"Saberemos honrar esta oportunidade criando consensos internos para que esta oportunidade produza frutos ou iremos desperdiçar a oportunidade através de discussões completamente desviadas do essencial", disse o guineense Domingos Simões Pereira.

O secretário-executivo da CPLP considerou também que é preciso estudar o significado do perdão de parte da dívida pelo Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, anunciado na quinta-feira.

"É preciso estudar o que significa o perdão da dívida, quais as implicações diretas, como abordar a questão numa vertente interna, mas também de uma visão internacional, porque eu acho que não compreendemos muito bem do quê que estamos a falar", disse.

Para Domingos Simões Pereia, o "perdão da dívida por si só não produz disponibilidades financeiras o que produz é a disponibilidade da comunidade financeira internacional considerar o país um interlocutor válido".

"É preciso produzir outros elementos que mobilizem a disponibilidade desses recursos, por outro lado liberta um curso normal de fluxo financeiro que pode ser devidamente utilizado para convencer que de facto estamos numa comunidade", disse.

O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial anunciaram na quinta-feira um alívio da dívida para a Guiné-Bissau de 1,2 mil milhões de dólares (905 milhões de euros) e assistência financeira para reduzir ainda mais a dívida do país.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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CEDEAO ENVIA MISSÃO À COSTA DO MARFIM

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ANGOLA PRESS

Luanda, – Uma delegação composta por três Presidentes de países membros da Comunidade Económica dos Estados da África

Ocidental (CEDEAO) partt para a Côte d'Ivoire nesta terça-feira para transmitir ao Presidente cessante, Laurent Gbagbo, a decisão tomada sexta-feira passada pela organização sub-regional que apela a abandonar o poder caso contrário será usada a força para o destituir, soube-se de fonte oficial.

O porta-voz da CEDEAO, Sunny Ugoh, disse à imprensa domingo, em Lagos que os Presidentes de Cabo Verde, Pedro Pires, do Benin, Thomas Yayi Boni, e da Serra Leoa, Ernest Bai Koroma vão reunir-se com Gbagbo em Abidjan.

Sunny Ugoh adiantou que o Presidente da Comissão da CEDEAO, James Victor Gbeho, deverá também integrar a delegação.

Os líderes da CEDEAO, reunidos em cimeira extraordinária na sexta-feira passada em Abuja, advertiram que a organização sub-regional iria usar a força para depor Laurent Gbagbo se ele se obstinar em manter-se no poder.

A crise pós-eleitoral na Côte d'Ivoire surgiu depois de Laurent Gbagbo e o seu opositor, Alassane Outtara, terem formado Governos paralelos na sequência da proclamação da vitória de ambos nas eleições presidenciais de 28 de Novembro passado pelo Conselho Constitucional e pela Comissão Eleitoral Independente (CEI), respetivamente.

Confrontos entre as forças de segurança leais a Laurent Gbagbo e apoiantes de Alassane Ouattara causaram 173 mortos, segundo as Nações Unidas.
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GBAGBO CONTRA-ATACA COM AMEAÇA DE GUERRA CIVIL

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ABEL COELHO DE MORAIS – DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Laurent Gbagbo garantiu ontem que a Costa do Marfim será confrontada com uma nova guerra civil e os interesses de cidadãos estrangeiros no país serão atacados, se se verificar uma intervenção militar internacional.

As declarações do líder marfinense, derrotado na segunda volta das presidenciais de 28 de Novembro, foram feitas no mesmo dia em que as autoridades do aeroporto de Basel-Mulhouse-Friburgo retiveram o avião privado de Gbagbo, "a pedido das autoridades legítimas" da Costa do Marfim, referiu um porta-voz da diplomacia francesa.

O aparelho encontrava-se ali para operações de manutenção. As autoridades legítimas de Abidjan, referidas pelo diplomata francês, são os partidários do vencedor da segunda volta das eleições, Alassane Ouattara, que se encontram instaladas num hotel da capital marfinense. Este encontra-se sob protecção de 800 efectivos do contingente da ONU no país. Por sua vez, os partidários de Gbagbo cercam o hotel e tentam impedir os movimentos da força da ONU, tendo-se registado já alguns incidentes.

As ameaças de Gbagbo foram explicitadas pelo seu porta-voz, Ahoua Don Mello, que indicou estarem em causa não só os cidadãos ocidentais como os naturais de países vizinhos, que trabalham na Costa do Marfim.

Na previsão de um agravamento do conflito, 14 mil pessoas já deixaram o país. A ONU estima que nos próximos dias outros tantos seguirão o mesmo caminho.

Provenientes da Libéria, Guiné, Mali, Burkina Faso e Gana, estima--se que sejam cerca de cinco milhões os naturais destes países activos na economia marfinense. Estes cinco Estados, mais Serra Leoa, Senegal, Nigéria, Niger, Togo, Guiné-Bissau, Gâmbia, Cabo Verde e Benim, além da Costa do Marfim, constituem a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) que amanhã envia um delegação de alto nível para contactos com Gbagbo e Ouattara (ver texto nesta pág.).

A CEDEAO reconheceu a vitória a Ouattara, assim como a ONU e a maioria da comunidade internacional. Numa reunião realizada sexta-feira em Abuja, Nigéria, a maioria dos membros daquela organização pronunciou-se a favor de uma intervenção armada para afastar Gbagbo, se este não abdicar do poder voluntariamente.

Formada pelos Presidentes de Cabo Verde, da Serra Leoa e do Benim, a delegação da CEDEAO é considerada a última oportunidade para Gbagbo rever a sua posição. Declarações do ministro do Interior do Governo do presidente derrotado dão a entender que a presença destes dirigentes não produzirá o resultado desejado.

"Vamos escutar a sua mensagem, sendo claro que para nós o respeito da nossa Constituição não é negociável", disse Emile Guiriéoulou. No mesmo sentido se pronunciara antes o porta-voz de Gbagbo, Don Mello, acusando de "delinquência política" os Estados que advogaram o recurso à força na reunião de Abuja.

O Governo angolano desmentiu, entretanto, a presença de nacionais deste país ao lado das forças de Gbagbo, que fora denunciada pelo responsável da missão da ONU, Alain Le Roy. Este, citando diplomatas em Abidjan, disse ter sido detectada a presença de mercenários liberianos e angolanos. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Luanda, Jorge Chicoty garantiu que o seu país "não tem qualquer interferência" na Costa do Marfim.
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"Portugal não está em crise económica, precisa é de valores" - Teresa Ricou

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JYF – LUSA

Lisboa, 23 dez (Lusa) - Teresa Ricou considera, do alto da colina lisboeta donde dirige o projeto cultural Chapitô, que Portugal não está em crise. Precisa é de valores sociais e de "políticos que desçam à terra".

A primeira mulher palhaça portuguesa - Tété -, há quase 30 anos à frente de um projeto artístico e social que considera "uma retaguarda cultural e uma vanguarda humanista", defende também que ao país que "cabe todo no Chapitô" falta "um projeto político, social, cultural e de educação" que olhe para os afetos e para além da economia.

"O país não está em crise. Acho que há bastante dinheiro por todo o lado, está é muito mal distribuído. Porque as pessoas mais ricas continuam a ser ricas, as mais pobres continuam a ser pobres. Agora há, realmente, uma crise de valores muito grande", afirmou à Lusa.

E escolheu uma metáfora para explicar melhor: "É preciso fazer uma limpeza deste rio para que os peixinhos continuem a nadar, para que haja um equilíbrio social, que não está a haver", afirmou.

Teresa Ricou considera que faziam falta ao país políticos mais próximos das pessoas, "mais próximos da realidade": "Nós sentimo-nos sós cá em baixo. [Os políticos] preocupam-se mais com a competitividade política dos partidos do que propriamente com o projeto social pelo qual devíamos todos estar a lutar", afirmou.

E, acrescentou, neste "circo político, onde há vários artistas ao mesmo tempo, há uma disputa relativamente pouco clara e pouco interessante entre eles, [que faz com que] a mudança da sociedade não seja feita efetivamente".

"Incomoda-me o discurso que tenho visto agora para as campanhas, um discurso um bocado gratuito: as pessoas falam por falar, dizem por dizer, não tem grande objetividade e coisas concretas. E estão numa guerra de audiências", disse.

A artista disse-se ainda preocupada com futuro da atual "geração de rápido desgaste", com a qual pretende "brincar um bocado, juntando o cheiro a livros aos computadores" para "superar a ditadura dos direitos pela ditadura dos afetos".

Ainda uma palavra sobre o papel do Estado na Cultura, na Educação e no Serviço Social do cenário de hoje: "Acho que o Estado tem que existir, tem que ser um espaço regulador daquilo que fazem as organizações e não pode ser concorrente com elas. Mas acho também que já é altura de as empresas começarem a participar", terminou.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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Portugueses receberam crise com surpresa mas podem passar à explosão

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i ONLINE – LUSA – 27 dezembro 2010

A crise foi-se instalando e apanhando os portugueses de surpresa. Primeiro é a estupefação e a inação ditadas pelo medo instaurado por um passado recente sem democracia, depois é a "explosão", que rebentará espontaneamente ou por contágio europeu.

A opinião é dos sociólogos António Barreto e Boaventura Sousa Santos, que justificam a aparente calma da sociedade portuguesa, num contexto de agravamento de crise e de escalada de violência em manifestações pela Europa, com falta de tradição organizativa e excessiva dependência do Estado.

"O ano 2010 é um ano de susto, em que os portugueses foram apanhados de surpresa. Um ano de medidas de austeridade aplicadas gradualmente e que não tiveram um efeito pleno na vida dos portugueses, como tiveram em países como a Grécia, onde as medidas foram particularmente drásticas", afirmou Boaventura Sousa Santos.

Além disso, Portugal não tem tradição organizativa, considera o sociólogo, lembrando que o país viveu metade do século XX sem democracia e que, por isso, as pessoas continuam a ter medo e a viver como num regime de ditadura.

"É natural que algo aconteça a partir do momento em que estas medidas possam entrar não só no bolso, mas na cabeça das pessoas e estas percebam que estão a ser roubados para que o sistema financeiro e os bancos continuem a ganhar rios de dinheiro e a fazer disparar o consumo ostentatório que tem neste Natal um dos pontos mais altos desde 2008", afirmou.

Boaventura Sousa Santos acredita que as "coisas vão piorar" e que "se não houver inflexão vai-se assistir a uma situação explosiva nos próximos anos".

Na opinião do sociólogo, Portugal não é dos países que "mais se ofendem, pois viveu muito tempo com a mediocridade escondida do salazarismo", e "não tem tanta perceção de justiça", mas pode ser contagiado pelas mobilizações sociais na Europa, perante o desgaste dos direitos sociais.

Para António Barreto, o problema de Portugal é a dependência do Estado e das organizações públicas.

"Quanto maior a dependência, mais o receio de expressão livre e independente, sobretudo da expressão de contestação. Mas também este facto tem particularidades: recalcar a expressão crítica por causa de dependência pode conduzir a verdadeiras explosões, mais tardias, mas mais cruas ou violentas", considera o sociólogo.

A capacidade organizativa e de contestação social - que em Portugal é diminuta - é mais eficaz, mais rápida e mais visível, mas também mais controlável.

Em contrapartida, "a contestação espontânea é mais difícil, mais lenta, mais longa de desenvolver, mas também mais profunda e ameaçadora para a ordem estabelecida", referiu.

Durante este ano, o clima de contestação foi elevado, mas sob formas pacíficas e institucionais, considerou o sociólogo, lembrando, contudo, que a situação se pode alterar.

"Nem sempre a contestação é proporcional à dificuldade. Por exemplo, taxas elevadas de desemprego e até situações de fome ou carência podem coexistir com graus igualmente elevados de resignação", afirmou, manifestando-se convicto de que no próximo ano se "desenvolverá muito significativamente o descontentamento".

Na opinião do sociólogo, se o poder político não souber responder com clareza e se revelar instável e incoerente, as coisas podem agravar-se.

"E se o poder político persistir em não reconhecer os problemas, em não esclarecer, em mentir, em enganar os cidadãos e em, pior de tudo, enganar-se a si próprio, poderemos recear uma crescente tensão social", acrescentou.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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DEMOCRACIA E RIQUEZA: NÃO SE PODE TER AMBAS

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CHUCK COLLINS – SIN PERMISSO – CARTA MAIOR

Louis Brandeis, juiz da Suprema Corte, disse: “Podemos ter democracia ou riqueza concentrada, mas não podemos ter ambas as coisas”. De acordo com a fórmula de Brandeis, a proposta tributária do presidente Obama é um fracasso. Ao ampliar os cortes de impostos do governo Bush para os ricos e ao instituir um imposto altamente debilitado sobre a propriedade, mais riqueza fluirá para as mãos do 1% mais rico e, dentro desse índice, para o décimo mais rico desse 1%. Esse setor utiliza sua riqueza e força para apoiar mudanças de políticas públicas que concentram ainda mais a riqueza. Agora nos encontramos no que pode ser caracterizado como “espiral letal rumo à plutocracia”. O artigo é de Chuck Collins.

Em 2010, uma prova fundamental de moral para uma política pública é: ela concentra ainda mais a riqueza e o poder nas mãos de uns poucos? Ou dispersa a riqueza e o poder concentrado e reforça as possibilidades de uma sociedade democrática com maior igualdade, melhor saúde, bem estar, prosperidade compartilhada e sustentabilidade ecológica? Ela nos move na direção da plutocracia ou da paz e prosperidade.

Louis Brandeis, juiz da Suprema Corte, disse: “Podemos ter democracia ou riqueza concentrada, mas no podemos ter ambas as coisas”. De acordo com a fórmula de Brandeis, a proposta tributária do presidente Obama é um fracasso. Ao ampliar os cortes de impostos do governo Bush para os ricos e ao instituir um imposto altamente debilitado sobre a propriedade, mais riqueza fluirá para as mãos do 1% mais rico e, dentro desse índice, para o décimo mais rico desse 1%.

A maioria de nós sabe da disposição do presidente Obama para mudar sua proposta de campanha de acabar com os cortes de impostos para as famílias mais ricas. Isso custará 60 bilhões de dólares em 2011 e uns 700 bilhões nos próximos anos caso tais cortes sejam mantidos permanentemente. Mas Obama também abandonou sua posição sobre o imposto federal sobre a propriedade, que falava em congelá-lo nos níveis de 2009 (taxa de 45% com isenção para riqueza até 3,5 milhões de dólares). Agora, está apoiando a emenda de Kyl-Lincoln que propõe a ampliação dessa isenção para 5 milhões (10 milhões no caso de um casal), com redução da taxa para 35%. A diferença de custos entre essas duas medidas é de, pelo menos, 100 bilhões de dólares em 10 anos.

Durante a última geração, este 1%, com algumas exceções admiráveis, utilizou sua considerável riqueza e força para apoiar mudanças de políticas públicas que concentrem ainda mais a riqueza. Agora nos encontramos no que pode ser caracterizado como “Espiral letal rumo à plutocracia”.

Conforme a riqueza se concentra, um segmento muito organizado da classe endinheirada utiliza sua riqueza, privilégios e poder para mudar as regras da economia e concentrar ainda mais a riqueza e o privilégio. A progressão lógica destas políticas é uma sociedade governada pela riqueza, uma versão moderna e de alta tecnologia da Era Dourada de 1900.

Por 30 anos, presidentes liberais e congressistas democratas firmaram acordos com uma crescente facção pró-plutocrática bipartidária (majoritariamente republicana). Conseguimos algumas vitórias para as famílias trabalhadoras – auxílio família, incremento do salário mínimo, ampliação do cuidado com saúde, cortes de impostos para a classe média – mas o preço sempre tem sido cortes de impostos para os ricos e as corporações. Sob Clinton e Bush II não se poderia conseguir nada ligeiramente progressista sem uma grande concessão para a classe rica ou corporativa – algum corte de imposto sobre a renda ou algum resquício corporativo.

Esse tipo de compromisso tem sido central para a estratégia política de Obama: para conseguir um pacote de estímulos para salvar a economia, teve que conceder um terço de US$ 780 bilhões em isenção de impostos para corporações (e mesmo assim não conseguiu um só voto republicano). Para conseguir melhor cobertura de saúde para os não segurados, os legisladores abandonaram a “opção pública” que teria forçado a competição e diminuído o poder e os lucros do cartel da indústria médica.

Para incluir um escritório de Proteção Financeira para o Consumidor na lei de reforma financeira de junho de 2010, os legisladores permitiram que Wall Street mantivesse sua arriscada operação de cassino – abrindo o caminho para futuras bolhas, colapsos e resgates.

Essa é uma estratégia muito custosa. O custo é de bilhões de dólares de recursos públicos que poderiam ser utilizados para realizar investimentos já atrasados em infraestrutura, educação, independência energética, coisas que realmente poderiam ajudar a economia. Pior ainda, cria futuras batalhas políticas onde os ricos e as corporações poderosas têm quase todas as munições. No ambiente financeiro da campanha pós “Cidadãos Unidos”, está é uma rendição premeditada.

Só há algumas poucas formas de intervir para prevenir a “espiral letal rumo à plutocracia” e reverter o curso atual. Todas requerem uma cidadania comprometida que diga de forma clara: “Queremos uma economia que sirva a todos, não somente aos ricos”. A primeira intervenção é mediante impostos progressivos sobre a riqueza, a renda e a propriedade.

Necessitamos urgentemente restaurar um imposto progressivo sobre a propriedade. No lugar de fazer um acordo para instaurar a proposta republicana sobre os impostos que debilita a lei, o Congresso deve impulsionar a “Responsible Estate Tax Act”, que começaria a romper com a riqueza concentrada.

A segunda é mediante uma robusta campanha de reforma financeira que acabe com o vínculo entre riqueza e poder político. Qualquer coisa que coloque obstáculos entre a influência política e a riqueza ajuda a enfraquecer a espiral letal. A terceira é mobilizar a facção silenciosa de elites ricas que consideram o bem comum como algo de seu interesse. Nem todos os integrantes dessa elite estão atuando energicamente para proteger seu poder e sua riqueza. O Wealth for a Common Good Network é um início inspirador, com alguns milhares de líderes de negócios e indivíduos ricos defendendo políticas que tenham como resultado prosperidade e oportunidades mais amplas. Eles podem desfazer a mitologia que ronda a criação e o merecimento da riqueza que frequentemente justifica cortes de impostos para os ricos, além de apoiar as posições dos cidadãos comprometidos.

O senador Bernard Sanders propõe um filibuster (intervenção parlamentar feita com o propósito de impedir que um assunto seja submetido à votação) contra a proposta de corte de impostos – e planeja ler centenas de documentos sobre os perigos da desigualdade extrema nos Estados Unidos. Façamos todos algo similar em nossas vidas e exijamos que nossos políticos façam o mesmo.

(*) Chuck Collins é pesquisador do Institute for Policy Studies, onde dirige o Program on Inequality and the Common Good (www.ips-dc.org/inequality). É co-autor de The Moral Measure of the Economy (Orbis Books) e Bill Gates, Sr. de Wealth and Our Commonwealth: Why America Should Tax Accumulated Fortunes (Beacon).

Tradução para Sinpermiso.info: Pablo Yanes Thomas
Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto
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WikiLeaks: Telegramas apontam Guiné Bissau como um Estado controlado...

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… pelo tráfico de droga

GC – LUSA

Lisboa, 26 dez (Lusa) - Telegramas da diplomacia norte americana revelados pela Wikileaks indicam que a Guiné Bissau é um Estado controlado pelo tráfico de droga e dominado por organizações criminosas, notícia hoje o jornal El País.

Segundo o diário espanhol, os telegramas da diplomacia dos Estados Unidos falam de um alerta da agência norte americana de combate a droga (DEA) de que a África ocidental caiu nas mãos dos traficantes de droga.

A situação na Guiné-Bissau é descrita como "muito preocupante" e "provavelmente excedendo a capacidade de controlo do governo", sendo apontado como "o primeiro narco Estado emergente" do continente africano, onde nem existe preocupação em simular queima de droga apreendida como acontece na Guiné Conacri.

"As unidades de segurança foram controladas pelo tráfico de droga", revela o El País citando um telegrama de 2007 emitido pela diplomacia norte americana no Senegal numa referência à Guiné Bissau.

O telegrama refere também vários supostos líderes do tráfico, entre os quais o ministro da Defesa e o chefe das Forças Armadas.

Já no que se refere ao então presidente Nino Vieira - entretanto assassinado -, os telegramas da diplomacia norte americana indicam que não existem provas da sua implicação no tráfico de droga.

De acordo com o "El País", o combate à droga na América do Sul fez ressurgir outras plataformas mais cómodas para o envio da mercadoria para a Europa e Estados Unidos.

Abalados por guerras civis, asfixiados pela corrupção e o caos institucional, adianta o jornal, os países da África Ocidental converteram-se nos últimos anos em centros de distribuição da droga sul americana e asiática.

Alguns países como Guiné Bissau "caíram nas mãos de organizações criminosas sofisticadas" e outros como a Serra Leoa ou a Libéria defende-se como podem "mas em conjunto o tráfico de droga está a aumentar e sem vontade política para o combater a África Ocidental será incapaz de deter esta perigosa tendência", assinala a embaixada dos Estados Unidos em Serra Leoa num telegrama de abril de 2009.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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domingo, 26 de dezembro de 2010

O FATO USADO DO PRESIDENTE

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ZITA SEABRA – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião – 26 dezembro 2010

Três dias antes do Natal, assistia calmamente ao Telejornal da RTP1 quando vi a grande notícia da noite. Entre os atentados em Bagdade e as agências de rating, uma voz off anuncia o que as câmaras filmam: o presidente da maior empresa pública portuguesa a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal. Fiquei comovida.
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Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa? Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise. A RTP, Telejornal à hora nobre, filma o comovente gesto. Em off, o locutor explica o sentido dizendo que alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.

Primeiro, pensei que estava a dormir e um pesadelo me fizera voltar ao tempo de Salazar, à RTP a preto e branco ou à série da Rita Blanco «Conta-me como foi».

Mas não, eu estava acordada e a ver o presidente da EDP no Telejornal da RTP 1 (podem ver o filme na net) posar sorridente para as câmaras, a levar um saquinho a um caixote, que não era de lixo, mas de oferta. Por acaso, estava à porta da EDP a RTP a filmar o gesto. Iam a passar e filmaram, certamente, porque para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva. Um velhinho num lar de Vila Real vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego... Mentalidade herdada do Estado Novo, foi a minha primeira análise, teorizando imediatamente que os ricos em Portugal, os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê, são os mesmos com a mesma mentalidade salazarenta. Mas nem é verdade, pois, mesmo nesse tempo, as senhoras do regime organizavam enxovais novos nas aulas de lavores do meu liceu para dar no Natal aos pobres que iam nascer.

Tantos assessores de imprensa na EDP, tantos assessores na Fundação EDP, milhões de euros gastos em geniais campanhas de marketing, tantas cabeças inteligentes diariamente pagas para vender a imagem do presidente da EDP, tudo pago a preço de ouro, e não concebem nada melhor do que mandar (!?) filmar, no espaço do Telejornal mais importante do país, um gesto indigno, triste, lamentável, que envergonha quem vê. Não têm vergonha? Não coraram? E a RTP que critérios usa no Telejornal para incluir uma notícia?

Há uns meses escrevi ao presidente da EDP e telefonei-lhe mesmo, a pedir ajuda da empresa para reparar a velha instalação eléctrica, gasta pelo uso e pelo tempo, de uma instituição, onde vivem 40 adultas cegas e com deficiências e que têm um dos mais ricos patrimónios culturais do país. A instituição recebeu meses depois a resposta: a Fundação EDP esclarecia que esse pedido não se enquadrava nas suas atribuições. Agora percebi. Pedia-se fios eléctricos, quadros eléctricos novos e lâmpadas novas. Devia-se ter escrito ao senhor presidente da maior empresa (pública) portuguesa, com os maiores prémios de desempenho, cujo vencimento é superior ao do presidente dos Estados Unidos, para que oferecesse uma lâmpada em segunda mão, que ainda acendesse e desse alguma luz. Talvez assim mandasse um dos seus motoristas, com um dos geniais assessores de imprensa e um dos fantásticos directores de marketing, avisar a RTP (a quem pagamos uma taxa na factura da luz) para virem filmar a entrega da lâmpada num saquinho de papel.

2011 anuncia-se um ano duro para os portugueses e sê-lo-á tanto mais quanto os responsáveis pelo estado a que se chegou não saírem da nossa frente.
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